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Em 2000, irmãos gêmeos de Hamburgo deixaram a vida noturna, apostaram em uma ferrovia em miniatura de 1.490 metros quadrados, reuniram 260 mil personagens, 1.040 trens e 385 mil luzes e criaram a maior do mundo

Em 2000, irmãos gêmeos de Hamburgo deixaram a vida noturna, apostaram em uma ferrovia em miniatura de 1.490 metros quadrados, reuniram 260 mil personagens, 1.040 trens e 385 mil luzes e criaram a maior do mundo

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Em 2000, irmãos gêmeos de Hamburgo deixaram a vida noturna, apostaram em uma ferrovia em miniatura de 1.490 metros quadrados, reuniram 260 mil personagens, 1.040 trens e 385 mil luzes e criaram a maior do mundo

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 24/08/2026 às 01:29

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Imagem ilustrativa mostra Frederik e Gerrit Braun observando o universo ferroviário criado no Miniatur Wunderland, em Hamburgo.

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Construída com quilômetros de trilhos, sistemas eletrônicos, veículos, aviões e milhares de luzes, a ferrovia em miniatura reproduziu cidades e paisagens de vários países, ganhou movimentos automatizados e conquistou o recorde mundial do Guinness

Trens atravessam montanhas, passam por cidades movimentadas e desaparecem dentro de túneis. Nas estradas, milhares de automóveis circulam entre casas, aeroportos, estações e áreas portuárias. Quando a iluminação diminui, 385 mil luzes transformam toda a paisagem.

À primeira vista, o cenário parece reunir diferentes partes do mundo observadas de cima.

A construção, porém, é o Miniatur Wunderland, uma gigantesca atração criada dentro de um antigo complexo de armazéns de Hamburgo, na Alemanha.

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O espaço possui aproximadamente 1.490 metros quadrados de maquetes e reúne cerca de 260 mil personagens, 1.040 trens e 9.250 automóveis.

Tudo começou em 2000, quando os irmãos gêmeos Frederik e Gerrit Braun decidiram deixar os negócios ligados à vida noturna para apostar em uma ideia que parecia difícil de financiar e ainda mais complicada de construir.

Os irmãos gêmeos Frederik e Gerrit Braun transformaram uma ideia surgida em 2000 no Miniatur Wunderland, a maior ferrovia em miniatura do mundo.

Uma loja de modelismo mudou os planos dos irmãos

Frederik Braun estava em Zurique, na Suíça, quando encontrou uma loja de modelismo durante uma caminhada pelas ruas da cidade.

Os pequenos trens despertaram lembranças da infância. Em poucas horas, a visita produziu uma ideia ambiciosa: construir a maior ferrovia em miniatura do mundo.

Frederik telefonou para Gerrit no mesmo dia e apresentou o plano.

O irmão recebeu a proposta com desconfiança. Gerrit possuía conhecimentos técnicos e rapidamente percebeu que o projeto exigiria sistemas eletrônicos complexos, um investimento elevado e milhares de horas de trabalho.

Frederik continuou telefonando e acrescentando novas ideias. Depois de várias conversas, Gerrit concluiu que o empreendimento seria arriscado, tecnologicamente desafiador e aparentemente insensato, mas possível.

Naquele período, os irmãos e o empresário Stephan Hertz administravam uma casa noturna e uma gravadora em Hamburgo. Os três já desejavam abandonar a rotina ligada à noite.

A ferrovia surgiu como uma oportunidade de começar algo completamente diferente.

A história oficial do Miniatur Wunderland registra que apenas cinco meses separaram o surgimento da ideia do início da construção.

Frederik e Gerrit Braun aparecem diante de uma das paisagens ferroviárias construídas com pontes, túneis e diferentes linhas de trens.

Pesquisa revelou que parte do público não visitaria a atração

Antes de investir, os três empresários precisavam descobrir se uma ferrovia em miniatura conseguiria atrair visitantes suficientes.

Mais de 3 mil pessoas participaram de uma pesquisa online sobre possíveis atrações turísticas de Hamburgo. Os entrevistados precisavam escolher quais lugares gostariam de conhecer durante uma viagem à cidade.

Entre os homens, o Miniatur Wunderland apareceu na terceira posição. Entre as mulheres, entretanto, a proposta ficou em último lugar.

O resultado não eliminou as dúvidas sobre a viabilidade comercial do projeto.

Mesmo assim, Frederik, Gerrit e Stephan decidiram continuar.

A intenção não era criar apenas uma exposição de trens. Eles queriam construir um mundo capaz de despertar a curiosidade de crianças e adultos, independentemente do interesse prévio por ferrovias.

Essa decisão levou a equipe a incluir cidades, pessoas, estradas, embarcações, aeroportos e centenas de pequenas histórias nos cenários.

Plano de duas páginas chegou ao banco

O tamanho da ferrovia exigia um financiamento elevado.

Frederik marcou uma reunião com o banco Hamburger Sparkasse, conhecido como Haspa. Ele apresentou apenas duas páginas com a descrição do projeto e solicitou um empréstimo de 2 milhões de marcos alemães.

