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Depois de vender chup-chup na praia e virar gari aos 20 anos, capixaba que concluiu o ensino médio pela EJA estudava no horário de almoço, gravava aulas para ouvir enquanto trabalhava e relatou dormir apenas 2 horas por noite durante 60 dias até conquistar uma vaga em concurso público do Espírito Santo

Depois de vender chup-chup na praia e virar gari aos 20 anos, capixaba que concluiu o ensino médio pela EJA estudava no horário de almoço, gravava aulas para ouvir enquanto trabalhava e relatou dormir apenas 2 horas por noite durante 60 dias até conquistar uma vaga em concurso público do Espírito Santo

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Depois de vender chup-chup na praia e virar gari aos 20 anos, capixaba que concluiu o ensino médio pela EJA estudava no horário de almoço, gravava aulas para ouvir enquanto trabalhava e relatou dormir apenas 2 horas por noite durante 60 dias até conquistar uma vaga em concurso público do Espírito Santo

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 11/08/2026 às 22:24

Atualizado 11/08/2026 às 22:52

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Trabalho nas ruas, retomada escolar e anos de preparação se cruzam na trajetória de um capixaba que transformou intervalos do expediente em tempo de estudo, conciliou cursinho com jornadas exigentes e chegou a uma aprovação capaz de mudar sua perspectiva profissional no serviço público estadual.

Matheus Otoni transformou os intervalos de uma rotina pesada nas ruas em tempo de preparação para um concurso público no Espírito Santo, depois de vender chup-chup na praia, concluir o ensino médio pela EJA e começar a trabalhar como gari aos 20 anos.

Quando decidiu buscar uma vaga no serviço público, passou a combinar emprego, cursinho e estudo individual, aproveitando horários pouco convencionais para revisar conteúdos e mantendo esse objetivo por cerca de cinco anos, até alcançar a aprovação em uma seleção estadual.

Na etapa mais intensa da preparação, iniciada após a publicação do edital, Matheus relatou que usava o horário de almoço para estudar e gravava as aulas do curso preparatório, ouvindo o conteúdo com fones enquanto continuava cumprindo suas atividades profissionais.

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À noite, depois de sair do cursinho, ele ainda reservava parte da madrugada para revisar as matérias, criando uma rotina que avançava muito além do horário convencional de estudo e se encaixava entre o expediente, o deslocamento e poucas horas de descanso.

Rotina de estudos avançava pela madrugada antes da prova

Segundo reportagem do jornal A Tribuna, Matheus contou que chegava do curso por volta das 22h20, permanecia estudando até as 2h e precisava acordar às 4h40 para trabalhar, mantendo esse ritmo durante aproximadamente 60 dias antes da prova.

Nesse período específico, ele afirmou que chegava a dormir apenas duas horas por dia, informação apresentada como parte de uma fase temporária de preparação mais intensa, concentrada entre a divulgação do edital e a realização da seleção para o serviço estadual.

Antes dessa corrida contra o relógio, porém, o projeto já vinha sendo construído havia anos, porque Matheus disse ter decidido buscar uma carreira pública aos 20 anos e continuou estudando enquanto o trabalho como gari permanecia indispensável para sua renda.

A necessidade de contribuir com as despesas de casa apareceu quando ele ainda morava com a mãe, e o emprego na limpeza urbana surgiu como uma oportunidade concreta de sustento, depois de uma experiência anterior vendendo chup-chup na praia.

EJA abriu caminho para a preparação em concursos públicos

Também fora do percurso escolar convencional, Matheus concluiu o ensino médio pela Educação de Jovens e Adultos, modalidade destinada a quem precisa completar etapas da educação básica fora da idade regular, e foi depois dessa certificação que passou a conhecer melhor os concursos públicos.

A aprovação, no entanto, não veio logo nas primeiras tentativas, pois durante os anos seguintes ele incorporou a preparação para concursos à vida de trabalhador, buscou um curso preparatório e organizou a rotina para estudar mesmo quando o tempo disponível era reduzido.

Quando surgiu o edital que se tornaria decisivo para sua trajetória, a quantidade de horas dedicadas às matérias aumentou, e os intervalos do cotidiano passaram a funcionar como extensão do cursinho, com revisão no almoço, gravações durante o expediente e estudo noturno.

