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Do pentacampeonato mundial para a pecuária de elite, Ronaldo Fenômeno entra no mercado do Nelore, estreia em leilão comprando genética de uma das linhagens mais valorizadas da raça e passa a investir em um setor onde apenas 31 lotes movimentaram mais de R$ 1,2 milhão naquela mesma noite

Do pentacampeonato mundial para a pecuária de elite, Ronaldo Fenômeno entra no mercado do Nelore, estreia em leilão comprando genética de uma das linhagens mais valorizadas da raça e passa a investir em um setor onde apenas 31 lotes movimentaram mais de R$ 1,2 milhão naquela mesma noite

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Do pentacampeonato mundial para a pecuária de elite, Ronaldo Fenômeno entra no mercado do Nelore, estreia em leilão comprando genética de uma das linhagens mais valorizadas da raça e passa a investir em um setor onde apenas 31 lotes movimentaram mais de R$ 1,2 milhão naquela mesma noite

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 19/08/2026 às 07:00

Atualizado em 19/08/2026 às 07:01

Agronegócio

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Ronaldo Fenômeno surpreendeu ao entrar na pecuária de elite em 2009: o pentacampeão mundial estreou no 4º Leilão Barra Embryo

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Ronaldo Fenômeno surpreendeu ao entrar na pecuária de elite em 2009: o pentacampeão mundial estreou no 4º Leilão Barra Embryo comprando uma prenhez ligada à genética da Nelore Vala IV FIV BM da FC, filha de uma matriz recordista, em uma noite que negociou 35 prenhezes em apenas 31 lotes e movimentou cerca de R$ 1,24 milhão.

Em 8 de junho de 2009, Ronaldo Luís Nazário de Lima já havia conquistado duas Copas do Mundo com a Seleção Brasileira e vivia uma nova fase da carreira vestindo a camisa do Corinthians quando decidiu entrar em um mercado muito diferente daquele que o havia transformado no Fenômeno.

Segundo reportagem publicada pelo Canal Rural dois dias depois, Ronaldo estreou oficialmente na pecuária de elite ao participar por telefone do 4º Leilão Barra Embryo e comprar uma prenhez ligada à genética da Nelore Vala IV FIV BM da FC, apresentada como uma das importantes filhas da recordista Vala da Barros Correia.

A dimensão financeira do ambiente em que o ex-camisa 9 decidiu entrar ajuda a explicar por que a história chama atenção até hoje. Naquela única noite, foram comercializadas 35 prenhezes distribuídas em 31 lotes por cerca de R$ 1,238 milhão, com média próxima de R$ 39 mil por lote e uma negociação máxima de R$ 168 mil. A estreia de Ronaldo não aconteceu, portanto, na pecuária convencional, mas em um segmento especializado em genética bovina de alto valor, onde o ativo negociado pode ser o potencial genético de futuras gerações.

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Ronaldo entrou na pecuária quando ainda estava jogando profissionalmente

A incursão no Nelore aconteceu em um momento especialmente simbólico da vida de Ronaldo. Aos 32 anos, ele ainda era jogador profissional e havia acabado de realizar um retorno de enorme repercussão ao futebol brasileiro com o Corinthians. Sua estreia oficial pelo clube paulista havia ocorrido em 4 de março de 2009.

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Poucos meses depois, o Fenômeno já havia ajudado o Corinthians a conquistar o Campeonato Paulista de maneira invicta. Naquela mesma temporada, o clube também levantaria a Copa do Brasil, completando um dos capítulos mais marcantes da reta final da carreira do atacante.

Foi exatamente entre essas partidas, treinamentos e decisões que Ronaldo encontrou espaço para acompanhar um leilão de genética bovina. O Canal Rural registrou que ele participou por telefone, acompanhando a transmissão do evento enquanto realizava sua primeira aquisição ligada à pecuária de elite.

Interesse pelo Nelore havia começado meses antes do primeiro lance

A compra não teria surgido de uma decisão completamente improvisada. Segundo Paulo Horto, então diretor da Programa Leilões ouvido pelo Canal Rural, Ronaldo já demonstrava havia alguns meses interesse pela eficiência da raça Nelore e pelo funcionamento daquele mercado.

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O passo definitivo ocorreu na segunda-feira, 8 de junho de 2009. A reportagem descreveu aquele momento como a estreia de fato do jogador na pecuária de elite, colocando o investimento em genética como uma nova frente patrimonial para uma personalidade mundialmente conhecida pelo futebol.

