Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Eles cabiam no bolso, desapareceram com os smartphones e agora estão de volta: câmeras digitais, iPods, MP3 e fones com fio viram tendência entre jovens

Eles cabiam no bolso, desapareceram com os smartphones e agora estão de volta: câmeras digitais, iPods, MP3 e fones com fio viram tendência entre jovens

6 min de leitura

Eles cabiam no bolso, desapareceram com os smartphones e agora estão de volta: câmeras digitais, iPods, MP3 e fones com fio viram tendência entre jovens

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 16/08/2026 às 00:34

Atualizado em 16/08/2026 às 00:35

Ciência e Tecnologia

Canal

Câmeras digitais, tocadores de MP3 e fones com fio, populares nos anos 2000, voltam a despertar interesse entre jovens em busca de nostalgia, simplicidade e maior controle sobre a experiência digital.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Câmeras digitais, iPods, tocadores de MP3 e fones com fio reaparecem entre consumidores mais jovens, enquanto nostalgia, simplicidade e maior controle sobre a experiência digital ajudam a explicar o movimento.

Câmeras digitais, iPods, tocadores de MP3 e fones de ouvido com fio estão novamente conquistando espaço entre os jovens, mesmo em uma época dominada por smartphones, Bluetooth e serviços digitais.

A tendência recupera aparelhos que fizeram parte principalmente do final dos anos 1990 e dos anos 2000. Além disso, números recentes mostram que o interesse não está restrito às redes sociais.

Segundo informações divulgadas pelo eBay, as vendas de iPods e Walkman no Reino Unido cresceram quase 50% em 2025. Já as buscas por iPod mini avançaram 48% no último ano.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Ao mesmo tempo, câmeras digitais reaparecem em festas e shows. Enquanto isso, fones com fio voltam ao cotidiano de consumidores interessados em simplicidade, preço e nostalgia.

Câmeras digitais voltam às mãos de uma geração criada com smartphones

As câmeras digitais tiveram seu auge entre o final dos anos 1990 e o começo dos anos 2000, pouco antes da popularização dos smartphones transformar a maneira de registrar fotografias.

Agora, porém, esses equipamentos estão encontrando um novo público.

Conforme relatório de pesquisa de mercado citado pela BBC, existem cerca de 42 milhões de usuários ativos de câmeras em todo o mundo.

Além disso, mais de um terço desses usuários tem entre 18 e 30 anos. As tendências das redes sociais exercem forte influência sobre esse público.

Para Lily Redman, criadora de conteúdo de 26 anos do sul do País de Gales, existe uma diferença perceptível entre fotografar utilizando os dois equipamentos.

Segundo ela, as câmeras digitais conseguem produzir uma aparência que seu celular simplesmente não reproduz da mesma maneira.

Enquanto fotografias de smartphones apresentam grande definição, câmeras digitais podem entregar imagens consideradas mais suaves. Além disso, o flash ajuda a produzir uma estética característica.

Para Redman, portanto, parte desse interesse está relacionada à busca por autenticidade e fotografias que transmitam uma aparência considerada mais real.

iPod em tom verde com fones de ouvido com fio ilustra o retorno de tecnologias populares nos anos 2000, que voltam a despertar interesse entre consumidores jovens.

Fotografias que não parecem ter sido feitas ontem ajudam a explicar a tendência

Outro diferencial está na própria experiência proporcionada pelas câmeras digitais.

Em alguns casos, as fotografias somente são vistas posteriormente. Para isso, o cartão de memória precisa ser conectado ao computador.

Consequentemente, o elemento de surpresa volta a fazer parte da fotografia, diferentemente da experiência imediata oferecida pelos smartphones.

Redman também relaciona essa característica à percepção da passagem do tempo.

Segundo ela, fotografias produzidas por sua mãe durante sua infância parecem efetivamente antigas. Entretanto, imagens feitas pelo celular há cinco anos ainda podem transmitir uma aparência recente.

Nesse sentido, as fotografias produzidas pelos smartphones teriam alterado a percepção visual do tempo, segundo a criadora de conteúdo.

iPods e tocadores de MP3 também estão saindo das gavetas

Enquanto as câmeras digitais recuperam espaço, iPods, MP3 e MP4 também voltaram a despertar interesse.

Segundo a plataforma de eletrônicos recondicionados Back Market, as vendas de iPods cresceram 48% entre 2024 e 2025.

Além disso, a empresa aponta que a procura por tocadores de MP3 e MP4 deve continuar acelerando em 2026.

A nostalgia, nesse caso, aparece como uma das principais explicações.

Cheri Sanih, de 30 anos, mantém uma conta no Tumblr dedicada às tecnologias antigas. Segundo ela, o perfil conquistou milhares de seguidores recentemente.

Ao navegar pela biblioteca musical de seu iPod verde-menta, Sanih encontra capas de álbuns lançados há aproximadamente 15 ou 20 anos.

O aparelho também desperta lembranças de sua infância, quando recebeu um iPod como presente de Natal.

Para ela, portanto, o retorno dessas tecnologias representa uma oportunidade de recordar tempos considerados mais simples e encontrar uma forma de escapismo.

