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Em 1973, a NASA colocou uma música para acordar os astronautas da Skylab 3, mas o grito inicial foi tão inesperado que também assustou integrantes do Controle da Missão
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 15/08/2026 às 10:34
Ciência e Tecnologia
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Música é usada para acordar astronautas desde 1965, mas uma escolha para a Skylab em 1973 assustou até a equipe em terra.
Uma música escolhida para despertar astronautas conseguiu produzir um efeito inesperado em 15 de setembro de 1973: além de acordar a tripulação da Skylab 3 em órbita, também assustou integrantes do próprio Controle da Missão na Terra. A responsável foi “Paralyzed”, gravação do texano Legendary Stardust Cowboy que começa com um grito e segue por uma combinação musical deliberadamente caótica.
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A faixa foi transmitida pela manhã para Owen Garriott e os demais integrantes da missão como parte de uma tradição que já acompanhava os voos espaciais norte-americanos havia alguns anos. O resultado, porém, entrou para a história justamente por fugir da ideia de um despertar agradável: Garriott teria associado o som à ordem unida dos fuzileiros navais dos Estados Unidos.
Música começou a acordar astronautas ainda na era Gemini
O costume nasceu em dezembro de 1965, durante a Gemini 6, e inicialmente tinha muito mais relação com humor e companheirismo do que com qualquer preocupação científica. Jack Jones, vencedor do Grammy, gravou especialmente para Wally Schirra e Tom Stafford uma versão modificada de “Hello, Dolly”, adaptando a letra para brincar com os dois astronautas.
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Outras tripulações da Gemini também receberam seleções musicais, mas a prática só ganhou regularidade diária com a Apollo 10. A música passou então a funcionar como uma ponte informal entre quem estava no espaço e as equipes que acompanhavam cada missão a milhares de quilômetros de distância.
Repertório passou de Sinatra aos Muppets
A tradição nunca ficou limitada a um único gênero. Em vez disso, controladores e equipes passaram a escolher faixas e gravações relacionadas aos astronautas, à missão ou simplesmente ao humor que pretendiam criar no início de cada jornada.
Ao longo dos programas espaciais, esse repertório ganhou momentos muito diferentes:
- nas missões Apollo, nomes como Frank Sinatra e Tony Bennett dividiram espaço com música clássica e hinos universitários;
- o grupo Tijuana Brass também entrou nas seleções utilizadas durante os voos;
- os Muppets chegaram ao espaço por meio do esquete “Pigs in Space”;
- Robin Williams gravou um “Good Morning Discovery!” especialmente para uma tripulação;
- na Artemis 2, em 2026, a seleção musical também foi disponibilizada ao público pelo Spotify.
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A variedade mostra que a função da música acabou ultrapassando a simples tarefa de acordar alguém. Cada escolha podia servir como piada interna, mensagem enviada pela família, referência cultural ou forma de criar identidade entre tripulação e controle.
Ciência encontrou uma possível vantagem no despertador melódico
Décadas depois do início dessa tradição, pesquisas passaram a oferecer uma explicação para a utilidade de determinados sons ao despertar. Um estudo publicado na revista científica PLOS One associou sons mais melódicos a menores relatos de inércia do sono.
Esse estado corresponde à sensação de lentidão, desorientação e dificuldade de reação experimentada por algumas pessoas logo depois de acordar. Em ambientes nos quais decisões precisam ser tomadas rapidamente, reduzir esse período pode ter importância prática, embora a tradição espacial tenha surgido muito antes dessas evidências.
O caso de “Paralyzed”, por outro lado, provavelmente ficou marcado mais pelo choque do que pela melodia. A gravação de 1968 utiliza uma interpretação vocal incomum sobre uma instrumentação propositalmente desordenada, característica que ajudou a criar sua reputação peculiar.
Cantor que assustou astronautas influenciou David Bowie
Por trás do nome Legendary Stardust Cowboy está Norman Carl Odam, músico nascido em Lubbock, no Texas. “Paralyzed” foi registrada em Fort Worth em 1968, lançada pela Mercury Records e conseguiu chegar às paradas da Billboard antes de ganhar uma segunda vida como despertador espacial.
A influência de Odam alcançou ainda outro personagem importante da história da música. David Bowie foi colega do texano na Mercury no fim dos anos 1960 e posteriormente aproveitou a palavra “Stardust” para batizar Ziggy Stardust, alter ego apresentado em 1972.
Décadas depois, Bowie voltou à obra do músico. Em 2002, incluiu no álbum Heathen uma versão de “I Took a Trip on a Gemini Spaceship”, outro trabalho de Odam cuja própria referência ao programa Gemini acabou criando uma curiosa conexão com a exploração espacial.
Despertador espacial virou parte da cultura das missões
O episódio da Skylab mostra como uma tradição criada para melhorar o clima entre astronautas e equipes em terra acabou produzindo momentos memoráveis por razões completamente diferentes das científicas. Uma gravação excêntrica, escolhida para tirar três homens da cama em órbita, conseguiu acordar também quem trabalhava no controle da missão.
Desde a Gemini até missões mais recentes, a música passou a acompanhar o início de diferentes dias no espaço. O repertório mudou, as naves mudaram e a própria ciência descobriu que certos sons podem ajudar no despertar, mas a ideia original permaneceu simples: começar mais um dia de trabalho longe da Terra com alguma ligação humana chegando pelos alto-falantes.
Com informações do Autopapo
Fonte
AutoPapo
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

