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Depois de virar febre no Brasil, o Pix começou a se conectar com a China, agora aplicativos chineses podem pagar por QR Code no comércio brasileiro, num sistema que abrange 15 milhões de lojas e deve se expandir para outras carteiras digitais

Depois de virar febre no Brasil, o Pix começou a se conectar com a China, agora aplicativos chineses podem pagar por QR Code no comércio brasileiro, num sistema que abrange 15 milhões de lojas e deve se expandir para outras carteiras digitais

5 min de leitura

Depois de virar febre no Brasil, o Pix começou a se conectar com a China, agora aplicativos chineses podem pagar por QR Code no comércio brasileiro, num sistema que abrange 15 milhões de lojas e deve se expandir para outras carteiras digitais

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 05/08/2026 às 10:27

Atualizado em 05/08/2026 às 10:28

Economia

Canal

Pix passa a receber pagamentos de aplicativos chineses por QR Code em piloto de interoperabilidade que alcança 15 milhões de estabelecimentos no Brasil.

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A UnionPay International lançou um programa piloto de interoperabilidade transfronteiriça que liga o aplicativo chinês e bancos parceiros à rede brasileira. A empresa atua no país há mais de duas décadas e viu as transações com cartões emitidos na China crescerem mais de 30% no primeiro semestre de 2026.

Turistas chineses podem pagar com o aplicativo do próprio país em estabelecimentos brasileiros conectados ao Pix, por meio de um programa piloto de interoperabilidade transfronteiriça de QR Code anunciado pela UnionPay International, conforme material publicado pelo Diário do Povo e reproduzido pelo portal Brasil 247.

O alcance da rede brasileira é o que dá escala à iniciativa. Lançado pelo Banco Central em 2020, o sistema de pagamentos instantâneos se tornou infraestrutura central na América Latina e abrange 15 milhões de estabelecimentos comerciais no país.

Quem pode pagar e como funciona

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

Durante a fase piloto, o acesso está restrito a dois grupos de usuários. O primeiro reúne quem utiliza o aplicativo da própria bandeira chinesa. O segundo abrange clientes de aplicativos bancários comerciais conectados à plataforma de pagamento da rede.

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Esses usuários conseguem efetuar pagamentos diretamente por QR Code em comércios brasileiros integrados à rede de pagamentos instantâneos.

O modelo dispensa a conversão manual e o uso de cartão físico. O turista abre o aplicativo que já usa na China e escaneia o mesmo código que o brasileiro escaneia, com a operação de câmbio e liquidação resolvida entre as instituições envolvidas.

A ampliação prevista

A fase atual é apenas o começo do desenho previsto. O escopo de serviços deve crescer com a abertura gradual do acesso às carteiras digitais parceiras globais da bandeira que utilizam tecnologia de QR Code.

Isso significa que o mesmo canal construído para a China pode passar a atender usuários de outros países onde essas carteiras operam.

É essa característica que define o valor estratégico do projeto para quem o desenhou. O piloto cria um modelo replicável entre a China e os países latino-americanos, e não apenas uma ponte bilateral fechada em si mesma.

O acordo entre os bancos centrais

A infraestrutura técnica se apoia em uma base institucional construída antes dela. Em maio de 2025, o Banco Popular da China e o Banco Central do Brasil assinaram um memorando de entendimento sobre cooperação estratégica financeira.

Em junho de 2026, as duas instituições realizaram a quarta reunião do grupo de trabalho criado por esse acordo, ocasião em que discutiram serviços de pagamento e liquidação mais eficientes e seguros para o intercâmbio econômico e comercial entre os dois países.

Esse encadeamento explica por que o projeto saiu do papel. Interoperabilidade entre sistemas de pagamento de países diferentes depende de acordo entre autoridades monetárias antes de qualquer integração técnica, porque envolve câmbio, regras de compliance e supervisão dos dois lados.

O fluxo de turistas que mudou o cálculo

A demanda que sustenta o negócio vem crescendo de forma constante nos últimos anos, com aumento das viagens da China para a América Latina.

Um fator específico acelerou essa curva no caso brasileiro. A implantação da política de isenção de vistos para cidadãos chineses no Brasil, em maio de 2026, impulsionou ainda mais o movimento.

Os números de uso já refletem essa expansão. No primeiro semestre de 2026, as transações em terminais de pagamento no Brasil com cartões da bandeira emitidos na China cresceram mais de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A presença que já existia no país

A operadora chinesa não chega ao Brasil com esse piloto. Ela atua no mercado nacional há mais de duas décadas e já alcançou ampla aceitação entre os principais estabelecimentos de destinos turísticos relevantes.

A empresa também oferece serviços de saque em caixas eletrônicos interbancários, com cobertura que abrange praticamente toda a região.

Essa base instalada é o que torna o piloto viável em prazo curto. A relação com o comércio já existia pelo cartão; o que muda é o meio de pagamento, que passa do plástico para o código na tela do celular.

O que o comerciante brasileiro ganha

Do lado de quem vende, o efeito é de ampliação de público sem investimento adicional. O estabelecimento que já opera com a rede de pagamentos instantâneos passa a poder receber de um cliente estrangeiro sem instalar equipamento novo.

Para o turista, a mudança elimina uma fricção conhecida de quem viaja: a necessidade de portar dinheiro em espécie, buscar casa de câmbio ou usar cartão internacional com taxas e cotação aplicada dias depois.

O ganho é mútuo e assimétrico. O comerciante amplia a base de clientes internacionais; o visitante ganha um meio de pagamento que ele já domina, sem precisar aprender a operar um sistema estrangeiro em viagem curta.

Uma ponte que serve aos dois lados

O projeto é apresentado como resultado da complementaridade entre as indústrias de pagamento dos dois países, com efeitos que correm em direções opostas e se somam.

De um lado, otimiza a experiência de pagamento para viajantes chineses no Brasil e ajuda comerciantes locais a alcançar clientela internacional. De outro, contribui para a modernização do ecossistema de pagamentos digitais brasileiro.

A leitura mais ampla é geopolítica. China e Brasil são as maiores economias em desenvolvimento de seus respectivos hemisférios, e a integração de pagamentos entra como mais uma camada de conectividade institucional entre os dois países, ao lado do comércio de bens e dos acordos financeiros já firmados.

E você, acha que integrar o sistema brasileiro a carteiras estrangeiras facilita a vida de quem viaja ou entrega dados demais para fora? Gostaria de poder pagar com o aplicativo do seu banco em uma viagem internacional? Conta nos comentários se você já teve dificuldade para pagar alguma coisa fora do país.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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