Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Depois de passar grande parte da vida confinada em um espaço de apenas 3 por 4 metros com piso de concreto na Ucrânia, leoa Yuna sobreviveu aos bombardeios da guerra, percorreu mais de 2.250 quilômetros até um santuário no Reino Unido e sentiu grama sob as patas pela primeira vez

Depois de passar grande parte da vida confinada em um espaço de apenas 3 por 4 metros com piso de concreto na Ucrânia, leoa Yuna sobreviveu aos bombardeios da guerra, percorreu mais de 2.250 quilômetros até um santuário no Reino Unido e sentiu grama sob as patas pela primeira vez

6 min de leitura

Depois de passar grande parte da vida confinada em um espaço de apenas 3 por 4 metros com piso de concreto na Ucrânia, leoa Yuna sobreviveu aos bombardeios da guerra, percorreu mais de 2.250 quilômetros até um santuário no Reino Unido e sentiu grama sob as patas pela primeira vez

Escrito por Carla Teles

Publicado em 27/08/2026 às 14:01

Curiosidades

Canal

Assista o vídeo
A leoa Yuna deixa a Ucrânia após ataque de mísseis, percorre 2.253 km ao Big Cat Sanctuary, no Reino Unido, e pisa na grama pela primeira vez. Imagem: Reprodução/The Big Cat Sanctuary/YouTube.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

A leoa Yuna foi encontrada em Kiev, na Ucrânia, vivendo num recinto de 3 por 4 metros com piso de concreto. Após ser resgatada, sofreu grave impacto de ataque de mísseis, recuperou-se por meses e percorreu 2.253 quilômetros até o Big Cat Sanctuary, no Reino Unido, onde conheceu a grama.

A leoa Yuna, que teria cerca de três anos, foi encontrada por voluntários militares em fevereiro de 2023, em Kiev, na Ucrânia, mantida em condições inadequadas ao lado de um jovem leão macho. Os dois viviam em um espaço de apenas 3 por 4 metros, com piso de concreto, situação que limitava severamente os movimentos dos animais.

Segundo informações do The Big Cat Sanctuary, responsável pelo santuário que recebeu Yuna no Reino Unido, a leoa precisou de meses de recuperação antes da transferência. A página institucional que detalha sua história não informa uma data específica de publicação, embora registre sua chegada ao santuário em 17 de agosto.

Leoa Yuna passou grande parte da vida sobre concreto

Imagem: Reprodução/The Big Cat Sanctuary/YouTube.

O confinamento anterior deixou consequências físicas importantes. Yuna havia permanecido por longo período sobre um piso de concreto frio, sem condições adequadas para realizar comportamentos naturais ou se movimentar como um grande felino normalmente faria.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Após o resgate realizado em fevereiro de 2023, uma avaliação veterinária identificou ferimentos associados ao tempo prolongado sobre o concreto. A leoa também estava acima do peso, situação relacionada à falta de exercícios e à alimentação inadequada recebida anteriormente.

Espaço tinha somente 3 por 4 metros

A leoa Yuna dividia o pequeno recinto com um jovem leão macho. Considerando o porte desses animais, a área disponível oferecia poucas possibilidades de deslocamento e praticamente nenhuma oportunidade de explorar um ambiente semelhante ao natural.

Havia ainda a suspeita de que os dois animais seriam utilizados para reprodução ilegal, embora essa possibilidade não tenha sido confirmada como um plano efetivamente executado. O que estava comprovado era o confinamento dos leões em condições consideradas inadequadas.

Ataque de mísseis provocou novo trauma em janeiro de 2024

Mesmo depois de ser retirada da residência onde vivia, Yuna ainda enfrentaria outro episódio extremo. Durante um ataque russo de grande escala realizado em janeiro de 2024, destroços caíram a aproximadamente 300 metros do local onde a leoa estava abrigada.

O impacto provocou uma concussão grave e perda de coordenação. Imagens de câmeras de segurança mostraram Yuna encolhida em um canto, rosnando e apresentando sinais intensos de estresse depois das explosões.

Recuperação levou meses e exigiu cuidados especializados

Imagem: Reprodução/The Big Cat Sanctuary/YouTube.

O quadro da leoa Yuna foi associado também a um grave transtorno de estresse pós-traumático. Durante parte desse período, ela chegou a não conseguir permanecer em pé normalmente e precisou de acompanhamento especializado.

A recuperação ocorreu de maneira gradual. Além dos efeitos emocionais provocados pelo ataque, a falta de condicionamento físico acumulada durante o confinamento também precisava ser enfrentada, especialmente porque a leoa tinha pouca musculatura e mobilidade reduzida.

