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Dono da gigante dos carros elétricos não fez carro nenhum com esse dinheiro, lançou um perfume chamado Cabelo Queimado a US$ 100 o frasco, faturou US$ 2 milhões em 24 horas e chegou a US$ 3 milhões com o estoque esgotado, dizendo que era para ajudar a pagar a compra do Twitter

Dono da gigante dos carros elétricos não fez carro nenhum com esse dinheiro, lançou um perfume chamado Cabelo Queimado a US$ 100 o frasco, faturou US$ 2 milhões em 24 horas e chegou a US$ 3 milhões com o estoque esgotado, dizendo que era para ajudar a pagar a compra do Twitter

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Dono da gigante dos carros elétricos não fez carro nenhum com esse dinheiro, lançou um perfume chamado Cabelo Queimado a US$ 100 o frasco, faturou US$ 2 milhões em 24 horas e chegou a US$ 3 milhões com o estoque esgotado, dizendo que era para ajudar a pagar a compra do Twitter

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 04/08/2026 às 12:03

Atualizado em 04/08/2026 às 12:04

Curiosidades

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Dono da gigante dos carros elétricos vendeu 30 mil frascos de um perfume chamado Cabelo Queimado a US$ 100 cada e arrecadou cerca de US$ 3 milhões em 2022.

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O lançamento aconteceu em outubro de 2022, pela empresa de túneis do empresário. Foram 20 mil frascos vendidos no primeiro dia e 30 mil no total, com entrega prometida apenas para o primeiro trimestre de 2023. Ele chegou a trocar a descrição do próprio perfil para vendedor de perfume.

O dono da gigante dos carros elétricos Tesla, Elon Musk, colocou à venda em outubro de 2022 uma fragrância batizada de Burnt Hair, ou cabelo queimado em tradução livre, ao preço de US$ 100 o frasco, conforme reportagem publicada pela revista Robb Report. Nas primeiras 24 horas, ele afirmou ter vendido 20 mil unidades, o que corresponde a US$ 2 milhões.

O estoque completo se esgotou poucos dias depois. Foram 30 mil frascos no total, algo em torno de US$ 3 milhões, valor que ele associou publicamente, em tom de brincadeira, à necessidade de completar a compra da rede social que estava negociando na época.

O pedido que virou campanha de venda

Dono da gigante dos carros elétricos vendeu 30 mil frascos de um perfume chamado Cabelo Queimado a US$ 100 cada e arrecadou cerca de US$ 3 milhões em 2022.

A divulgação do produto foi feita pelo próprio empresário em sua conta na rede social, com uma formulação que misturava piada e apelo comercial direto.

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Ele pediu aos seguidores que comprassem o perfume para que pudesse comprar a plataforma, mensagem dirigida a uma base que na época somava quase 109 milhões de contas.

Uma pequena parcela desse público respondeu ao chamado, e o resultado apareceu em horas. Para marcar o volume de vendas, ele alterou a descrição do próprio perfil para vendedor de perfume, gesto que ampliou a repercussão do episódio.

Os números dia a dia

A sequência de vendas foi acompanhada em tempo real pelo próprio vendedor, o que é incomum em lançamento de produto.

O perfume foi lançado no dia 11 de outubro de 2022. Nas primeiras 24 horas, ele informou 20 mil frascos vendidos. Em 18 de outubro, atualizou o número para 28.700 unidades comercializadas, restando apenas 1.300 frascos do que descreveu como item de colecionador exclusivo e de edição limitada.

No dia seguinte, 19 de outubro, anunciou o esgotamento total. Foram oito dias entre o lançamento e a venda da última unidade, com receita bruta em torno de US$ 3 milhões, considerando o preço unitário anunciado.

Um produto vendido antes de existir

Dono da gigante dos carros elétricos vendeu 30 mil frascos de um perfume chamado Cabelo Queimado a US$ 100 cada e arrecadou cerca de US$ 3 milhões em 2022.

O detalhe que mais chama atenção nesse caso é temporal, e não financeiro. Quem comprou não sabia qual era o cheiro do produto.

O envio aos compradores estava previsto apenas para o primeiro trimestre de 2023, ou seja, meses depois da compra. A descrição disponível no site falava em algo comparável a se inclinar sobre uma vela à mesa de jantar, sem o trabalho envolvido, formulação que não esclarece nada sobre a composição.

