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Ele deixou as novelas para tocar uma fazenda de 10 mil hectares no Pará, aos 61 anos, Tarcísio Filho assumiu a herança rural da família depois da morte do pai e trocou os estúdios por gado, milho e soja no meio da Amazônia

Ele deixou as novelas para tocar uma fazenda de 10 mil hectares no Pará, aos 61 anos, Tarcísio Filho assumiu a herança rural da família depois da morte do pai e trocou os estúdios por gado, milho e soja no meio da Amazônia

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Ele deixou as novelas para tocar uma fazenda de 10 mil hectares no Pará, aos 61 anos, Tarcísio Filho assumiu a herança rural da família depois da morte do pai e trocou os estúdios por gado, milho e soja no meio da Amazônia

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 12/08/2026 às 19:00

Atualizado em 12/08/2026 às 19:01

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Aos 61 anos, Tarcísio Filho deixou as novelas para tocar a fazenda de 10 mil hectares no Pará que herdou do pai, com gado, milho e soja.

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O ator conhecido por Renascer, Pantanal e Éramos Seis passou a maior parte dos últimos anos longe dos estúdios. Assumiu a gestão de uma propriedade no leste paraense que o pai comprou nos anos 1970 e onde nunca tinha se envolvido com a parte administrativa.

Aos 61 anos, o ator Tarcísio Filho se afastou da rotina de novelas para assumir a gestão dos negócios rurais da família, entre eles uma fazenda de mais de 10 mil hectares no Pará, decisão tomada após a morte do pai, Tarcísio Meira, em 12 de agosto de 2021, conforme reportagem publicada pelo portal ND Mais com base em entrevista concedida por ele ao site Heloisa Tolipan.

A mudança não foi planejada e ele descreve o momento sem meias palavras. Tarcísio Filho conta que teve de rever os negócios da família quando o pai faleceu, e que até então frequentava as fazendas para passear, andar a cavalo e se divertir, sem ter o pulso do negócio, situação que classificou como um pouco assustadora no início.

A fazenda que o pai comprou numa viagem nos anos 1970

Fazenda da família de Tarcísio Meira, no Pará, tem mais de 10 mil hectares e atividades de pecuária e agricultura. Na foto, o ator aparece em um registro feito em 2015.Foto: Reprodução O Liberal/ND Mais

O principal ativo do patrimônio rural da família é a Fazenda São Marcos, localizada em Aurora do Pará, no leste paraense. A origem dessa propriedade tem uma história que começa longe do Pará e por acaso.

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Na década de 1970, Tarcísio Meira viajava a trabalho para Manaus quando ouviu falar de uma grande extensão de terra à venda no município paraense. Ele fechou o negócio e, a partir dali, passou a dizer que havia se tornado quase um paraense, expressão que repetiu ao longo da vida.

A área é de mais de 10 mil hectares, o equivalente a mais de 100 milhões de metros quadrados. Parte significativa da propriedade é mantida com vegetação nativa da Amazônia preservada, e o restante se divide entre criação de gado e produção agrícola, num arranjo que o ator desenvolveu ao longo de décadas.

Gado, milho e soja: como o negócio funciona

Aos 61 anos, Tarcísio Filho deixou as novelas para tocar a fazenda de 10 mil hectares no Pará que herdou do pai, com gado, milho e soja.

A atividade principal da fazenda é a pecuária de corte, com criação de rebanho bovino e investimento em seleção genética dos animais, além de estruturas voltadas especificamente à criação.

O que diferencia a operação é que ela não depende de compra externa de ração. A propriedade mantém lavouras próprias de milho e soja, e essas culturas são usadas na alimentação e na nutrição do próprio rebanho, o que fecha o ciclo dentro do mesmo terreno.

Aos 61 anos, Tarcísio Filho deixou as novelas para tocar a fazenda de 10 mil hectares no Pará que herdou do pai, com gado, milho e soja.

Esse modelo, conhecido como integração lavoura-pecuária, reduz a exposição do negócio às oscilações de preço dos insumos. Quem produz o próprio milho não fica refém do que a saca custa no mercado, e em uma operação do porte dessa fazenda a diferença acumulada ao longo de um ano é considerável.

As casas dos funcionários e a escola dentro da propriedade

Aos 61 anos, Tarcísio Filho deixou as novelas para tocar a fazenda de 10 mil hectares no Pará que herdou do pai, com gado, milho e soja.

Um elemento que aparece de forma recorrente nos relatos sobre a fazenda é a estrutura destinada a quem trabalha nela. A propriedade conta com moradias para os funcionários, construídas dentro da própria área.

Aos 61 anos, Tarcísio Filho deixou as novelas para tocar a fazenda de 10 mil hectares no Pará que herdou do pai, com gado, milho e soja.

Além disso, o local chegou a manter uma escola comunitária, que oferecia ensino gratuito não apenas aos filhos dos trabalhadores da fazenda, mas também a crianças de famílias vizinhas, de pequenos agricultores e colonos da região rural do entorno.

Essa característica ajuda a explicar o tipo de relação que o pai construiu com o lugar ao longo de cinco décadas. Na fazenda que a família mantém em Porto Feliz, no interior de São Paulo, funcionários descrevem Tarcísio Meira como um patrão simples, que costumava ir até a cozinha das casas dos trabalhadores para tomar café com eles.

O choque de sair do estúdio e cair na administração

Tarcísio Filho ao lado dos pais, Tarcísio Meira e Glória MenezesFoto: Reprodução Instagram/ND Mais

A transição foi abrupta e envolveu um tipo de trabalho completamente diferente do que ele fazia. Em vez de gravações, texto decorado e marcação de cena, a rotina passou a incluir produção, logística, criação de gado e administração das propriedades.

