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Depois de perder emprego, casa, carro e passar dois anos vivendo nas ruas, homem começa a dormir à noite dentro do escritório vazio de uma empresa quando os funcionários iam embora e transforma quatro meses naquele alojamento em um recomeço, até conseguir um apartamento e finalmente voltar a receber a filha em casa

Depois de perder emprego, casa, carro e passar dois anos vivendo nas ruas, homem começa a dormir à noite dentro do escritório vazio de uma empresa quando os funcionários iam embora e transforma quatro meses naquele alojamento em um recomeço, até conseguir um apartamento e finalmente voltar a receber a filha em casa

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Depois de perder emprego, casa, carro e passar dois anos vivendo nas ruas, homem começa a dormir à noite dentro do escritório vazio de uma empresa quando os funcionários iam embora e transforma quatro meses naquele alojamento em um recomeço, até conseguir um apartamento e finalmente voltar a receber a filha em casa

Escrito por Ana Alice

Publicado em 14/08/2026 às 10:16

Atualizado em 14/08/2026 às 10:17

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Após dois anos nas ruas da França, Souleymane Diarra dormiu em um escritório vazio e, quatro meses depois, conseguiu um apartamento. – Imagem: Ilustrativa

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Depois de dois anos nas ruas da França, Souleymane Diarra encontrou abrigo noturno dentro de um escritório vazio, retomou a rotina e, em poucos meses, conseguiu uma moradia que mudou também sua relação com a filha.

Quando os funcionários encerravam o expediente de uma agência de comunicação em Nantes, no oeste da França, o escritório não ficava completamente vazio.

A partir de outubro de 2020, Souleymane Diarra, então com 38 anos, começou a chegar ao local no início da noite para fazer algo que havia se tornado difícil durante os dois anos anteriores: dormir protegido da rua.

Ele podia usar cozinha, banheiro, chuveiro, geladeira e um espaço reservado para descansar.

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Pela manhã, antes do início do expediente, organizava o ambiente e encontrava os primeiros funcionários chegando para trabalhar.

Quatro meses depois, Souleymane deixou aquele alojamento temporário e conseguiu morar em um apartamento, o que também permitiu que voltasse a receber e conviver com a filha.

O próprio Bureaux du Cœur usa a trajetória dele entre os exemplos de pessoas que passaram pelo programa e encontraram uma solução de moradia.

A história aconteceu nos primeiros anos de uma iniciativa que transformava escritórios desocupados durante noites e fins de semana em alojamentos temporários.

O projeto cresceu muito desde então.

Em 2026, o próprio Bureaux du Cœur informou já ter alcançado a marca de 1.000 pessoas acolhidas, enquanto uma reportagem publicada em junho daquele ano mostrava que o modelo havia se expandido para centenas de empresas na França e em outros pontos da Europa.

Dois anos nas ruas antes de uma chave mudar a rotina

As fontes que acompanharam Souleymane no início do projeto registram que ele havia passado aproximadamente dois anos vivendo nas ruas antes de entrar no escritório da Nobilito, empresa comandada pelo empresário Pierre-Yves Loaëc.

Naquele período, a solução ainda tinha caráter experimental.

Souleymane chegava aproximadamente às 18h e podia permanecer no local até cerca de 8h30 do dia seguinte.

Nos fins de semana, quando a empresa permanecia fechada, o espaço ficava disponível por períodos maiores.

Não era um apartamento convencional.

Também não funcionava como um abrigo coletivo tradicional.

A ideia era aproveitar uma estrutura que permaneceria vazia durante boa parte do dia: escritórios que já tinham eletricidade, aquecimento, instalações sanitárias e, em alguns casos, cozinha e chuveiro.

Para alguém que vinha dormindo na rua, porém, a diferença estava justamente nas coisas aparentemente comuns.

Havia uma porta que podia ser fechada, um lugar onde deixar pertences, acesso a higiene, possibilidade de armazenar alimentos e algumas horas de privacidade.

