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Em Camaçari, mais de 700 jovens e adultos retomam a educação básica enquanto fazem cursos profissionais do Senai, numa parceria que aproxima EJA, qualificação, renda e novas oportunidades de emprego
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 11/08/2026 às 08:15
Atualizado em 11/08/2026 às 08:16
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Mais de 700 jovens e adultos voltam à escola em Camaçari por programa que combina conclusão da educação básica com cursos profissionais do Senai e abre uma segunda rota para o mercado de trabalho
Mais de 700 jovens e adultos começaram em 2026 uma nova etapa de estudos em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, com uma proposta que une a conclusão da educação básica a cursos de formação profissional. O programa EJA Pro é mantido pela Secretaria Municipal de Educação em parceria com o Senai e busca transformar o retorno à sala de aula em uma ponte mais direta para trabalho e geração de renda.
A nova edição teve aula inaugural em 20 de julho, no Teatro Cidade do Saber. A iniciativa atende jovens a partir de 16 anos, adultos e idosos que precisam concluir a Educação de Jovens e Adultos e, ao mesmo tempo, querem aprender uma atividade profissional com aplicação no mercado.
Segundo informações divulgadas sobre o programa, as turmas estão distribuídas por 20 unidades da rede municipal. A combinação entre escolarização e qualificação tenta enfrentar duas barreiras frequentes para quem deixou a escola: recuperar a formação básica e ampliar as chances de inserção profissional sem precisar esperar anos entre uma etapa e outra.
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Programa oferece cursos de eletricista, mecânica de motocicletas, logística, informática, panificação e outras áreas
As formações profissionais cobrem atividades bastante diferentes. Entre as opções estão eletricista de instalações prediais, mecânico de manutenção em motocicletas, operador de computador, assistente de operações logísticas, pizzaiolo, pintor, padeiro confeiteiro e auxiliar de produção de massas alimentícias.
Também aparecem cursos ligados à fabricação de geleias e doces de frutas e à construção de móveis com pallets. A variedade permite que estudantes com perfis distintos escolham áreas próximas de experiências que já possuem ou explorem novas possibilidades de renda.
O Senai participa da formação profissional, enquanto a rede municipal mantém a trajetória escolar da EJA. O desenho do programa aproxima conteúdos da educação básica de competências práticas, algo especialmente relevante em uma cidade marcada por atividade industrial e por cadeias de serviços que exigem qualificação técnica.
Parceria começou em 2025 e já levou formação técnica a mais de 1.100 estudantes da rede municipal
A parceria entre a Secretaria de Educação de Camaçari e o Senai não começou nesta edição. De acordo com o secretário municipal de Educação, Márcio Neves, o trabalho foi iniciado em 2025 e alcançou mais de 1.100 estudantes da rede municipal naquele ano.
Em 2026, o programa já superou 700 matrículas. A gestão municipal afirma que pretende ampliar o acesso à formação geral e profissional para que mais estudantes consigam avançar na escolaridade e disputar oportunidades de trabalho com uma qualificação adicional.
O número mostra que a EJA deixou de funcionar apenas como mecanismo de conclusão tardia da escola. Ao incorporar cursos profissionais, a política tenta responder também à urgência econômica de pessoas que voltam a estudar enquanto mantêm trabalho, família e outras responsabilidades.
Mulheres de 44 e 59 anos mostram como retorno à escola pode abrir caminhos para renda e novos projetos
Entre as histórias apresentadas na abertura está a de Nilda da Conceição Mascarenhas, de 44 anos. Ela já trabalha com produção de salgados e entrou no curso de pizzaiolo com a intenção de ampliar os conhecimentos e, no futuro, montar o próprio negócio.
Outra participante, Maria do Socorro dos Santos, de 59 anos, voltou ao programa depois de concluir em 2025 o curso de operador de computador. Agora, escolheu também a formação de pizzaiolo, mostrando que a qualificação pode ser acumulada em etapas e acompanhada de novos interesses profissionais.
Esses percursos ajudam a explicar por que a EJA reúne públicos tão diferentes. Para alguns, o retorno representa a possibilidade de completar uma etapa escolar interrompida; para outros, é também uma forma de atualizar conhecimentos, mudar de ocupação ou criar uma fonte própria de renda.
Formação profissional tenta aproximar a EJA das demandas reais do mercado de trabalho
A proposta do EJA Pro parte de um problema conhecido: concluir a educação básica melhora perspectivas, mas muitos estudantes adultos precisam de resultados econômicos mais rápidos. A formação profissional simultânea procura reduzir essa distância ao oferecer competências que podem ser usadas em empregos, prestação de serviços ou pequenos negócios.
Isso não significa garantia automática de contratação. O impacto depende da qualidade dos cursos, da conclusão da formação, da demanda das empresas e da capacidade de cada participante transformar o aprendizado em experiência profissional.
A prefeitura relaciona a iniciativa à estratégia de ampliar oportunidades enquanto busca atrair empresas para Camaçari. Para os alunos, o efeito mais imediato está na possibilidade de sair do programa com escolaridade maior e uma nova habilidade profissional, em vez de concluir apenas uma dessas etapas.
Mais de 700 matrículas transformam a volta à escola em uma segunda rota de formação em Camaçari
O alcance de mais de 700 estudantes em 2026 dá escala a uma política que combina educação, qualificação e inclusão produtiva. As 20 unidades envolvidas espalham a oferta pela rede municipal e reduzem a necessidade de concentrar toda a formação em um único centro.
Para jovens que interromperam os estudos e para adultos que ficaram décadas longe da escola, a estrutura oferece uma segunda rota. A meta não é apenas recuperar o tempo escolar perdido, mas conectar esse retorno a competências que possam melhorar renda, autonomia e perspectivas profissionais.
Se a parceria mantiver continuidade e qualidade, o resultado poderá ser medido não só pelo número de matrículas, mas também por quantos alunos concluem a educação básica, terminam a formação profissional e conseguem transformar o aprendizado em trabalho, renda ou novos ciclos de estudo.
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Fontes
A Tarde
InforBahia
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

