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Depois de passar quase 20 anos preso em uma jaula de metal pouco maior que o próprio corpo e ter bile extraída repetidamente, urso Chinh enfrentou dois dias de viagem e deixou a última fazenda do tipo em sua província para recomeçar a vida em um santuário com piscinas, árvores e grandes áreas naturais

Depois de passar quase 20 anos preso em uma jaula de metal pouco maior que o próprio corpo e ter bile extraída repetidamente, urso Chinh enfrentou dois dias de viagem e deixou a última fazenda do tipo em sua província para recomeçar a vida em um santuário com piscinas, árvores e grandes áreas naturais

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Depois de passar quase 20 anos preso em uma jaula de metal pouco maior que o próprio corpo e ter bile extraída repetidamente, urso Chinh enfrentou dois dias de viagem e deixou a última fazenda do tipo em sua província para recomeçar a vida em um santuário com piscinas, árvores e grandes áreas naturais

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 24/08/2026 às 23:54

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Rescue of Bear Chinh – https://www.four-paws.org/our-stories/rescues-success-stories/rescue-bear-chinh?#&gid=1&pid=2

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Chinh passou quase 20 anos em uma pequena jaula numa fazenda de bile no Vietnã. Resgatado em 2024, enfrentou dois dias de viagem até um santuário onde iniciou uma nova vida.

Por quase duas décadas, o urso-negro-asiático Chinh viveu dentro de uma jaula metálica descrita como pouco maior que o próprio corpo, sem estímulos e até sem acesso adequado a necessidades básicas como água. Mantido desde pelo menos 2005 em uma fazenda de bile na província de Binh Duong, no Vietnã, ele foi submetido repetidamente à extração da substância até que, em 10 de maio de 2024, seu proprietário finalmente concordou em entregá-lo. Segundo a Four Paws, Chinh era o último urso restante naquela fazenda.

O resgate encerrou quase 20 anos de confinamento e iniciou outra operação delicada. Chinh foi colocado sob acompanhamento veterinário e enfrentou dois dias de viagem até o Bear Sanctuary Ninh Binh, no norte do país.

Ao chegar, entrou em quarentena por 30 dias e começou a receber alimentação adequada, enriquecimento ambiental e tratamento para problemas físicos associados aos anos sobre barras metálicas e às condições de cativeiro.

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Chinh estava preso na fazenda desde pelo menos 2005

A Four Paws informa que Chinh estava registrado na fazenda desde 2005 e provavelmente chegou ao local ainda filhote. Isso significa que praticamente toda a vida adulta do animal transcorreu dentro do sistema de criação de ursos para extração de bile.

Ele não vivia em um grande recinto. A organização descreve sua jaula como uma estrutura metálica minúscula, pouco maior que o próprio animal.

Rescue of Bear Chinh – https://www.four-paws.org/our-stories/rescues-success-stories/rescue-bear-chinh?#&gid=1&pid=2

O espaço não permitia caminhar, procurar alimentos, cavar, subir em estruturas, nadar ou realizar grande parte dos comportamentos naturais de um urso-negro-asiático.

A própria jaula deixou marcas visíveis no corpo

Quando a equipe finalmente conseguiu retirar Chinh da fazenda, os anos de confinamento podiam ser observados diretamente.

Segundo a Four Paws, ele apresentava cornificação severa nas almofadas das patas, resultado associado ao longo período permanecendo sobre barras metálicas. Também havia perda de pelos na cabeça e dentes caninos superiores fraturados.

Outro comportamento chamou atenção: Chinh movimentava a cabeça repetidamente de um lado para o outro. A organização relacionou a perda de pelos da região da cabeça justamente a esse comportamento estereotipado desenvolvido durante o cativeiro.

Esses movimentos repetitivos são observados em animais submetidos durante longos períodos a ambientes extremamente limitados e pobres em estímulos.

A extração de bile acrescentava outra camada de sofrimento

Chinh não era mantido apenas em confinamento. Ele fazia parte da indústria de extração de bile de urso. A Four Paws informa que animais resgatados dessas fazendas frequentemente apresentam problemas relacionados à vesícula biliar e ao fígado, além de doenças dentárias, articulares, renais e outras complicações provocadas por anos de manejo inadequado e procedimentos repetidos.

