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Em comunidade de 70 mil moradores sem acesso à rede elétrica, universitários ergueram turbina de 12 metros, instalaram painéis solares e ainda fizeram 10 computadores parados de uma escola finalmente funcionarem
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 08/08/2026 às 14:36
Atualizado em 08/08/2026 às 14:42
Energia Renovável, Energia Solar
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Em Pomolong, na África do Sul, estudantes de engenharia instalaram turbina eólica e painéis solares para levar energia renovável ao centro comunitário. O trabalho também levou internet a uma escola próxima e permitiu que 10 computadores fornecidos pelo governo, mas nunca utilizados, finalmente entrassem em funcionamento.
Uma escola próxima de Pomolong, na África do Sul, possuía 10 computadores fornecidos pelo governo, mas havia um problema incomum: as máquinas nunca tinham sido ligadas. Enquanto isso, a comunidade, com cerca de 70 mil moradores, permanecia fora da rede elétrica e o centro comunitário praticamente não podia ser utilizado depois que o Sol se punha.
Foi nesse contexto que estudantes ligados à University of Central Florida participaram de um projeto que combinou energia eólica, painéis solares, internet e engenharia prática. Uma equipe viajou ao local, trabalhou com moradores e instalou uma turbina de aproximadamente 12 metros de altura, além de painéis capazes de acompanhar a posição do Sol.
A University of Central Florida, universidade pública dos Estados Unidos, registrou o projeto em sua revista institucional Pegasus. O trabalho envolveu protótipos desenvolvidos por 16 estudantes de engenharia, sete representantes dessas equipes na viagem à África do Sul e a participação de voluntários da própria comunidade durante a montagem.
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Escola tinha 10 computadores entregues pelo governo, mas nenhum deles havia sido ligado
Na Swinburne Primary School, localizada perto de Pomolong, os equipamentos já estavam disponíveis. Mesmo assim, os 10 computadores nunca tinham sido ligados, o que impedia professores e alunos de utilizar uma estrutura que já havia chegado à escola.
Michael Callahan, responsável pela área de tecnologia da informação do Burnett Honors College, identificou que faltava um cabo. Depois disso, ele atualizou os computadores, conectou as máquinas a um servidor e instalou novos programas.
Os professores também receberam treinamento para utilizar os equipamentos. Além de colocar os computadores em funcionamento, o trabalho ajudou a escola a conquistar acesso à internet, ampliando as possibilidades de uso das máquinas dentro do ambiente escolar.
O caso mostra como a falta de infraestrutura pode tornar inútil até mesmo um equipamento já disponível. Os computadores existiam, mas dependiam de conexão, configuração e suporte técnico para realmente chegarem às salas e aos professores.
Comunidade de cerca de 70 mil moradores estava fora da rede elétrica
Pomolong era uma comunidade com aproximadamente 70 mil habitantes e infraestrutura limitada. As casas estavam fora da rede elétrica, enquanto o acesso à água dependia de pontos públicos distribuídos pela região.
Antes da instalação, representantes da universidade fizeram uma viagem de reconhecimento a Pomolong em 2011 e conversaram com os moradores para identificar as necessidades da comunidade. Dois anos depois, em maio de 2013, estudantes e integrantes da University of Central Florida retornaram ao local e instalaram a turbina eólica de cerca de 12 metros e os painéis solares que passaram a fornecer energia ao centro comunitário.
Durante a mesma viagem, a equipe também trabalhou na escola próxima, onde os 10 computadores que nunca haviam sido ligados foram preparados para uso e a instituição ganhou acesso à internet.
O problema aparecia de maneira muito simples na rotina. Depois que escurecia, praticamente não havia atividades no espaço, justamente porque não existia eletricidade disponível para iluminação e equipamentos.
A resposta começou a tomar forma dentro da universidade. Em vez de depender de apenas uma fonte, os estudantes trabalharam em um sistema que aproveitava vento e luz solar para produzir eletricidade.
