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Depois que terremotos deixaram vilarejos em ruínas e milhares de crianças sem sala de aula em Lombok, a Indonésia passou a recolher plástico descartado, transformar o lixo em grandes blocos de encaixe e reconstruir casas e escolas em apenas seis dias, sem esperar meses por tijolos e cimento

Depois que terremotos deixaram vilarejos em ruínas e milhares de crianças sem sala de aula em Lombok, a Indonésia passou a recolher plástico descartado, transformar o lixo em grandes blocos de encaixe e reconstruir casas e escolas em apenas seis dias, sem esperar meses por tijolos e cimento

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Depois que terremotos deixaram vilarejos em ruínas e milhares de crianças sem sala de aula em Lombok, a Indonésia passou a recolher plástico descartado, transformar o lixo em grandes blocos de encaixe e reconstruir casas e escolas em apenas seis dias, sem esperar meses por tijolos e cimento

Escrito por Ana Alice

Publicado em 10/08/2026 às 23:54

Construção

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Depois dos terremotos de 2018, comunidades de Lombok passaram a reconstruir escolas com blocos feitos de plástico reciclado, unindo rapidez de montagem, reaproveitamento de resíduos e uma solução pensada para regiões sujeitas a novos tremores.

Em Lombok, uma ilha da Indonésia marcada por terremotos, parte do material usado para levantar novas salas de aula começa em um lugar improvável: plástico que já havia sido descartado.

O resíduo é processado e transformado em módulos leves que lembram grandes peças de encaixe.

Depois, os blocos são levados ao terreno, empilhados para formar paredes e combinados com fundações, cobertura, portas e janelas até que o prédio possa voltar a receber alunos.

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A experiência deixou de ser apenas um projeto-piloto.

No período 2024-2025, a organização Classroom of Hope informou ter construído 65 salas de aula e 40 banheiros em 15 escolas de Lombok, atendendo mais de 2.750 crianças.

Mais de 90 toneladas de plástico foram reaproveitadas somente nesse ciclo.

O avanço mais importante ocorreu antes, em junho de 2023, quando uma fábrica da Block Solutions começou a operar em Lombok.

Com isso, o plástico passou a poder ser coletado e transformado em blocos na própria Indonésia, reduzindo a dependência dos módulos que, nas primeiras construções, precisavam viajar desde a Finlândia.

A tecnologia continua sendo usada.

Registros da Classroom of Hope mostram novas escolas concluídas ao longo de 2025 e até janeiro de 2026, mantendo a reconstrução de instalações educacionais danificadas pelos terremotos de 2018.

Terremotos de 2018 deixaram centenas de escolas danificadas em Lombok

A necessidade de encontrar uma alternativa começou em 2018.

Uma sequência de fortes terremotos atingiu Lombok naquele ano, destruiu comunidades inteiras e obrigou centenas de milhares de pessoas a deixar suas casas.

Os tremores de agosto foram particularmente destrutivos.

Segundo a ABC News australiana, mais de 550 pessoas morreram e aproximadamente 417 mil ficaram deslocadas.

Casas, estabelecimentos e escolas desapareceram ou sofreram danos severos.

Mais de 400 escolas foram fortemente danificadas, segundo levantamento mais recente divulgado pela Classroom of Hope.

Para milhares de crianças, isso significou perder também o lugar onde estudavam.

Nos primeiros momentos, a prioridade era colocar os alunos novamente em sala.

A Classroom of Hope, criada por Duncan Ward e Nicola Courtin, trabalhou com parceiros locais na instalação de 23 escolas temporárias, que permitiram o retorno de aproximadamente 4 mil crianças às aulas.

Essas estruturas resolviam uma emergência, mas não substituíam prédios permanentes.

Foi então que surgiu outra questão: como reconstruir rapidamente escolas em uma região onde justamente as construções convencionais haviam acabado de cair?

Blocos de plástico reciclado viraram alternativa para reconstrução

Durante a busca por alternativas, Duncan Ward chegou à tecnologia desenvolvida pela finlandesa Block Solutions.

O sistema transforma plástico reciclado em grandes módulos que podem ser encaixados para formar paredes.

Na versão utilizada inicialmente em Lombok, o plástico era triturado em pequenos grânulos, misturado com fibras de madeira e moldado industrialmente.

As peças resultantes eram leves o suficiente para serem manipuladas por trabalhadores sem a mesma logística exigida por componentes tradicionais de alvenaria.

Depois que a fundação está pronta, os módulos são colocados uns sobre os outros, formando rapidamente o contorno das salas.

A construção não é feita exclusivamente de plástico.

Fundação, elementos metálicos, cobertura, portas e janelas continuam fazendo parte do prédio.

A diferença está principalmente nas paredes e na velocidade com que essa etapa pode avançar.

Segundo um documento atualizado pela Classroom of Hope em setembro de 2025, cada sala de aula utiliza material equivalente a cerca de 1 a 2 toneladas de plástico descartado, e os módulos são projetados para poder ser desmontados e montados novamente.

Primeira escola de blocos reciclados ficou pronta em seis dias

O primeiro grande teste aconteceu na escola SDN 4 Taman Sari, em Lombok.