Isso configura uma pré-venda, e não uma venda de produto em estoque. O comprador pagou US$ 100 por uma descrição, um nome e a associação com quem estava vendendo, o que é característica de item de colecionador, não de perfumaria.

Quem vendia não era a montadora

The Boring Company

Existe um ponto que costuma se perder quando esse caso é contado. O produto não era da fabricante de veículos elétricos.

A venda foi feita pela The Boring Company, empresa de escavação de túneis controlada pelo mesmo empresário e que atua em infraestrutura de transporte subterrâneo, sem qualquer relação com o setor de cosméticos.

A conexão entre uma empresa de túneis e um perfume não existe do ponto de vista operacional. O que sustentava a venda era o nome de quem assinava, e não a atividade da empresa nem qualquer histórico dela no segmento.

O histórico de produtos improváveis

Não foi a primeira vez que o empresário vendeu itens fora do escopo dos negócios dele. O episódio se encaixa em um padrão que já havia se repetido em outras ocasiões.

Em julho de 2020, ele anunciou pela montadora um short curto em cetim vermelho com detalhes dourados. Colocado à venda por US$ 69,42, o item esgotou em minutos e chegou a derrubar o site da empresa.

Houve também a tequila lançada sob a marca da montadora, que esgotou de imediato e passou a ser negociada no mercado secundário por valores acima de US$ 2 mil. O padrão se repete: tiragem limitada, preço com referência interna de humor e esgotamento rápido, seguido de revenda a múltiplos do preço original.

O mercado secundário que apareceu em seguida

Com o estoque encerrado, o produto migrou para plataformas de revenda. Segundo a apuração, ele passou a ser oferecido em site de leilão por valores que ultrapassavam R$ 20 mil na conversão da época.

Esse comportamento é típico de item de tiragem limitada com forte associação a uma figura pública. O valor deixa de ter relação com o custo de produção ou com a utilidade do produto e passa a refletir raridade e demanda simbólica.

Vale registrar o que isso significa na prática. Um frasco vendido por US$ 100 sendo revendido por dezenas de vezes esse valor indica que o preço original estava abaixo do que o mercado aceitaria pagar, situação que costuma ser deliberada em lançamentos desse tipo.

O contexto que dá sentido à piada era uma negociação bilionária em andamento. A aquisição da plataforma, anunciada em abril de 2022, estava avaliada em cerca de US$ 44 bilhões.

O prazo para concretizar a operação se encerrava no fim de outubro daquele ano. Caso o acordo não fosse fechado, ele enfrentaria julgamento por quebra de contrato, em ação movida pela própria empresa na Justiça dos Estados Unidos, com retomada prevista para novembro.

É essa proporção que torna a brincadeira eficaz. Os US$ 3 milhões arrecadados equivalem a cerca de 0,007% do valor da aquisição, ou seja, o perfume não tinha qualquer efeito prático sobre a operação, o que era evidente para todos os envolvidos.

Existe um ponto que muda a leitura de tudo o que está aqui. O episódio ocorreu em outubro de 2022, e o material é daquele período.

A aquisição da rede social foi concluída pouco depois, ainda naquele mês, e a plataforma passou por mudanças de nome, de estrutura e de gestão nos anos seguintes. Nada disso está no material consultado.

Marketing sem produto, e o que isso demonstra

O que esse episódio ilustra não é o poder de um perfume, é o poder de uma assinatura. O produto não tinha marca consolidada em perfumaria, não tinha avaliação de consumidor, não tinha amostra disponível e sequer existia fisicamente no momento da venda.

Ainda assim, gerou US$ 3 milhões em oito dias, com uma campanha que consistiu essencialmente em publicações de rede social feitas pelo próprio vendedor.

A conclusão possível é sobre o valor de uma base de audiência. Cem milhões de seguidores transformam qualquer lançamento em evento, e o item vendido passa a ser menos relevante do que o gesto de comprar dele.

E você, pagaria US$ 100 por um perfume sem saber qual é o cheiro só porque uma pessoa famosa está vendendo? Acha que esse tipo de lançamento é criatividade de marketing ou exploração de fã? Conta nos comentários o produto mais inútil que você já viu esgotar por causa de quem estava vendendo.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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