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Depois de passar 28 anos em um laboratório biomédico, chimpanzé Vanilla chegou a um santuário e sua reação ao enxergar o céu aberto pela primeira vez surpreendeu o mundo
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 21/08/2026 às 08:33
Atualizado em 21/08/2026 às 08:34
Ciência e Tecnologia
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Nascida em um laboratório biomédico, Vanilla passou 28 anos em ambientes cercados antes de chegar a um santuário de 60 hectares na Flórida e ver o céu aberto.
Em 2023, uma chimpanzé chamada Vanilla tornou-se conhecida internacionalmente quando um vídeo registrou seus primeiros momentos em uma ilha aberta do santuário Save the Chimps, na Flórida. Nascida em 22 de julho de 1994 e mantida durante os primeiros 28 anos de vida em instalações cobertas por grades ou telas, ela parou diante da área externa e olhou repetidamente para o céu sem obstáculos acima de sua cabeça. Segundo o Washington Post, aquele era o primeiro contato de Vanilla com uma visão completamente desobstruída do céu.
A cena viral foi apenas a parte visível de uma trajetória iniciada dentro de um laboratório de pesquisa biomédica em Nova York, seguida por décadas em um refúgio na Califórnia e, finalmente, por uma operação de transporte através dos Estados Unidos até o Save the Chimps, em Fort Pierce. O santuário ocupa 150 acres, aproximadamente 60,7 hectares, e é dividido em 12 grandes comunidades insulares destinadas a chimpanzés resgatados de laboratórios, entretenimento e comércio de animais.
Vanilla nasceu dentro de um laboratório biomédico em Nova York
A história começou em 1994. De acordo com o perfil oficial mantido pelo Save the Chimps, Vanilla passou seus primeiros anos em um laboratório de pesquisas biomédicas localizado em Nova York.
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A organização informa que chimpanzés mantidos naquela instalação eram alojados em estruturas com cerca de 5 pés por 5 pés por 7 pés, aproximadamente 1,5 metro por 1,5 metro por 2,1 metros, suspensas acima do chão e comparadas pelo próprio santuário a grandes gaiolas de pássaros.
Assista o vídeo
Em entrevistas concedidas quando o vídeo viralizou, a direção do Save the Chimps relacionou os primeiros anos de Vanilla ao contexto das pesquisas biomédicas envolvendo AIDS e hepatite.
Aos cerca de um ano, ela foi enviada para a Califórnia
A permanência em Nova York terminou ainda no início de sua vida. Em 1995, Vanilla esteve entre aproximadamente 30 chimpanzés enviados para o Wildlife Waystation, um refúgio de animais exóticos instalado na Califórnia. Ali, passou a integrar um pequeno grupo social.
A mudança representou a saída do laboratório, mas não significou acesso a grandes espaços abertos.
Segundo o Save the Chimps, os ambientes anteriores de Vanilla continuavam tendo coberturas de grades ou telas, impedindo uma visão completamente livre do céu. Foi justamente essa característica que transformaria sua chegada à Flórida, quase três décadas depois, em um fenômeno internacional.
Wildlife Waystation fechou e deixou quase 500 animais precisando de novos lares
A situação mudou drasticamente em 2019, quando o Wildlife Waystation encerrou suas atividades após enfrentar dificuldades financeiras.
O Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia informou que o fechamento deixou quase 500 animais dependentes de uma grande operação de realocação. Entre eles estavam leões, tigres, lobos, aves, répteis e 42 chimpanzés.
Assista o vídeo
A complexidade era enorme. Transportar grandes primatas exige planejamento veterinário, caixas específicas, locais capacitados para recebê-los e integração cuidadosa com outros animais.
O processo levou aproximadamente três anos. Apenas em dezembro de 2022 o governo californiano anunciou que todos os animais que permaneciam no antigo Wildlife Waystation haviam sido transferidos para novas instalações.
Vanilla ficou entre os últimos chimpanzés escolhidos para deixar o local
Vanilla integrou um grupo conhecido como Sunrise Seven. Além dela, viajaram Shake, Cayleb, Ernesta, Jacob, Jeff e Magic. Os sete estavam entre os últimos chimpanzés do antigo refúgio destinados ao Save the Chimps.
