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Dois irmãos percorreram 5 mil milhas náuticas até encontrar um navio real naufragado em 1682 com o futuro rei da Inglaterra a bordo, mantiveram a descoberta em segredo por 15 anos e recuperaram canhões, óculos e garrafas de vinho ainda fechadas

Dois irmãos percorreram 5 mil milhas náuticas até encontrar um navio real naufragado em 1682 com o futuro rei da Inglaterra a bordo, mantiveram a descoberta em segredo por 15 anos e recuperaram canhões, óculos e garrafas de vinho ainda fechadas

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Dois irmãos percorreram 5 mil milhas náuticas até encontrar um navio real naufragado em 1682 com o futuro rei da Inglaterra a bordo, mantiveram a descoberta em segredo por 15 anos e recuperaram canhões, óculos e garrafas de vinho ainda fechadas

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 10/08/2026 às 21:52

Marítimo

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O naufrágio do Gloucester permaneceu perdido por mais de 300 anos no Mar do Norte

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O naufrágio do Gloucester permaneceu perdido por mais de 300 anos no Mar do Norte, até Julian e Lincoln Barnwell localizarem seus canhões, confirmarem a identidade do navio real por meio do sino e encontrarem objetos que revelam como passageiros, marinheiros e integrantes da realeza viviam a bordo no século 17.

Após percorrerem aproximadamente 5 mil milhas náuticas, Julian e Lincoln Barnwell encontraram canhões espalhados no fundo do Mar do Norte. A disposição dos destroços levantou uma suspeita extraordinária: eles poderiam estar diante do naufrágio do Gloucester, navio de guerra real perdido em 1682.

A descoberta ocorreu em 2007, perto de Great Yarmouth, na costa de Norfolk, na Inglaterra. As informações foram divulgadas pela University of East Anglia, universidade britânica responsável pela pesquisa histórica.

O Gloucester transportava James Stuart, duque de York e herdeiro do trono inglês, que mais tarde se tornaria o rei James II. Além dos canhões, o local guardava óculos, roupas, instrumentos de navegação e garrafas de vinho ainda fechadas, preservando detalhes raros da vida marítima do século 17.

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A busca de 5 mil milhas náuticas pelo navio real

Julian e Lincoln Barnwell passaram décadas mergulhando nos destroços existentes ao longo da costa de Norfolk. Essa parte do litoral britânico abriga submarinos alemães, antigos navios de guerra e outras embarcações parcialmente cobertas pela areia.

Encontrar o Gloucester, porém, exigiu uma procura muito maior. Os irmãos percorreram cerca de 5 mil milhas náuticas, distância superior a 9 mil quilômetros, investigando possíveis áreas onde o navio real poderia ter afundado.

Julian e Lincoln Barnwell passaram décadas mergulhando nos destroços existentes ao longo da costa de Norfolk.

As correntes movimentam a areia e podem esconder partes inteiras de uma embarcação. Em alguns períodos, objetos ficam visíveis. Em outros, voltam a desaparecer sob o fundo marinho, dificultando a localização e a identificação dos destroços.

Quando os mergulhadores avistaram os canhões, perceberam que haviam encontrado algo importante. Contudo, a presença das armas não comprovava sozinha a identidade do navio, pois outras embarcações militares também naufragaram naquela região.

O sino que confirmou o naufrágio do Gloucester

A dúvida começou a desaparecer quando o sino do navio foi recuperado. A peça forneceu a prova necessária para identificar os destroços como pertencentes ao Gloucester, encerrando uma busca que havia consumido anos de trabalho.

O sino teve um papel decisivo porque relacionou diretamente o local à embarcação real perdida em 1682. A partir dessa confirmação, os outros objetos encontrados ganharam um contexto histórico muito mais amplo.

Entre as peças estavam óculos guardados em um estojo decorado, instrumentos utilizados na navegação, um recipiente de pomada, roupas femininas e garrafas de vinho. Algumas continuavam fechadas com as rolhas e preservavam parte do conteúdo original.