Viagem até o Reino Unido exigiu semanas de preparação

Depois de semanas de planejamento e arrecadação de recursos, foi organizada a transferência de Yuna para um santuário especializado no Reino Unido. A operação também envolveu Rori, outro leão retirado do centro de resgate de Kiev.

A equipe responsável buscou os animais em 14 de agosto. A partir dali começou uma viagem terrestre de aproximadamente 2.253 quilômetros, ou 1.400 milhas, atravessando a Europa durante quatro dias.

Leoa Yuna chegou ao santuário após longa jornada pela Europa

Imagem: Reprodução/The Big Cat Sanctuary/YouTube.

A etapa entre Kiev e o destino final exigiu cerca de 36 horas de deslocamento para Yuna. Ela chegou em segurança ao santuário nas primeiras horas de 17 de agosto, encerrando uma operação que havia começado dias antes na capital ucraniana.

Mesmo depois de todo o percurso, sua primeira reação ao chegar chamou atenção. Yuna deixou a caixa de transporte e começou a se acomodar rapidamente na nova toca, embora ainda precisasse passar por um período de adaptação antes de explorar áreas abertas.

Tratadores começaram reconstruindo a confiança do animal

A mudança de país não significava que a recuperação estivesse concluída. Inicialmente, Yuna permaneceu em uma área reservada, enquanto os responsáveis pelo cuidado do animal tentavam fazer com que ela se acostumasse ao novo ambiente e à presença humana.

Os tratadores permaneciam próximos, conversando em tom baixo e permitindo que a leoa determinasse o ritmo da aproximação. A cautela começou gradualmente a diminuir, e Yuna passou a se aproximar voluntariamente das pessoas responsáveis por seus cuidados.

Grama era uma experiência completamente desconhecida

Imagem: Reprodução/The Big Cat Sanctuary/YouTube.

Um dos efeitos mais marcantes do confinamento apareceu quando chegou o momento de sair da toca. A leoa Yuna nunca havia sentido grama sob as patas, consequência direta do longo período vivido sobre superfícies inadequadas na Ucrânia.

Nos primeiros momentos, ela demonstrou cautela diante do ambiente externo. A hesitação, entretanto, foi diminuindo conforme a leoa começou a caminhar e reconhecer um espaço com elementos naturais que nunca haviam feito parte de sua rotina.

Primeiros passos revelaram comportamento que não aparecia no antigo recinto

Imagem: Reprodução/The Big Cat Sanctuary/YouTube.

Depois da insegurança inicial, Yuna começou a explorar o novo território com crescente curiosidade. Ela passou a arranhar árvores e troncos e a demonstrar comportamento mais brincalhão, atividades que não eram possíveis no espaço de 3 por 4 metros onde viveu anteriormente.

Esses movimentos também tinham importância física. Explorar o recinto, caminhar e interagir com diferentes superfícies ajudavam a recuperar força muscular e mobilidade perdidas durante o período de confinamento.

Novo recinto permitiu comportamentos naturais

Para um animal que passou grande parte da vida limitado por paredes e concreto, o acesso a um ambiente mais amplo representou uma transformação significativa. A leoa Yuna passou a dispor de espaço para escolher onde permanecer, explorar objetos e se movimentar com maior liberdade.

A recuperação não estava relacionada apenas ao tamanho da área. O enriquecimento do ambiente permitia que o animal realizasse ações típicas de grandes felinos, algo importante depois de anos em condições que restringiam praticamente todas essas possibilidades.

História também expõe situação dos leões na natureza

Assista o vídeo

Yuna pertence à espécie Panthera leo, classificada como vulnerável. Leões africanos adultos podem pesar entre aproximadamente 120 e 190 quilos e possuem estruturas sociais incomuns entre os grandes felinos, formando grupos familiares conhecidos como bandos.

A população mundial de leões é estimada em menos de 20 mil indivíduos, número muito inferior aos aproximadamente 200 mil registrados no início do século XX. Entre as principais ameaças estão perda de habitat, comércio ilegal e conflitos entre animais e seres humanos.

De 12 metros quadrados à primeira caminhada sobre a grama

Assista o vídeo

A trajetória da leoa Yuna reuniu uma sucessão incomum de acontecimentos: confinamento em um recinto de apenas 3 por 4 metros, ferimentos associados ao concreto, resgate em Kiev, trauma provocado por um ataque de mísseis, meses de recuperação e uma viagem de mais de 2.250 quilômetros até o Reino Unido.

Depois de atravessar esse percurso, um momento aparentemente simples ganhou outro significado: sentir grama sob as patas, caminhar entre árvores e começar a explorar um espaço onde movimentos naturais finalmente eram possíveis. Na sua opinião, histórias como a de Yuna deveriam aumentar a fiscalização internacional sobre a manutenção privada e o comércio de grandes felinos? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

Sair da versão mobile