Escritório vazio virou alojamento durante a noite

O modelo adotado pelo Bureaux du Cœur estabelecia regras para não transformar a presença do hóspede em uma relação de trabalho com a empresa.

Nenhum pagamento, serviço de limpeza, trabalho ou outra contrapartida era exigido em troca da hospedagem.

O escritório fornecia o espaço.

ouleymane Diarra ao lado de Pierre-Yves Loaëc, fundador do Bureaux du Cœur, iniciativa que transformou escritórios vazios à noite em espaços temporários de acolhimento. Crédito: Bureaux du Cœur / Reprodução

Uma organização social acompanhava a pessoa acolhida.

Já o hóspede precisava cumprir horários e continuar participando das atividades relacionadas à reconstrução da própria vida, como procura por trabalho, elaboração de currículo, cursos ou busca de moradia.

A estrutura descrita posteriormente pelo próprio Bureaux du Cœur inclui área para dormir, armário que pode ser trancado, espaço para alimentação e instalações sanitárias.

Dependendo da empresa, também há chuveiro, televisão, internet e cozinha.

Souleymane encontrou esse ambiente na Nobilito.

Mas ele próprio dizia que o efeito daquela experiência não estava limitado ao teto.

Aqui, não me julgam pelas dificuldades que tive no passado. Eles me puxam para cima e me incentivam a seguir em frente”, afirmou ao falar sobre a convivência dentro da empresa.

Funcionários e Souleymane se encontravam pela manhã

A chegada dos empregados pela manhã criava uma situação pouco comum para um programa de acolhimento.

Souleymane não precisava desaparecer antes que todos entrassem.

Os funcionários e o hóspede se encontravam. Às vezes conversavam durante o café da manhã.

Em outros momentos, trabalhadores ajudavam com procedimentos administrativos, currículos ou questões práticas do cotidiano.

A proposta era justamente acrescentar convivência a uma estrutura física de acolhimento.

Pierre-Yves Loaëc relatou que viu funcionários ajudarem espontaneamente os hóspedes com currículos, celulares que não utilizavam mais, alimentos e documentos.

Segundo o empresário, essas ações não eram exigidas pela associação nem faziam parte de alguma obrigação dos trabalhadores.

Para Souleymane, a rotina também devolvia referências que dois anos nas ruas haviam tornado mais difíceis.

Havia horário para chegar, horário para sair e pessoas que esperavam encontrá-lo novamente na manhã seguinte.

Espaço interno de empresa participante da iniciativa Bureaux du Cœur, adaptado para permitir que pessoas sem moradia tivessem um local protegido para passar a noite. Crédito: M6 Info / Reprodução Só Notícia Boa.

Bureaux du Cœur nasceu a partir de uma cena nas ruas de Nantes

O projeto que acolheu Souleymane começou com uma cena observada por Pierre-Yves Loaëc anos antes.

O empresário administrava a agência Nobilito em Nantes e costumava passar por uma mulher que dormia perto de uma saída de ventilação nas proximidades do estacionamento de seu escritório.

Enquanto ela permanecia do lado de fora durante o frio, os escritórios próximos continuavam parcialmente aquecidos e tinham banheiro, cozinha e chuveiro.

Loaëc pensou em convidá-la para entrar.

Não fez isso naquele momento.

A situação, no entanto, continuou incomodando o empresário.

Depois de conversar com outros dirigentes e organizações sociais, um grupo de empreendedores começou a estudar questões como seguro, segurança, responsabilidade jurídica e acompanhamento dos futuros hóspedes.

Entre 2018 e 2019, cerca de 15 empresários de Nantes trabalharam na construção do modelo que daria origem ao Bureaux du Cœur.

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Primeira hóspede do projeto dormia dentro de um carro

A primeira experiência aconteceu em novembro de 2019.

