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Dono da megaloja Havan vai investir até R$ 1,2 bilhão para abrir 15 lojas e chegar a 200 unidades, justamente quando a Magazine Luiza fecha o trimestre com prejuízo de R$ 72,5 milhões, quase três vezes pior que no ano passado

Dono da megaloja Havan vai investir até R$ 1,2 bilhão para abrir 15 lojas e chegar a 200 unidades, justamente quando a Magazine Luiza fecha o trimestre com prejuízo de R$ 72,5 milhões, quase três vezes pior que no ano passado

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Dono da megaloja Havan vai investir até R$ 1,2 bilhão para abrir 15 lojas e chegar a 200 unidades, justamente quando a Magazine Luiza fecha o trimestre com prejuízo de R$ 72,5 milhões, quase três vezes pior que no ano passado

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 08/08/2026 às 12:00

Atualizado em 08/08/2026 às 12:04

Economia

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Magazine Luiza tem prejuízo de R$ 72,5 milhões no 2º trimestre enquanto a Havan mantém plano de R$ 1,2 bilhão para chegar a 200 megalojas em 2026

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A Magazine Luiza divulgou prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre de 2026, contra R$ 24,4 milhões um ano antes. No mesmo período, a Havan mantém o plano de expansão anunciado em janeiro, com meta de 200 megalojas e investimento de mais de R$ 1,2 bilhão.

O balanço divulgado ao mercado na quinta-feira, 6 de agosto de 2026, mostrou a Magazine Luiza com prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre, contra R$ 24,4 milhões no mesmo período do ano anterior. A variação é de 197,5%, conforme apurou o Money Times a partir do relatório de resultados da companhia.

No mesmo momento, a Havan segue com o plano de expansão que anunciou no início do ano: investimento superior a R$ 1,2 bilhão para inaugurar 15 novas megalojas e fechar 2026 com cerca de 200 unidades. São duas trajetórias opostas, mas comparadas em bases diferentes, e vale entender por quê antes de tirar conclusões.

O que o balanço da Magalu mostrou

Magazine Luiza tem prejuízo de R$ 72,5 milhões no 2º trimestre enquanto a Havan mantém plano de R$ 1,2 bilhão para chegar a 200 megalojas em 2026

A receita líquida somou R$ 8,9 bilhões entre abril e junho, queda de 2,6% na comparação anual. As vendas totais do ecossistema, que reúnem lojas físicas, e-commerce próprio e marketplace, chegaram a R$ 14,5 bilhões, recuo de 5,1%.

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Na linha ajustada, que desconsidera receitas e despesas não recorrentes, o que era lucro de R$ 1,8 milhão um ano antes virou prejuízo de R$ 50,4 milhões. O Ebitda ficou em R$ 675,3 milhões, com recuo de 1,7%, segundo levantamento do BPMoney. O ponto que mais pesou não foi a operação, foi o custo do dinheiro. O resultado financeiro líquido negativo alcançou R$ 572,3 milhões, piora de 15,5% em um ano, valor equivalente a 6,4% da receita líquida do trimestre.

A posição de caixa total encerrou junho em R$ 5,8 bilhões, sendo R$ 1,8 bilhão em caixa e aplicações financeiras e R$ 4 bilhões em recebíveis de cartão disponíveis. A dívida líquida ficou em R$ 3,18 bilhões.

Lojas físicas crescem, e-commerce encolhe

O trimestre foi de direções opostas dentro da mesma empresa. As lojas físicas avançaram 10,3%, enquanto o comércio eletrônico recuou 11,9%. Dentro do online, o portal StatusInvest registra vendas totais de R$ 9,3 bilhões, com queda de 11,5% no 1P, que reúne produtos vendidos pelo próprio Magalu, e de 12,6% no marketplace.

A explicação apresentada pela companhia é de escolha deliberada. A alta dos custos internacionais de componentes eletrônicos, especialmente chips de memória, elevou os preços de computadores, celulares e equipamentos de informática. A empresa decidiu repassar parte desses custos ao consumidor, priorizando a manutenção das margens em vez do volume de vendas. Vender menos e preservar margem foi decisão, não acidente, segundo o próprio Magalu.

O mercado reagiu. As ações da MGLU3 recuaram cerca de 6,6% na sexta-feira, 7 de agosto, após a divulgação, conforme registrou o BPMoney.

Um dado da cobertura que não se sustenta

Magazine Luiza tem prejuízo de R$ 72,5 milhões no 2º trimestre enquanto a Havan mantém plano de R$ 1,2 bilhão para chegar a 200 megalojas em 2026

Circulou na cobertura do balanço a afirmação de que este seria o pior desempenho trimestral da história da companhia. O registro histórico não confirma isso. No segundo trimestre de 2022, a Magazine Luiza teve prejuízo líquido de R$ 135 milhões, quase o dobro do resultado atual. No quarto trimestre de 2021, o prejuízo ajustado foi de R$ 79 milhões.

