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Depois de perder a mãe ainda criança, passar fome e trabalhar como doméstica em troca de comida, pernambucana comprou 1 kg de malha, fez 15 camisetas numa máquina de costura alugada e transformou aquele começo improvisado numa empresa que chegou a produzir cerca de 12 mil peças por mês

Depois de perder a mãe ainda criança, passar fome e trabalhar como doméstica em troca de comida, pernambucana comprou 1 kg de malha, fez 15 camisetas numa máquina de costura alugada e transformou aquele começo improvisado numa empresa que chegou a produzir cerca de 12 mil peças por mês

Depois de perder a mãe ainda criança, passar fome e trabalhar como doméstica em troca de comida, pernambucana comprou 1 kg de malha, fez 15 camisetas numa máquina de costura alugada e transformou aquele começo improvisado numa empresa que chegou a produzir cerca de 12 mil peças por mês

Escrito por Ana Alice

Publicado em 13/08/2026 às 21:47

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De 1 kg de malha e 15 camisetas, Clea Jaci criou uma confecção em Pernambuco que chegou a produzir cerca de 12 mil peças por mês na empresa. (Imagem: Ilustrativa)

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De um primeiro lote feito com pouca matéria-prima a uma fábrica de moda infantil, a trajetória de Clea Jaci da Silva atravessou dificuldades familiares, produção doméstica, expansão empresarial e mudanças recentes na produtividade.

Antes de existir uma fábrica de dois andares, funcionários, máquinas modernas e vendas para diferentes partes do país, o negócio de Clea Jaci da Silva cabia em 1 kg de malha.

A pernambucana tinha 19 anos quando transformou aquele pequeno volume de tecido em 15 camisetas, colocou as peças à venda na Feira da Sulanca e conseguiu vender tudo.

Décadas depois, a empresa criada a partir daquele começo chegaria a produzir cerca de 12 mil peças infantis por mês, segundo levantamento publicado pelo Sebrae em 2024.

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A história ganhou um capítulo mais recente no fim de 2025, quando a empresária recebeu reconhecimento nacional depois que sua fábrica registrou aumento de 81,45% na produtividade em um programa voltado à modernização de pequenos negócios.

Na atualização divulgada em dezembro de 2025, a Ondas Kids, nome atualmente usado pela linha especializada em moda praia infantil, aparecia com aproximadamente 8 mil peças mensais e 23 funcionários.

A diferença em relação às 12 mil peças registradas em 2024 mostra que aquele número do título corresponde a um patamar atingido pela empresa em determinado momento, e não a uma produção mensal fixa.

O tamanho alcançado pelo negócio fica ainda mais distante do ponto de partida quando se conhece a infância de sua fundadora.

Infância de Clea Jaci foi marcada pela fome e pela perda da mãe

Clea nasceu em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, e passou parte da infância em São Paulo.

Aos oito anos, voltou para Pernambuco e passou a viver em Santa Cruz do Capibaribe, cidade que se tornaria parte central de sua trajetória profissional.

Ainda criança, perdeu a mãe, que morreu aos 38 anos e deixou sete filhos.

A situação financeira da família era limitada a ponto de objetos da casa precisarem ser vendidos para comprar comida, segundo o relato que Clea deu ao Sebrae em 2024.

Vizinhos também levavam sobras de alimentos, enquanto o pai passava parte da semana no sítio e retornava com produtos como milho e feijão.

“Quando eu falo do passado, é muito doloroso. Tive uma infância pobre no Bairro São Cristóvão”, contou a empresária ao recordar aquele período.

Em outra lembrança, ela descreveu como os irmãos lidavam com os dias em que não havia alimento disponível em casa.

“Eu dizia: vamos dormir que se a gente dormir não sente fome. A fome machuca, maltrata. Além de tudo tinha a saudade da minha mãe.”

Antes de trabalhar com roupas, Clea também exerceu atividade doméstica em troca de alimentação, de acordo com os registros do Sebrae sobre sua história.

A entrada no setor de confecção ocorreria alguns anos depois, aproveitando uma característica econômica que já fazia parte do cotidiano de Santa Cruz do Capibaribe: a produção e a comercialização de roupas.

Um quilo de malha deu origem às primeiras 15 camisetas

Aos 19 anos, Clea comprou 1 kg de malha.

Com o tecido, produziu 15 camisetas e levou as peças para a Feira da Sulanca.

Vendeu todas.

O dinheiro recebido permitiu comprar dois quilos de tecido, ampliando a produção seguinte.

A partir dali, cada venda ajudava a financiar a próxima etapa do trabalho.

Clea Jaci da Silva na estrutura da Ondas Kids, empresa de moda praia infantil instalada em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste de Pernambuco. Crédito: Divulgação / Sebrae Pernambuco.

No começo, não havia parque industrial nem uma sequência de máquinas trabalhando ao mesmo tempo.

O pai alugou uma máquina de costura para que ela pudesse produzir em casa, e a irmã Cristiana passou a dividir o trabalho com Clea.

Em um período de maior procura por camisetas ligado à Copa do Mundo, as duas chegaram a se revezar no mesmo equipamento.

“Eu trabalhava de dia e ela trabalhava à noite para a gente revezar a única máquina de costura que tinha”, relembrou Clea na reportagem de 2024.

O modelo improvisado permitia manter a produção funcionando praticamente em turnos.

A quantidade de pedidos aumentou e aquele trabalho doméstico começou, aos poucos, a adquirir estrutura empresarial.

Da máquina de costura alugada para uma fábrica de dois andares

A marca foi inicialmente chamada de Clea Moda Praia e, mais tarde, passou a utilizar o nome Ondas Moda Praia.

