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Duas pítons estavam escondidas dentro do teto de uma casa sem que ninguém soubesse, e o que impressiona é a frieza da especialista que subiu no balcão e arrancou as cobras uma a uma, sem levar um arranhão
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 12/08/2026 às 11:39
Atualizado em 12/08/2026 às 11:40
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O que parecia barulho comum de forro era um par de serpentes instalado no vão do teto. A capturadora subiu no balcão da cozinha, enfiou uma vara com gancho pelo buraco e foi puxando os animais um de cada vez, segurando cada um logo atrás da cabeça.
Duas pítons-carpete foram retiradas do vão do teto de uma casa no sul de Brisbane, no estado de Queensland, na Austrália, em resgate feito por uma capturadora de serpentes que precisou subir no balcão da cozinha para alcançar os animais, conforme levantamento publicado pelo portal ND Mais com base em vídeo catalogado pela agência Storyful em 15 de agosto de 2023. A profissional é identificada apenas como Tiarnah, da empresa Sunshine Coast Snake Catchers.
O registro mostra a sequência inteira do trabalho. Ela usou uma vara com gancho para alcançar a primeira cobra dentro da abertura no forro e, ao trazê-la para fora, segurou o animal na região próxima à cabeça, técnica que limita o movimento da serpente e reduz a chance de mordida durante o manejo. A segunda foi retirada em seguida, e ninguém se feriu.
O que exatamente estava no teto
Existe uma divergência de identificação que vale esclarecer, porque muda completamente a dimensão do caso. A publicação que primeiro repercutiu o vídeo apontou os animais como pítons-de-arbusto-australianas, da espécie Simalia kinghorni, considerada a maior serpente do país.
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A ficha da agência que catalogou o material, porém, registra outra espécie: pítons-carpete, nome científico Morelia spilota, comum em toda a Austrália e presente também em Nova Guiné, no Arquipélago de Bismarck e no norte das Ilhas Salomão. São animais diferentes, com portes bem distintos, e a confusão explica por que circularam números tão exagerados sobre o tamanho das serpentes retiradas daquela casa.
O governo de Queensland descreve a píton-carpete como uma cobra que pode chegar a 4 metros de comprimento, embora normalmente fique abaixo de 2,5 metros. É uma serpente grande, mas nada perto dos quase 8 metros e mais de 25 quilos atribuídos aos animais do vídeo em uma das versões que circularam. Nem a própria píton-de-arbusto chega a esses números: um estudo de campo sobre a espécie registrou machos com até 3,76 metros e 11 quilos.
Uma cobra que não tem veneno, mas aperta
A píton-carpete não é peçonhenta. Ela não injeta veneno e mata a presa por constrição, enrolando o corpo ao redor do animal e apertando até impedir a circulação. É por isso que a técnica de segurar próximo à cabeça importa tanto: o risco no manejo é de mordida mecânica, não de envenenamento.
O temperamento também não é o de um animal agressivo por natureza. Especialistas em captura descrevem a espécie como não agressiva quando não é incomodada, com reação defensiva apenas quando se sente ameaçada. Isso não significa que o manejo seja inofensivo, porque uma serpente adulta dessa espécie tem musculatura considerável e a mordida de defesa provoca ferimento.
A alimentação dela explica boa parte do comportamento urbano da espécie. O governo de Queensland registra que a píton-carpete se alimenta de ratos, gambás e aves, cardápio que a leva justamente para onde há presas concentradas, e telhado de residência costuma ser um desses lugares.
Por que elas escolhem o teto das casas
O vão entre o forro e o telhado reúne, sem que ninguém planeje, tudo o que uma píton procura. É um espaço quente, seco, escuro, protegido de predadores e com trânsito regular de roedores, que são a principal presa da espécie.
Esse comportamento não é excepcional na Austrália, e capturadores da região afirmam ser comum encontrar serpentes em cavidades quentes e secas, principalmente nos meses mais frios. A cobra sobe pela estrutura da casa, entra por qualquer vão do beiral e se instala em um lugar que os moradores raramente inspecionam. A píton-carpete é escaladora e tem hábito noturno, o que torna a presença ainda mais discreta: ela se movimenta quando a casa está em silêncio, e o único indício costuma ser exatamente o que aconteceu ali, um ruído no forro que se atribui a rato ou a assentamento da estrutura.
O peso do animal é o que costuma denunciar a presença. Um caso registrado também em Brisbane, em agosto de 2020, terminou com duas pítons-carpete de aproximadamente 2,9 metros e 2,5 metros caindo pelo buraco que elas próprias haviam aberto no teto da cozinha, encontradas pelo morador ao chegar em casa.
O que a especialista fez com o gancho
A técnica que aparece no vídeo é padrão em captura de serpentes e tem uma lógica simples: manter distância enquanto for possível e controlar o animal no momento em que o contato se torna inevitável.
A vara com gancho serve para alcançar a cobra dentro de um espaço onde a mão não deve entrar, e também para tirá-la do vão sem que ela precise ser puxada pelo corpo, o que a estressaria mais. Já a pegada na região próxima à cabeça imobiliza justamente a parte do animal capaz de causar ferimento, permitindo que o corpo seja recolhido e acomodado em seguida.
A aparente tranquilidade da profissional não é indiferença ao risco, é conhecimento do animal que está manipulando. Ela sabe que aquela espécie não tem veneno, sabe onde segurar, sabe o que a cobra vai fazer quando for tocada e trabalha com equipamento próprio para a situação. É exatamente por isso que a cena parece fácil, e exatamente por isso que ela não é.
O que fazer se aparecer uma no seu teto
A recomendação diante de uma situação parecida é curta e não tem exceção: manter distância e chamar profissional especializado em captura e manejo de animais. Retirar serpente de dentro de forro não é tarefa para quem não tem treinamento, ainda que a espécie não seja peçonhenta.
O risco de improvisar é duplo. De um lado, existe a chance concreta de ferimento por mordida de defesa, já que o animal encurralado reage. De outro, há o risco de machucar a serpente, que na Austrália é protegida por lei, e de perder o controle da situação dentro de um espaço apertado, em cima de móvel, sem equipamento adequado.
Nos casos de resgate conduzidos por profissionais, o destino do animal também segue protocolo. Em ocorrência semelhante na mesma região, as pítons retiradas foram levadas a uma reserva florestal a cerca de um quilômetro da casa, distância que evita o retorno imediato ao mesmo telhado sem tirar o animal do ambiente ao qual está adaptado.
O vídeo não é de agora
Um ponto que costuma se perder quando esse tipo de material volta a circular é a data. A gravação foi catalogada pela agência que a distribui em 15 de agosto de 2023, o que significa que o resgate não é um caso recente, mesmo tendo voltado a repercutir nas redes sociais.
Vídeos de captura de serpentes têm ciclo longo de circulação justamente porque o assunto não envelhece: o conteúdo é visualmente forte, independe de contexto local e se espalha com facilidade em qualquer época. É comum que a mesma gravação reapareça anos depois apresentada como se tivesse acontecido na semana.
O que permanece verdadeiro, independentemente da data, é a descrição do caso. Duas pítons-carpete instaladas no vão de um teto residencial no sul de Brisbane, retiradas uma a uma por uma capturadora que subiu no balcão da cozinha, com gancho, técnica e nenhum ferimento no fim.
E você, saberia identificar o barulho de uma cobra no forro ou acharia que era rato? Conta nos comentários se você já teve um bicho inesperado dentro de casa e como resolveu.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

