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Depois de ser separado da mãe ainda criança e passar décadas sem sequer conhecer toda a verdade sobre ela, homem de 66 anos usa o ChatGPT para juntar antigas pistas, encontra a própria meia-irmã por meio de um texto na internet e viaja ao Reino Unido para reencontrar a família materna que procurou durante quase toda a vida

Depois de ser separado da mãe ainda criança e passar décadas sem sequer conhecer toda a verdade sobre ela, homem de 66 anos usa o ChatGPT para juntar antigas pistas, encontra a própria meia-irmã por meio de um texto na internet e viaja ao Reino Unido para reencontrar a família materna que procurou durante quase toda a vida

7 min de leitura

Depois de ser separado da mãe ainda criança e passar décadas sem sequer conhecer toda a verdade sobre ela, homem de 66 anos usa o ChatGPT para juntar antigas pistas, encontra a própria meia-irmã por meio de um texto na internet e viaja ao Reino Unido para reencontrar a família materna que procurou durante quase toda a vida

Escrito por Ana Alice

Publicado em 31/08/2026 às 21:33

Atualizado em 31/08/2026 às 21:34

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ChatGPT ajudou Avtar Singh, de 66 anos, a encontrar a família materna após décadas de busca ao localizar uma pista escrita por sua meia-irmã. – Imagem: Reprodução/TheGuardian

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Depois de décadas reunindo pistas incompletas sobre a mãe biológica, Avtar Singh recorreu ao ChatGPT e chegou a um texto publicado na internet que conectaria duas famílias separadas desde sua infância.

Durante décadas, o canadense Avtar Singh tentou descobrir quem era sua mãe biológica e o que havia acontecido com ela depois que os dois foram separados quando ele ainda era criança.

Aos 66 anos, depois de buscas no Google, arquivos públicos, rádio e outras tentativas sem resultado, ele reuniu as poucas pistas que tinha e decidiu colocá-las no ChatGPT.

A resposta não resolveu o mistério sozinha.

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O sistema apontou uma possível mulher chamada Savinder Kaur Nagi e indicou um texto publicado na internet por Nicci Dhamu, filha dela.

Ao abrir a página, Avtar encontrou uma informação aparentemente pequena: um certificado de corte e costura obtido por Savinder em Dhariwal, perto de Amritsar, em 1962.

Era exatamente a região ligada aos primeiros anos de sua própria vida.

A pista levou Avtar a enviar um e-mail para Nicci.

Menos de duas horas depois de iniciar a pesquisa com o ChatGPT, os dois conversavam por telefone e descobriram que eram irmãos por parte de mãe.

Dias depois, ele viajou para Londres e conheceu integrantes da família materna que havia procurado durante boa parte da vida.

Avtar Singh cresceu sem saber quem era sua mãe biológica

A história começou em Amritsar, na Índia, na década de 1960.

Avtar foi criado pelos avós paternos e acreditava que a avó era sua mãe.

Ainda criança, ouvia comentários de vizinhos dizendo que sua verdadeira mãe morava no exterior, mas não compreendia o que aquilo significava.

Avtar Singh ainda pequeno – Foto: Avtar Singh/The Guardian

Pouco depois de completar nove anos, em dezembro de 1968, ele viajou sozinho para o Canadá.

O pai já vivia no país e trabalhava como professor.

Avtar chegou a Halifax, na Nova Escócia, onde passou a morar com o pai, uma mulher que acreditava ser sua mãe e um irmão mais novo.

Mais tarde, estabeleceu-se em Abbotsford, na Colúmbia Britânica.

A verdade começou a aparecer aos poucos.

Depois que Avtar se casou com Rosey, sua avó contou à esposa dele que o rapaz era fruto do primeiro casamento do pai.

Disse ainda que a mãe biológica vinha de uma família ligada à África, deixara o filho com os parentes paternos e retornara ao continente, possivelmente seguindo depois para o Reino Unido.

Nenhum nome foi revelado naquele momento.

Anos mais tarde, quando o filho de Avtar precisou montar uma árvore genealógica para uma atividade escolar, ele pressionou o pai por respostas.

Recebeu apenas uma informação: sua mãe se chamava Savinder.

O pai não forneceu outros detalhes.

Décadas de busca por Savinder terminaram sem resposta

Com um primeiro nome relativamente comum entre mulheres sikhs e uma trajetória que poderia envolver Índia, África e Reino Unido, Avtar tinha pouco material para trabalhar.

Tentou buscas no Google e no Facebook e, em 2009, viajou a Londres para consultar o National Archives, em Kew, procurando registros de imigração ou casamento.

A pesquisa não trouxe resultados.

Em outra oportunidade, pediu ajuda à Sunrise Radio, emissora britânica voltada à comunidade asiática, mas recebeu a resposta de que a rádio não fazia esse tipo de busca por questões de privacidade.

Ele chegou a considerar o programa britânico Long Lost Family, porém desistiu da possibilidade.

Avtar também evitou testes comerciais de DNA.

Ex-contador e preocupado com proteção de dados, disse ao The Guardian que não queria entregar seu código genético a uma empresa privada nem expor informações que também poderiam afetar seus filhos.