No caso específico de Chinh, a equipe evitou afirmar antes dos exames quais doenças internas ele possuía. Após a chegada ao santuário, foi planejada uma avaliação completa sob anestesia, incluindo exames de sangue e radiografias.

A prioridade era descobrir a dimensão dos danos acumulados e estabelecer o tratamento necessário para sua recuperação.

Four Paws já havia retirado outros 14 ursos da mesma fazenda

Chinh não foi o primeiro animal resgatado naquele endereço. Desde 2019, a Four Paws havia conseguido retirar 14 ursos da mesma fazenda. Seis saíram em setembro daquele ano, outros quatro em novembro de 2020 e mais quatro em fevereiro de 2022.

Chinh, porém, permaneceu para trás.

A razão não estava apenas na logística. Os animais mantidos na propriedade pertenciam a proprietários diferentes, e os ursos registrados e microchipados não podiam simplesmente ser retirados sem autorização.

Foi necessário esperar até que o dono de Chinh aceitasse voluntariamente entregá-lo.

Ele se tornou o último urso daquela fazenda

Quando o proprietário finalmente procurou as autoridades, abriu-se a possibilidade de encerrar um ciclo que havia começado décadas antes.

Em 10 de maio de 2024, Chinh foi retirado da jaula. A Four Paws informou que, com sua saída, a fazenda deixaria de manter ursos, tornando-o o último animal resgatado daquele estabelecimento.

Rescue of Bear Chinh – https://www.four-paws.org/our-stories/rescues-success-stories/rescue-bear-chinh?#&gid=1&pid=2

A operação teve ainda um significado regional. A organização apresentou Chinh como o último urso mantido em uma fazenda desse tipo na província de Binh Duong.

Assim, a retirada de um único animal também representou o fechamento de mais um ponto da antiga indústria de bile no Vietnã.

O resgate começou com um urso surpreendentemente calmo

Apesar das décadas de confinamento e do ambiente diferente ao redor, Chinh permaneceu relativamente tranquilo durante a operação.

A veterinária responsável relatou que ele aceitou alimentos oferecidos pela equipe, incluindo bananas, enquanto era preparado para a transferência.

A tranquilidade não eliminava os riscos.

Mover um urso adulto exige planejamento, caixa de transporte adequada, acompanhamento especializado e monitoramento durante todo o percurso. Qualquer problema físico já existente poderia ser agravado pelo estresse da viagem.

Por isso, um veterinário experiente em animais selvagens acompanhou todo o transporte até Ninh Binh.

Foram dois dias de viagem até o novo endereço

A distância entre a fazenda no sul do Vietnã e o santuário no norte exigiu dois dias de viagem. Durante todo o percurso, a equipe acompanhou o estado do animal. Ao chegar ao Bear Sanctuary Ninh Binh, Chinh não foi colocado imediatamente ao lado dos outros ursos.

O primeiro destino foi a área de quarentena.

Ali começaria uma transição muito mais lenta: transformar um animal acostumado durante quase 20 anos a uma jaula minúscula em residente de um ambiente com espaço, estímulos, diferentes superfícies e cuidados veterinários contínuos.

Os primeiros 30 dias foram passados em quarentena

A Four Paws estabeleceu 30 dias de quarentena para Chinh. O período é necessário para acompanhar sua saúde e impedir que eventuais doenças sejam transmitidas aos outros animais residentes do santuário.

Durante essa etapa, a equipe passou a oferecer uma dieta adequada e diferentes formas de enriquecimento.

Ao mesmo tempo, veterinários preparavam uma avaliação mais aprofundada das consequências físicas do confinamento e da extração de bile.

Depois de quase duas décadas vivendo praticamente sem escolhas, até novos alimentos, cheiros e objetos precisavam ser introduzidos gradualmente.

O santuário muda completamente a escala disponível para o animal

O Bear Sanctuary Ninh Binh foi criado pela Four Paws justamente para receber ursos retirados de fazendas de bile e vítimas do comércio ilegal de animais.

