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Do Punto T-Jet ao Civic Si: 4 esportivos usados fabricados no Brasil que ainda entregam desempenho de gente grande e podem ser encontrados a partir de R$ 43 mil
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 07/08/2026 às 19:00
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Em um mercado cada vez mais dominado por SUVs e câmbios automáticos, modelos esportivos nacionais com motor preparado de fábrica, câmbio manual e acerto específico de suspensão se tornaram raridade. Levantamento da Autoesporte mostra que ainda é possível encontrar quatro desses carros usados por valores entre R$ 43 mil e R$ 88 mil, reunindo opções que marcaram uma geração de entusiastas.
Durante muitos anos, as montadoras mantiveram no Brasil versões esportivas desenvolvidas para quem realmente gostava de dirigir. Eram carros que iam muito além do visual diferenciado: recebiam motores exclusivos, suspensão recalibrada, freios reforçados e comportamento dinâmico pensado para desempenho.
Esse cenário praticamente desapareceu nos últimos anos. A preferência do mercado por SUVs e transmissões automáticas reduziu drasticamente a oferta de esportivos acessíveis. Como consequência, modelos como Fiat Punto T-Jet, Renault Sandero RS, Volkswagen Golf GTI e Honda Civic Si passaram a despertar interesse crescente entre colecionadores e entusiastas.
Segundo levantamento da Autoesporte, com base em anúncios publicados no Mercado Livre em julho de 2026, ainda é possível comprar um desses esportivos nacionais por valores entre R$ 43 mil e R$ 88 mil, dependendo da conservação, quilometragem e versão.
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Mais do que números de potência, todos representam uma fase em que as fabricantes ainda investiam em projetos específicos para o público apaixonado por condução. Hoje, esse tipo de receita praticamente desapareceu das linhas nacionais.
Fiat Punto T-Jet continua sendo uma das portas de entrada para o universo dos esportivos turbo
Lançado como linha 2010, o Punto T-Jet rapidamente ganhou fama por democratizar os motores turbo no Brasil. Em uma época em que a sobrealimentação era praticamente restrita a importados, a Fiat colocou no mercado um hatch esportivo relativamente acessível.
Seu motor 1.4 turbo entrega 152 cv a 5.500 rpm e 21,1 kgfm de torque, sempre abastecido com gasolina. O conjunto trabalha com câmbio manual de cinco marchas e leva o hatch de 0 a 100 km/h em 8,4 segundos, atingindo velocidade máxima de 203 km/h.
O projeto também chama atenção pelos componentes mecânicos. Radiador de óleo, intercooler e turbina refrigerada a água eram soluções pouco comuns em modelos nacionais da época e ajudavam a aumentar a durabilidade do conjunto.
Outro diferencial era o seletor DNA, capaz de alterar o comportamento do acelerador e das respostas do motor conforme o modo de condução escolhido.
Na cabine, o modelo oferecia acabamento diferenciado, bancos esportivos parcialmente revestidos em couro, volante com base achatada, pedaleiras em alumínio, piloto automático, sistema de som Hi-Fi com subwoofer e sensor de estacionamento. Dependendo da versão, podia receber teto solar, airbags laterais e central multimídia Blue&Me, posteriormente substituída pelo sistema Uconnect.
Com 4,03 metros de comprimento e porta-malas de 280 litros, é o menor integrante da lista. No Mercado Livre, exemplares do Punto T-Jet 2010 aparecem a partir de R$ 43.800, enquanto unidades mais novas e reestilizadas costumam superar facilmente os R$ 60 mil.
Renault Sandero RS mostrou que um hatch compacto também podia nascer esportivo
Quando lançou o Sandero RS em 2015, a Renault surpreendeu até os admiradores da marca. Não se tratava de um pacote visual: era o primeiro automóvel desenvolvido pela divisão Renault Sport para o mercado brasileiro.
O trabalho foi profundo. A suspensão recebeu calibração exclusiva, o centro de gravidade foi reduzido em 26 mm, as barras estabilizadoras ficaram mais rígidas, o eixo traseiro foi reforçado e o hatch passou a utilizar freios a disco nas quatro rodas.
Sob o capô está o conhecido motor 2.0 F4R, recalibrado para produzir 150 cv com etanol e 145 cv com gasolina, além de torque de até 20,9 kgfm, sempre acompanhado por transmissão manual de seis velocidades.