Dezesseis estudantes projetaram turbina e painéis solares, mas descobriram que partes do sistema não eram compatíveis
A construção dos protótipos envolveu 16 estudantes de engenharia do Burnett Honors College. Os equipamentos foram desenvolvidos dentro dos projetos finais dos universitários e posteriormente preparados para instalação em Pomolong.
Foi durante essa etapa que apareceu um problema importante. Três equipes estavam construindo sistemas para trabalhar com 24 volts, enquanto outra havia alterado seu projeto para 18 volts por necessidades técnicas.
Os universitários ainda precisaram pensar em outras questões, entre elas a proteção contra raios. Como as equipes haviam projetado partes diferentes do sistema, o desafio não era apenas fazer cada equipamento funcionar, mas conseguir fazer todos trabalharem juntos.
Estrutura da turbina passou de 150 libras planejadas para apenas 15 libras e tudo precisou ser instalado em duas semanas
A engenharia também precisou ser adaptada antes e durante a montagem. O suporte previsto para ficar na parte superior da turbina havia sido projetado inicialmente com 150 libras, mas a versão utilizada terminou com apenas 15 libras.
Os custos de alguns componentes também ficaram maiores do que o esperado, obrigando a equipe a reduzir partes do projeto. Ainda assim, os estudantes conseguiram colocar o sistema em funcionamento durante duas semanas de trabalho.
A University of Central Florida, universidade pública dos Estados Unidos, também registrou uma dificuldade que só ficou evidente durante a montagem: o conjunto da turbina indicava que três pessoas seriam suficientes para erguê lo, mas quase 20 pessoas acabaram envolvidas no trabalho.
Moradores ajudaram a erguer turbina de cerca de 12 metros que passou a fornecer energia ao centro comunitário
Quando surgiram dificuldades para erguer a estrutura, voluntários de Pomolong participaram diretamente do trabalho.
Com essa colaboração, a turbina de 40 pés, cerca de 12 metros, foi instalada e se tornou uma das estruturas mais altas da comunidade. Ao lado dela, painéis solares com mecanismo de acompanhamento da posição do Sol também passaram a integrar o sistema.
As duas tecnologias tinham funções complementares. A turbina aproveitava o vento, enquanto os painéis solares captavam a luz do Sol, permitindo que o centro comunitário produzisse eletricidade a partir de fontes renováveis.
O resultado começou a aparecer na rotina dos moradores. Com energia disponível, pessoas passaram a utilizar o centro comunitário à noite, inclusive estudantes que iam ao espaço para fazer tarefas escolares depois que escurecia.
Internet, computadores e energia renovável deram uso a estruturas que já existiam na comunidade
O impacto do projeto não ficou concentrado em uma única instalação. No centro comunitário, a eletricidade tornou possível utilizar o espaço durante períodos em que antes a falta de energia interrompia as atividades.
Na escola, 10 computadores que permaneciam parados finalmente passaram a funcionar. As máquinas receberam atualizações e programas, foram conectadas a um servidor e ganharam acesso à internet.
Os estudantes enfrentaram sistemas incompatíveis, problemas de peso, custos maiores que o previsto, necessidade de proteção contra raios e dificuldades durante a montagem.
A solução final nasceu justamente dessas correções e da colaboração com os moradores. Turbina eólica, painéis solares, computadores e internet passaram a atender problemas diferentes, mas ligados pela mesma falta de infraestrutura.
Em Pomolong, a instalação de energia renovável permitiu que um centro comunitário fosse utilizado depois do anoitecer, enquanto a escola próxima finalmente conseguiu aproveitar computadores que já possuía. Tecnologia que estava parada passou a ter função prática na rotina da comunidade.
A experiência também deixou uma questão maior sobre infraestrutura básica: equipamentos podem chegar a uma comunidade, mas pouco representam quando faltam energia, conexão e condições para utilizá los.
Quando uma escola já possui computadores, mas não consegue sequer ligá-los por falta de infraestrutura, onde deveria começar o investimento: na compra de tecnologia ou nas condições necessárias para realmente utilizá-la?
Fonte
University of Central Flo
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