Uma mulher chamada Elisabeth, que havia deixado uma situação de violência doméstica e dormia em seu carro apesar de possuir emprego estável, foi recebida pela empresa ACM Ingénierie.

Ela permaneceu aproximadamente um mês no espaço.

Depois conseguiu uma solução de moradia para si e para o filho e deixou o escritório.

O resultado ajudou os responsáveis pelo projeto a testar uma hipótese simples: havia pessoas que já estavam percorrendo um caminho de reinserção social ou profissional, mas não tinham um lugar seguro para passar a noite.

O escritório não substituiria políticas de habitação ou os serviços especializados.

Poderia, porém, funcionar como uma passagem entre a rua e uma solução mais estável.

Foi nesse contexto que Souleymane chegou à Nobilito no ano seguinte.

Quatro meses depois, Souleymane conseguiu um apartamento

O alojamento empresarial não deveria ser permanente.

A intenção era oferecer tempo e estabilidade suficientes para que a pessoa continuasse acompanhada por profissionais e buscasse uma alternativa duradoura.

No caso de Souleymane, esse período durou aproximadamente quatro meses.

Depois da passagem pela empresa anfitriã, ele conseguiu entrar em uma moradia convencional.

O dossiê oficial do Bureaux du Cœur registra que Souleymane, após dois anos nas ruas e quatro meses acolhido em uma companhia, pôde passar a viver em um apartamento e reencontrar a filha.

Uma reportagem francesa que retomou sua história também registrou que ele havia entrado em contato com outra associação durante a sequência de sua reinserção.

Com o apartamento, passou a poder receber novamente a filha em casa.

As fontes não informam que Souleymane tenha comprado o imóvel.

O dado seguro é que ele conquistou uma solução própria de moradia, deixando de depender do escritório para ter onde passar a noite.

Empresas não escolhem sozinhas quem será acolhido

A aparência simples do sistema esconde uma estrutura organizada.

Uma companhia interessada não abre a porta aleatoriamente para qualquer pessoa encontrada na rua.

O modelo envolve três participantes: empresa anfitriã, pessoa acolhida e organização especializada em acompanhamento social.

No início da iniciativa, entidades como Saint-Benoît Labre e Permis de Construire ajudavam na seleção e no acompanhamento dos hóspedes.

A associação social permanece responsável pela parte técnica do atendimento, enquanto a empresa oferece essencialmente o espaço físico.

As partes assinam um acordo.

Há regras relacionadas a horários, acompanhamento social, uso do ambiente e convivência.

O modelo oficial passou a trabalhar com períodos de três meses, renováveis conforme as condições estabelecidas pelo programa.

A separação de responsabilidades é central porque empresários e funcionários não são profissionais de assistência social.

O próprio Bureaux du Cœur reconhece que o escritório não é apropriado para todos os perfis de pessoas que vivem nas ruas.

Projeto passou de Nantes para mais de mil pessoas acolhidas

Quando Souleymane participou do programa, o número de hóspedes ainda era pequeno.

Em 2022, o Bureaux du Cœur registrava 59 empresas anfitriãs, 16 delegações e mais de 110 pessoas acolhidas naquele ano.

O crescimento continuou.

Um dossiê institucional de 2024 apontava mais de 300 pessoas atendidas desde o começo da operação, com cerca de 150 empresas integrantes e média de quatro meses de permanência.

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Ana Alice

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Em março de 2025, a rede francesa de câmaras de comércio e indústria já citava 652 hóspedes acolhidos, 266 organizações anfitriãs, 269 entidades parceiras e 38 delegações na França e na Europa.

A expansão atravessou outra marca depois disso.

Em 2026, a página oficial do Bureaux du Cœur passou a anunciar que o projeto havia recebido seu milésimo hóspede.

No mesmo ano, a associação divulgou sua primeira medição estruturada de impacto, realizada com apoio da consultoria Koreis, para acompanhar aspectos como moradia, emprego, capacidade de planejar o futuro e efeitos sobre funcionários das empresas participantes.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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