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Desempregado começou vendendo brigadeiros no sinal, viu as vendas desabarem durante a pandemia e quase perdeu 72 empadas encalhadas, mas recebeu ajuda de um desconhecido, reformulou as receitas com a família e construiu em Belém uma empresa com fábrica própria, 20 colaboradores e uma cafeteria aberta ao público
Escrito por Carla Teles
Publicado em 06/08/2026 às 15:46
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As empadas de Rangel Reis nasceram depois do desemprego, das contas acumuladas e de uma tentativa frustrada com brigadeiros; em Belém, ele refez receitas com a esposa e a sogra, estruturou produção própria, contratou 20 colaboradores e inaugurou em dezembro de 2024 uma cafeteria para receber diretamente os clientes locais.
As empadas que hoje sustentam uma fábrica própria e uma equipe de 20 colaboradores começaram a ganhar espaço quando Rangel Reis ainda vendia alimentos nas ruas e nos ônibus de Belém, no Pará. Depois de perder o emprego e enfrentar dificuldades financeiras, ele tentou comercializar brigadeiros, passou a revender salgados e precisou reformular o negócio quando a pandemia reduziu drasticamente a circulação de pessoas.
A trajetória foi relatada pelo Só Notícia Boa em uma matéria publicada em 23 de agosto de 2022, com base em informações do jornal O Liberal. Uma atualização divulgada pelo Portal Pará Negócios em 20 de março de 2025 mostrou que a Empadas do Rangel ampliou a produção, chegou a 20 colaboradores diretos e inaugurou sua primeira cafeteria em dezembro de 2024.
Desemprego levou Rangel às ruas de Belém
Rangel começou a empreender em 2019, segundo a atualização publicada pelo Portal Pará Negócios. Depois de perder o emprego como executivo e enfrentar dificuldades para pagar despesas básicas, ele viu na venda de doces uma forma imediata de gerar renda. A primeira tentativa foi com brigadeiros e bombons oferecidos em sinais de trânsito, principalmente nas proximidades do Bosque Rodrigues Alves.
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A rotina depois passou a incluir a venda de empadas dentro de ônibus durante a tarde. Rangel entrava nos coletivos e apresentava os produtos diretamente aos passageiros que estavam a caminho do trabalho ou dos estudos. O negócio nasceu por necessidade, sem fábrica, equipe ou experiência consolidada no setor de alimentação, e os erros iniciais fizeram parte da construção do modelo que seria adotado posteriormente.
Pandemia deixou 72 empadas sem compradores
Durante o período de isolamento social provocado pela pandemia, a circulação nas ruas e nos transportes públicos diminuiu. Como dependia do contato direto com consumidores, Rangel não conseguiu vender uma produção de 72 empadas e publicou um desabafo nas redes sociais. O risco era perder todos os salgados preparados para aquele dia, além do dinheiro investido na compra dos produtos.
Um desconhecido que estava em São Paulo entrou em contato, perguntou quanto custava o lote inteiro e transferiu o valor por Pix. Em vez de ficar com as empadas, pediu que fossem doadas. Rangel entregou os salgados a profissionais de enfermagem que trabalhavam em Belém no atendimento a pacientes internados durante a crise sanitária. Uma venda que parecia perdida terminou transformada em ajuda a trabalhadores da saúde.
Revenda deu lugar às primeiras receitas da família
Nos primeiros anos, Rangel não produzia as empadas que comercializava. Ele comprava os salgados de uma conhecida e os revendia nas ruas e nos ônibus. Esse modelo permaneceu por aproximadamente dois anos e meio, até que problemas no fornecimento fizeram o empreendedor considerar a fabricação própria como alternativa para continuar trabalhando.
As primeiras receitas foram preparadas na cozinha de casa com a participação da esposa e da sogra. A mudança não trouxe resultado imediato: a massa inicial não agradou e a família precisou realizar diferentes ajustes. O produto que depois sustentaria a empresa surgiu de uma sequência de testes, correções e tentativas realizadas sem uma estrutura industrial pronta.