Os números impressionam até hoje: aceleração de 0 a 100 km/h em 8 segundos e velocidade máxima de 202 km/h.
Segundo teste realizado pela Autoesporte, uma unidade da linha 2020 registrou 8,7 segundos na aceleração até 100 km/h, resultado que ainda coloca o modelo entre os hatches nacionais mais divertidos de dirigir.
O Sandero RS também oferece controle de estabilidade, assistente de partida em rampa, direção eletro-hidráulica, central multimídia com GPS, bancos esportivos exclusivos e rodas de até 17 polegadas.
Os anúncios do Mercado Livre mostram preços iniciando em R$ 54.900, com exemplares equipados com rodas originais de 17 polegadas normalmente alcançando valores superiores.
Golf GTI nacional entrou para a história ao superar o Civic Si por apenas 1 cv
O Golf GTI produzido no Brasil ocupa um lugar especial entre os esportivos nacionais.
Pouco tempo depois de o Honda Civic Si assumir o posto de carro nacional mais potente, a Volkswagen respondeu com uma atualização do Golf equipada com o conhecido motor 1.8 turbo EA113, capaz de gerar 193 cv e 25,5 kgfm de torque quando abastecido com gasolina de alta octanagem.
A diferença para o rival era mínima: apenas 1 cavalo de potência. Ainda assim, suficiente para garantir o título ao hatch da Volkswagen naquele momento.
O desempenho refletia essa proposta. O modelo acelerava de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos e alcançava velocidade máxima de 220 km/h.
O pacote de equipamentos também impressionava para um automóvel nacional lançado em 2008. Controle de estabilidade, controle de tração, bloqueio eletrônico do diferencial, freios ABS com distribuição eletrônica, bancos esportivos, sensores de chuva, acabamento em alumínio e diversos itens que ainda hoje permanecem valorizados no mercado de usados.
As versões equipadas com teto solar elétrico e rodas originais de 17 polegadas costumam ser as mais procuradas.
Os anúncios disponíveis apontam preços a partir de R$ 68.890.
Essa disputa histórica entre Golf GTI e Civic Si simboliza um período difícil de imaginar atualmente: montadoras investindo em esportivos nacionais capazes de competir entre si em desempenho, e não apenas em aparência.
Honda Civic Si segue como referência entre os sedãs esportivos produzidos no Brasil
Fechando a lista aparece um dos modelos mais cultuados pelos entusiastas brasileiros.
Produzido entre 2007 e 2011 em Sumaré (SP), o Honda Civic Si recebeu um conjunto mecânico bastante diferente das demais versões do New Civic.
Seu motor 2.0 K20Z3 aspirado entrega 192 cv a 7.800 rpm e 19,2 kgfm de torque a 6.100 rpm. Mas o grande espetáculo acontece acima das 5.500 rpm, quando o sistema VTEC altera o perfil do comando de válvulas e transforma completamente a personalidade do motor.
O giro máximo de 8.400 rpm continua sendo um dos maiores já vistos em um sedã nacional produzido em série.
A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 7,9 segundos, enquanto a velocidade máxima declarada chega a 215 km/h.
O conjunto ainda inclui diferencial de deslizamento limitado, suspensão traseira independente, direção com relação mais direta, barras estabilizadoras reforçadas e possibilidade de desligar os controles eletrônicos.
Na cabine há ar-condicionado digital automático, piloto automático, volante multifuncional, rodas de 17 polegadas e o característico painel de dois andares, que se tornou uma das marcas registradas da oitava geração do Civic.
No Mercado Livre, unidades do Civic Si 2008 aparecem anunciadas a partir de R$ 87.900.
Esportivos nacionais ganharam novo valor no mercado de usados
A valorização desses modelos acompanha uma mudança no próprio mercado automotivo brasileiro. À medida que as fabricantes deixaram de produzir esportivos com preparação mecânica dedicada, os exemplares preservados passaram a despertar interesse crescente entre colecionadores e entusiastas.
Não se trata apenas de nostalgia. Punto T-Jet, Sandero RS, Golf GTI e Civic Si representam uma época em que desempenho, câmbio manual e prazer ao dirigir ocupavam espaço importante nas estratégias das montadoras instaladas no país.
Quem acompanha esse segmento sabe que a oferta de carros desse perfil tende a diminuir com o passar dos anos. Por isso, o estado de conservação e a originalidade de cada exemplar deverão pesar cada vez mais na definição dos preços praticados no mercado de usados.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

