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Depois de viver em situação de rua, homem de 60 anos entra em grupo com 35 pessoas, estuda para concurso em aulas de reforço, consegue isenção da taxa, fica em 10º lugar e assume cargo de pintor na Prefeitura de Taubaté
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 12/08/2026 às 17:33
Atualizado em 12/08/2026 às 17:34
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Ranulfo Costa vivia em situação de rua em Taubaté, no interior de São Paulo, quando uma iniciativa ligada ao atendimento social do município abriu o caminho que acabaria levando sua trajetória da vulnerabilidade cotidiana para uma vaga efetiva no serviço público municipal.
Aos 60 anos, ele participou de aulas de reforço voltadas a um concurso da prefeitura, conseguiu isenção da taxa de inscrição, realizou a prova, alcançou a 10ª colocação e, posteriormente, assumiu o cargo de pintor para atuar em prédios públicos da cidade.
A preparação ocorreu por meio do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, conhecido como Centro Pop, onde Ranulfo já era atendido e passou a integrar uma iniciativa direcionada a pessoas interessadas em disputar vagas oferecidas pela administração municipal.
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Segundo reportagem do UOL, o grupo reunia 35 pessoas em situação de rua, que receberam aulas de reforço depois que a abertura do concurso passou a ser divulgada entre os atendidos pelo serviço, criando uma ponte entre assistência social, preparação e oportunidade profissional.
Centro Pop ofereceu preparação para concurso em Taubaté
Em vez de apenas informar que havia vagas disponíveis, uma orientadora social incentivou os participantes a fazer a inscrição e organizou encontros com foco nas disciplinas exigidas pelo edital, ajustando o acompanhamento de acordo com as dificuldades apresentadas por cada candidato durante a preparação.
Durante os estudos, os conteúdos mais difíceis recebiam atenção específica, conforme relatado ao UOL por uma representante da área de proteção social do município, enquanto o grupo avançava na preparação para uma seleção que exigia conhecimento formal e organização para cumprir todas as etapas.
Além da necessidade de estudar, Ranulfo enfrentava uma barreira financeira para entrar efetivamente no processo seletivo, porque o pagamento da inscrição representava um custo relevante dentro de uma rotina marcada pela falta de moradia fixa e pela dependência da rede pública de atendimento.
Por isso, a isenção da taxa de inscrição teve papel decisivo em sua participação, permitindo que ele realizasse a prova sem o pagamento normalmente exigido dos concorrentes e transformasse a preparação recebida no Centro Pop em uma possibilidade concreta de disputar a vaga.
Ranulfo Costa ficou em 10º lugar no concurso público
Quando o resultado foi divulgado, Ranulfo apareceu entre os aprovados e terminou o concurso na 10ª colocação para o cargo de pintor, segundo o UOL, que reproduziu informações da Prefeitura de Taubaté sobre a classificação e o andamento da seleção municipal.
A posição conquistada não ficou restrita à lista de aprovados, porque a classificação posteriormente se transformou em convocação e trabalho efetivo para a administração municipal, colocando Ranulfo em uma rotina profissional estável depois de anos marcados por condições pessoais e sociais bastante diferentes.
Antes dessa mudança, sua trajetória havia passado por um período prolongado de instabilidade, já que Ranulfo estava em situação de rua desde 2017 e relatou que problemas relacionados ao alcoolismo e à depressão estiveram entre os fatores que contribuíram para aquela condição.
Ao longo do atendimento, ele recebeu tratamento, avançou no processo de reabilitação e começou a participar das atividades oferecidas pela rede social do município, até que a possibilidade de prestar concurso surgiu como uma alternativa concreta dentro desse acompanhamento contínuo.
Trabalho como pintor mudou a rotina em Taubaté
Depois da convocação, a rotina passou a incluir o trabalho como pintor em prédios públicos de Taubaté, e Ranulfo chegou a posar para fotografias ao lado das profissionais que acompanharam sua preparação, vinculadas ao Centro Pop e à Secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social.