O edifício tinha cinco salas e utilizou os blocos reciclados em uma construção concluída em junho de 2021.

Naquele projeto, depois de preparada a base, a montagem da escola levou apenas seis dias, segundo reportagem da ABC News publicada naquele ano.

As peças se encaixavam de forma semelhante a blocos de brinquedo, algo que também chamou a atenção dos próprios alunos.

Uma estudante ouvida pela ABC descreveu as paredes como parecidas com peças de Lego ao acompanhar o prédio tomando forma.

A velocidade daquela primeira experiência, contudo, não deve ser entendida como prazo garantido para todas as construções posteriores.

O material institucional mais recente da Classroom of Hope adota uma referência mais conservadora e informa que uma sala de aula pode ser concluída em cerca de duas semanas, dependendo das condições do projeto.

Ainda assim, a proposta continua voltada justamente a reduzir o tempo necessário para devolver instalações permanentes às comunidades.

Blocos foram projetados para resistir melhor a terremotos

A leveza não serve apenas para acelerar a montagem.

Em uma região que já viu escolas convencionais desabarem, o comportamento das paredes durante novos tremores é uma parte central do projeto.

Os módulos foram desenvolvidos para ter alguma flexibilidade e trabalhar de forma diferente da alvenaria rígida.

Em vez de uma parede pesada se romper e produzir grandes fragmentos, o sistema procura suportar movimentos sísmicos com componentes mais leves.

A Classroom of Hope atualmente descreve suas Block Schools como estruturas resistentes a terremotos e informa que os módulos têm vida útil projetada entre 50 e 100 anos.

Uma avaliação divulgada pela organização em 2025 também mostrou que as comunidades pesquisadas apontaram a segurança contra terremotos como um dos benefícios percebidos nas novas escolas.

Não se trata, portanto, apenas de encontrar um destino para o plástico.

O resíduo precisa virar um material com características adequadas para um lugar onde a possibilidade de novos tremores faz parte da realidade da construção.

Primeiros blocos ainda precisavam viajar da Finlândia à Indonésia

A primeira escola escondia um problema logístico.

Embora fosse construída na Indonésia, seus módulos ainda vinham da Finlândia.

Isso significava produzir as peças do outro lado do mundo, carregá-las em transporte internacional, passar por alfândega e aguardar até que chegassem a Lombok.

Enquanto a Classroom of Hope planejava ampliar o número de escolas e também testar moradias feitas com o sistema, importar continuamente todos os blocos aumentava custos e tempo.

A solução passou a ser construir a própria fábrica perto das comunidades onde o material seria usado.

Depois de anos de preparação, a fábrica da Block Solutions em Lombok foi inaugurada em 26 de junho de 2023, apresentada pela Classroom of Hope como a primeira unidade desse tipo na região da Ásia-Pacífico.

A mudança fechou parte do ciclo que o projeto pretendia criar.

O plástico descartado na Indonésia poderia ser coletado localmente, processado dentro do país e retornar às comunidades na forma de material para novas construções.

Mais de 90 toneladas de plástico viraram salas de aula

O efeito dessa expansão começou a aparecer em escala maior.

No relatório referente a 2024-2025, a Classroom of Hope registrou a construção de 65 salas em 15 escolas, além de 40 instalações sanitárias.

Segundo a organização, mais de 90 toneladas de plástico foram reaproveitadas nos blocos utilizados nesses projetos.

O programa seguiu avançando em 2025.

Escolas em diferentes localidades de Lombok receberam novas salas, incluindo unidades em Batu Nampar, Seruni Mumbul, Padak Guar, Pemenang Barat, Lenek Duren e outras comunidades.

Registros posteriores mostram obras concluídas entre o fim de 2025 e janeiro de 2026.

Em Padak Guar, por exemplo, seis novas salas e quatro banheiros foram entregues em 2025 usando a tecnologia de blocos reciclados.

A meta apresentada para os próximos anos é consideravelmente maior.

Um estudo de impacto divulgado em 2025 estabelece para 2029 o objetivo de alcançar 350 salas de aula, 365 banheiros, cerca de 20 mil estudantes e 540 toneladas de plástico reciclado dentro do programa.

Sistema criado após terremotos ganhou produção permanente em Lombok

Há uma mudança importante entre a primeira escola de 2021 e o estágio atual do projeto.

Na experiência inicial, blocos produzidos na Europa viajavam milhares de quilômetros para demonstrar que uma escola permanente poderia ser reconstruída de outra maneira.

Hoje, existe uma fábrica em Lombok, trabalhadores locais participam da montagem e outras organizações começaram a utilizar a tecnologia no país.

A Classroom of Hope também deixou de tratar o método apenas como resposta imediata aos terremotos.

Seu programa atual combina construção de escolas, banheiros, ações educacionais e avaliação dos resultados dessas novas estruturas nas comunidades.

O caso de Lombok acabou unindo dois problemas que normalmente aparecem separados: a necessidade de reconstruir rapidamente regiões atingidas por desastres e a quantidade de plástico descartado que permanece sem reaproveitamento.

Em vez de o resíduo terminar queimado, abandonado ou levado para a água, parte dele passa por máquinas, ganha formato regular e reaparece como paredes nas mesmas comunidades que precisam reconstruir suas escolas.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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