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Duas cobras resgatadas de um circo, uma jiboia e uma píton albina, viraram as estrelas do maior aquário de água doce do mundo, em Campo Grande, e agora passeiam pelos corredores de 19 mil m² com 5 milhões de litros e 239 tanques

Duas cobras resgatadas de um circo, uma jiboia e uma píton albina, viraram as estrelas do maior aquário de água doce do mundo, em Campo Grande, e agora passeiam pelos corredores de 19 mil m² com 5 milhões de litros e 239 tanques

Duas cobras resgatadas de um circo, uma jiboia e uma píton albina, viraram as estrelas do maior aquário de água doce do mundo, em Campo Grande, e agora passeiam pelos corredores de 19 mil m² com 5 milhões de litros e 239 tanques

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 29/08/2026 às 18:23

Atualizado em 29/08/2026 às 18:27

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Apreendidas há três anos em um circo que passava por Amambai, a jiboia Rachel Carson e a píton albina Capitu trocaram o picadeiro por exames periódicos, banhos de sol e passeios supervisionados pelos corredores do Bioparque Pantanal. Hoje elas ensinam a quem visita Campo Grande por que animal silvestre não é atração de espetáculo.

A história das duas serpentes foi contada pelo G1 MS em reportagem de 29 de agosto. Segundo o portal, Capitu e Rachel foram resgatadas há três anos de um circo em temporada em Amambai, no interior de Mato Grosso do Sul. Uma apresentação polêmica tinha acabado de virar caso de polícia.

Desde então, elas vivem no complexo inaugurado em 2022 no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande. Conforme o próprio site do Bioparque, é um espaço de cerca de 19 mil metros quadrados. Ali funciona o maior circuito de aquários de água doce do planeta. Ou seja, as duas cobras moram hoje em um dos endereços mais visitados do Centro-Oeste.

Como a apreensão em Amambai virou uma nova vida

Como o uso de animais em espetáculos circenses é proibido no Brasil, o proprietário foi multado em R$ 47.380 e teve os animais apreendidos. Além disso, ainda segundo a reportagem, ele foi autuado por introduzir no país uma espécie exótica sem autorização, no caso a píton. Também respondeu por manter animal silvestre em cativeiro de forma ilegal, por conta da jiboia. Essa segunda infração prevê pena de seis meses a um ano de detenção.

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O dono do circo morava em Vila Velha, no Espírito Santo, e afirmou à PMA ter recebido as cobras, já domesticadas, por doação de um amigo que também tinha circo. Portanto, quando chegaram ao Bioparque, Rachel e Capitu já carregavam anos de convívio com humanos. Por isso mesmo, devolvê-las à natureza estava fora de cogitação: elas tinham perdido as defesas naturais e passaram a depender dos cuidados de gente.

Foi aí que o aquário de Campo Grande entrou na história. Em vez de virarem apenas mais dois animais em recinto fechado, as duas ganharam nomes escolhidos com cuidado e um papel dentro do programa de educação ambiental do complexo. Dá pra entender por que o público se apegou tanto a elas.

O passeio pelos corredores do Bioparque Pantanal

O que chamou atenção neste ano foi justamente a cena que dá título a esta matéria. Conforme o portal Primeira Página, de Mato Grosso do Sul, a píton albina e a jiboia ganharam aval para deixar seus recintos e fazer um “passeio” pelo maior aquário de água doce do mundo. Brincadeiras à parte, a saída tem função técnica. As serpentes ficam soltas sob supervisão para tomar sol e reagir a novos estímulos sensoriais, como sons e odores diferentes dos do recinto.

Segundo a diretora-geral do complexo, Maria Fernanda Balestieri, citada pelo Primeira Página, a prática é periódica e essencial para o equilíbrio do organismo dos animais. Ela complementa a iluminação artificial dos recintos e segue as normas do Ibama. A equipe técnica acrescenta que esse tipo de atividade planejada é um pilar para garantir que os bichos mantenham comportamentos naturais e saúde plena.

