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Durante anos, mergulhadores encontraram círculos perfeitos de quase 2 metros no fundo do mar, até cientistas descobrirem que um baiacu de apenas 10 centímetros passava dias construindo tudo para atrair uma fêmea

Durante anos, mergulhadores encontraram círculos perfeitos de quase 2 metros no fundo do mar, até cientistas descobrirem que um baiacu de apenas 10 centímetros passava dias construindo tudo para atrair uma fêmea

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Durante anos, mergulhadores encontraram círculos perfeitos de quase 2 metros no fundo do mar, até cientistas descobrirem que um baiacu de apenas 10 centímetros passava dias construindo tudo para atrair uma fêmea

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 22/08/2026 às 11:45

Curiosidades

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Pequeno baiacu-de-manchas-brancas aparece no centro de uma grande estrutura circular formada por sulcos na areia, comportamento ligado à reprodução da espécie.

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Pequeno baiacu-de-manchas-brancas modifica a areia do oceano, cria sulcos, picos e desenhos radiais durante até nove dias e transforma o fundo do mar em uma estrutura usada para reprodução.

Durante anos, mergulhadores encontraram misteriosos círculos geométricos desenhados na areia perto da ilha japonesa de Amami-Oshima.

As formações chamavam atenção pelo tamanho, pela organização dos sulcos e pela aparência quase perfeitamente simétrica.

O responsável, porém, era surpreendentemente pequeno.

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Pesquisadores descobriram, em 2011, que um baiacu-de-manchas-brancas, Torquigener albomaculosus, com aproximadamente 10 centímetros, construía aquelas estruturas.

Cada macho pode produzir sozinho um círculo com cerca de dois metros de diâmetro, usando basicamente as nadadeiras e o próprio corpo.

O comportamento está diretamente ligado à reprodução e transforma uma extensa área do fundo arenoso em um verdadeiro ninho submarino.

Mistério começou com círculos observados na década de 1990

Os círculos começaram a ser observados por mergulhadores próximos de Amami-Oshima durante a década de 1990.

A origem das estruturas permaneceu desconhecida durante anos.

Pesquisadores conseguiram identificar o pequeno peixe responsável somente em 2011.

A descoberta revelou que cada macho constrói individualmente sua própria estrutura durante o período reprodutivo.

Hiroshi Kawase, Yoji Okata e Kimiaki Ito detalharam o comportamento em um estudo publicado em 2013 na revista científica Scientific Reports.

O trabalho mostrou como um peixe de poucos centímetros consegue modificar uma área muitas vezes maior que seu próprio corpo.

Pequeno baiacu passa vários dias movimentando a areia

O processo de construção exige uma sequência repetitiva de movimentos.

O macho utiliza principalmente as nadadeiras e o corpo para deslocar a areia.

O peixe nada de diferentes pontos em direção ao centro da estrutura enquanto abre sulcos no fundo marinho.

A repetição desses movimentos produz picos e depressões distribuídos de maneira radial.

A região central também recebe desenhos menores e uma camada formada por partículas mais finas.

A construção completa pode exigir aproximadamente sete a nove dias.

Durante esse período, o animal executa centenas de movimentos sobre a areia.

Baiacu-de-manchas-brancas aparece no centro de uma estrutura circular formada por sulcos na areia, comportamento associado à reprodução da espécie.

Movimentos simples criam um desenho extremamente complexo

A aparência elaborada dos círculos levou pesquisadores a investigar como uma estrutura tão organizada poderia ser produzida.

Um estudo publicado em 2018 na Scientific Reports analisou detalhadamente esse processo.

Os pesquisadores demonstraram que a geometria complexa surge da repetição de movimentos relativamente simples executados pelo baiacu.

O animal não precisa desenhar cada detalhe individualmente.

A sequência de deslocamentos altera gradualmente o relevo da areia até formar a estrutura radial observada pelos mergulhadores.

O resultado chama atenção principalmente pela enorme diferença entre o tamanho do peixe e o tamanho da construção.

Círculos são utilizados para atrair as fêmeas

Os desenhos não existem apenas por aparência.

As estruturas funcionam como ninhos ligados diretamente à reprodução do baiacu-de-manchas-brancas.

Durante o período reprodutivo, as fêmeas visitam os círculos construídos pelos machos.

As características da estrutura parecem participar da avaliação realizada antes da desova.

Os sulcos também desempenham uma função física importante no ambiente.

A disposição das elevações e depressões modifica o fluxo da água sobre o fundo marinho.

Esse movimento ajuda a transportar partículas finas de areia em direção à área central.

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Viviane Alves

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Desova acontece no centro da estrutura

A região central é justamente o local utilizado durante a reprodução.

Quando uma fêmea aceita o círculo, a desova ocorre nessa parte da estrutura.

O trabalho do macho, porém, não termina após a escolha da parceira.

O peixe permanece responsável pelos ovos depois da desova.

Pesquisas sobre a espécie registraram esse cuidado paternal até a eclosão dos filhotes.

A enorme estrutura também não é simplesmente restaurada para outro ciclo reprodutivo.

Machos podem construir novos círculos posteriormente e repetir todo o processo.

Cientistas reconstruíram os círculos em três dimensões

O comportamento continuou atraindo interesse científico após sua descoberta.

Hiroshi Kawase, Yuki Kitajima e Daisuke Iwai publicaram, em 2022, modelos tridimensionais dessas estruturas na revista Scientific Data.

As análises reforçaram a relação entre o formato dos sulcos, o fluxo da água e o transporte das partículas finas de areia.

A eficiência da estrutura também despertou interesse em biomimética.

Essa área busca compreender soluções naturais que possam inspirar outros tipos de estruturas e sistemas.

O fenômeno mostrou que o misterioso desenho encontrado no fundo do mar possui uma finalidade biológica bastante específica.

Pequeno arquiteto submarino transformou um mistério em descoberta científica

O que parecia ser uma formação inexplicável na areia acabou revelando uma elaborada estratégia de reprodução.

Um peixe de aproximadamente 10 centímetros consegue trabalhar durante vários dias e modificar uma área de quase dois metros.

O comportamento combina construção, escolha reprodutiva, organização da areia e cuidado com os ovos.

O pequeno Torquigener albomaculosus transforma o fundo do oceano em uma enorme estrutura geométrica para aumentar suas chances de reprodução.

O que mais chama sua atenção nessa descoberta: o tamanho do círculo construído pelo baiacu ou o fato de um peixe tão pequeno conseguir produzir uma estrutura tão organizada?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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