Recomendado para você

Curiosidades

Aos 85 anos, Ney Matogrosso transformou parte de sua propriedade de 140 hectares em Saquarema em uma reserva permanente, onde preserva 80 hectares de Mata Atlântica, recebe pesquisas e afirma ter devolvido mais de 10 mil animais silvestres à natureza

Cantor mantém duas áreas protegidas que somam cerca de 80 hectares, oferece o terreno para pesquisas e divide a rotina entre a floresta e o Rio

Fora dos palcos, Ney Matogrosso…

Caio Aviz

120

Menos notificações transformam uma limitação em vantagem

Além da nostalgia, existe uma diferença prática importante entre utilizar um iPod e reproduzir músicas diretamente pelo smartphone.

Celulares concentram aplicativos, mensagens, redes sociais e notificações. Consequentemente, diferentes distrações podem aparecer enquanto uma pessoa simplesmente tenta ouvir música.

Já o iPod possui uma proposta muito mais específica.

Sanih destaca justamente esse ponto. Segundo ela, algumas vezes existe apenas a vontade de ouvir música tranquilamente, sem as notificações constantes do celular.

Além disso, ela aponta o design e a interface do aparelho como características importantes.

Assim, uma limitação tecnológica que anteriormente poderia representar uma desvantagem passa a ser valorizada.

O dispositivo faz menos coisas, porém permite que o usuário permaneça concentrado justamente na atividade escolhida.

Fones com fio desafiam Bluetooth e voltam ao cotidiano

O mesmo movimento também alcançou os fones de ouvido com fio, que continuam aparecendo nas redes sociais e recuperando espaço entre consumidores jovens.

Monique Wellman-Mason, de 23 anos e moradora de Bristol, decidiu abandonar seus fones Bluetooth depois de se cansar de perder os dispositivos sem fio.

Naturalmente, o cabo ainda apresenta um problema conhecido.

Segundo Monique, frequentemente são necessários alguns minutos para desembaraçar os fios depois de retirar os fones da bolsa.

Ainda assim, existem vantagens.

Os fones permanecem conectados ao celular, possuem microfone utilizado em seu trabalho com redes sociais e também despertam a sensação de nostalgia procurada por ela.

Outro diferencial está no preço. Conforme relatado por Monique à BBC, modelos semelhantes podem custar aproximadamente 20 libras.

Embora considere a mudança uma espécie de passo atrás tecnologicamente, ela afirma ter gostado da experiência.

Por que tecnologias antigas estão voltando justamente agora?

O retorno das câmeras digitais, iPods, MP3 e fones com fio pode revelar algo além de uma simples tendência estética.

Andrew Przybylski, professor de tecnologia e comportamento humano da Universidade de Oxford, relaciona o fenômeno ao desejo das pessoas de controlar suas próprias experiências.

Segundo ele, o ambiente digital moderno apresenta uma quantidade enorme de possibilidades. Como consequência, tantas alternativas podem dificultar decisões.

Quando uma nova série aparece, por exemplo, continuar assistindo automaticamente pode se transformar na escolha mais imediata.

Com tecnologias mais simples, entretanto, o comportamento é diferente.

Ao ligar uma câmera digital e configurar o equipamento, existe uma decisão ativa. Da mesma maneira, adicionar determinado álbum ao iPod exige uma escolha.

Nesse processo, o usuário procura aquilo que deseja, em vez de simplesmente receber algo apresentado automaticamente.

Ter músicas e fotografias também muda a relação com a tecnologia

Przybylski também destaca outro aspecto desse comportamento: a sensação de propriedade sobre conteúdos e experiências.

Segundo o professor, as pessoas podem desejar mais do que simplesmente “alugar” aquilo pelo qual são apaixonadas.

Comprar a própria música ou produzir as próprias fotografias, por exemplo, pode fortalecer essa conexão.

O pesquisador cita ainda uma falha registrada nos servidores do Xbox no final de julho. Durante o episódio, usuários ficaram impossibilitados de jogar mesmo possuindo determinados títulos em discos físicos.

A situação é utilizada pelo professor para ilustrar a dependência criada por determinados serviços conectados.

Tecnologia continua avançando, mas aparelhos simples encontram uma segunda vida

O retorno de câmeras digitais, iPods, MP3 e fones com fio não representa necessariamente uma rejeição aos smartphones ou aos avanços tecnológicos.

Entretanto, o movimento mostra como determinados consumidores estão novamente interessados em aparelhos criados para executar funções mais específicas.

Nesse cenário, nostalgia, simplicidade, menos notificações e maior controle sobre a experiência aparecem entre as razões apresentadas pelos próprios usuários.

Assim, equipamentos que pareciam destinados às gavetas encontram uma segunda vida justamente entre consumidores jovens.

Enquanto a tecnologia oferece cada vez mais possibilidades, alguns usuários parecem descobrir uma vantagem curiosa em aparelhos que fazem menos coisas, mas permitem escolher exatamente como utilizá-las.

E você, trocaria por alguns momentos a praticidade do smartphone por câmeras digitais, iPods, MP3 ou fones com fio para ter uma experiência mais simples e nostálgica?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

Sair da versão mobile