O resultado também não ficou restrito a um único participante, porque, entre as 35 pessoas que receberam preparação, outros dois homens em situação de rua foram aprovados no mesmo concurso, um para o cargo de gari e outro para uma vaga de cuidador.
Na época em que a história de Ranulfo foi divulgada, esses dois candidatos ainda aguardavam convocação, enquanto ele já havia iniciado suas atividades e transformado uma oportunidade apresentada dentro do serviço de assistência em uma ocupação formal vinculada diretamente à prefeitura.
O contexto municipal ajuda a dimensionar a iniciativa, pois a reportagem do UOL registrou que Taubaté tinha aproximadamente 450 pessoas em situação de rua naquele período, número que tornava o atendimento especializado parte relevante da política local voltada a diferentes formas de vulnerabilidade social.
Dentro desse cenário, a preparação para o concurso foi incorporada ao trabalho do Centro Pop, serviço frequentado por pessoas sem moradia fixa, e passou a funcionar como um caminho adicional para quem desejava disputar vagas públicas e reunir condições para reorganizar a própria vida.
A orientação social fez a ligação entre o edital e candidatos que poderiam não participar da seleção sem apoio para inscrição e preparação, enquanto Ranulfo aceitou a proposta, compareceu aos encontros, estudou as matérias exigidas e seguiu até a realização da prova.
Depois que a classificação foi confirmada, o resultado ganhou peso porque o candidato que vivia nas ruas não apenas participou do processo seletivo, mas alcançou pontuação suficiente para ocupar a 10ª posição e ser chamado posteriormente pela administração municipal para assumir a função.
Já no novo trabalho, Ranulfo passou a mencionar objetivos pessoais diretamente ligados à mudança de rotina, entre eles conseguir uma casa para deixar definitivamente a situação de rua, retomar a proximidade com os filhos adultos e ajudá-los dentro das possibilidades abertas pelo emprego.
Aprovação abriu espaço para novos planos pessoais
Ao recordar a convocação, ele contou ter recebido a notícia por intermédio de uma assistente social e descreveu aquele momento como uma grande alegria, enquanto a nova ocupação começava a ser associada também à possibilidade de recuperar moradia e reconstruir vínculos familiares.
Diferentemente da preparação oferecida por cursos tradicionais para concursos, as aulas frequentadas por Ranulfo aconteciam dentro de uma estrutura voltada à população em situação de rua e revisavam exatamente as matérias previstas no edital municipal, aproximando assistência social e qualificação para a seleção.
Esse formato permitiu que os participantes recebessem orientação específica, mantivessem uma rotina de estudos antes da prova e tivessem apoio para cumprir etapas práticas, enquanto, no caso de Ranulfo, a combinação entre preparação e isenção terminou em classificação suficiente para a convocação.
Ao assumir o cargo de pintor, a relação de Ranulfo com a cidade também mudou de forma concreta, porque, depois de anos recorrendo à rede pública de atendimento, ele passou a integrar o quadro responsável pela conservação de estruturas mantidas pela própria administração municipal.
De atendido pela rede pública a servidor municipal
O Centro Pop esteve presente em diferentes etapas dessa trajetória, desde a assistência recebida durante o período de vulnerabilidade até a preparação para o concurso e o acompanhamento posterior, quando profissionais envolvidos no processo permaneceram próximos durante o início da nova rotina profissional.
Embora a seleção tenha ocorrido em um momento específico, os elementos centrais da história permanecem ligados à sequência vivida por Ranulfo: informação sobre a vaga, apoio para estudar, isenção da inscrição, realização da prova, classificação entre os aprovados e convocação para o serviço público.
Quando começou a trabalhar como pintor da Prefeitura de Taubaté, Ranulfo tinha 60 anos e passou a incluir entre seus planos uma casa, a reaproximação com os filhos e uma rotina profissional estabelecida pelo cargo conquistado depois da preparação recebida no atendimento social.
Quantas pessoas em situação semelhante poderiam disputar uma oportunidade de emprego se também encontrassem acesso à informação, preparação adequada e condições concretas para participar de uma seleção pública capaz de abrir novas possibilidades profissionais e pessoais?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