Em 2024, quando o Sebrae registrou a história da empresária, a operação funcionava em um prédio de dois andares, tinha 17 funcionários e produzia aproximadamente 12 mil peças infantis por mês.

Alguns trabalhadores acumulavam mais de uma década na empresa.

As peças já haviam alcançado compradores de diferentes estados brasileiros e chegaram também a ser exportadas.

A própria empresa, entretanto, passou por mudanças ao longo do tempo.

Uma atualização nacional do Sebrae publicada em dezembro de 2025 informou que o empreendimento acumulava 27 anos de trajetória e que havia começado trabalhando com moda praia adulta.

Cerca de dez anos antes daquela publicação, uma dificuldade financeira levou Clea a desenvolver produtos infantis utilizando pequenos retalhos que sobravam na fábrica.

A ideia surgiu quando faltavam recursos para comprar novos tecidos antes de uma rodada de negócios.

Em vez de abandonar a participação, ela utilizou pedaços menores de material que estavam disponíveis e criou uma coleção destinada a bebês.

Essa linha acabaria dando origem à Ondas Kids, atualmente voltada à moda praia para bebês e crianças.

O episódio acrescentou outro elemento à história que havia começado com apenas um quilo de tecido: reaproveitar material que poderia permanecer sem uso passou a servir também como caminho para desenvolver novos produtos.

Estrutura de produção da Ondas Kids em Santa Cruz do Capibaribe; a empresa passou por modernização de equipamentos e processos produtivos. Crédito: Agência Sebrae de Notícias

Modernização elevou a produtividade da Ondas Kids

O crescimento do negócio não ocorreu apenas pelo aumento do número de peças vendidas.

Ao longo dos anos, Clea participou de ações de capacitação promovidas por instituições como Sebrae e Senai e buscou orientação para organizar a fábrica.

Uma das mudanças mais recentes ocorreu por meio do Programa Brasil Mais Produtivo, iniciativa que oferece acompanhamento para empresas interessadas em melhorar processos, gestão e produtividade.

Durante o atendimento, foi identificado um problema que a empresária afirmou ter dificuldade para perceber sozinha: equipamentos antigos exigiam manutenção frequente e criavam gargalos na produção.

A troca das máquinas alterou esse cenário.

Segundo o Sebrae, a produtividade da empresa aumentou 81,45% após as mudanças implantadas no processo produtivo.

Clea relatou ainda que os novos equipamentos reduziram paradas para manutenção e elevaram em 20% a produção associada à substituição das máquinas.

Algumas tarefas que antes exigiam auxílio manual também passaram a ser realizadas pelo próprio equipamento, como corte de linha e determinados acabamentos.

No fim de 2025, o Sebrae informava que a fábrica contava com 23 funcionários e produzia cerca de 8 mil peças mensais.

Os números são diferentes daqueles registrados em 2024, quando a produção indicada era de aproximadamente 12 mil unidades por mês e a equipe tinha 17 pessoas.

Como as fontes tratam de momentos distintos da empresa, não é possível atribuir a diferença a queda de vendas, redução de capacidade ou qualquer outra causa sem informação adicional.

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Prêmio Brasil Mais Produtivo reconheceu a empresa em 2025

As mudanças na fábrica levaram Clea a Brasília em novembro de 2025.

A Ondas Kids foi reconhecida no Programa Brasil Mais Produtivo na categoria ligada à otimização de processos produtivos e manufatura enxuta na Região Nordeste.

O reconhecimento foi entregue em cerimônia realizada na Confederação Nacional da Indústria e contou com a participação do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

Registros da CNI identificam Clea e a Ondas Kids entre os destaques empresariais da premiação.

“O prêmio foi a consolidação do trabalho bem-feito, e para a nossa empresa, ganhar entre tantas outras maiores nos dá a certeza de que não precisa ser grande, só precisa ser boa no que faz”, afirmou Clea após receber o reconhecimento.

A repercussão chegou também à Câmara Municipal de Santa Cruz do Capibaribe.

Um voto de aplausos apresentado em reconhecimento à Ondas Moda Praia e à empresária pela premiação foi aprovado por unanimidade, com 16 votos favoráveis registrados no sistema legislativo municipal.

Feira da Sulanca marcou o início da trajetória empresarial

Por trás das mudanças de marca, novos equipamentos e programas de produtividade, a origem do negócio permaneceu ligada ao comércio popular de Santa Cruz do Capibaribe.

Foi na Feira da Sulanca que as primeiras 15 camisetas produzidas com aquele quilo de malha encontraram compradores.

Depois vieram novos tecidos, mais pedidos e a necessidade de ampliar a produção.

“A gente começou a vender e as coisas foram fluindo. Tive uma oportunidade e agarrei”, relatou Clea ao recordar o crescimento da empresa.

O percurso também levou a empresária a participar de eventos de moda e encontros nos quais conta sua experiência.

Em 2024, ela relatou ao Sebrae que mantinha a agenda aberta para atividades destinadas a incentivar outras mulheres e também desenvolvia uma ação de doação de alimentos baseada principalmente em cuscuz e leite.

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Esse último ponto se conecta diretamente às lembranças que ela própria preserva da infância.

A mulher que contou ter ido dormir para não sentir fome passou, décadas depois, a distribuir alimentos e administrar uma empresa que saiu de uma única máquina alugada para uma estrutura industrial com dezenas de trabalhadores ao longo de sua trajetória.

No caminho, 1 kg de malha virou 15 camisetas; as camisetas financiaram mais tecido; a produção caseira ganhou espaço próprio; a marca mudou de foco; máquinas foram modernizadas e a produtividade avançou 81,45% em uma etapa recente da empresa.

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Ana Alice

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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