Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Depois que a lei proibiu shows com cetáceos e o parque fechou, as orcas Wikie e Keijo, mãe e filho que nunca viram o mar, esperam num tanque tomado por algas enquanto a França decide o destino das últimas orcas em cativeiro do país

Depois que a lei proibiu shows com cetáceos e o parque fechou, as orcas Wikie e Keijo, mãe e filho que nunca viram o mar, esperam num tanque tomado por algas enquanto a França decide o destino das últimas orcas em cativeiro do país

6 min de leitura

Depois que a lei proibiu shows com cetáceos e o parque fechou, as orcas Wikie e Keijo, mãe e filho que nunca viram o mar, esperam num tanque tomado por algas enquanto a França decide o destino das últimas orcas em cativeiro do país

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 21/08/2026 às 13:55

Curiosidades

Canal

Wikie e Keijo são as últimas orcas em cativeiro na França e aguardam uma definição sobre o futuro após o fechamento do Marineland Antibes.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Wikie, de cerca de 25 anos, e Keijo, de 13, são últimas orcas mantidas em cativeiro na França. Nascidos em cativeiro e sem experiência no oceano, permanecem no Marineland Antibes, fechado desde janeiro de 2025, enquanto autoridades e especialistas avaliam alternativas, como santuários marinhos, diante dos riscos de soltura direta.

Wikie e Keijo, mãe e filho, permanecem no Marineland Antibes, no sul da França, depois que o parque encerrou suas atividades. Wikie tem cerca de 25 anos e Keijo, 13; os dois nasceram em cativeiro, nunca viveram no oceano e são as últimas orcas mantidas nessas condições no país.

As informações foram publicadas pelo Metrópoles em 17 de maio de 2026, em reportagem de Ravenna Alves. O parque fechou em janeiro de 2025 após mudanças na legislação francesa proibirem apresentações com cetáceos, enquanto o destino definitivo dos dois animais permaneceu em discussão entre autoridades e especialistas.

Marineland Antibes fechou em janeiro de 2025 após proibição dos espetáculos

Wikie e Keijo são as últimas orcas em cativeiro na França e aguardam uma definição sobre o futuro após o fechamento do Marineland Antibes.

O Marineland Antibes funcionou durante anos como atração dedicada à exibição de grandes animais marinhos. As orcas ocupavam posição central nos espetáculos e concentravam parte importante do interesse dos visitantes.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A mudança na legislação francesa proibiu apresentações com cetáceos. Sem os shows que respondiam por grande parcela da visitação, o modelo de funcionamento do parque deixou de se sustentar, levando ao encerramento das atividades em janeiro de 2025.

Wikie tem cerca de 25 anos e Keijo, 13, e nenhum dos dois viveu no oceano

Wikie nasceu em cativeiro e tinha aproximadamente 25 anos quando a situação foi relatada. Seu filho Keijo, também nascido no parque, tinha 13 anos.

Nenhum dos dois desenvolveu uma vida independente no ambiente natural. Essa condição tornou a definição do destino mais complexa, porque uma eventual mudança precisa considerar animais que passaram toda a existência dependendo de estruturas e cuidados humanos.

Funcionários continuam cuidando das orcas mesmo depois do fechamento

O encerramento do parque não significou a retirada imediata dos animais. Funcionários continuaram responsáveis pelos cuidados diários de Wikie e Keijo mesmo com os portões fechados ao público.

A permanência, porém, é tratada como uma solução temporária. A estrutura dos tanques já apresentava sinais de desgaste, aumentando a pressão para que um destino permanente fosse definido.

Espaço limitado pode provocar problemas musculares e articulares

A professora de medicina veterinária Eleonora Dávila Erbesdobler, da UNICEPLAC, explica que a manutenção de orcas em espaços reduzidos pode produzir consequências físicas e comportamentais.

A limitação dos movimentos interfere no condicionamento corporal e pode favorecer problemas musculares e articulares, infecções e desgaste dentário. No oceano, esses animais percorrem grandes distâncias e vivem expostos a estímulos que não podem ser reproduzidos integralmente em um tanque.

Movimentos repetitivos e apatia podem indicar comprometimento do bem-estar

Wikie e Keijo são as últimas orcas em cativeiro na França e aguardam uma definição sobre o futuro após o fechamento do Marineland Antibes.

