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Depois de passar os primeiros 23 anos da vida presa ao lado de um restaurante, ursa Mici é retirada do concreto com dentes quebrados, enfrenta viagem de 7 horas até um santuário na Áustria e finalmente troca uma vida inteira de confinamento por árvores, arbustos e um lago para explorar

Depois de passar os primeiros 23 anos da vida presa ao lado de um restaurante, ursa Mici é retirada do concreto com dentes quebrados, enfrenta viagem de 7 horas até um santuário na Áustria e finalmente troca uma vida inteira de confinamento por árvores, arbustos e um lago para explorar

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Depois de passar os primeiros 23 anos da vida presa ao lado de um restaurante, ursa Mici é retirada do concreto com dentes quebrados, enfrenta viagem de 7 horas até um santuário na Áustria e finalmente troca uma vida inteira de confinamento por árvores, arbustos e um lago para explorar

Escrito por Ana Alice

Publicado em 29/08/2026 às 03:45

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Ursa Mici deixa jaula após 23 anos, viaja da Eslovênia à Áustria e ganha árvores, arbustos e um grande lago para explorar no santuário. Crédito: FOUR PAWS/Divulgação.

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Depois de mais de duas décadas em um recinto ao lado de um restaurante, Mici deixa a Eslovênia, atravessa fronteiras e começa uma rotina marcada por espaço, vegetação, água e novos estímulos.

Durante mais de duas décadas, o mundo de Mici esteve limitado a um pequeno recinto ao lado de um restaurante em Žirovnica, perto de Bled, na Eslovênia.

A ursa-parda era mantida no local desde o início da vida e ficava exposta aos visitantes do estabelecimento.

Esse cenário começou a mudar em novembro de 2025, quando Mici foi retirada do cativeiro aos 23 anos e levada por aproximadamente sete horas até o Bear Sanctuary Arbesbach, na Áustria.

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A mudança colocou a ursa diante de elementos que não faziam parte da rotina anterior: árvores, arbustos, áreas de terra, espaços para se esconder e um lago próprio.

Meses depois, uma atualização divulgada pela organização internacional de proteção animal FOUR PAWS mostrou que a adaptação havia avançado.

Em abril de 2026, a entidade informou que Mici estava se recuperando bem no santuário e demonstrava interesse por objetos de enriquecimento ambiental, especialmente uma bola de vôlei que havia se tornado seu brinquedo favorito.

A informação permite acompanhar o que aconteceu depois de uma história que, inicialmente, terminava apenas com a chegada da ursa à Áustria.

Mici passou toda a vida ao lado de um restaurante

Antes da transferência, Mici vivia em Žirovnica, município localizado próximo ao lago Bled, uma das regiões turísticas mais conhecidas da Eslovênia.

Segundo a FOUR PAWS, ela passou toda a vida em um recinto pouco estruturado junto a um restaurante, onde permanecia exposta à presença constante de visitantes.

A organização classificava animais mantidos nessas condições como “ursos de restaurante”, expressão usada em suas campanhas para identificar exemplares mantidos próximos a estabelecimentos comerciais como atração para clientes.

O caso de Mici fazia parte de uma situação mais ampla.

Desde 2022, a entidade acompanhava cinco ursos mantidos de forma privada na Eslovênia e defendia a transferência dos animais para instalações especializadas.

Em 2024, uma campanha pública organizada pela FOUR PAWS reuniu mais de 100 mil apoiadores em diferentes países.

Nem todos os animais chegaram a ser resgatados.

Dois ursos morreram em 2024 antes que uma transferência fosse realizada.

Mici no recinto onde passou os primeiros 23 anos de vida ao lado de um restaurante em Žirovnica, na Eslovênia. Crédito: FOUR PAWS/Divulgação.

Proprietário concordou em entregar Mici

A situação de Mici começou a mudar em julho de 2025, quando seu proprietário concordou voluntariamente em transferi-la para os cuidados da FOUR PAWS.

Inicialmente, o destino previsto era outro santuário mantido pela organização na Alemanha.

O planejamento mudou alguns meses depois.

Em outubro, a entidade anunciou que a ursa seria encaminhada para o Bear Sanctuary Arbesbach, localizado cerca de 150 quilômetros a noroeste de Viena, na Áustria.

A decisão levou em consideração o comportamento de Mici e a avaliação da equipe responsável pela adaptação.

O santuário austríaco já havia recebido outro urso vindo da Eslovênia naquele mesmo ano.

Felix, que passou mais de 30 anos em cativeiro ao lado de outro restaurante, havia chegado ao local em maio de 2025.

Antes do resgate, Mici vivia em um recinto próximo a um restaurante e permanecia exposta à presença constante de visitantes. Crédito: FOUR PAWS/Divulgação.

Exames encontraram dentes quebrados e desgastados

Antes de iniciar a viagem, Mici passou por uma avaliação veterinária.

Os profissionais concluíram que ela estava em condições gerais consideradas relativamente boas para enfrentar o transporte, mas encontraram problemas dentários que precisariam de tratamento.

Dois caninos da arcada superior estavam quebrados ou bastante desgastados.

Problemas desse tipo são observados com frequência em ursos mantidos durante anos em ambientes inadequados, segundo a FOUR PAWS.