O contraste com a relação anterior é o que dá dimensão ao susto. Ele frequentava as fazendas há décadas, mas na condição de visitante, e o próprio ator brinca que a ligação do pai com o campo era tão forte que ele costumava dizer que Tarcísio Meira era um fazendeiro que ocasionalmente fazia trabalhos como ator.

A dedicação exigida também não foi curta. Tarcísio Filho afirma que passou entre um e dois anos concentrado nos negócios da família antes de conseguir diminuir o ritmo, e só depois disso voltou a desenvolver projetos ligados à atuação.

O retorno lento à carreira

O ator não descarta voltar às novelas, mas deixa claro que não há pressa. A avaliação dele é de que está retomando aos poucos, sem correria, depois do período em que a administração rural ocupou praticamente todo o tempo.

A retomada começou por um caminho lateral, e não pelos estúdios. Em 2025, ele estreou na narração de audiolivros com Um Certo Capitão Rodrigo, obra de Erico Verissimo, projeto que envolveu produção e narração.

A escolha da obra carrega uma camada familiar difícil de ignorar. Tarcísio Meira interpretou o Capitão Rodrigo na minissérie O Tempo e o Vento, exibida pela Globo, e o personagem está entre os mais lembrados da carreira dele. O filho reencontrou o papel do pai por outro meio, em um formato que cabia na nova rotina construída longe das gravações.

Quem é Tarcísio Filho fora da fazenda

Aos 61 anos, Tarcísio Filho deixou as novelas para tocar a fazenda de 10 mil hectares no Pará que herdou do pai, com gado, milho e soja.

Filho de Tarcísio Meira e Glória Menezes, ele cresceu dentro de uma das famílias mais conhecidas da história da televisão brasileira e começou a carreira ainda jovem, acumulando personagens ao longo de décadas.

Entre os trabalhos mais lembrados estão Alfredo, em Éramos Seis, papel pelo qual recebeu reconhecimento da crítica, José Bento, em Renascer, e Sebastian, em Chocolate com Pimenta. Ele também atuou em Pantanal e manteve trabalhos no cinema e no teatro ao longo do percurso.

O contraste entre essa trajetória e a atividade atual é o que torna o caso incomum. Um ator com décadas de televisão passou a se ocupar de seleção de rebanho, logística de safra e gestão de uma propriedade que fica a milhares de quilômetros dos estúdios onde construiu a carreira.

O pai que virou fazendeiro sem parar de atuar

Aos 61 anos, Tarcísio Filho deixou as novelas para tocar a fazenda de 10 mil hectares no Pará que herdou do pai, com gado, milho e soja.

A história de Tarcísio Meira com o campo é mais longa do que a maior parte do público imagina. Nascido em São Paulo, ele foi casado por 59 anos com Glória Menezes, protagonizou em 1963 a novela 2-5499 Ocupado, considerada a primeira telenovela diária do país, e construiu uma carreira de mais de seis décadas.

Em paralelo a tudo isso, montou uma operação de pecuária de corte no Norte do Brasil que ele próprio considerava a atividade principal. A frase que o filho reproduz, sobre ser um fazendeiro que às vezes fazia trabalho de ator, resume a ordem de prioridades que o pai adotava.

Ele morreu em 12 de agosto de 2021, aos 85 anos, em decorrência da covid-19. As cinzas foram depositadas na fazenda da família em Porto Feliz, no interior de São Paulo, propriedade onde ele e Glória Menezes passaram parte do período de isolamento durante a pandemia.

Duas fazendas, dois papéis diferentes

Existe uma confusão comum sobre o patrimônio rural da família, e ela tem a ver com visibilidade. Muita gente associa a ligação dos atores com o campo à propriedade de Porto Feliz, que aparecia com frequência em publicações e entrevistas do casal.

A fazenda paulista, porém, é bem menor que a paraense. A São Marcos, no Pará, tem mais de 10 mil hectares e é o principal ativo agropecuário construído pelo pai, enquanto a de Porto Feliz funcionava como propriedade modelo e residência da família em períodos fora de gravação.

É essa diferença de escala que explica por que a sucessão exigiu tanto do filho. Assumir uma casa de campo é uma coisa. Assumir uma operação de pecuária de corte com lavoura integrada, área de preservação, estrutura de moradia para trabalhadores e mais de 100 milhões de metros quadrados de extensão é outra bem diferente.

O que a nova rotina dele representa

O que a trajetória recente de Tarcísio Filho mostra é um tipo de sucessão que pouco aparece quando se fala de famílias artísticas. A herança que ele recebeu não foi apenas patrimônio, foi um negócio em funcionamento, com empregados, safra, rebanho e responsabilidades que não podiam esperar pelo luto.

Ele descreve o começo como assustador justamente porque nunca tinha se envolvido com a parte administrativa, apesar de conhecer as propriedades desde a infância. Foram necessários pelo menos um ano de dedicação exclusiva para que a operação se estabilizasse a ponto de ele conseguir retomar, em ritmo lento, a atividade que exerceu a vida inteira.

Hoje ele mantém as duas frentes, com peso maior para a rural. A carreira artística continua, mas sem a rotina de gravação diária, e o retorno aos poucos que ele descreve indica que a fazenda deixou de ser a exceção na agenda dele para virar a regra.

E você, largaria uma carreira consolidada para tocar um negócio de família que você nunca administrou, ou tentaria manter as duas coisas ao mesmo tempo? Conta nos comentários o que você faria no lugar dele.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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