Isso diferencia o caso de celebridades que simplesmente compram uma fazenda para lazer. O movimento documentado de Ronaldo estava ligado especificamente a um produto de seleção genética, negociado em leilão especializado e inserido em uma cadeia voltada à reprodução e valorização de animais de alto padrão.

Fenômeno não começou comprando uma vaca adulta, mas uma prenhez de genética valorizada

O detalhe mais interessante da operação está justamente no que foi adquirido. Ronaldo não entrou no evento e levou para casa um boi ou uma vaca adulta. O Canal Rural informou que ele comprou a segunda prenhez oferecida ligada a Vala IV FIV BM da FC.

Em leilões desse segmento, uma prenhez representa uma gestação cujo valor está diretamente relacionado à combinação genética dos animais envolvidos. O comprador aposta, portanto, no potencial do futuro produto e de sua genealogia, e não apenas no valor físico de um animal já desenvolvido.

A lógica ajuda a entender por que cifras tão altas aparecem em leilões de elite. Genealogia, desempenho de ancestrais, histórico de premiações, capacidade de reprodução e valorização dos descendentes podem transformar determinadas famílias bovinas em ativos disputados entre criadores.

Vala IV carregava o DNA de uma matriz apresentada como recordista

O nome que colocou Ronaldo definitivamente nesse mercado foi Vala IV FIV BM da FC. O Canal Rural destacou a fêmea como uma das mais importantes filhas de Vala da Barros Correia, identificada na reportagem como uma matriz recordista.

Esse tipo de genealogia é particularmente importante na pecuária de seleção porque uma fêmea de destaque não é valorizada apenas por suas características individuais. O interesse econômico pode se estender aos embriões, prenhezes e descendentes capazes de disseminar determinadas características dentro de outros plantéis.

A presença do nome de Vala IV continua aparecendo anos depois em genealogias de animais comercializados em leilões Nelore, evidenciando como determinadas matrizes formam famílias que atravessam gerações dentro da seleção bovina.

Só as negociações relacionadas a Vala IV chegaram a R$ 113,4 mil

O valor movimentado pela genética de Vala IV naquela noite também ajuda a dimensionar o segmento em que Ronaldo estava entrando. O Canal Rural informou que a comercialização envolvendo Vala IV com livre acasalamento totalizou R$ 113,4 mil.

Livre acasalamento significa, no contexto desses leilões, que a genética da fêmea doadora pode ser combinada com o sêmen de um reprodutor escolhido dentro das condições estabelecidas para o lote. Isso oferece ao comprador participação maior na definição do cruzamento que dará origem ao futuro animal.

Ronaldo, portanto, entrou em um mercado no qual a estratégia não termina no momento da compra. O acasalamento escolhido, o nascimento do bezerro, sua avaliação, desenvolvimento e eventual uso reprodutivo podem influenciar decisivamente o resultado econômico daquela genética.

Apenas 31 lotes fizeram o leilão ultrapassar R$ 1,2 milhão

Se a compra ligada a Vala IV era chamativa, os números gerais do 4º Barra Embryo eram ainda maiores. Os organizadores negociaram 35 prenhezes em apenas 31 lotes, alcançando aproximadamente R$ 1,2376 milhão em faturamento.

Isso significou uma média geral próxima de R$ 39 mil por lote, valor expressivo para 2009. Os vendedores destacados na reportagem eram Jorge Picciani e filhos, da Fazenda Monte Verde, Hugo Aquino, da Mima Agropecuária, e Ivan Zurita, da Agrozurita.

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Esses números mostram que Ronaldo não estava simplesmente testando um hobby rural. Ele estreou em um ambiente comercial estruturado, no qual poucas dezenas de lotes eram suficientes para gerar uma movimentação financeira superior a R$ 1 milhão há mais de 17 anos.

Lote mais caro daquela noite chegou a impressionantes R$ 168 mil

O maior negócio do leilão não foi a aquisição de Ronaldo. Segundo o Canal Rural, o lote mais caro envolveu um embrião de Jeru FIV Brumado na Bilara XI TE PO NI, negociado por R$ 168 mil.

A aquisição foi realizada por um condomínio formado pela Agéo Agropecuária, Nelore Integral e Fazenda Mata Velha. A reportagem explicava a valorização pela importância da doadora, apresentada como mãe, avó e bisavó de exemplares premiados e também recordista na comercialização de prenhezes.

Ronaldo Fenômeno surpreendeu ao entrar na pecuária de elite em 2009: o pentacampeão mundial estreou no 4º Leilão Barra Embryo

O episódio ilustra a lógica econômica que Ronaldo estava começando a conhecer. Na pecuária de elite, um único embrião ou uma única gestação pode atingir valores equivalentes aos de bens de alto padrão quando existe grande expectativa sobre a genética resultante.