Enquanto ele procurava a mãe, porém, havia uma busca ocorrendo no sentido contrário.

Avtar Singh passou décadas tentando descobrir o paradeiro da mãe biológica até recorrer ao ChatGPT, que o levou a uma pista publicada na internet. Crédito: Alana Paterson/The Guardian.

Filha de Savinder também procurava o irmão perdido

Nicci Dhamu cresceu no Reino Unido sem saber que tinha um meio-irmão mais velho.

Já adulta, ouviu de um primo que sua mãe havia sido casada anteriormente na Índia e tivera um filho naquele relacionamento.

A partir daí, começou a reconstruir o passado de Savinder.

Descobriu que o primeiro marido se chamava Mohan Singh, professor em uma escola de Amritsar, e que o menino era conhecido pelo apelido de Titu.

Segundo parentes ouvidos por Nicci, Savinder teria criado o filho até aproximadamente os três anos, antes de voltar sozinha para o Quênia.

A família não sabia o nome formal da criança nem onde encontrá-la.

Nos últimos anos de vida de Savinder, que sofria de demência, Nicci contou que a mãe por vezes chorava pelo filho perdido.

Nicci Dhamu ao lado da mãe, Savinder Kaur Nagi, em 2018; anos depois, um texto escrito por Nicci ajudaria Avtar a reconstruir a ligação com a família materna. Crédito: Acervo de Nicci Dhamu, via The Guardian.

Ela chegou a colocar o DNA de Savinder no Ancestry.com, mas não obteve uma correspondência útil.

Savinder morreu durante o sono em 20 de dezembro de 2024, aos 88 anos.

Em abril de 2025, a família levou suas cinzas para a Índia, e Nicci voltou a procurar informações em Amritsar, inclusive na escola onde Mohan havia trabalhado.

Mais uma vez, não conseguiu descobrir o nome do menino.

Texto escrito por Nicci revelou a pista decisiva

Depois da morte de Savinder, Nicci publicou uma homenagem sobre a trajetória e a criatividade da mãe.

O texto apareceu no projeto South Asian Heritage Month e também estava associado ao trabalho de Nicci como designer de joias.

Na publicação, ela contou que Savinder Kaur Nagi havia nascido em Kisumu, no Quênia, em 1936, era filha de uma família sikh com raízes na Índia e havia vivido também no Punjab antes de retornar à África e, posteriormente, mudar-se para Londres.

Certificado de corte e costura obtido por Savinder Kaur Nagi em Dhariwal, em 1962; o documento publicado pela filha dela ajudou Avtar Singh a perceber que havia encontrado uma pista concreta sobre sua mãe. Crédito: Nicci Dhamu/South Asian Heritage Month

Foi esse material que apareceu para Avtar na manhã de 8 de maio de 2026, quando ele estava com Rosey de férias no sul da França após concluir um tratamento contra o câncer.

Ele forneceu ao ChatGPT o nome Savinder Kaur, uma faixa aproximada de idade e a possibilidade de ela ter vivido na Índia, África e Reino Unido.

O sistema sugeriu Savinder Kaur Nagi como possível correspondência e apontou a homenagem escrita por Nicci.

Avtar sabia que sistemas de inteligência artificial podem produzir informações incorretas, por isso não tratou a resposta como confirmação.

A mudança aconteceu quando ele examinou o artigo.

Entre as fotografias havia o certificado conquistado por Savinder em um curso de corte e costura em Dhariwal, em 1962.

Para Avtar, o local e a data encaixavam-se na própria história: Dhariwal ficava na mesma região onde ele havia nascido poucos anos antes.

Antigo apelido ajudou a confirmar a ligação familiar

Às 8h36 daquela manhã, Avtar enviou uma mensagem para Nicci.

Ela respondeu e deixou um telefone para contato.

Pouco depois, os dois começaram uma ligação que transformaria a possível correspondência em uma conexão familiar muito mais consistente.

Quando Avtar perguntou se Savinder havia sido casada anteriormente na Índia, Nicci confirmou.

Em seguida, disse que a mãe tinha tido um filho.

O momento decisivo veio quando ela perguntou se ele era Titu, o apelido pelo qual o menino era conhecido na família materna.

Avtar reconheceu imediatamente o nome usado por sua avó durante a infância.

Dias depois, Avtar e Rosey viajaram para Londres e encontraram Nicci em um hotel próximo ao aeroporto de Heathrow.

Avtar Singh e Nicci Dhamu juntos em maio de 2026, durante a primeira visita dele à casa em Londres onde a meia-irmã havia vivido com Savinder. Crédito: Acervo de Avtar Singh, via The Guardian.

No dia seguinte, seguiram para Birmingham, onde Avtar conheceu o último irmão sobrevivente de Savinder, um tio que ainda se lembrava dele quando pequeno.

Depois, encontrou também um meio-irmão materno.

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Ana Alice

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Avtar e Nicci decidiram não fazer um teste de DNA.

O parentesco, portanto, não foi estabelecido por exame genético; os dois consideraram suficientes a combinação de nomes, locais, histórias familiares, parentes e, especialmente, o reconhecimento do antigo apelido.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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