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Ela passou quase duas décadas longe da escola, retomou os estudos pela EJA e cursou História no contraturno enquanto trabalhava na limpeza; aos 43 anos, concluiu a graduação, fez pós-graduação e voltou à mesma modalidade como professora

Ela passou quase duas décadas longe da escola, retomou os estudos pela EJA e cursou História no contraturno enquanto trabalhava na limpeza; aos 43 anos, concluiu a graduação, fez pós-graduação e voltou à mesma modalidade como professora

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Ela passou quase duas décadas longe da escola, retomou os estudos pela EJA e cursou História no contraturno enquanto trabalhava na limpeza; aos 43 anos, concluiu a graduação, fez pós-graduação e voltou à mesma modalidade como professora

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 01/08/2026 às 20:04

Curiosidades

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Marinete Loureiro passou quase duas décadas afastada da escola, mas retomou a educação básica pela Educação de Jovens e Adultos e construiu um percurso que a levou do trabalho na limpeza à sala de aula como professora.

Depois de concluir os estudos, ingressou na graduação em História, frequentou a universidade no contraturno do emprego, formou-se aos 43 anos, fez pós-graduação e retornou à EJA para acompanhar alunos com trajetórias semelhantes à sua.

Segundo a Fundação Roberto Marinho, instituição responsável pela escola onde Marinete passou a lecionar, ela conheceu a modalidade primeiro como estudante e encontrou nesse retorno a possibilidade de recuperar uma formação interrompida durante quase 20 anos.

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A retomada permitiu alcançar a escolaridade necessária para ingressar no ensino superior e transformar um antigo objetivo profissional em um projeto possível, construído gradualmente entre o trabalho, a universidade e as exigências permanentes da vida adulta.

Retorno aos estudos pela EJA

Ao voltar para a escola, Marinete não encerrou o projeto educacional, pois desejava ser professora e sabia que a profissão exigia continuidade acadêmica, disciplina e uma organização capaz de conciliar estudo com responsabilidade profissional ao longo da semana.

Embora aproximasse esse objetivo da realidade, a escolha pela graduação em História também impôs uma rotina exigente, marcada por aulas no período disponível entre as obrigações do emprego e pelo esforço para preservar a própria fonte de renda.

Enquanto trabalhava na limpeza, ela cursava a graduação no contraturno e avançava pelas etapas do curso sem abandonar o emprego, até alcançar o diploma aos 43 anos e ampliar sua preparação profissional com uma pós-graduação.

Mesmo depois da graduação e da especialização, o ingresso na docência não aconteceu imediatamente, já que Marinete relatou que as oportunidades continuaram fechadas e que a procura por uma vaga prolongou uma etapa importante de sua trajetória.

Diploma de História e busca pela docência

Ao recordar aquele período, ela apontou o preconceito racial como uma barreira presente no mercado de trabalho e afirmou que era raro encontrar professores negros nos espaços onde buscava uma oportunidade para iniciar a carreira.

A primeira experiência como professora surgiu anos depois, justamente em uma escola voltada a jovens e adultos que não haviam concluído a educação básica na idade regular, aproximando sua história pessoal do trabalho que passou a exercer.

Essa passagem conectou duas fases distintas de sua vida: a de aluna que voltou após uma longa interrupção e a de educadora responsável por apoiar estudantes que também tentavam reconstruir o próprio percurso escolar na vida adulta.

Dentro da EJA, Marinete passou a trabalhar com pessoas de diferentes idades, históricos profissionais e períodos de afastamento, em uma modalidade destinada a quem precisou interromper os estudos por razões diversas ao longo da vida.

Ex-aluna retorna à EJA como professora

Adaptada à realidade adulta, a organização das turmas permite concluir etapas do ensino fundamental ou médio, considerando que emprego, renda, deslocamento e responsabilidades familiares interferem diretamente na permanência escolar e na frequência às aulas.

Por ter enfrentado obstáculos semelhantes, a professora conhece de perto as dificuldades de quem retorna depois de muitos anos, precisa reorganizar horários e mantém o compromisso com a formação enquanto outras responsabilidades continuam presentes no cotidiano.

Mais tarde, essa mesma exigência apareceu no ensino superior, quando dividiu o tempo entre o trabalho na limpeza, as aulas de História e o esforço necessário para avançar até a conclusão da graduação sem abandonar o emprego.

A experiência acumulada como estudante passou a acompanhar sua atuação profissional, aproximando a rotina da professora das dificuldades enfrentadas pelos jovens e adultos recebidos em sala de aula.

Professora atua em turmas da Maré

No Conjunto de Favelas da Maré, no Rio de Janeiro, Marinete atua em turmas que funcionam parcialmente fora da sede principal da escola, ocupando espaços instalados mais perto dos estudantes em diferentes pontos do território.