Esses objetos mostram que o Gloucester não era apenas uma embarcação militar. O navio também transportava integrantes da nobreza, servos, passageiros e mulheres, além dos marinheiros responsáveis pela viagem.

Objetos preservados revelam a vida dentro do navio

A University of East Anglia, universidade britânica responsável pela pesquisa histórica, reuniu os principais detalhes sobre os objetos recuperados. As peças permitem observar costumes, diferenças sociais e hábitos de consumo de pessoas que viveram há mais de três séculos.

Os instrumentos mostram como os marinheiros tentavam encontrar a rota em uma época sem satélites ou aparelhos eletrônicos. Já os óculos dentro do estojo decorado revelam um objeto pessoal que permaneceu protegido mesmo após centenas de anos no fundo do mar.

O Gloucester transportava James Stuart, duque de York e herdeiro do trono inglês, que mais tarde se tornaria o rei James II.

As roupas femininas também possuem grande valor histórico. Elas ajudam a comprovar a presença de mulheres ligadas à viagem e ampliam a compreensão sobre quem realmente estava no Gloucester no momento do desastre.

As garrafas ainda fechadas estão entre os achados mais curiosos. O vinho consumido naquele período tinha ligação com riqueza, influência política e posição social. Por isso, descobrir sua origem pode revelar mais sobre os passageiros e sobre os produtos que circulavam de maneira legal ou escondida na Inglaterra.

Por que a descoberta ficou em segredo durante 15 anos

Embora os irmãos tenham localizado os destroços em 2007, a descoberta só foi anunciada publicamente em 2022. Durante esses 15 anos, a posição do Gloucester permaneceu reservada para proteger o local e permitir que a identificação avançasse com segurança.

Divulgar imediatamente a localização poderia expor os objetos a retiradas sem controle e provocar danos em partes ainda preservadas do navio. O cuidado era ainda mais necessário porque grande parte do naufrágio continuava coberta pela areia.

O período de silêncio também permitiu examinar as peças, confirmar a identidade da embarcação e organizar a documentação histórica. Assim, o segredo fez parte da proteção do naufrágio, não de uma tentativa de apagar sua existência.

Os artefatos recuperados permanecem como propriedade do Ministério da Defesa britânico. Quando algum item é identificado como propriedade pessoal, sua posse passa para a Coroa. Portanto, a descoberta não transformou os irmãos em proprietários dos objetos encontrados.

O acidente que quase mudou a sucessão britânica

O Gloucester seguia para Edimburgo no início de maio de 1682. James Stuart viajava para reencontrar sua esposa grávida, Mary, e outros familiares na Escócia, antes de levá los de volta para Londres.

Na madrugada de 6 de maio de 1682, a embarcação atravessava uma região difícil do Mar do Norte quando atingiu um banco de areia. O navio encalhou e afundou. Estimativas indicam que entre 130 e 250 passageiros e tripulantes morreram, enquanto James sobreviveu.

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Antes do impacto, os responsáveis pela viagem discutiram qual caminho deveria ser seguido. O piloto James Ayres defendia uma rota próxima da costa. Benjamin Holmes, comandante responsável pela navegação, preferia águas mais profundas. James escolheu um caminho intermediário e, por sua posição, teve a palavra final.

O episódio provocou controvérsia sobre a responsabilidade do futuro rei. Também surgiram versões de que James teria demorado a abandonar o navio. Poucas críticas diretas aparecem nos registros da época, enquanto parte das acusações mais duras surgiu em memórias escritas 20 ou 30 anos depois.

A sobrevivência de James teve enorme importância política. Ele era, então, o herdeiro de Charles II e sua morte poderia ter alterado a sequência da monarquia britânica. Mesmo cercado por críticas, o desastre não impediu que ele chegasse ao trono.

Se uma descoberta histórica só pudesse ser protegida pelo silêncio, você consideraria correto guardar o segredo por 15 anos? Deixe sua opinião nos comentários.

Fonte

University of East Anglia


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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