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Depois de ralar 21 anos na mesma unidade das Casas Bahia em Ponta Porã, funcionário grava despedida com o coração cheio de gratidão na semana em que a rede demitiu 2 mil trabalhadores e fechou 298 lojas de uma vez
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 17/08/2026 às 17:57
Atualizado em 17/08/2026 às 18:03
Economia
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O funcionário Edson Silva publicou o vídeo de despedida no Instagram chamando os 21 anos de incríveis, enquanto a Casas Bahia, que teve prejuízo de R$ 3 bilhões em 2025, cortava 600 vagas na quinta e programava mais 1,4 mil demissões para a sexta-feira, fechando 28,7% das suas lojas físicas
Um funcionário que passou 21 anos na mesma unidade das Casas Bahia em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, publicou um vídeo de despedida nas redes sociais na mesma semana em que a varejista anunciou cerca de 2 mil demissões e o fechamento de 298 lojas. Edson Silva afirmou na gravação publicada no Instagram que encerrou um dos capítulos mais importantes da vida profissional dele, com mais de duas décadas dedicadas à mesma loja da cidade sul-mato-grossense na fronteira com o Paraguai, onde o comércio é o coração da economia local. As informações são do portal ND Mais, em reportagem de Larissa Ferreira, com edição de Rubens Felipe, publicada em 16 de agosto de 2026.
No vídeo postado na conta pessoal do Instagram, o ex-colaborador resumiu o sentimento da saída em cinco palavras que viraram manchete: ele deixa a companhia com “o coração cheio de gratidão”. A despedida individual de Ponta Porã ganhou o peso de símbolo nacional porque coincidiu com o corte coletivo: entre quinta e sexta-feira, a rede tirou do quadro cerca de 2 mil trabalhadores e determinou o encerramento de mais de um quarto das lojas físicas.
Vídeo no Instagram encerrou capítulo de 21 anos em Ponta Porã
Na gravação, Edson Silva descreveu as mais de duas décadas na empresa como um período marcado por trabalho, aprendizado, conquistas e, acima de tudo, pelas relações humanas construídas ao longo do caminho, chamando os 21 anos na rede de incríveis. O agradecimento público veio sem mágoa declarada em nenhum trecho: o tom escolhido pelo funcionário foi o de quem fecha um ciclo longo reconhecendo o que ele rendeu, e a publicação feita no perfil pessoal acabou reproduzida pela imprensa como o retrato da semana mais dura da varejista.
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Ponta Porã, onde Edson trabalhou todo esse tempo, é uma cidade de fronteira seca com o Paraguai, colada em Pedro Juan Caballero, e a unidade local das Casas Bahia fez parte da paisagem comercial do município por toda a permanência do funcionário. Faz a conta do tamanho do ciclo: quem entrou na rede 21 anos atrás começou por volta de 2005, atravessou crises, trocas de dono e mudanças de nome da empresa, e saiu no meio da maior reestruturação recente do varejo brasileiro, com a rede encolhendo mais de um quarto do tamanho físico na mesma semana da despedida dele.
Corte de 2 mil vagas veio em 48 horas
Entre a quinta-feira, dia 13, e a sexta-feira, dia 14, a Casas Bahia demitiu cerca de 600 funcionários em um único dia e programou outros 1,4 mil cortes para o dia seguinte, somando aproximadamente 2 mil desligamentos em 48 horas, conforme a reportagem do ND Mais. No mesmo movimento, a companhia determinou o encerramento das atividades de 298 pontos de venda espalhados pelo país, numa decisão comunicada de forma repentina segundo os relatos que chegaram ao sindicato da categoria.
Os 298 fechamentos equivalem a 28,7% da rede de lojas físicas, o que significa que a varejista operava pouco mais de mil unidades antes do corte e vai perder mais de uma em cada quatro lojas de uma só vez. Para o quadro de pessoal, a conta das duas pontas se encontra: menos lojas abertas significam menos vagas, e o vídeo de Edson virou o retrato individual de um número que, visto de longe, parece só estatística: cada uma das 2 mil demissões anunciadas carrega uma história própria de balcão, crediário e freguês conhecido pelo nome.