Dados divulgados pela organização em 2024 indicavam que o complexo ocupava então 5,5 hectares, com oito grandes recintos externos, três estruturas internas para os ursos, clínica veterinária e área de quarentena. Sua capacidade naquele estágio era de até 50 animais.

A diferença em relação à antiga jaula de Chinh é radical.

Os recintos naturais oferecem áreas onde os ursos podem caminhar, procurar alimento, utilizar estruturas de escalada, descansar e entrar na água.

Piscinas, plataformas e árvores substituem as barras metálicas

Ao descrever o futuro de Chinh no santuário, a Four Paws destacou possibilidades básicas que haviam sido negadas durante quase toda a vida dele.

Depois da adaptação, ele poderia ter acesso a piscinas rasas, plataformas elevadas, luz solar, espaços para procurar alimento e áreas onde pudesse se esconder e descansar.

Rescue of Bear Chinh – https://www.four-paws.org/our-stories/rescues-success-stories/rescue-bear-chinh?#&gid=1&pid=2

Para um animal que passou desde jovem sobre uma estrutura metálica, até mudar voluntariamente de tipo de piso representa uma transformação.

O objetivo do santuário não é simplesmente fornecer um recinto maior, mas estimular comportamentos que Chinh não teve oportunidade de exercer durante a maior parte de sua existência.

O resgate faz parte do desaparecimento gradual das fazendas de bile

O caso de Chinh ocorreu dentro de uma mudança muito maior no Vietnã.

Em 2005, quando ele foi registrado, aproximadamente 4.300 ursos viviam em fazendas de bile no país, segundo levantamento citado pela Four Paws. Até o fim de 2024, o número havia caído para aproximadamente 180, redução de 96%.

O país proibiu a venda e a posse de bile de urso e impediu a entrada de novos animais legalmente registrados no sistema. Os exemplares que já estavam microchipados e cadastrados, porém, puderam continuar sob posse de seus proprietários.

Essa particularidade explica por que organizações ainda precisam negociar a entrega voluntária de determinados animais.

Chinh passou anos esperando uma autorização que finalmente chegou

Esse detalhe torna o caso particularmente duro. A Four Paws conhecia a fazenda desde pelo menos 2019 e já havia retirado dali diversos animais. Chinh continuou no local porque seu proprietário ainda não autorizava a transferência.

Enquanto outros ursos deixavam as jaulas, ele permaneceu.

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Somente cinco anos depois daquela primeira intervenção a organização recebeu a autorização necessária para levá-lo ao santuário.

Em maio de 2024, o processo que havia retirado 14 animais da mesma fazenda finalmente chegou ao último.

Depois de quase 20 anos, a vida de Chinh passou a oferecer escolhas

O aspecto mais marcante do resgate não é apenas a distância percorrida ou o tamanho do novo espaço. É a recuperação de comportamentos elementares.

Na fazenda, Chinh praticamente não podia decidir onde caminhar, qual superfície utilizar ou como ocupar o próprio tempo. Sua jaula era pouco maior que seu corpo, e os sinais físicos deixados pelas barras metálicas permaneceram visíveis depois da libertação.

No santuário, o objetivo passou a ser exatamente o contrário: permitir escolhas.

Após quase 20 anos de confinamento, dois dias de transporte e um período inicial de quarentena, Chinh chegou a um lugar onde poderia finalmente ter acesso a água para brincar, estruturas para subir, áreas externas, vegetação, alimentos distribuídos para estimular a busca e cuidados veterinários permanentes.

Assista o vídeo

O urso que foi provavelmente colocado na fazenda ainda filhote saiu de lá já adulto e marcado por décadas de exploração.

Sua retirada encerrou a presença de ursos naquele estabelecimento e também fechou a última fazenda desse tipo identificada pela organização na província de Binh Duong.

Para Chinh, porém, a dimensão mais simples é também a mais importante: depois de passar praticamente toda a vida em uma jaula de metal pouco maior que ele próprio, seu mundo deixou de terminar nas grades.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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