Ronaldo vinha de uma carreira que já havia atingido o topo do futebol mundial

A entrada em um leilão rural ganhava repercussão especialmente porque o comprador não era um investidor qualquer. Ronaldo já havia construído uma das carreiras mais reconhecidas da história do futebol mundial.

A FIFA registra que o brasileiro disputou quatro Copas do Mundo, entrou em campo 19 vezes e marcou 15 gols na competição. No Mundial de 2002, marcou oito vezes, conquistou a Chuteira de Ouro como artilheiro e ajudou o Brasil a chegar ao pentacampeonato.

Na final contra a Alemanha, em Yokohama, Ronaldo fez os dois gols da vitória brasileira por 2 a 0. A FIFA continua tratando aquela atuação como uma das grandes performances individuais em decisões de Copa do Mundo.

Em 2009, o Fenômeno vivia uma segunda explosão de popularidade no Brasil

Quando comprou a prenhez, Ronaldo não estava vivendo apenas da fama conquistada anos antes na Europa ou na Seleção. Ele havia retornado ao centro do futebol brasileiro com enorme repercussão ao assinar com o Corinthians.

O clube registra 2009 como um “ano fenomenal”, marcado pela presença do atacante e pelas conquistas do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil. Ronaldo terminaria sua passagem pelo Corinthians com 69 partidas e 35 gols.

A diferença entre os dois ambientes torna a história particularmente curiosa. Enquanto milhões acompanhavam o camisa 9 em estádios lotados, Ronaldo analisava também uma oportunidade de investimento ligada a embriões, prenhezes, genealogias e seleção de gado Nelore.

Nelore de elite funciona como mercado de genética, não apenas de carne

A aquisição de Ronaldo também ajuda a explicar uma distinção fundamental dentro da pecuária. Gado Nelore de elite não é negociado somente pelo peso que eventualmente produziria em carne. O objetivo central pode estar na reprodução e disseminação de genética considerada superior.

A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu mantém programas específicos de registro genealógico, avaliação genética, provas de desempenho e seleção de animais Nelore e de outras raças zebuínas. O objetivo é gerar informações capazes de orientar a evolução genética dos rebanhos.

Tecnologias reprodutivas ampliam esse potencial. Uma matriz valorizada pode dar origem a diferentes descendentes por meio de transferência de embriões e fertilização in vitro, multiplicando sua contribuição genética muito além do que seria possível apenas por gestações naturais ao longo da vida.

FIV transformou matrizes excepcionais em multiplicadoras de genética

A sigla FIV, presente inclusive no nome de Vala IV FIV BM da FC, refere-se à fecundação ou fertilização in vitro. A tecnologia tornou-se uma ferramenta relevante para acelerar a multiplicação de material genético em bovinos.

Dados históricos da Embrapa mostram como o Nelore assumiu protagonismo nesse segmento: em determinado período analisado, a raça chegou a representar mais de 80% dos embriões transferidos entre as raças de corte zebuínas consideradas no mercado brasileiro.

Para investidores em genética, isso abre possibilidades completamente diferentes das encontradas na pecuária comercial tradicional. Uma fêmea excepcional pode gerar vários embriões, enquanto touros de elevado valor genético podem participar de milhares de acasalamentos por meio de sêmen comercializado.

De artilheiro da Copa a comprador de genética Nelore

A trajetória que levou Ronaldo até aquele telefonema dificilmente poderia ser mais improvável. O jogador havia saído de Bento Ribeiro, no Rio de Janeiro, chegado aos maiores clubes da Europa, conquistado o mundo com a Seleção e retornado ao Brasil como uma das maiores estrelas da história do esporte.

Em junho de 2009, o mesmo Ronaldo que acumulava 15 gols em Copas do Mundo entrou em uma disputa completamente diferente. Em vez de zagueiros, goleiros e títulos, os nomes relevantes eram Vala IV, prenhez, livre acasalamento, embriões e seleção genética.

E os números mostram que não se tratava de um mercado pequeno. Na noite em que o Fenômeno estreou na pecuária de elite, apenas 31 lotes e 35 prenhezes movimentaram aproximadamente R$ 1,24 milhão, a genética de Vala IV respondeu por R$ 113,4 mil em negociações e o lote mais disputado chegou a R$ 168 mil.

Depois de chegar ao topo do futebol mundial, Ronaldo descobria ali outro universo em que campeões, genealogias e cifras milionárias também faziam parte do jogo.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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