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Depois de vender a casa, o terreno e a própria loja para manter vivo por 18 anos um sonho que muitos achavam loucura, inventor indiano transformou uma residência alugada em laboratório e criou um motor de seis tempos que promete percorrer até 176 km com apenas 1 litro de gasolina

Depois de vender a casa, o terreno e a própria loja para manter vivo por 18 anos um sonho que muitos achavam loucura, inventor indiano transformou uma residência alugada em laboratório e criou um motor de seis tempos que promete percorrer até 176 km com apenas 1 litro de gasolina

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Depois de vender a casa, o terreno e a própria loja para manter vivo por 18 anos um sonho que muitos achavam loucura, inventor indiano transformou uma residência alugada em laboratório e criou um motor de seis tempos que promete percorrer até 176 km com apenas 1 litro de gasolina

Escrito por Ana Alice

Publicado em 04/08/2026 às 23:30

Ciência e Tecnologia

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Inventor indiano vendeu bens para criar um motor de seis tempos que promete fazer até 176 km/l, mas ainda espera validação independente. (Imagem: Reprodução/Hindustan)

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A promessa de um motor capaz de percorrer centenas de quilômetros com pouco combustível colocou um inventor indiano entre sacrifícios pessoais, patentes, testes domésticos e dúvidas que ainda exigem validação científica.

Em uma casa alugada transformada em oficina, uma motocicleta de 100 cilindradas permaneceu funcionando por 35 minutos.

O teste colocou o indiano Shailendra Singh Gaur no centro de uma história que mistura mecânica, sacrifício pessoal e uma promessa difícil de ignorar: alcançar até 176 quilômetros com um litro de combustível.

O número foi divulgado por Gaur e repercutido pela imprensa indiana em 2025.

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Por isso, a marca deve ser tratada como uma alegação do inventor, e não como desempenho já certificado para uso comercial.

Natural de Kanpur e morador de Jhunsi, perto de Prayagraj, Gaur concluiu em 1983 uma graduação em Física, Química e Matemática pela Universidade de Allahabad.

Segundo as reportagens locais, ele passou aproximadamente 18 anos trabalhando em seu projeto e vendeu uma casa, uma propriedade rural e uma loja para financiar os experimentos.

Em 2007, teria conseguido uma oportunidade de trabalho na Tata Motors, mas decidiu não assumir o cargo.

O inventor preferiu continuar a pesquisa independente, mantendo em uma residência alugada os equipamentos usados para modificar motores e testar suas ideias.

Motocicleta de 100 cilindradas serviu como laboratório

O protótipo foi instalado em uma motocicleta TVS de 100 cilindradas, modelo 2017.

Conforme o relato publicado pelo jornal indiano Live Hindustan, o veículo permaneceu ligado durante 35 minutos consumindo 50 mililitros de gasolina.

Antes da modificação, a mesma motocicleta teria funcionado parada por 12 minutos e 40 segundos com a mesma quantidade de combustível.

Gaur também afirmou ter participado de uma demonstração televisiva na qual o veículo teria alcançado o equivalente a 120 quilômetros por litro.

Esses relatos mostram que o protótipo chegou a funcionar, mas não oferecem detalhes suficientes para reproduzir o teste.

O tempo durante o qual um motor permanece ligado, por exemplo, não permite calcular sozinho quantos quilômetros ele percorreria com um litro.

Para chegar a uma medição comparável à de veículos comerciais, seria necessário conhecer a distância efetivamente percorrida, a velocidade média, o peso transportado, as condições da pista, a temperatura, o regime de rotação e a precisão do sistema usado para medir o combustível.

Também seria preciso repetir o procedimento diversas vezes, de preferência sob acompanhamento de uma instituição independente.

Sem essas informações, o consumo de 176 km/l continua sendo uma estimativa apresentada pelo inventor.

Shailendra Singh Gaur mostra o motor instalado em uma motocicleta modificada, usada nos testes em que o inventor afirma ter alcançado consumo equivalente a 176 km por litro. Crédito: Reprodução/India Plus no X

Como funciona a proposta de um motor de seis tempos

Motores comuns de automóveis e motocicletas funcionam, em geral, em quatro etapas principais.

Primeiro, a mistura de ar e combustível entra no cilindro.

Depois, é comprimida, queimada e finalmente expelida pelo escapamento.

O nome “motor de seis tempos” não representa um único desenho mecânico.

Ao longo das décadas, inventores e empresas criaram diferentes propostas que adicionam movimentos ao ciclo convencional para tentar aproveitar melhor a energia, reduzir perdas ou produzir mais de uma etapa de expansão.

Gaur afirma que seu projeto aproveita uma parcela maior da energia contida no combustível.

