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Depois de viver mais de 12 anos nas ruas do Recife, homem estuda sozinho em bibliotecas públicas e, com apenas R$ 2 no bolso no dia da prova, caminha 54 quilômetros, acerta 133 das 150 questões e conquista uma vaga no concurso do Banco do Brasil
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 10/08/2026 às 19:03
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Ubirajara Gomes da Silva viveu mais de 12 anos nas ruas do Recife, estudou em bibliotecas e concluiu o ensino médio pelo supletivo. No concurso do Banco do Brasil, acertou 133 de 150 questões e relatou ter caminhado 54 quilômetros no dia da prova.
Ubirajara Gomes da Silva passou mais de uma década vivendo nas ruas do Recife antes de conseguir o emprego que mudaria sua rotina. Sem casa, ele retomou os estudos, frequentou bibliotecas abertas ao público, concluiu o ensino fundamental e o médio por meio de exames supletivos e começou a prestar concursos. Em 2008, aos 27 anos, assumiu o cargo de escriturário do Banco do Brasil na capital pernambucana.
O resultado da prova ajuda a dimensionar a história: Ubirajara acertou 133 das 150 questões, segundo reportagens posteriores sobre sua trajetória. Ele também relatou que, no dia do concurso, tinha apenas R$ 2, comprou uma caneta e um bombom e caminhou 27 quilômetros até o local da prova e outros 27 quilômetros para retornar, totalizando 54 quilômetros a pé.
Mais de uma década nas ruas do Recife antecedeu a aprovação no Banco do Brasil
Uma reportagem publicada em julho de 2008 pelo direcaoconcursos, quando ele assumiu o cargo no Banco do Brasil, informa que saiu da casa da avó aos 15 anos. Como tinha 27 anos ao tomar posse, essa cronologia representa aproximadamente 12 anos.
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Em entrevista exibida anos depois pelo Domingo Espetacular, Ubirajara relatou que tinha 13 anos quando foi morar na rua, e o R7 descreveu um período de 14 anos nessa situação.
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No Recife, Ubirajara dormia em espaços públicos. O R7 registrou que utilizava bancos, praças e rampas de hospitais durante a madrugada e dependia de doações para se alimentar.
Bibliotecas públicas viraram parte da rotina de estudos
Mesmo sem uma residência onde pudesse manter livros e uma mesa de estudos, Ubirajara passou a utilizar espaços públicos para ler.
Ele frequentava a Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco e também relatou estudar em bibliotecas da Universidade Católica de Pernambuco, do Senai e do Sebrae sempre que conseguia acesso.
Os jornais também faziam parte da rotina. A reportagem do R7 publicada quando ele tomou posse no Banco do Brasil relata que Ubirajara frequentava a biblioteca pública para ler e que foi justamente nesse ambiente que conheceu uma pessoa que lhe sugeriu tentar concursos públicos.
Anos depois, um taxista entrevistado pelo R7 lembrou que Ubirajara carregava livros mesmo enquanto vivia na rua. O próprio bancário afirmou que frequentava bibliotecas e mantinha o hábito de ler jornais, livros e pesquisar assuntos diferentes.
Ubirajara voltou à escola e concluiu a educação básica pelo supletivo
O retorno à educação formal ocorreu em 2001. Segundo a reportagem reproduzida pelo Direção Concursos, Ubirajara conseguiu se matricular em uma escola pública e recorreu ao sistema supletivo porque já estava fora da faixa etária convencional das séries que ainda precisava concluir.
Primeiro, conseguiu a certificação equivalente à conclusão do ensino fundamental. Depois buscou o supletivo de nível médio e continuou estudando à noite.
José Dionísio Júnior, então gerente de avaliação da Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco, confirmou à reportagem posteriormente reproduzida pelo Direção Concursos que Ubirajara fez o exame supletivo, conseguiu aprovação e recebeu a certificação necessária para disputar posteriormente o concurso.
Concurso do Banco do Brasil veio depois de outras quatro tentativas
A aprovação no BB não foi sua primeira experiência com concursos. A reportagem publicada em 2008 informa que Ubirajara havia feito quatro seleções anteriormente, acumulando experiência com provas antes de disputar a vaga no banco.
Para estudar especificamente para o processo seletivo do Banco do Brasil, ele utilizou inclusive uma prova anterior do concurso. Segundo o relato da época, o material foi baixado da internet, à qual Ubirajara tinha acesso em locais públicos.
A escolaridade obtida pelo supletivo foi decisiva para permitir que ele concorresse. Depois de conseguir a certificação do ensino médio em 2006, Ubirajara intensificou a busca por uma vaga em concurso até chegar ao processo seletivo que terminaria com sua entrada no Banco do Brasil.
No dia da prova, ele tinha R$ 2 e relatou caminhar 54 quilômetros
Um dos episódios mais extremos da trajetória ocorreu justamente no dia da seleção. Em entrevista posteriormente reproduzida pelo Direção Concursos, Ubirajara contou que possuía R$ 2 naquele momento e utilizou o dinheiro para comprar uma caneta e um bombom.
Sem dinheiro suficiente para o deslocamento, ele afirmou ter saído da região da Madalena a pé. Segundo seu relato, foram 27 quilômetros até o local da prova e outros 27 quilômetros na volta. Somados, os dois percursos correspondem a 54 quilômetros.
133 acertos em 150 questões terminaram em uma vaga no banco
Na prova, Ubirajara acertou 133 das 150 questões, errando 17. O resultado foi registrado tanto pelo R7 quanto pela reportagem sobre sua aprovação reproduzida pelo Direção Concursos.
A aprovação se converteu efetivamente em emprego. Em 14 de julho de 2008, Ubirajara, então com 27 anos, assumiu o cargo de escriturário do Banco do Brasil em Recife, segundo notícia publicada dois dias depois por entidade sindical bancária com informações da Contraf/CUT e do Portal UOL.
Entrada no Banco do Brasil encerrou a vida sem endereço fixo
A contratação proporcionou uma mudança material que pode ser acompanhada nas reportagens posteriores. Em 2014, seis anos depois de assumir o cargo, o R7 informou que Ubirajara já havia conseguido comprar uma casa própria.
Naquele momento, ele também cursava Administração e pretendia continuar os estudos. A trajetória profissional iniciada em 2008 havia transformado o candidato que estudava em bibliotecas públicas em funcionário de um dos maiores bancos do país.
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A sequência documentada atravessa vários anos: retorno à escola em 2001, conclusão do ensino médio pelo supletivo em 2006, tentativas anteriores em concursos, aprovação no processo seletivo do Banco do Brasil e posse como escriturário aos 27 anos, em julho de 2008.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

