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Durante a ocupação nazista da Holanda, mulher usa um travesseiro sob as roupas para simular gravidez e preparar a chegada de Efraim Kochba, bebê judeu que prometera proteger caso os pais fossem detidos, gesto reconhecido 83 anos depois pelo Yad Vashem com sua maior homenagem a não judeus
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 26/08/2026 às 14:19
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Jacqueline Meents-Lenstra fingiu estar grávida durante a ocupação nazista da Holanda para receber Efraim Kochba, bebê judeu nascido em 1943, caso os pais fossem detidos. O menino viveu com ela e Max, e, 83 anos depois, o Yad Vashem concedeu-lhe postumamente, em 2026, o título de Justa entre as Nações.
Jacqueline Meents-Lenstra passou meses usando um travesseiro sob as roupas para simular uma gravidez durante a ocupação nazista da Holanda. A estratégia preparava sua vizinhança para a chegada de Efraim Kochba, bebê judeu que ela havia prometido acolher caso os pais biológicos da criança fossem detidos.
As informações foram publicadas pelo ND Mais. Efraim nasceu em 1943, em um hospital de Amsterdã, foi levado para a casa de Jacqueline e viveu seus primeiros anos sob os cuidados dela e do marido, Max. Em agosto de 2026, Jacqueline recebeu postumamente do Yad Vashem o título de Justa entre as Nações.
Jacqueline havia combinado proteção do bebê com os pais biológicos
imagem: thejewishchronicle/instagram
Jacqueline era vizinha da família de Efraim antes do nascimento da criança.
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Ela havia acertado com os pais biológicos que assumiria os cuidados do menino caso eles fossem detidos durante a ocupação nazista, criando antecipadamente uma alternativa para protegê-lo.
Travesseiro sob as roupas simulou gravidez durante meses
A chegada repentina de um recém-nascido poderia levantar questionamentos.
Para preparar uma explicação, Jacqueline passou meses simulando uma gravidez, colocando um travesseiro sob as roupas enquanto aguardava o nascimento de Efraim.
Efraim nasceu em Amsterdã em 1943
O menino nasceu em 1943, em um hospital de Amsterdã.
Depois do nascimento, Jacqueline o levou para casa e passou a cuidar dele, dando continuidade ao plano combinado anteriormente com os pais biológicos.
Max também era judeu e foi levado para Westerbork
O marido de Jacqueline, Max, era judeu.
Durante a guerra, ele foi levado ao campo de trânsito de Westerbork, na Holanda. Posteriormente, conseguiu escapar e voltou a se reunir com Jacqueline e Efraim.
Jacqueline e Max assumiram Efraim como filho
Depois do reencontro, o casal continuou criando a criança.
Efraim cresceu considerando Jacqueline e Max como seus pais e permaneceu durante anos sem conhecer integralmente as circunstâncias que haviam levado àquela formação familiar.
Tio biológico pediu guarda depois da guerra
O fim da guerra abriu uma nova disputa pelo destino de Efraim.
Um tio biológico pediu a guarda do menino. Jacqueline e Max venceram inicialmente a disputa judicial, mas a decisão foi posteriormente revertida.
Efraim foi levado para Israel com tio e tia
Após a reversão da decisão, Efraim deixou a Holanda.
Ele passou a viver em Israel com o tio e a tia, afastando-se do casal que o havia criado durante seus primeiros anos.
Jacqueline morreu de câncer aos 32 anos durante disputa pela guarda
Jacqueline não chegou a acompanhar toda a vida adulta do menino que havia acolhido.
Ela morreu de câncer aos 32 anos, enquanto a disputa pela guarda de Efraim ainda ocorria.
Até os 13 anos, Efraim chamava Jacqueline e Max de mãe e pai
Efraim afirmou que desconhecia boa parte da própria história durante a infância.
“Até os 13 anos, eu os chamava de mãe e pai porque não conhecia a história”, contou ao recordar a relação construída com Jacqueline e Max.
Viagem de 1965 levou Efraim novamente à Holanda
Em 1965, depois de cumprir o serviço militar em Israel, Efraim retornou à Holanda.
O objetivo era reencontrar Max, que havia sobrevivido à guerra e continuava ligado à história de sua infância.
Diário de Jacqueline revelou registros dos primeiros anos
Durante a visita, Efraim recebeu o diário mantido por Jacqueline.
O material guardava registros e fotografias dos primeiros anos de sua vida, oferecendo informações sobre um período do qual ele tinha conhecimento apenas parcial.
O acervo também reúne álbuns, lembranças escritas e uma mecha de cabelo preservada por Jacqueline.
Yad Vashem concedeu homenagem em agosto de 2026
Mais de oito décadas depois do nascimento de Efraim, o reconhecimento oficial chegou.
Em agosto de 2026, o Yad Vashem concedeu postumamente a Jacqueline Meents-Lenstra o título de Justa entre as Nações.
A distinção é a maior homenagem concedida por Israel a não judeus reconhecidos por terem ajudado a salvar judeus durante o Holocausto.
Efraim recebeu reconhecimento perto do aniversário de 83 anos
Efraim relacionou a homenagem à passagem de mais de oito décadas desde os acontecimentos.
Ele agradeceu pelo encerramento simbólico de um ciclo de 83 anos e afirmou que comemoraria seu aniversário de 83 anos na semana seguinte, considerando a notícia um presente especialmente significativo.
Dois brasileiros também integram lista de Justos entre as Nações
O reconhecimento concedido a Jacqueline faz parte de uma lista internacional que inclui brasileiros.
O Yad Vashem reconheceu Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, em 1982, e Luiz Martins de Souza Dantas, em 2003, como Justos entre as Nações.
Efraim pretende entregar distinção à família de Jacqueline
Efraim afirmou que pretende procurar os familiares de Jacqueline para entregar a homenagem recebida em nome dela.
“Ela pertence a eles. Eu devo isso a eles”, disse sobre a distinção.
O reconhecimento de agosto de 2026 formalizou, 83 anos depois do nascimento de Efraim, a história da mulher que havia preparado sua chegada ainda durante a ocupação nazista da Holanda e o acolheu como filho.
Assista o vídeo
Na sua opinião, preservar relatos, diários e reconhecimentos como o de Jacqueline é importante para manter vivas as histórias de pessoas que protegeram perseguidos durante o Holocausto? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