A transferência aconteceu em 2022 e atravessou os Estados Unidos.
Funcionários do santuário viajaram até a Califórnia levando caixas de transporte construídas especificamente para atender aos requisitos do deslocamento dos animais. Depois, os chimpanzés deixaram Los Angeles em um avião da FedEx.
O voo passou por Memphis antes de chegar a Orlando, na Flórida.
A última etapa foi terrestre: os sete chimpanzés seguiram de Orlando até Fort Pierce em um caminhão climatizado disponibilizado para a operação.
Antes de chegar à ilha, Vanilla ainda passou por quarentena e integração
O avião pousar na Flórida não significava que Vanilla poderia simplesmente ser liberada em uma grande área no mesmo dia.
Chimpanzés vivem em sociedades complexas, e a introdução de novos indivíduos precisa ser feita gradualmente.
Vanilla e os demais recém-chegados passaram pelo procedimento de quarentena adotado pelo Save the Chimps e depois começaram um processo de integração com um grupo maior.
Ela e sua companheira Shake acabaram integradas à comunidade conhecida como Late’s Family, instalada na Air Force Island.
A ilha disponível para esse grupo possui aproximadamente 3 acres, ou cerca de 1,2 hectare, com estruturas de escalada e espaço aberto para circulação.
Em junho de 2023, uma porta se abriu e Vanilla hesitou
Foi nesse processo que surgiu a gravação que correu o mundo. Em junho de 2023, cuidadores abriram o acesso à ilha para Vanilla e Shake. Shake saiu praticamente de imediato. Vanilla tomou uma atitude diferente: permaneceu inicialmente na entrada observando o novo ambiente.
Dwight, macho dominante do grupo, aproximou-se. Vanilla então avançou e os dois tiveram um contato físico registrado pelas câmeras.
Pouco depois, aconteceu o momento que transformaria a chimpanzé em notícia internacional.
Ao avançar pela área externa, Vanilla ergueu repetidamente a cabeça e observou o espaço acima dela. O Save the Chimps afirma que aquele foi o primeiro momento de sua vida diante de um céu completamente aberto, já que seus ambientes anteriores possuíam coberturas.
Santuário nasceu justamente para receber chimpanzés usados por humanos
A história de Vanilla se encaixa em uma transformação maior ocorrida nos Estados Unidos.
O Save the Chimps foi criado em 1997, inicialmente relacionado ao destino de chimpanzés utilizados pela Força Aérea americana em pesquisas ligadas ao programa espacial. Após uma disputa judicial, a organização recebeu a custódia de 21 desses animais.
Em 2002 ocorreu uma mudança de escala. O santuário assumiu 266 chimpanzés ligados à Coulston Foundation, laboratório biomédico no Novo México que enfrentava graves problemas e havia acumulado violações da legislação de bem-estar animal.
A partir daí, centenas de chimpanzés foram transferidos progressivamente para as ilhas da Flórida.
Vanilla chegou duas décadas depois dessa primeira grande operação, mas carregava a mesma ligação histórica com o sistema de utilização de grandes primatas em pesquisas.
Da gaiola coberta para uma ilha de 1,2 hectare
Depois da integração, Vanilla passou a utilizar regularmente a ilha de aproximadamente três acres com os outros membros de seu grupo.
O Save the Chimps registra que ela explora o território, descansa e participa de interações sociais com os demais chimpanzés.
Sua história acabou se tornando um exemplo especialmente visual da mudança provocada pelos programas de transferência para santuários.
Nascida dentro de um laboratório biomédico em 1994, transferida para um refúgio californiano em 1995, atingida indiretamente pelo fechamento daquela instituição em 2019 e transportada de avião para a Flórida em 2022, Vanilla precisou esperar até 2023, aos 28 anos, para chegar àquela ilha.
Foi então que uma câmera registrou algo aparentemente simples: uma chimpanzé parada, olhando para cima. O que tornou aquelas imagens extraordinárias estava justamente nos 28 anos que vieram antes delas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

