5 min de leitura
Ele sentia dores ao usar teclado comum e criou seu próprio teclado: o estudante da UFMG, Kael Soares, transformou a própria tendinite como inspiração para criar teclado de apenas 42 teclas, dividido em duas partes e disponível gratuitamente para qualquer pessoa fabricar; conheça o Kaly42
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 17/08/2026 às 20:21
Atualizado em 17/08/2026 às 20:22
Ciência e Tecnologia
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Teclado Kaly42 foi desenvolvido por Kael, estudante da UFMG, após problemas com tendinite e tem projeto aberto para reprodução e modificações.
Um problema enfrentado durante horas diante do computador levou Kael Soares Augusto, de 21 anos, a transformar conhecimento adquirido em Ciência da Computação em uma solução de ergonomia. O estudante da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que convive com tendinite, desenvolveu o Kaly42, um teclado dividido em duas partes, com somente 42 teclas e projeto aberto para quem quiser reproduzi-lo ou modificá-lo.
A criação nasceu depois que o uso intenso de teclados convencionais passou a provocar incômodo nas mãos do universitário. Em entrevista à própria UFMG, Kael explicou que procurava uma alternativa que se ajustasse melhor ao seu corpo. O resultado acabou ultrapassando uma necessidade pessoal e já chegou a usuários de outros países, que enviaram ao estudante registros de versões construídas a partir do projeto.
Teclado permite escolher a posição das duas mãos
Segundo publicado pelo site Só Notícia Boa em maio de 2025, o Kaly42 não obriga o usuário a manter as mãos alinhadas em uma única peça rígida. Suas duas metades podem ser afastadas e posicionadas separadamente sobre a mesa, permitindo que cada pessoa encontre uma distância mais confortável para braços e ombros.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Também é possível modificar a inclinação de cada lado. Essa liberdade busca reduzir torções dos punhos, um dos pontos que incomodavam Kael durante o uso prolongado do computador. A distribuição das teclas foi pensada para diminuir a necessidade de esticar os dedos repetidamente até regiões mais distantes.
O projeto trabalha ainda com seis comandos destinados aos polegares. Em vez de deixar esses dedos pouco utilizados enquanto outras regiões da mão concentram tarefas, o layout redistribui funções e procura aproveitar melhor o alcance natural de cada dedo.
Tendinite levou Kael a repensar um equipamento usado diariamente
A motivação não surgiu de um trabalho obrigatório da graduação. O estudante já acompanhava a comunidade de teclados mecânicos personalizados quando começou a analisar alternativas capazes de amenizar o desconforto que sentia.
Segundo seu relato à UFMG, os modelos disponíveis apresentavam características que não atendiam completamente ao que procurava. Kael decidiu então combinar referências existentes com suas próprias necessidades e projetar uma configuração que pudesse ser reproduzida por outras pessoas sem depender de um produto comercial fechado.
A tendinite passou, assim, a influenciar decisões concretas do projeto. Em vez de simplesmente aumentar ou reduzir o tamanho de um teclado comum, ele alterou a maneira como as mãos se posicionam e como os comandos ficam distribuídos.
Algumas escolhas do Kaly42 respondem a movimentos específicos
Durante o desenvolvimento, cada característica ergonômica foi associada a uma necessidade percebida pelo estudante. Isso explica por que o Kaly42 se distancia visualmente de um teclado convencional.
Na prática, o desenho funciona a partir de soluções como:
- colunas mais compatíveis com o comprimento dos dedos, evitando que todos tenham de alcançar teclas dispostas da mesma maneira;
- metades independentes, que podem acompanhar a abertura natural dos braços;
- ângulos ajustáveis, usados para buscar uma posição menos torcida dos punhos;
- seis teclas acionadas pelos polegares, transferindo para eles comandos que normalmente exigiriam movimentos de outros dedos.
Essas escolhas formam a lógica central do equipamento e ajudam a explicar por que apenas 42 teclas podem executar as funções necessárias durante o uso cotidiano.
Projeto pode ser baixado, alterado e fabricado
Outra decisão de Kael foi não manter o Kaly42 restrito ao laboratório ou ao próprio computador. O teclado foi disponibilizado como projeto open-source no GitHub sob licença Apache-2.0, permitindo que interessados estudem os arquivos e façam suas próprias adaptações.
As instruções necessárias para fabricação já estão disponíveis, assim como o firmware responsável pelo funcionamento do equipamento. Essa parte do desenvolvimento aproveitou conhecimentos obtidos por Kael durante o curso, principalmente na adaptação do QMK, sistema utilizado em diversos teclados mecânicos programáveis.
Colegas da universidade também participaram de etapas ligadas à identidade do produto, contribuindo com sugestões para cores, formato e logotipo. O projeto ganhou ainda um mascote: Kaly, um paquímetro sorridente que acompanha a identidade visual criada para o dispositivo.
Usuários estrangeiros já enviaram versões construídas a partir da ideia
Apesar do interesse despertado pelo Kaly42, o estudante não planeja transformá-lo imediatamente em um produto comercial. Custos associados a impostos e importações no Brasil aparecem entre os obstáculos considerados por ele para uma eventual produção destinada à venda.
Isso não impediu que o teclado começasse a circular de outra maneira. Pessoas de fora do país já entraram em contato com Kael para mostrar unidades que produziram utilizando os arquivos disponibilizados gratuitamente.
O estudante pretende continuar aprimorando o projeto. Entre as possibilidades consideradas para versões futuras estão conexão Bluetooth e teclas removíveis, recursos que ampliariam a flexibilidade sem abandonar a proposta que deu origem ao Kaly42.
Para o professor Fernando Magno Quintão Pereira, coordenador do Laboratório Compiladores da UFMG, o trabalho mostra a capacidade do aluno de converter uma dificuldade concreta em desenvolvimento tecnológico. Para Kael, o caminho foi ainda mais direto: um equipamento que fazia parte do problema acabou se tornando justamente o objeto escolhido para buscar uma solução.
Fonte
so noticia boa
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