O G1 descreve a rotina de forma parecida. Uma equipe multidisciplinar acompanha as duas de perto, com exames periódicos, passeios pelo atrativo e monitoramento permanente. A meta é confirmar que estão adaptadas ao ambiente. Em janeiro, o Bioparque registrou em detalhes a troca de pele de Capitu, um dos sinais mais claros de que uma serpente está saudável e vivendo em condições adequadas.

Os nomes também dizem muito sobre a missão que as duas receberam. Capitu foi batizada por votação nas redes sociais e mede cerca de 2,5 metros. Já Rachel Carson, com 2 metros, homenageia a cientista norte-americana considerada precursora da educação ambiental e autora de Primavera Silenciosa. Conforme a biografia da bióloga, o livro de 1962 ajudou a impulsionar o movimento ambientalista moderno. No Bioparque, a jiboia é apresentada como embaixadora da conscientização ambiental.

Os números por trás do maior aquário de água doce do mundo

Fico imaginando o contraste entre o antigo picadeiro e o endereço atual das duas. De acordo com a página de curiosidades do site oficial do Bioparque, o complexo reúne 5 milhões de litros de água distribuídos em 239 tanques. Desses, 31 são de exposição, 168 de pesquisa, 38 de quarentena, um de abastecimento e um de reúso. É uma estrutura de bastidores muito maior do que a parte que o visitante enxerga.

O mesmo levantamento oficial fala em 458 espécies, mais de 1 milhão de visitantes desde a abertura e 330 reproduções registradas, incluindo 27 inéditas para a ciência no mundo. Entre elas está o cascudo viola, peixe de apenas 9,6 centímetros que só ocorre no rio Coxim. Foi ali que a espécie se reproduziu pela primeira vez em cativeiro. Enquanto isso, Rachel e Capitu ocupam um lugar diferente nesse ecossistema: elas não são pesquisa, são conversa com o público.

Isso importa porque o Bioparque nasceu com três pilares declarados: lazer, pesquisa científica e educação ambiental. As duas cobras se encaixam no terceiro. Em vez de um painel explicando o que é tráfico de animais, o visitante encontra dois exemplos vivos de bichos retirados de uma exploração ilegal. Segundo o G1, é exatamente assim que o parque as apresenta ao público, como prova da importância de preservar a fauna e de combater a exploração de animais silvestres.

Há ainda um detalhe que a gente costuma esquecer. A píton não é um animal brasileiro; é uma espécie exótica trazida de fora sem autorização. Assim, a presença dela em Campo Grande também abre a conversa sobre espécies invasoras. Explica, de quebra, por que a legislação trata com rigor quem introduz bichos estrangeiros no país. Já a jiboia, nativa, ilustra o outro lado do problema: o comércio e a posse ilegal de fauna nacional.

Depois de três anos, o resultado é uma rotina previsível e vigiada, o oposto do picadeiro. Sol na hora certa, exames em dia, recinto adequado e, de tempos em tempos, um passeio pelos corredores de um aquário que já recebeu mais de um milhão de pessoas. Para quem chegou enrolada no pescoço de um palhaço, é difícil não ver nisso um final bem melhor do que o esperado.

Você já visitou o Bioparque Pantanal ou conheceu algum animal resgatado de circo? Conte nos comentários como foi.

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Fontes

G1 MS — As cobras salvas de circo que se tornaram estrelas do maior aquário de água doce do mundo (29/08/2026)

Primeira Página — Estrelas do Bioparque Pantanal, Capitu e Rachel percorrem corredores do atrativo (23/02/2026)

Bioparque Pantanal — Curiosidades / Bioparque em números (site oficial)

Bioparque Pantanal — site oficial (Bioparque na mídia: 19 mil m², inauguração 28/03/2022)

Wikipedia — Rachel Carson


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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