Por meio desse modelo descentralizado, o ensino se aproxima das áreas onde vivem ou trabalham pessoas que ainda precisam concluir a educação básica, reduzindo barreiras práticas capazes de dificultar a frequência, a permanência e a continuidade dos estudos.

Uma das turmas funciona na comunidade Nova Holanda, em parceria com a Redes da Maré, enquanto outra ocupa um espaço cedido pela associação de moradores da comunidade Rubens Vaz, também dentro daquele território no Rio de Janeiro.

Nessas salas, Marinete leciona para alunos do ensino fundamental e médio, acompanhando percursos marcados por diferentes níveis de aprendizagem e experiências acumuladas fora do ambiente escolar, sem separar o conhecimento formal da vida cotidiana dos estudantes.

Distância e trabalho afetam permanência na escola

Ao instalar classes dentro do território, a escola busca diminuir uma dificuldade recorrente entre estudantes adultos: a distância entre a sala de aula, a residência e o trabalho, fator que pode comprometer diretamente a permanência.

Para quem precisa administrar emprego, renda, deslocamento e responsabilidades familiares, a localização das turmas interfere na possibilidade de comparecer às atividades, manter a matrícula e concluir uma formação retomada depois de anos longe da escola.

Além da distância, a necessidade de trabalhar e a falta de renda também podem afetar a continuidade, razão pela qual a escola organiza o currículo para atender alunos que não conseguiram concluir a formação regular.

Distribuídas por diferentes pontos do Rio de Janeiro e da região metropolitana, as turmas de ensino fundamental e médio permitem que a oferta alcance públicos com rotinas, experiências profissionais e necessidades educacionais distintas de aprendizagem.

Na Maré, a rotina escolar também pode ser interrompida pela violência urbana, o que torna ainda mais relevante a manutenção de classes descentralizadas em comunidades onde muitos moradores passaram anos sem acesso contínuo à educação formal.

Formação abriu caminho para nova profissão

Nesse ambiente, Marinete passou a ocupar uma função que durante muito tempo permaneceu apenas como objetivo profissional, depois de construir a própria qualificação em etapas e insistir na entrada em uma área que exigia formação específica.

A graduação em História abriu o caminho para a docência, enquanto a pós-graduação acrescentou uma nova etapa à preparação iniciada após seu retorno à educação básica, fortalecendo a mudança de posição dentro da própria EJA.

No começo, ela dependia da modalidade para recuperar a formação interrompida e alcançar a escolaridade exigida pela universidade; mais tarde, passou a receber estudantes que enfrentam obstáculos semelhantes e buscam concluir os próprios estudos na vida adulta.

Escola atende jovens e adultos desde 2011

Desde 2011, a escola da Fundação Roberto Marinho mantém atividades de EJA e utiliza uma metodologia própria, pela qual os estudantes podem concluir o ensino fundamental ou o ensino médio em dois anos, percorrendo diferentes etapas.

Mais de 2,4 mil jovens e adultos já passaram pela unidade, de acordo com os dados divulgados pela instituição, que organiza as turmas para reunir pessoas com idades, profissões e experiências de vida distintas.

Entre os alunos, há quem tenha deixado a escola recentemente e quem tenha permanecido décadas sem estudar, motivo pelo qual o trabalho pedagógico considera conhecimentos adquiridos na família, na comunidade e nas atividades profissionais ao longo da vida.

De estudante a professora de História

Nesse contexto, Marinete ensina História a estudantes que chegam à sala de aula com trajetórias construídas em diferentes ambientes, enquanto sua própria formação também foi desenvolvida por etapas ao longo dos anos, entre trabalho e estudo.

Primeiro veio a retomada da educação básica; depois, a graduação cursada enquanto trabalhava na limpeza, seguida pela pós-graduação e pela entrada na carreira docente, após um período prolongado de busca por uma oportunidade profissional na educação.

A passagem de aluna a professora ocorreu dentro da mesma modalidade que tornou possível seu retorno aos estudos, criando uma ligação direta entre a experiência que viveu e o trabalho que passou a realizar em sala de aula.

Hoje, ao acompanhar jovens e adultos que reorganizam a rotina para permanecer na escola, Marinete ocupa o lugar profissional que buscou mesmo depois de passar quase duas décadas distante da sala de aula e da educação formal.

Quantas outras trajetórias poderiam mudar se o retorno aos estudos estivesse mais próximo de trabalhadores que precisam conciliar emprego, renda, responsabilidades familiares e o desejo de reconstruir a própria formação ao longo da vida adulta?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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