Eleonora também aponta mudanças comportamentais relacionadas às condições de confinamento. Permanecer imóvel por períodos prolongados, nadar repetidamente em círculos ou demonstrar pouco interesse pelo ambiente estão entre os sinais observados em cetáceos mantidos em espaços artificiais.

É comum observar movimentos repetitivos, apatia e até agressividade entre os indivíduos. São sinais de que o ambiente não atende às necessidades desses animais”, explicou.

Orcas dependem de interações sociais complexas

Orcas são animais altamente sociais e desenvolvem interações complexas. A redução de espaço e de estímulos interfere nessa dinâmica e pode contribuir para situações de estresse contínuo.

Em determinados casos, podem aparecer comportamentos compulsivos ou reações exageradas a estímulos simples. Esses fatores estão entre as razões pelas quais a permanência definitiva de Wikie e Keijo no parque desativado não é apresentada como a solução desejada.

Soltar Wikie e Keijo diretamente no oceano envolve riscos

A possibilidade de levar as duas orcas ao mar aparece entre as alternativas discutidas, mas a reintrodução direta na natureza é considerada extremamente complexa.

O biólogo marinho Eduardo Bessa, professor da Universidade de Brasília (UnB), em Planaltina, destaca que Wikie e Keijo nunca aprenderam a viver de forma independente no ambiente oceânico.

Animais nunca aprenderam a procurar alimento sozinhos no mar

A falta de experiência na natureza envolve tarefas fundamentais para a sobrevivência. Wikie e Keijo não aprenderam a se alimentar de maneira independente nem tiveram de enfrentar as condições encontradas em mar aberto.

São animais que não aprenderam a se alimentar sozinhos nem a lidar com as condições do mar. Existe risco de não sobreviverem”, afirmou Bessa.

Mesmo animais que já viveram na natureza podem enfrentar processos longos e incertos de reintrodução. Para indivíduos nascidos em cativeiro, entram ainda na avaliação aspectos como saúde, preparo físico, exposição a doenças e capacidade de encontrar alimento.

Santuários marinhos aparecem como alternativa mais discutida

Os santuários marinhos surgem como uma possibilidade intermediária entre a manutenção em tanques tradicionais e a soltura completa no oceano.

Esses espaços costumam utilizar áreas costeiras delimitadas onde os animais podem permanecer em água do mar, ganhar mais espaço e receber estímulos mais próximos daqueles encontrados na natureza, sem perder totalmente o acompanhamento humano.

Água do mar e espaço maior podem favorecer condicionamento físico

A transferência para um santuário poderia proporcionar condições diferentes das encontradas no parque. Maior espaço disponível e estímulos variados podem favorecer a recuperação do condicionamento físico e reduzir determinados sinais associados ao estresse.

Eduardo Bessa considera essa alternativa mais realista. “O que dá para fazer hoje é oferecer uma vida com mais qualidade, que se aproxime do ambiente natural, mesmo que o animal ainda dependa de cuidados”, afirmou.

Construir uma alternativa exige dinheiro, local adequado e adaptação gradual

A transferência para um santuário também envolve dificuldades. Custos elevados, escolha de uma área apropriada e necessidade de adaptação progressiva estão entre os fatores que precisam ser considerados.

A saúde individual de cada orca também interfere na decisão. Uma mudança de ambiente precisa levar em conta não apenas o espaço disponível, mas a capacidade dos animais de suportar o transporte e se adaptar às novas condições.

Destino das últimas orcas em cativeiro da França continua sem definição

Wikie e Keijo permanecem no Marineland Antibes enquanto uma solução definitiva é avaliada. O parque está fechado desde janeiro de 2025, mas funcionários continuam responsáveis pela rotina dos dois animais.

A decisão sobre o destino das últimas orcas em cativeiro da França dependerá das condições de saúde de mãe e filho e das características do local capaz de recebê-los. A soltura direta apresenta riscos importantes, enquanto os santuários marinhos aparecem entre as alternativas consideradas mais viáveis.

Na sua opinião, Wikie e Keijo deveriam ser transferidos para um santuário marinho mesmo que continuem dependendo de cuidados humanos? Deixe sua opinião nos comentários.

Tags

Wikie e Keijo


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

Sair da versão mobile