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Dono da megaloja Havan mantém 205 contratos que não são de mercadoria nenhuma, e R$ 2,7 bilhões dessas obrigações estão concentrados só em imóveis alugados, enquanto aeronaves somam outros R$ 68,7 milhões

Dono da megaloja Havan mantém 205 contratos que não são de mercadoria nenhuma, e R$ 2,7 bilhões dessas obrigações estão concentrados só em imóveis alugados, enquanto aeronaves somam outros R$ 68,7 milhões

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Dono da megaloja Havan mantém 205 contratos que não são de mercadoria nenhuma, e R$ 2,7 bilhões dessas obrigações estão concentrados só em imóveis alugados, enquanto aeronaves somam outros R$ 68,7 milhões

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 02/08/2026 às 23:19

Atualizado em 02/08/2026 às 23:44

Economia

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Documentos financeiros expõem uma engrenagem pouco visível por trás de uma das maiores redes varejistas do país, reunindo contratos de longo prazo, bens estratégicos e compromissos bilionários que ajudam a dimensionar como a operação é sustentada além das lojas, dos estoques e das mercadorias.

A estrutura financeira comandada por Luciano Hang vai muito além de estoques, fornecedores e novas megalojas, pois a Havan mantém 205 contratos ativos de arrendamento e registra R$ 2,835 bilhões em obrigações desse tipo com terceiros.

Concentrado principalmente em imóveis alugados, esse passivo também inclui aeronaves, unidades geradoras de energia e veículos usados pela companhia, conforme mostram as demonstrações financeiras auditadas da Havan S.A., documento que reúne as notas explicativas do balanço empresarial.

A posição contábil encerrada em 31 de dezembro de 2025 mostra que esses contratos formam uma parte relevante da estrutura financeira de longo prazo da varejista, especialmente porque a maior parcela dos pagamentos previstos está distribuída por exercícios futuros.

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Imóveis concentram mais de 95% dos arrendamentos da Havan

Do total registrado como passivo de arrendamentos, R$ 2,702 bilhões correspondem a locações de imóveis, enquanto R$ 68,739 milhões estão vinculados a aeronaves, R$ 61,965 milhões a unidades geradoras e R$ 1,813 milhão a veículos.

Centro de Distribuição da Havan em Barra Velha concentra a logística nacional e sustenta a operação das megalojas. (Imagem: Elita Imobiliária).

Como os imóveis concentram mais de 95% do valor informado, essa categoria domina a composição das obrigações, mas o número não representa um desembolso imediato de R$ 2,7 bilhões em aluguéis realizado de uma única vez.

Na contabilidade, o passivo registra o valor presente dos pagamentos previstos nos contratos, considerando prazos, encargos e taxas de desconto, o que permite reconhecer antecipadamente obrigações que serão quitadas gradualmente durante a vigência de cada acordo.

A maior parte desse montante não vence no curto prazo, já que o balanço separa R$ 223,623 milhões no passivo circulante e R$ 2,611 bilhões no passivo não circulante, destinado aos compromissos previstos para períodos posteriores.

Ativos de direito de uso alcançam R$ 2,360 bilhões

Ao reconhecer a obrigação, a empresa também contabiliza os chamados ativos de direito de uso, conta que representa o direito de utilizar os bens previstos nos contratos, mesmo quando essas propriedades, aeronaves ou estruturas não pertencem diretamente à varejista.

O saldo líquido desses ativos alcançava R$ 2,360 bilhões, com R$ 2,219 bilhões concentrados em imóveis, R$ 81,176 milhões em aeronaves, R$ 58,638 milhões em unidades geradoras e R$ 1,528 milhão em veículos mantidos pela companhia.

Essa diferença entre o valor dos ativos de direito de uso e o passivo de arrendamentos ocorre porque as duas contas seguem movimentos próprios, já que os ativos sofrem amortização, enquanto as obrigações são atualizadas por pagamentos, encargos e remensurações.

Pagamentos de arrendamento superam R$ 478 milhões

Luciano Hang aparece no complexo logístico que sustenta estoques, lojas e contratos operacionais da Havan. (Imagem: Divulgação/Havan).

O fluxo registrado durante o exercício ajuda a dimensionar o peso financeiro dessa estrutura, pois a Havan contabilizou R$ 478,519 milhões em contraprestações de arrendamento, considerando principal e juros pagos ao longo do período analisado.

Desse total, R$ 417,054 milhões ficaram concentrados nas locações de imóveis, enquanto as aeronaves responderam por R$ 50,011 milhões, as unidades geradoras somaram R$ 11,020 milhões e os pagamentos relacionados a veículos chegaram a R$ 434 mil.

Mesmo depois desses desembolsos, o saldo total aumentou de R$ 2,586 bilhões para R$ 2,835 bilhões, movimento influenciado por R$ 101,945 milhões em novos contratos, R$ 346,736 milhões em remensurações e R$ 278,533 milhões em encargos.

Registrada integralmente nas locações de imóveis, a remensuração de R$ 346,736 milhões ajustou o valor das obrigações quando houve mudanças nas condições consideradas para medir os contratos, incluindo prazos, pagamentos previstos ou índices usados nos cálculos.

Partes relacionadas aparecem no saldo imobiliário

Outro ponto destacado nas notas explicativas é a presença de partes relacionadas dentro do saldo imobiliário, categoria na qual R$ 1,673 bilhão das locações estava classificado como passivo de arrendamento ligado a empresas ou pessoas vinculadas à companhia.

Na posição anterior, o valor registrado nessa mesma categoria era de R$ 1,369 bilhão, enquanto a classificação contábil continuava destinada a identificar operações realizadas entre entidades submetidas a controle, influência ou administração relacionados em cada período.

Contratos de aluguel podem durar até 30 anos

Transelevador automatizado movimenta mercadorias e reforça a logística da Havan no Centro de Distribuição. (Imagem: Divulgação/Havan).

Os prazos contratuais ajudam a explicar a concentração no passivo não circulante, já que os contratos de aluguel podem durar de um a 30 anos e ser renovados mediante acordo entre as partes, com aviso prévio de 90 a 180 dias.

Para calcular o valor presente das locações imobiliárias, a administração adotou taxa média ponderada de desconto de 11,34% ao ano, enquanto os contratos de aeronaves foram fixados ao CDI, referência usada em diferentes operações financeiras no país.

O cronograma do passivo não circulante mostra R$ 170,815 milhões com vencimento em 2027, R$ 159,840 milhões em 2028 e R$ 176,245 milhões em 2029, além de R$ 2,104 bilhões previstos a partir de 2030.

Estrutura financeira vai além das megalojas

Longe de representar apenas endereços de lojas, os 205 contratos ativos reúnem bens necessários à operação, desde propriedades imobiliárias até equipamentos ligados à geração, aeronaves e veículos, formando uma estrutura paralela à compra de mercadorias e aos investimentos em unidades próprias.

Para o consumidor acostumado a associar a Havan às fachadas monumentais e ao volume de produtos nas prateleiras, o balanço revela uma engrenagem menos visível, sustentada por contratos, imóveis e meios de apoio registrados por muitos anos.

Você imaginava que uma rede varejista pudesse concentrar mais de R$ 2,7 bilhões em obrigações de aluguel e ainda manter dezenas de milhões de reais vinculados a aeronaves, unidades geradoras de energia e veículos usados em sua operação?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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