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Em 1990, 61.280 pares de tênis caíram de um navio cargueiro no Pacífico e viajaram milhares de quilômetros, ajudando cientistas a entender como as correntes oceânicas transportam objetos pelo mar
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 12/08/2026 às 20:48
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Descubra como um acidente em 1990 espalhou 61.280 pares de tênis no Pacífico, transformando calçados perdidos em marcadores das correntes oceânicas.
A utilidade imprevista de resíduos no mar foi demonstrada de forma surpreendente quando milhares de calçados espalhados por uma tempestade serviram para monitorar as águas. Em maio de 1990, o navio cargueiro Hansa Carrier enfrentou condições severas no Pacífico Norte, resultando na perda de 21 contêineres, dos quais quatro se romperam e liberaram 61.280 pares de tênis da marca Nike que começaram a flutuar.
O conhecimento do ponto aproximado da queda permitiu que esses itens atuassem como marcadores involuntários da movimentação oceânica superficial.
A metodologia científica de Curtis Ebbesmeyer com os calçados
A oportunidade de transformar um incidente comercial em uma ferramenta de pesquisa chamou a atenção do oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer.
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O especialista reuniu relatos sobre os locais exatos onde cada tênis aparecia na costa e confrontou esses dados com as previsões teóricas referentes à circulação das águas.
- Validação de modelos: Esse tipo de comparação direta serviu para avaliar se os modelos computacionais reproduziam com fidelidade o caminho real percorrido pelos objetos.
- Marcadores de deriva: Os calçados funcionaram como indicadores práticos, facilitando a identificação de padrões difíceis de acompanhar diretamente no ambiente marinho.
- Utilidade oceanográfica: O episódio destacou características valiosas de itens flutuantes para a pesquisa, como a origem em um ponto conhecido e a facilidade de localização posterior.
A dispersão geográfica e a rota dos tênis pelo Pacífico
Depois de cair no oceano, os tênis foram carregados por ondas, ventos e correntes marítimas, percorrendo milhares de quilômetros ao longo de meses e até anos.
Como parte dos calçados permanecia acima da água, o vento também teve papel importante no deslocamento. Os primeiros exemplares apareceram meses depois nas praias de Washington, Oregon e Colúmbia Britânica.
Com o passar do tempo, outros foram encontrados no Alasca, no Havaí e até no Japão, ampliando o mapa de sua dispersão. A distribuição dos objetos em locais tão distantes revelou a força das correntes do Pacífico Norte e ajudou a compreender como materiais flutuantes podem atravessar grandes áreas do oceano.
Legado ambiental e relevância contínua para a oceanografia
Mais de três décadas após o ocorrido, o caso continua relevante por evidenciar que dados valiosos podem surgir a partir de acidentes logísticos quando há acompanhamento da origem e do destino. O conhecimento adquirido com a dispersão desses tênis gerou aplicações práticas que vão muito além da carga perdida.
Atualmente, modelos de deriva fundamentados nesse evento auxiliam cientistas a estimar o deslocamento de plásticos, redes de pesca abandonadas e manchas de petróleo. Com isso, o episódio prova que o oceano também pode ser estudado através do monitoramento daquilo que ele transporta ao longo de sua extensão.
Fonte
Revista Oeste
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