Recuperação extrajudicial de 2024 não devolveu o lucro
Em 2024, a companhia entrou em recuperação extrajudicial por causa do desequilíbrio na estrutura de capital, resultado de uma combinação que a reportagem do ND Mais resume em três frentes: vendas pressionadas, consumidores endividados e despesas financeiras elevadas. O pedido de socorro formalizou uma crise que o varejo físico inteiro conhece de perto desde a disparada dos juros.
O processo foi solucionado numa negociação com os bancos credores, mas a varejista ainda não conseguiu voltar a gerar caixa e lucro de forma recorrente, e fechou 2025 com prejuízo de R$ 3 bilhões. O corte de lojas e de pessoal desta semana entra exatamente nessa conta: com menos pontos de venda deficitários e uma folha menor, a empresa tenta estancar a sangria que nem o acordo financeiro de 2024 resolveu. Faz a conta do buraco: R$ 3 bilhões de prejuízo num único ano dão mais de R$ 8 milhões perdidos por dia, ritmo que nenhuma rede de varejo sustenta por muito tempo sem cortar estrutura.
Sindicato cobra transparência e lista direitos pendentes
O Secor, Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região, cobrou esclarecimentos formais da direção da Casas Bahia depois dos cortes. A entidade, que representa comerciários de Osasco e região, na Grande São Paulo, informou que foi acionada por diversos trabalhadores surpreendidos com a suspensão repentina das operações e com a falta de informações claras sobre os desligamentos.
Segundo o sindicato, há empregados sem acesso a informações detalhadas sobre as demissões, o pagamento das verbas rescisórias, a liberação do FGTS, o seguro-desemprego e outros direitos trabalhistas. O presidente da entidade, Luciano Pereira Leite, declarou em nota que o sindicato acompanha a situação de perto e tomará todas as medidas necessárias para garantir os direitos da categoria, afirmando que “os comerciários não podem arcar com prejuízos decorrentes de decisões empresariais” tomadas, nas palavras dele, sem o devido diálogo e transparência.
Carreira de Edson atravessou os donos e os nomes da empresa
Quem entrou nas Casas Bahia por volta de 2005, como indica a conta dos 21 anos de Edson, começou a trabalhar numa rede que ainda pertencia à família Klein, fundadora do negócio que o imigrante Samuel Klein transformou, a partir dos anos 1950, vendendo de porta em porta no ABC paulista, no maior nome do varejo popular brasileiro, famoso pelo crediário que mobiliou gerações de casas no país. De lá para cá, a empresa passou pela fusão com o Ponto Frio sob o Grupo Pão de Açúcar em 2010, virou parte da Via Varejo, depois da companhia rebatizada de Via e, por fim, do grupo que retomou o nome Casas Bahia, numa sequência de reestruturações societárias que o funcionário de Ponta Porã atravessou inteiro trabalhando na mesma unidade da fronteira.
A despedida dele, publicada num perfil pessoal e amplificada pela imprensa, resume o lado humano de uma década difícil do varejo físico brasileiro, espremido entre o avanço do comércio eletrônico, os juros altos que encarecem o crediário e o endividamento recorde das famílias brasileiras. No vídeo, não há ataque à empresa nem menção direta à crise: há um trabalhador agradecendo 21 anos de convivência na semana exata em que 2 mil colegas receberam a notícia contrária. A reportagem não informa se a demissão de Edson integra o pacote de cortes ou se a saída foi decidida em outro contexto, e o vídeo dele também não entra nesse detalhe, limitando-se ao balanço pessoal do ciclo encerrado.
Despedida individual virou o rosto de um corte coletivo
O vídeo de Edson Silva, os 2 mil desligamentos concentrados em dois dias e as 298 lojas fechadas contam juntos a mesma história por ângulos opostos: a gratidão de quem sai depois de 21 anos e a conta de uma empresa que perdeu R$ 3 bilhões em 2025 e encolheu mais de um quarto da rede física de uma vez, com o sindicato cobrando transparência sobre verbas, FGTS e seguro-desemprego dos atingidos. O desfecho dos direitos dos demitidos, cobrado pelo Secor, e o resultado financeiro da reestruturação ainda vão aparecer nos próximos balanços da companhia e nas mesas de negociação com o sindicato nas próximas semanas.
E para você, o vídeo de gratidão do funcionário de 21 anos de casa diz mais sobre o trabalhador brasileiro ou sobre a crise do varejo? Conte nos comentários se você já se despediu de um emprego de longa data e o que sentiu ao fechar esse ciclo.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

