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Dono de Lamborghini Gallardo se revolta com o pós-venda, contrata trabalhadores armados com marretas e manda destruir publicamente o próprio supercarro avaliado em centenas de milhares de dólares para transformar a insatisfação com a marca em protesto diante de uma multidão
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 19/08/2026 às 11:15
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Revoltado após alegar que sua Lamborghini Gallardo apresentou falha no motor, não foi devidamente reparada e ainda sofreu danos durante o transporte para a assistência, empresário chinês contratou nove trabalhadores e mandou destruir publicamente o supercarro a marretadas em Qingdao, diante de uma multidão, no Dia Mundial dos Direitos do Consumidor de 2011.
Um empresário chinês levou uma disputa de pós-venda a um nível difícil de imaginar: em vez de vender sua Lamborghini Gallardo ou continuar discutindo reservadamente com a assistência, ele contratou nove homens, entregou marretas aos trabalhadores e autorizou que o supercarro fosse destruído diante de dezenas de câmeras e curiosos. A demolição ocorreu em 15 de março de 2011, em Qingdao, na província de Shandong, na China, justamente no Dia Mundial dos Direitos do Consumidor.
O proprietário, identificado pelo The Sunday Times como Han Nan, alegava que o carro havia apresentado falha no motor poucos meses depois da compra, que o problema não fora solucionado pela assistência e que o automóvel ainda retornara com danos no para-choque e no chassi após ser transportado para reparo.
Depois de tentar escalar a reclamação até diferentes níveis da estrutura da Lamborghini e do Grupo Volkswagen, ele resolveu transformar uma máquina avaliada em centenas de milhares de dólares em uma gigantesca peça de protesto.
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Lamborghini havia sido comprada apenas cerca de seis meses antes
O Gallardo ainda era praticamente novo. As reportagens publicadas logo após o episódio registraram que Han havia comprado o Lamborghini aproximadamente seis meses antes da destruição pública, tornando ainda mais surpreendente a decisão de permitir que trabalhadores esmagassem sua carroceria.
O Gallardo ocupava uma posição central na história moderna da fabricante italiana. A própria Lamborghini registra que o modelo estreou em 2003 e nasceu como um superesportivo V10 mais compacto que os tradicionais modelos V12 da marca. A primeira versão utilizava motor V10 de 5 litros com 500 cv, e o modelo posteriormente evoluiu para diversas versões até ser substituído pelo Huracán.
O problema teria começado quando o motor simplesmente não ligou
Segundo as informações reproduzidas pela imprensa na época, o episódio que desencadeou a disputa aconteceu em 29 de novembro de 2010.
O proprietário afirmou que o motor do Gallardo simplesmente não ligava e entrou em contato com o concessionário Lamborghini em Qingdao para solicitar assistência.
O carro foi então levado por um veículo de transporte ligado ao serviço de manutenção indicado pela concessionária. A expectativa do proprietário era relativamente simples: deixar o superesportivo na oficina, solucionar o problema mecânico e voltar a utilizá-lo.
Assista o vídeo
De acordo com a versão divulgada por Han, entretanto, isso não aconteceu. Ele alegou que o defeito relacionado ao funcionamento do motor continuava sem solução mesmo depois de o carro ter sido encaminhado ao reparo.
Dono afirmou que Lamborghini voltou da assistência ainda mais danificada
A falha mecânica deixou de ser a única reclamação quando o proprietário afirmou ter encontrado danos no para-choque e no chassi do Lamborghini depois do transporte para a oficina. Essa alegação aparece em diferentes registros contemporâneos sobre o episódio.
Segundo a narrativa do cliente, ele tentou responsabilizar os envolvidos pelo que teria ocorrido durante o transporte, mas não conseguiu a solução que considerava adequada.
Foi justamente essa combinação, um carro que ele dizia continuar com problema e novos danos que atribuía ao processo de atendimento, que transformou uma reclamação de oficina em uma disputa muito mais ampla sobre pós-venda e direitos do consumidor.
Reclamação teria chegado até o comando da Lamborghini
Han não teria se limitado a discutir com a oficina local. Relatos publicados sobre o caso afirmam que o empresário tentou levar a situação para diferentes instâncias dentro da estrutura corporativa da empresa.
Entre os contatos mencionados estavam a sede chinesa da Lamborghini, responsáveis pelo pós-venda na região Ásia-Pacífico e até Stephan Winkelmann, então presidente e CEO da fabricante. Os relatos também mencionam uma tentativa de buscar solução junto ao Grupo Volkswagen, controlador da marca por meio da Audi.
Na versão apresentada pelo proprietário e reproduzida pela imprensa, nenhuma dessas tentativas produziu uma solução considerada satisfatória. Foi depois dessa escalada que ele decidiu mudar completamente de estratégia e levar a disputa para a rua.
Nove trabalhadores receberam marretas para destruir o supercarro
Han contratou nove homens vestidos com uniformes azuis para executar a parte mais dramática da manifestação. Fotografias e vídeos do evento mostram os trabalhadores cercando o Gallardo e golpeando repetidamente teto, para-brisa, portas, capô e diferentes partes da carroceria.
As primeiras pancadas rapidamente destruíram vidros e deformaram painéis externos. À medida que o protesto avançava, algumas pessoas chegaram a subir no veículo enquanto outras continuavam atacando a estrutura com grandes ferramentas.
