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Em Belo Horizonte, Casa no Pomar do Cafezal tem 66,56 metros quadrados, usa tijolo de 8 furos deitado, forma paredes mais espessas e vence 1.600 projetos ao valorizar a arquitetura da favela

Em Belo Horizonte, Casa no Pomar do Cafezal tem 66,56 metros quadrados, usa tijolo de 8 furos deitado, forma paredes mais espessas e vence 1.600 projetos ao valorizar a arquitetura da favela

MG

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Em Belo Horizonte, Casa no Pomar do Cafezal tem 66,56 metros quadrados, usa tijolo de 8 furos deitado, forma paredes mais espessas e vence 1.600 projetos ao valorizar a arquitetura da favela

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 28/08/2026 às 18:30

Atualizado em 28/08/2026 às 18:31

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Casa no Pomar do Cafezal ocupa um lote irregular de cerca de 70 metros quadrados

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A Casa no Pomar do Cafezal ocupa um lote irregular de cerca de 70 metros quadrados, aproveita blocos cerâmicos comuns para melhorar o conforto e transforma soluções da periferia em arquitetura premiada

Uma casa que Kdu dos Anjos chama carinhosamente de “meu barraco” venceu projetos de diferentes países sem esconder os blocos cerâmicos nem depender de revestimentos luxuosos. A Casa no Pomar do Cafezal tem 66,56 metros quadrados e fica no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte.

Os dados técnicos da obra foram publicados por Fernando Maculan, arquiteto responsável e autor da página do projeto. A residência foi concluída em 2020 e recebeu uma solução incomum: o conhecido tijolo de 8 furos foi assentado na horizontal.

O projeto do Coletivo LEVANTE não tentou apagar a aparência das construções vizinhas. Ele partiu dos materiais e dos conhecimentos presentes na comunidade para resolver calor, ventilação, luz natural, chuva e falta de espaço em um terreno difícil.

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O lote de 70 metros quadrados ganhou dois módulos bem encaixados

O terreno tem aproximadamente 70 metros quadrados e formato anguloso. Nesse espaço, o projeto encaixou dois módulos estruturais de 3 por 3 metros, distribuídos em dois níveis, além de uma pequena extensão encostada na divisa.

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Os 66,56 metros quadrados de área bruta construída estão distribuídos pelos níveis da casa. Essa organização vertical permitiu aproveitar o lote sem obrigar todos os ambientes a disputar a mesma faixa de terreno.

A inclinação também exigiu cuidado com o solo. O projeto procurou reduzir intervenções no terreno e observou o caminho da água da chuva e sua absorção. O fluxo da água entrou nas decisões da implantação sem ser atribuído a uma única peça da construção.

A posição dos espaços ainda favoreceu ventilação e iluminação naturais, além da vista do Aglomerado da Serra. Assim, o aproveitamento do terreno não ficou restrito a colocar mais área dentro do lote, mas incluiu a qualidade dos ambientes.

Por que deitar o tijolo de 8 furos mudou a parede da casa

Nas autoconstruções brasileiras, o bloco cerâmico costuma ficar em pé. Essa posição acelera o serviço e faz o material render mais, pois a parede fica mais fina e exige menos peças para cobrir uma área.

Na Casa no Pomar do Cafezal, o bloco foi deitado e passou a mostrar sua face frisada. Com isso, a largura da parede corresponde à maior dimensão do tijolo. O resultado é uma parede mais espessa, embora a execução consuma mais material e trabalho.

Fernando Maculan, arquiteto responsável e autor da página do projeto, detalhou os pontos centrais dessa escolha. A parede com maior massa demora mais para aquecer e reduz a velocidade das mudanças de temperatura no interior, efeito chamado de inércia térmica.

Alguns blocos viraram cobogós para deixar o ar atravessar

O mesmo tijolo de 8 furos recebeu funções diferentes ao longo da residência. Em alguns pontos, os blocos formam cobogós, paredes vazadas que permitem a passagem de ar e luz sem deixar o ambiente totalmente aberto.

Essa disposição contribui para a ventilação natural e reduz a dependência de paredes completamente fechadas. Em outros trechos, os tijolos aparecem combinados com blocos de concreto quando a necessidade estrutural exige uma solução diferente.

Tijolo de 8 furos mudou a parede da casa.

O projeto também empregou peças roliças de eucalipto e vegetação no controle da temperatura. Cada elemento trabalha junto com as aberturas, a espessura das paredes e a implantação da casa.

Por isso, o efeito não vem de um único truque. O conforto resulta da soma entre parede mais grossa, circulação de ar, entrada de luz, elementos leves e atenção ao terreno.

Arquitetura sem esconder a alvenaria valorizou o saber da comunidade

À distância, a residência se mistura às construções de tijolo aparente do Aglomerado da Serra. A diferença está na maneira como o material comum foi organizado, e não na tentativa de cobrir os blocos para criar uma aparência distante da vizinhança.

O Coletivo LEVANTE reuniu arquitetos, estudantes e engenheiros para elaborar o projeto e aproximar fornecedores e apoiadores da arquitetura na periferia. Joana Magalhães aparece entre os responsáveis, enquanto Cássio Lopes e Ricardo Lobato participaram como colaboradores.

A obra preservou o repertório construtivo ligado aos mutirões, tanto na estrutura quanto nos fechamentos de tijolos aparentes. Essa escolha reconheceu técnicas conhecidas no morro e acrescentou decisões voltadas para temperatura, iluminação, ventilação e chuva.

A casa não transforma toda autoconstrução em uma receita única. O assentamento horizontal, por exemplo, gasta mais blocos e leva mais tempo. Seu valor está em mostrar que uma técnica familiar pode receber planejamento e cumprir novas funções.

O prêmio internacional reconheceu a casa em uma categoria votada pelos leitores

Em 2023, a Casa no Pomar do Cafezal venceu a categoria Casas do prêmio Building of the Year, promovido pelo portal ArchDaily. O projeto ficou à frente de 1.600 concorrentes em uma escolha feita por votação dos leitores.

O reconhecimento alcançou o conjunto da obra: implantação no lote irregular, uso de materiais comuns da periferia, cuidado com luz e ventilação e qualidade dos espaços. Não foi um prêmio concedido somente ao tijolo deitado nem uma disputa exclusiva sobre conforto térmico.

Chamar a construção apenas de melhor casa do mundo elimina informações importantes sobre a forma de escolha. O dado preciso é mais interessante: uma residência de 66,56 metros quadrados, chamada de barraco pelo próprio morador, conquistou leitores sem abandonar a linguagem construtiva da favela.

O barraco premiado mostra o que muda quando o material comum recebe planejamento

A Casa no Pomar do Cafezal aproveitou um lote difícil, formou paredes mais espessas com tijolos de 8 furos e abriu partes da alvenaria para o ar circular. A obra manteve a aparência do material conhecido e usou o projeto para melhorar a relação da casa com calor, luz e chuva.

A vitória em 2023 ampliou a visibilidade de uma arquitetura criada a partir da periferia, sem transformar o lugar em cenário nem esconder seus métodos. O principal legado está na combinação entre conhecimento local e decisão técnica, aplicada a uma casa real e já concluída.

Você usaria o tijolo de 8 furos deitado para formar uma parede mais espessa? Conte nos comentários e compartilhe a história com quem trabalha na construção.

Fonte

Fernando Maculan


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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