Mensagens passaram a acompanhar as empadas
Além de modificar as receitas, Rangel passou a entregar mensagens motivacionais junto com os produtos. A proposta era fazer com que a compra não se limitasse ao alimento, especialmente nos ônibus, onde muitos passageiros enfrentavam longos trajetos e rotinas cansativas. A comunicação com o público tornou-se parte do modo como ele apresentava as empadas.
Em uma das situações relatadas em 2022, a técnica em radiologia Tamara Chaves recebeu um dos bilhetes durante uma viagem na linha Pedreira–Lomas. Ela afirmou que atravessava um momento difícil e que a mensagem sobre não desistir dos próprios sonhos chegou quando precisava daquele incentivo. A estratégia ajudou o negócio a criar uma relação de proximidade que ia além do sabor dos salgados.
Novos revendedores aceleraram o crescimento
Com o aperfeiçoamento das receitas, novos consumidores começaram a procurar os produtos e algumas pessoas demonstraram interesse em revendê-los. O aumento da demanda exigiu mais espaço, equipamentos adequados e trabalhadores para apoiar as etapas de fabricação, distribuição e comercialização. A produção doméstica, portanto, deixou de ser suficiente para atender o volume alcançado.
Rangel alugou um local maior, comprou equipamentos industriais e estruturou a Empadas do Rangel. Em 2022, a empresa tinha sete mulheres trabalhando na cozinha industrial e mais de 15 pessoas envolvidas na distribuição e na venda dos salgados. Os números apresentados naquele momento indicavam que o negócio já havia deixado de depender apenas do trabalho individual do fundador.
Fábrica própria chegou a 20 colaboradores
A atualização publicada em março de 2025 mostrou uma nova fase da empresa. A Empadas do Rangel passou a operar com fábrica própria e 20 colaboradores diretos em Belém. A fonte mais recente não detalha como os postos estão distribuídos entre produção, atendimento, administração e entrega, mas confirma a ampliação da estrutura em relação ao cenário descrito três anos antes.
O cardápio também incorporou sabores relacionados à culinária paraense. Entre os produtos destacados estavam as empadas de frango com tucupi, frango tradicional, tacacá e cupuaçu com chocolate. A política informada pela empresa é produzir e comercializar os alimentos no mesmo dia, buscando preservar o frescor dos itens colocados à venda.
Cafeteria abriu as portas em dezembro de 2024
Depois de crescer por meio da produção e da revenda, a empresa inaugurou sua primeira cafeteria em dezembro de 2024. O novo espaço permitiu receber diretamente o público e ampliar o cardápio para além das empadas, com a inclusão de cafés e bolos caseiros, entre eles o bolo de chocolate mencionado pela reportagem do Portal Pará Negócios.
A abertura da cafeteria representou uma mudança no relacionamento com os consumidores. Antes, grande parte do contato acontecia nas ruas, dentro dos ônibus ou por meio dos revendedores. Com um endereço aberto ao público, a empresa passou a oferecer um ambiente no qual os clientes podem consumir os produtos e conhecer a proposta de atendimento associada à marca.
Da venda no sinal à construção de uma empresa
A trajetória de Rangel não ocorreu em uma sequência linear. A venda de brigadeiros não funcionou como esperado, a pandemia interrompeu a circulação de clientes, uma produção inteira quase foi perdida e as primeiras receitas feitas pela família precisaram ser corrigidas. Cada dificuldade provocou uma alteração concreta no produto, na produção ou na maneira de se relacionar com os consumidores.
Em 2025, o negócio que começou como alternativa ao desemprego reunia fábrica própria, 20 colaboradores e uma cafeteria em Belém. A história mostra como uma atividade iniciada para pagar contas pode mudar de escala quando o empreendedor ajusta o produto e identifica formas de criar vínculo com o público. Para você, o que foi mais decisivo nessa trajetória: a persistência, a ajuda recebida ou a capacidade de reformular o negócio? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

