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Eles combateram incêndios florestais enquanto cumpriam pena na Califórnia, mas ao deixar a prisão receberam acesso a certificações avançadas, 18 meses de treinamento, atuaram 12 meses numa brigada e então conseguiram disputar novas possibilidades de emprego
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 04/08/2026 às 17:30
Atualizado em 04/08/2026 às 17:31
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Programa da Califórnia prepara ex-detentos que combateram incêndios florestais durante a pena. A formação oferece 18 meses de treinamento, certificações avançadas e atuação numa brigada Tipo 1 antes da disputa por vagas profissionais.
Uma brigada avança por uma floresta em chamas na Califórnia enquanto seus integrantes retiram vegetação e tentam impedir que o fogo alcance novas áreas. Parte dessas pessoas aprendeu o trabalho enquanto cumpria pena e depois recebeu acesso a 18 meses de treinamento profissional.
As informações foram publicadas por California Department of Corrections and Rehabilitation, órgão estadual responsável pelo sistema prisional da Califórnia. O programa oferece formação básica, certificações avançadas e 12 meses de atuação numa equipe Tipo 1.
Quem completa todas as etapas fica qualificado para concorrer a vagas iniciais em órgãos locais, estaduais e federais.
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Centro começou a treinar participantes em outubro de 2018
O Centro de Treinamento de Ventura começou a receber participantes em outubro de 2018, no Condado de Ventura. A iniciativa reúne o CAL FIRE, responsável pelo combate a incêndios florestais na Califórnia, o sistema prisional estadual, o Corpo de Conservação da Califórnia e a Coalizão contra a Reincidência.
O centro aceita pessoas que integraram brigadas treinadas nos acampamentos de conservação ou em unidades de combate ao fogo mantidas dentro das instituições prisionais. Integrantes do Corpo de Conservação da Califórnia também podem participar.
A proposta aproveita a experiência adquirida nas operações e acrescenta a formação exigida no mercado profissional. Ao terminar o programa, os cadetes podem disputar empregos de nível inicial no combate a incêndios florestais.
Os primeiros 3 meses unem formação básica e preparação para a liberdade
A fase inicial dura 3 meses e inclui orientação, planejamento do retorno à sociedade, preparação para o trabalho, atividades educacionais e cursos básicos de combate a incêndios e conservação florestal.
Os participantes também recebem ajuda para elaborar currículos, procurar emprego, administrar dinheiro e utilizar ferramentas tecnológicas. Agentes de liberdade condicional trabalham diariamente no centro, enquanto orientadores ficam disponíveis durante 24 horas.
O objetivo é preparar o cadete para situações que vão além do trabalho numa brigada. Procurar uma vaga, participar de uma entrevista e organizar a vida financeira fazem parte do processo de reintegração.
Outros 3 meses oferecem certificações antes inacessíveis
A fase seguinte também dura 3 meses, mas concentra cursos avançados e certificações profissionais. Essas qualificações não estavam disponíveis para os trabalhadores enquanto eles integravam as brigadas dos acampamentos prisionais.
California Department of Corrections and Rehabilitation, órgão estadual responsável pelo sistema prisional da Califórnia, detalhou essa diferença na formação. A etapa mantém o apoio educacional e acrescenta treinamento mais completo para o combate profissional ao fogo.
A situação revela uma contradição. As pessoas eram consideradas aptas para enfrentar incêndios reais durante o cumprimento da pena, mas não conseguiam obter todas as certificações necessárias para ampliar as possibilidades de emprego após a liberdade.
Assim, o centro tenta preencher a distância entre a experiência adquirida dentro do sistema prisional e as exigências encontradas por quem deseja trabalhar profissionalmente na mesma área.
Etapa final coloca os participantes por 12 meses numa equipe Tipo 1
Depois dos primeiros 6 meses de preparação, cada participante recebe uma designação para trabalhar durante 12 meses numa equipe Tipo 1. Essa brigada responde a incêndios e outros tipos de emergência.
Nos períodos sem chamados, os cadetes realizam treinamento em serviço, projetos comunitários e redução de combustível vegetal. Esse trabalho envolve controlar materiais que poderiam alimentar as chamas, como a vegetação acumulada no terreno.
Em 2020, duas equipes ligadas ao centro passaram 60 dias consecutivos respondendo a quatro grandes incêndios na Califórnia. A operação mostrou que a última etapa envolve trabalho de campo e longos períodos de atuação.
As oportunidades profissionais incluem equipes mantidas por órgãos públicos, governos de condados e prestadores contratados. Após os 18 meses, o participante pode apresentar sua candidatura, mas ainda precisa disputar a vaga.
Seleção exige liberação médica, bom histórico e indicação das chefias
A experiência anterior numa brigada não garante entrada no Centro de Treinamento de Ventura. Cada voluntário passa por uma avaliação individual e precisa receber liberação médica antes de ser aceito.
O candidato também deve ter recebido a classificação de custódia mínima durante o período de prisão. O processo analisa o comportamento, as condições de saúde física e mental e o tempo restante da pena.
Também é necessária a indicação de uma chefia do CAL FIRE, acompanhada da concordância do comandante do acampamento, ou a recomendação do responsável pela brigada da instituição prisional.
Violações graves das regras durante a permanência no acampamento, na liberdade condicional ou no período de acompanhamento podem impedir a participação. Pessoas que ainda estão presas e se aproximam da liberdade precisam manter comportamento não violento e cumprir as normas da instituição.
A AB 2147 abriu um caminho mais rápido para limpar o registro criminal
Em setembro de 2020, Gavin Newsom, governador da Califórnia, sancionou a AB 2147. A lei criou um caminho acelerado para que participantes elegíveis solicitem a limpeza do registro criminal após deixarem a prisão.
O procedimento não é automático. A pessoa precisa ter trabalhado numa brigada durante o cumprimento da pena, comprovar participação satisfatória e apresentar o pedido. Apenas depois da aprovação ela poderá buscar carreiras que exigem uma licença estadual.
Nas prisões estaduais, a participação é verificada pela administração prisional da Califórnia. Quando o trabalho ocorreu numa cadeia administrada por um condado, a análise cabe à autoridade local.
Nem todas as vagas dependem dessa limpeza ou de uma licença estadual. O CAL FIRE e as equipes federais citadas pelo programa não exigem certificação como técnico em emergências médicas para determinadas funções de bombeiro. Mesmo assim, a retirada do registro pode ampliar os caminhos profissionais disponíveis.
O Centro de Treinamento de Ventura transforma experiência prática em formação reconhecida. Durante 18 meses, os participantes recebem preparação básica, certificações avançadas e atuação numa brigada antes de poderem concorrer a novas possibilidades de emprego.
O programa não elimina todas as barreiras após a prisão, mas oferece um caminho para que conhecimentos adquiridos em situações de risco possam ser utilizados profissionalmente fora do sistema prisional.
Se o sistema confiou nessas pessoas diante do fogo, faz sentido dificultar o acesso ao mesmo trabalho após a liberdade? Comente e compartilhe.
Fonte
CDCR
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

