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Eles governaram uma das maiores potências do mundo antigo, perderam o trono e desapareceram por quase 3 mil anos: tabuletas e uma inscrição escondida revelam três reis que ficaram fora da famosa Lista de Reis Assírios

Eles governaram uma das maiores potências do mundo antigo, perderam o trono e desapareceram por quase 3 mil anos: tabuletas e uma inscrição escondida revelam três reis que ficaram fora da famosa Lista de Reis Assírios

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Eles governaram uma das maiores potências do mundo antigo, perderam o trono e desapareceram por quase 3 mil anos: tabuletas e uma inscrição escondida revelam três reis que ficaram fora da famosa Lista de Reis Assírios

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 14/08/2026 às 13:21

Atualizado em 14/08/2026 às 13:22

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Tabuletas com inscrições cuneiformes ilustram os registros analisados por pesquisadores que identificaram evidências de Tiglath-pileser, Shalmaneser e Aššur-uballiṭ, três governantes ausentes da tradicional Lista de Reis Assírios.

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Tiglath-pileser, Shalmaneser e Aššur-uballiṭ aparecem em antigos registros analisados por pesquisadores de Yale e Münster, indicando que a tradicional Lista de Reis Assírios não reuniu todos aqueles que chegaram ao poder.

Três reis assírios que não aparecem na tradicional Lista de Reis Assírios foram identificados a partir da análise de tabuletas e inscrições antigas. Os governantes são Tiglath-pileser, Shalmaneser e Aššur-uballiṭ.

A descoberta foi apresentada por pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos, e da Universidade de Münster, na Alemanha. O trabalho foi publicado no Journal of Cuneiform Studies.

As evidências indicam que os três tiveram reinados relativamente breves. Portanto, a descoberta sugere que a sucessão política da antiga Assíria foi menos linear do que a famosa lista fazia parecer.

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Veja também

Lista de Reis Assírios não teria registrado todos os governantes

A Lista de Reis Assírios é uma das principais fontes históricas utilizadas para reconstruir a sequência dos governantes dessa antiga civilização.

Preservado em três tabuletas de argila, o documento apresenta uma sucessão cronológica de monarcas. Entretanto, segundo a nova pesquisa, essa relação não necessariamente registrou todos aqueles que exerceram o poder.

Nesse contexto, os pesquisadores encontraram evidências relacionadas a três governantes ausentes da cronologia tradicional.

Aššur-uballiṭ teria governado entre aproximadamente 913 a.C. e 912 a.C. Tiglath-pileser, por sua vez, teria exercido o poder entre 763 a.C. e 762 a.C.

Já Shalmaneser provavelmente assumiu o trono no final de 747 a.C., antes de perder o poder.

Tabuletas de argila com inscrições cuneiformes representam os antigos registros da Assíria, cuja reanálise revelou evidências de três reis ausentes da tradicional Lista de Reis Assírios.

Tabuleta de argila revelou pistas sobre Tiglath-pileser

Uma das principais evidências encontradas pelos pesquisadores envolve Tiglath-pileser, que teria governado ao lado de Aššur-dān III, seu sobrinho.

As informações estavam registradas em uma tabuleta de argila preservada no acervo do Museu Britânico.

Após a análise das inscrições, os pesquisadores identificaram uma concessão feita pelo rei. Assim, Tiglath-pileser provavelmente teria governado entre 763 a.C. e 762 a.C.

Posteriormente, entretanto, o governante teria sido deposto após participar de uma rebelião contra o próprio sobrinho.

O nome Tiglath-pileser também aparece associado a outro governante anterior presente na Lista de Reis Assírios. Por isso, os pesquisadores acreditam que o nome possa ter sido adotado em homenagem ao antecessor.

Tabuleta de argila ajudou pesquisadores a identificar evidências de Tiglath-pileser, um dos três governantes ausentes da Lista de Reis Assírios. Fonte: Museu Britânico.

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Caio Aviz

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Nome de Shalmaneser estava escondido em uma estela

O segundo governante identificado pela pesquisa é Shalmaneser, que provavelmente sucedeu Aššur-nārārī V no final de 747 a.C.

Nesse caso, a principal evidência estava em uma estela encontrada no Iraque há mais de um século.

O monumento já era conhecido. Entretanto, um detalhe importante havia passado despercebido: o nome de Shalmaneser estava coberto pelo de Tiglath-pileser.

Por isso, a inscrição não havia sido reconhecida anteriormente como evidência da existência desse governante.

A partir da nova análise, os pesquisadores concluíram que Shalmaneser provavelmente chegou ao poder após Aššur-nārārī V.

Seu reinado, contudo, teria sido bastante curto. Posteriormente, ele perdeu o trono para Tiglath-pileser.

Estela encontrada no Iraque apresentava o nome de Shalmaneser coberto pelo de Tiglath-pileser, segundo a análise dos pesquisadores. Fonte: Journal of Cuneiform Studies.

Aššur-uballiṭ teria governado antes de Adad-nārārī II

O terceiro caso identificado pelos pesquisadores envolve Aššur-uballiṭ, cujo possível reinado aconteceu muito antes dos outros dois.

Seu nome aparece em uma tabuleta que registra a restauração de um vaso por um monarca chamado Aššur-uballiṭ.

A partir desse registro, os pesquisadores concluíram que o governante provavelmente esteve no poder entre 913 a.C. e 912 a.C.

Entretanto, seu reinado também teria sido breve.

Posteriormente, Aššur-uballiṭ teria perdido o poder para Adad-nārārī II.

Apesar disso, seu nome não aparece nessa posição cronológica da tradicional Lista de Reis Assírios.

Registro relacionado à restauração de um vaso trouxe evidências sobre Aššur-uballiṭ, que teria governado entre 913 a.C. e 912 a.C. Fonte: Journal of Cuneiform Studies.

Por que esses três reis ficaram fora da Lista de Reis Assírios?

A descoberta ajuda a explicar como a Lista de Reis Assírios pode ter sido organizada.

Segundo os pesquisadores, o documento não deve necessariamente ser interpretado como um registro completo de todas as pessoas que ocuparam o trono.

Em vez disso, a lista provavelmente apresentava uma versão organizada e idealizada da sucessão dos governantes assírios.

Assim, reis derrotados, governantes envolvidos em disputas pelo trono ou responsáveis por reinados muito curtos poderiam ter sido excluídos.

Consequentemente, a aparente estabilidade apresentada pela Lista de Reis Assírios pode esconder períodos marcados por rebeliões, deposições e disputas pelo poder.

Descoberta muda interpretação de documento histórico

Embora revele possíveis lacunas, a descoberta não elimina a importância histórica da Lista de Reis Assírios.

Pelo contrário, as novas evidências modificam a maneira como o documento pode ser interpretado pelos pesquisadores.

Agora, a existência de Tiglath-pileser, Shalmaneser e Aššur-uballiṭ indica que nem todos os governantes necessariamente foram incorporados à sequência tradicional.

Dessa forma, tabuletas de argila, inscrições e uma estela ajudam a reconstruir uma realidade política assíria mais complexa do que aquela apresentada pela lista.

Quase três milênios depois, esses registros ajudam a revelar como reinados breves e disputas pelo trono poderiam desaparecer da narrativa oficial.

E você, imaginava que três reis poderiam ter governado uma das maiores potências da Antiguidade e, ainda assim, permanecer fora dos registros oficiais por quase 3 mil anos?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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