Assista o vídeo
O resultado foi deliberadamente extremo. Em questão de minutos, um Lamborghini que pouco antes poderia representar riqueza e exclusividade ficou coberto por amassados, vidros quebrados e peças destruídas diante de fotógrafos que registravam cada etapa.
Data da destruição foi escolhida para maximizar o impacto do protesto
A demolição não aconteceu em um dia escolhido aleatoriamente. Han programou a ação para 15 de março de 2011, data internacionalmente associada à defesa dos direitos do consumidor e amplamente destacada na China.
A escolha ampliava o significado simbólico do gesto. O objetivo não era apenas descarregar raiva sobre um carro, mas apresentar o Gallardo destruído como uma acusação pública contra o atendimento que o empresário dizia ter recebido.
Multidão se reuniu para assistir ao Lamborghini ser despedaçado
Outro elemento essencial para o impacto do episódio foi o público. As fotografias mostram uma grande concentração de pessoas, jornalistas e fotógrafos cercando o carro enquanto os trabalhadores realizavam a destruição.
Celulares e câmeras permaneceram apontados para o Gallardo, enquanto cada marretada produzia novas imagens. A estratégia funcionou exatamente porque a cena era difícil de ignorar: um supercarro extremamente caro sendo destruído voluntariamente por ordem do próprio dono.
O protesto deixou rapidamente de ser uma disputa local em Qingdao. No dia seguinte, veículos internacionais já reproduziam as fotografias e explicavam por que um proprietário havia decidido sacrificar seu Lamborghini para chamar atenção para sua reclamação.
Gallardo custava várias vezes mais na China do que em outros mercados
A dimensão financeira elevou ainda mais o choque. Reportagens da época apresentavam diferentes cifras, mas todas colocavam o valor do Gallardo na China na casa de centenas de milhares de dólares. O The Sunday Times, por exemplo, afirmou que o carro custava cerca de £465 mil no mercado chinês.
Outras publicações da época mencionavam valores acima de US$ 500 mil, dependendo da configuração e dos impostos considerados.
A variação entre as cifras recomenda cautela com um valor único, mas não altera o ponto central: destruir aquele automóvel significava abrir mão de um patrimônio extraordinariamente elevado.
O alto preço dos automóveis importados na China naquele período fazia com que supercarros europeus chegassem ao consumidor local significativamente mais caros do que em mercados como Estados Unidos e Europa. É justamente por isso que o vídeo produziu tamanho impacto internacional.
Proprietário preferiu perder o carro a simplesmente vendê-lo
Do ponto de vista puramente financeiro, Han poderia ter seguido caminhos muito menos destrutivos. Mesmo com eventuais defeitos ou danos, componentes mecânicos, carroceria, interior e peças de um Lamborghini recente ainda possuíam valor significativo.
Mas vender o automóvel não produziria a mensagem que ele buscava. A destruição pública transformava o valor do carro em parte essencial da manifestação: quanto mais caro fosse o objeto sacrificado, maior seria a atenção produzida pelo gesto. Essa é uma inferência diretamente sustentada pela escolha do evento e pela cobertura que o protesto recebeu.
Mais de 15 anos depois, fotografias do Gallardo coberto de marcas de marreta continuam circulando justamente porque poucos consumidores estariam dispostos a destruir um bem desse valor para demonstrar insatisfação.
Protesto atingiu justamente um dos Lamborghini mais importantes da história
O Gallardo não ocupava uma posição marginal dentro da linha da fabricante. A Lamborghini descreve o modelo como o resultado de décadas de estudos para desenvolver um superesportivo menor e mais acessível dentro dos padrões da empresa, complementando seus carros V12.
A primeira geração estreou com motor V10 de 5 litros e 500 cv, enquanto evoluções posteriores elevaram potência e desempenho. Na fase do LP 560-4, por exemplo, o modelo combinava motor V10, tração integral e arquitetura voltada a alto desempenho.
A importância do Gallardo ficou ainda mais clara posteriormente: ele permaneceu em produção até a chegada do Huracán e também serviu como plataforma para a entrada moderna da Lamborghini em programas de competição.
De supercarro desejado a símbolo mundial de uma reclamação de pós-venda
Han Nan dificilmente conseguiria prever por quanto tempo as imagens permaneceriam circulando. O Gallardo havia sido comprado cerca de seis meses antes e, em condições normais, continuaria sendo um dos automóveis mais exclusivos disponíveis no mercado chinês.
Em vez disso, terminou cercado por nove trabalhadores, fotógrafos e uma multidão enquanto sucessivas marretadas transformavam sua carroceria em metal retorcido. A destruição foi planejada para coincidir com o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor e transformar uma disputa particular em manifestação pública.
Mais de uma década depois, o caso continua sendo lembrado exatamente por essa combinação extrema: um Lamborghini avaliado em centenas de milhares de dólares, um motor que o proprietário dizia ter apresentado problemas, uma disputa sem solução satisfatória, nove homens com marretas e a decisão consciente de destruir o próprio supercarro diante de uma multidão para garantir que sua reclamação jamais passasse despercebida.
E você, faria o mesmo com um carro de luxo ou jamais teria coragem de destruir uma máquina dessas?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