O portal StatusInvest fez a ressalva na direção correta ao observar que a perda ficou distante de um prejuízo bilionário. O resultado é ruim e piorou na comparação anual, mas não é o pior da série. Vale a distinção porque a diferença entre “pior trimestre do ano” e “pior trimestre da história” muda completamente a leitura de um balanço.

Há ainda o contexto: este é o segundo prejuízo do ano, depois de a companhia ter entregado lucros em 2025. O CFO Roberto Belissimo afirmou ao Money Times que a administração trabalha para voltar ao lucro sem depender dos juros, citando o crescimento das lojas físicas, a parceria com a Amazon no e-commerce e a melhora na geração de caixa.

O plano da Havan e a data real do anúncio

Aqui é preciso um ajuste de calendário. O plano de investir mais de R$ 1,2 bilhão para abrir 15 lojas e chegar a 200 unidades não foi anunciado agora. Ele foi divulgado no início de 2026, e o próprio Diário do Comércio publicou a informação em 10 de fevereiro. A colunista Pedro Machado, do NSC Total, já havia registrado o calendário de inaugurações em 12 de janeiro, com valor de R$ 1,25 bilhão.

A expansão começou em 31 de janeiro, com a abertura da 188ª loja da rede, em Goiânia, unidade com mais de 10 mil metros quadrados. O plano prevê chegada a Fortaleza, Boa Vista e Macapá, os três últimos estados sem operação da marca. O número de aberturas restantes, porém, mudou ao longo do ano. Em junho, o mesmo Diário do Comércio publicou que Hang falava em sete novas lojas para alcançar as 200 unidades, com a rede em 190. Em entrevista ao NSC Total em maio, ele afirmou que pretende fazer talvez dez lojas por ano daqui para frente.

O valor do investimento também aparece com números diferentes conforme a fonte: R$ 1,2 bilhão na maior parte da cobertura, R$ 1,25 bilhão no NSC Total e R$ 1,5 bilhão em apuração do Brazil Journal, que informa financiamento por fundos imobiliários e FIDCs controlados pelo próprio empresário.

Por que a comparação entre as duas não é direta

Este é o ponto central. A Havan é empresa de capital fechado e não divulga balanço trimestral auditado ao mercado, enquanto a Magazine Luiza é companhia listada, obrigada a reportar resultados a cada três meses. Comparar o trimestre de uma com o ano fechado da outra não é comparação equivalente.

Os números da Havan referem se a 2025 inteiro: faturamento de R$ 18,5 bilhões, alta de 16,1%, e lucro líquido descrito como o maior da história da companhia, apresentado como aproximadamente R$ 3,4 bilhões pela revista Oeste e como R$ 3,5 bilhões por outros veículos. A receita líquida de R$ 13,7 bilhões e o Ebitda de R$ 3 bilhões citados na cobertura são métricas distintas do faturamento e não devem ser somadas nem confundidas. Sobre a estrutura financeira, análise do Banco Safra aponta R$ 1,1 bilhão em caixa e R$ 546 milhões em dívida bruta ao fim do ano, resultando em caixa líquido de cerca de R$ 580 milhões. Uma empresa fechada com caixa positivo e outra listada pagando juros altos operam sob pressões diferentes, e o contraste diz menos sobre competência de gestão do que a manchete sugere.

O que ainda pode mexer no ano do varejo

Um fator externo apareceu na análise do balanço e vale acompanhar. Segundo o analista Sant’Anna, citado pelo BPMoney, a Magazine Luiza fez antecipação de recebíveis para bancar estoques ligados à Copa do Mundo, e a eliminação precoce da seleção brasileira pode afetar o consumo esperado em segmentos como linha branca e vestuário.

Do lado da Havan, as metas declaradas para o ano são faturamento de R$ 22 bilhões e mais de 25 mil colaboradores, conforme publicação de Luciano Hang no LinkedIn em 23 de junho, dias antes de a rede completar 40 anos. São projeções da própria empresa, sem balanço auditado publicado para checagem.

O trimestre da Magalu mostrou lojas físicas crescendo 10,3% enquanto o e-commerce caiu quase 12%, e a Havan construiu seu tamanho justamente apostando em megalojas presenciais no interior. É um dado que contraria boa parte do que se dizia sobre o futuro do varejo há alguns anos.

Conta nos comentários: quando você precisa de um eletrodoméstico ou de um celular, resolve pelo aplicativo ou ainda faz questão de ir até a loja? E na sua cidade, a chegada de uma megaloja mudou alguma coisa no comércio local ou só transferiu o movimento de lugar?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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