A organização informou que o tratamento dentário seria realizado depois que Mici tivesse tempo suficiente para se adaptar ao novo ambiente.

Durante toda a transferência, uma veterinária especializada em animais selvagens acompanhou a ursa.

Viagem até a Áustria durou cerca de sete horas

O deslocamento entre a Eslovênia e a Áustria levou aproximadamente sete horas.

Mici permaneceu sob monitoramento durante o trajeto e chegou ao santuário na noite de 25 de novembro de 2025.

A mudança não significou que ela seria imediatamente liberada em toda a área externa disponível.

Por questões de quarentena e adaptação, os primeiros dias foram passados em um recinto menor.

A equipe precisava observar comportamento, alimentação, respostas aos novos cuidadores e possíveis necessidades clínicas antes de ampliar gradualmente o acesso.

Logo após sair da caixa de transporte, porém, Mici começou a investigar o novo espaço.

Segundo a FOUR PAWS, ela explorou o recinto e aceitou a comida deixada pelos tratadores pouco depois da chegada.

Para a equipe, esse comportamento foi interpretado como um sinal favorável durante as primeiras horas de adaptação.

Equipe da FOUR PAWS acompanha Mici durante a operação de resgate antes da viagem entre a Eslovênia e a Áustria. Crédito: FOUR PAWS/Divulgação.

Novo ambiente tem árvores, arbustos e um lago próprio

A diferença entre os dois ambientes era significativa.

No antigo cativeiro, Mici vivia em uma instalação descrita pela organização como pouco adequada às necessidades naturais da espécie.

No santuário, a proposta era permitir que o animal tivesse mais possibilidades de escolha.

O Bear Sanctuary Arbesbach oferece áreas externas com árvores, arbustos, vegetação, pontos para descanso e espaços onde os ursos podem se afastar da visão dos visitantes quando desejarem.

Mici também passou a ter acesso a uma área com água própria.

O objetivo não é apenas aumentar o tamanho disponível, mas criar situações que estimulem comportamentos típicos dos ursos, como procurar alimento, explorar diferentes superfícies, descansar em áreas protegidas e interagir com objetos.

Esse tipo de estímulo é chamado de enriquecimento ambiental.

Em termos simples, trata-se de oferecer aos animais atividades e elementos que tornem o ambiente mais complexo e permitam escolhas que um recinto vazio não oferece.

Bola de vôlei virou o brinquedo favorito de Mici

Uma das atualizações mais recentes sobre a ursa foi divulgada em abril de 2026.

Naquele momento, a FOUR PAWS afirmou que Mici estava se recuperando bem de seu passado em cativeiro e gostava de interagir com os objetos disponibilizados pelos tratadores.

Entre eles, uma bola de vôlei chamou particularmente sua atenção.

A organização passou a descrevê-la como o brinquedo favorito da ursa.

A informação pode parecer pequena diante de uma transferência internacional e de décadas de cativeiro, mas ajuda a mostrar como o acompanhamento não termina no momento do resgate.

Depois da chegada, tratadores continuam observando quais alimentos, objetos, locais de descanso e atividades despertam maior interesse em cada animal.

Esse acompanhamento também é usado para adaptar os estímulos às características individuais dos ursos.

Bear Sanctuary Arbesbach foi ampliado antes da chegada

O Bear Sanctuary Arbesbach foi inaugurado em 1998 e foi o primeiro santuário de animais selvagens criado pela FOUR PAWS.

Nos anos seguintes, o espaço passou a receber ursos provenientes de circos, zoológicos e cativeiros privados considerados inadequados pela organização.

Antes da chegada de Mici, a área havia sido ampliada.

O santuário passou de aproximadamente 16 mil para 24 mil metros quadrados, divididos em sete grandes recintos externos.

As áreas possuem milhares de metros quadrados e foram planejadas para oferecer ambientes com características naturais.

Quando Mici chegou, o local já abrigava outros ursos, incluindo Felix.

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Felix e Mici passaram a dividir histórias parecidas

Os dois animais vieram da Eslovênia, mas passaram décadas em locais diferentes.

Felix foi retirado de um recinto próximo a um restaurante em Kočevje em maio de 2025.

Mici chegou seis meses depois.

Em abril de 2026, a FOUR PAWS informou que ambos estavam se adaptando bem ao santuário.

Felix havia completado a primeira hibernação de sua vida, enquanto Mici demonstrava interesse crescente pelos objetos e pelas atividades oferecidas pelos cuidadores.

Os dois casos representaram avanços importantes na campanha da organização contra a manutenção privada de ursos no país.

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Ana Alice

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Tim continuava em cativeiro na Eslovênia

A retirada de Mici deixou apenas um dos animais acompanhados pela campanha ainda em cativeiro privado.

Tim permanecia em um zoológico privado próximo a Liubliana em 2026, segundo a FOUR PAWS.

A entidade continuava defendendo sua transferência para Arbesbach e alegava que as condições do recinto não atendiam aos padrões que considera adequados para a espécie.

A situação também passou a ser influenciada por uma mudança na legislação eslovena.

Em agosto de 2025, entrou em vigor uma alteração na lei de proteção animal que restringe a manutenção de determinados animais selvagens fora de zoológicos e santuários licenciados.

A implementação completa da regra ainda dependia de etapas regulatórias posteriores.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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