Segundo ele, o motor poderia chegar perto de 70% de eficiência e consumir aproximadamente um terço do combustível usado por um modelo convencional de desempenho equivalente.

Essas porcentagens não foram confirmadas por laudo técnico independente localizado na apuração.

Em um motor, eficiência térmica é a proporção da energia do combustível que se transforma em movimento útil.

Parte considerável da energia restante se perde na forma de calor pelo escapamento, pelo sistema de refrigeração e pelo atrito entre componentes.

Aumentar essa eficiência sem comprometer potência, durabilidade, emissões, peso e custo de fabricação é um dos principais desafios da engenharia automotiva.

Um motor econômico em funcionamento parado ou com pouca carga pode apresentar comportamento diferente quando precisa acelerar, transportar peso ou enfrentar uma subida.

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Patente descreve mudanças no pistão e no virabrequim

Um pedido internacional de patente associado a Shailendra Kumar Singh e Anshuman Singh Gaur foi apresentado em dezembro de 2010 e publicado em junho de 2011.

O documento recebeu o título de “motor de combustão interna de alta eficiência”.

O projeto descreve mudanças na posição relativa do pistão, da biela e do centro do virabrequim.

Em vez de manter esses elementos alinhados da maneira convencional, o desenho desloca o eixo do pistão e utiliza uma biela modificada, rodas auxiliares e um sistema de came.

Segundo o texto da patente, essa geometria buscaria melhorar o aproveitamento da pressão criada depois da combustão, reduzir forças laterais sobre o pistão e aumentar o torque obtido com determinada quantidade de combustível.

O documento apresenta como vantagens esperadas uma economia superior a 66%, redução de gases nocivos e diminuição do atrito interno.

Esses itens, no entanto, fazem parte das reivindicações registradas pelos próprios inventores.

Uma patente protege uma solução considerada nova dentro de determinados critérios jurídicos e técnicos.

Ela não funciona como certificado de que o produto atingirá todos os resultados anunciados, nem substitui testes de desempenho, durabilidade, segurança e emissões.

A versão internacional localizada aparece com o status encerrado, enquanto o pedido correspondente nos Estados Unidos consta como abandonado.

Reportagens indianas afirmam que Gaur recebeu duas patentes do governo do país, mas não foi possível identificar com segurança os dois registros concedidos nem relacioná-los diretamente a todos os resultados divulgados.

Desenho técnico do pedido de patente WO2011074002A1 mostra alterações propostas no pistão, na biela e no conjunto do virabrequim de um motor de combustão interna. Crédito: WIPO/Google Patents; inventores Shailendra Kumar Singh e Anshuman Singh Gaur.

Sacrifícios mantiveram o projeto fora das grandes fábricas

O desenvolvimento ocorreu longe da estrutura encontrada em uma montadora.

Conforme os relatos publicados na Índia, Gaur vendeu uma casa, um terreno agrícola e uma loja para manter a pesquisa e transformou o imóvel alugado onde vivia em um espaço de trabalho.

Parte de sua formação prática teria ocorrido no laboratório de Engenharia Mecânica do Instituto Nacional de Tecnologia Motilal Nehru, conhecido pela sigla MNNIT.

Ele também teria passado por instalações do Instituto Indiano de Tecnologia ligado à Universidade Hindu de Banaras.

As reportagens informam que Gaur trabalhou durante seis meses com o professor Anuj Jain no MNNIT.

Não foi localizado, contudo, um documento das instituições que detalhe a participação delas na validação do motor ou confirme que os testes de consumo tenham ocorrido em seus laboratórios.

Também não há confirmação de que a tecnologia esteja sendo avaliada para produção por uma montadora.

Em 2025, o inventor ainda buscava apoio do governo, de investidores ou de empresas do setor para ampliar o projeto.

Transformar um protótipo em produto comercial exigiria etapas adicionais.

Seriam necessários testes prolongados de desgaste, partida a frio, vibração, temperatura, ruído, emissões e comportamento sob diferentes cargas e rotações.

Além disso, a adaptação precisaria cumprir normas de segurança e de controle de poluentes.

O processo também teria de demonstrar que a economia prometida compensa a complexidade e os custos adicionais do mecanismo.

Patente da Porsche não comprova os 176 km/l

O interesse por ciclos diferentes dos quatro tempos não se limita ao trabalho de Gaur.

Em 2024, uma patente registrada pela Porsche chamou atenção por apresentar outro conceito de motor de seis tempos.

No desenho da fabricante alemã, um mecanismo excêntrico no virabrequim altera o curso do pistão.

O ciclo acrescenta uma nova compressão e outra etapa de geração de força, resultando em duas combustões durante três voltas do virabrequim.

A proposta da Porsche é tecnicamente diferente do mecanismo descrito na patente internacional associada a Gaur.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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