Como parte do dia já estava ocupada pelo trabalho e pelos deslocamentos, Matheus precisou distribuir a preparação em diferentes momentos, evitando depender exclusivamente das horas em casa e transformando períodos curtos em oportunidades para retomar explicações e revisar conteúdos cobrados na seleção.

Aulas gravadas ampliavam o tempo disponível para estudar

O almoço servia para revisar matérias, enquanto as gravações permitiam ouvir novamente as aulas durante o trabalho, estratégia que ampliava o contato diário com o conteúdo sem interromper as atividades profissionais e deixava a noite reservada para cursinho e estudo individual.

Depois do expediente, a preparação continuava presencialmente no curso, e ao retornar para casa Matheus ainda revisava as matérias antes de dormir, fazendo com que o ciclo de trabalho e estudo recomeçasse poucas horas depois, quando precisava levantar cedo novamente.

Essa etapa de aproximadamente dois meses foi descrita por ele como uma intensificação provocada pela proximidade da prova, enquanto os cinco anos mencionados anteriormente mostram que a preparação havia começado muito antes e envolvia um processo mais longo de tentativa de ingresso no funcionalismo.

Além do trabalho e dos estudos, a música também apareceu em sua formação, porque Matheus participou do projeto Vale Música e tocava trompete antes de concentrar os esforços nos concursos, experiência que ele continuou apontando como parte importante de sua trajetória.

Apoio no cursinho acompanhou a fase decisiva da preparação

Durante a preparação para a seleção estadual, ele também relatou ter recebido orientação de profissionais do curso que frequentava, apoio que se somava às aulas regulares, às revisões fora do horário convencional e ao esforço para manter os estudos conciliados com o emprego.

Quando sua história foi inicialmente relatada, Matheus tinha 26 anos e já havia sido aprovado no concurso público do Espírito Santo, aguardando as etapas seguintes para assumir a nova função e deixar para trás o trabalho cotidiano na limpeza urbana.

A seleção estava ligada a uma função exercida no sistema prisional, e o edital mencionado na reportagem previa remuneração de R$ 4.717, além de auxílio-alimentação de R$ 600, valores apresentados como referência para o cargo disputado pelo candidato.

Mais do que uma mudança imediata de ocupação, o resultado representava a continuidade de um objetivo iniciado depois da conclusão do ensino médio pela EJA, quando Matheus passou a entender melhor as possibilidades de ingresso no serviço público e direcionou os estudos para concursos.

Intervalos do trabalho viraram parte da preparação diária

Em vez de depender de um único bloco diário de estudo, ele distribuiu a preparação ao longo da jornada, repetindo conteúdos no intervalo do almoço, retomando aulas durante o trabalho e deixando o período noturno para o cursinho e a revisão individual.

Depois da prova, a expectativa deixou de estar concentrada apenas na preparação e passou a envolver a mudança de profissão, já que Matheus dizia estar ansioso para trocar os instrumentos usados diariamente na limpeza urbana pela nova atividade no funcionalismo estadual.

Essa mudança vinha depois de uma sequência formada por trabalho informal, retorno à educação básica, emprego como gari, preparação em curso e cinco anos voltados ao objetivo de aprovação, percurso construído ao mesmo tempo em que ele precisava garantir a própria renda.

Fora da fase mais intensa de estudos, Matheus também relatava manter interesses como corrida, atividades religiosas e música, enquanto a rotina de poucas horas de sono permanecia associada aos cerca de 60 dias que antecederam a prova e exigiram maior dedicação.

Entre vender alimentos na praia, concluir a educação básica pela EJA, trabalhar como gari e buscar uma vaga no serviço estadual, Matheus organizou durante anos o tempo disponível em torno de um objetivo que exigia conciliar renda, estudo e preparação para concursos.

Qual aspecto dessa trajetória chama mais atenção: a retomada dos estudos pela EJA, os cinco anos de preparação ou a forma como Matheus distribuiu o aprendizado entre almoço, expediente, cursinho e madrugada para manter o objetivo de ingressar no serviço público?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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