Os três empresários acreditavam que o representante do banco poderia rir da proposta. Afinal, eles pediam uma quantia milionária para construir uma enorme maquete ferroviária dentro de um armazém.

O banco, porém, analisou o projeto e aprovou rapidamente o financiamento inicial.

A equipe também precisava encontrar um imóvel amplo, acessível e com possibilidade de expansão. Cada andar deveria oferecer pelo menos 2 mil metros quadrados.

O Conselho de Economia de Hamburgo aproximou o grupo da empresa responsável pelos armazéns da região portuária. Assim, o Miniatur Wunderland encontrou espaço na histórica Speicherstadt, conhecida pelos grandes edifícios de tijolos próximos ao porto.

Primeira equipe tinha apenas um modelista profissional

Os criadores procuraram o modelista e projetista alemão Gerhard Dauscher para liderar a construção.

Gerhard abandonou outros trabalhos e passou a organizar a criação dos primeiros cenários. A equipe, no entanto, ainda precisava de profissionais capazes de construir casas, montanhas, trilhos e sistemas de movimento.

Mais de 150 pessoas participaram de uma seleção. Quarenta avançaram para uma etapa prática, mas apenas uma delas trabalhava profissionalmente com modelismo.

Os escolhidos possuíam diferentes habilidades manuais e técnicas. Essa diversidade permitiu que o projeto reunisse marcenaria, eletrônica, pintura, escultura, programação e construção de miniaturas.

Quando o espaço abriu, aproximadamente 300 dos 544 metros quadrados planejados para a primeira fase estavam concluídos.

A equipe já havia dedicado mais de 30 mil horas à construção.

O Miniatur Wunderland recebeu os primeiros visitantes em 16 de agosto de 2001, com três áreas temáticas: Alemanha Central, Knuffingen e Áustria.

Aeroporto e cidades transformaram a ferrovia em um mundo vivo

As ampliações levaram novas paisagens para dentro do antigo armazém.

A maquete passou a representar áreas da Alemanha, Estados Unidos, Escandinávia, Suíça e Itália. Outros cenários reproduziram Veneza, Mônaco, Provença, Rio de Janeiro, Patagônia e diferentes regiões imaginárias.

Os trens continuam como parte central da atração, mas dividem o espaço com milhares de outros movimentos.

Automóveis percorrem estradas, embarcações aparecem em áreas portuárias e equipes de emergência atendem acidentes. Nas cidades, pessoas trabalham, participam de festas e circulam por estações.

Um dos projetos mais complexos foi o aeroporto de Knuffingen.

Os aviões se movimentam pelo terminal, recebem atendimento dos veículos de solo e percorrem as pistas. Em seguida, realizam pousos e decolagens simuladas diante do público.

O sistema de iluminação também alterna períodos de dia e noite. Quando o ambiente escurece, prédios, ruas, veículos e casas acendem suas luzes.

A mudança revela detalhes que podem passar despercebidos durante a claridade.

O sistema de iluminação transforma as paisagens do Miniatur Wunderland e revela trens circulando por montanhas nevadas durante a simulação noturna.

Pequenos personagens começaram a contar histórias

O tamanho da estrutura chama atenção, mas parte da experiência está escondida entre os 260 mil personagens.

Os visitantes encontram casamentos, obras, shows, acidentes, incêndios, protestos, operações policiais e situações bem-humoradas espalhadas pelos cenários.

Algumas histórias aparecem imediatamente. Outras exigem que o observador se aproxime ou procure por um ângulo diferente.

Essa escolha transformou a maquete em uma construção narrativa.

Os personagens não ocupam os espaços apenas para preencher ruas e edifícios. Eles simulam atividades, acontecimentos e relações semelhantes às encontradas em cidades reais.

A proposta também permite que o público visite o local mais de uma vez e encontre novos detalhes.

Cada ampliação acrescenta paisagens, movimentos e histórias ao conjunto. Por isso, os criadores nunca consideraram a obra completamente finalizada.

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Ferrovia alcançou recorde mundial

Em 2019, uma nova ampliação levou o sistema a 15.715 metros de trilhos.

A marca recebeu o reconhecimento do Guinness World Records em 14 de agosto daquele ano e confirmou o Miniatur Wunderland como a maior ferrovia em miniatura do mundo.

Dados apresentados em 2026 indicavam que a construção acumulava aproximadamente 760 mil horas de trabalho e um custo estimado em 45 milhões de euros.

A estrutura também reunia cerca de 1.040 trens, 9.250 automóveis e 385 mil luzes de LED distribuídas pelos diferentes cenários.

Os números continuam mudando porque novas áreas permanecem em desenvolvimento.

O projeto que começou após uma visita inesperada a uma loja de modelismo transformou a trajetória de Frederik e Gerrit Braun. Os irmãos deixaram a vida noturna, assumiram um risco financeiro e ocuparam um antigo armazém com uma ideia que parecia difícil de sustentar.

Mais de duas décadas depois, o Miniatur Wunderland se tornou uma das principais atrações turísticas de Hamburgo e um mundo em movimento criado para nunca ficar completamente pronto.

Você teria acreditado que um plano de duas páginas para construir uma ferrovia em miniatura poderia se transformar em uma atração com milhares de veículos, personagens e luzes? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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