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Embraer acumulou uma fila recorde de US$ 34,5 bilhões em aviões já encomendados e ainda não entregues, faturou R$ 11,3 bilhões em apenas três meses, lucrou R$ 1,1 bilhão e agora prepara a produção para chegar a até 120 jatos comerciais e mais de 200 executivos por ano até 2030
Escrito por Carla Teles
Publicado em 11/08/2026 às 09:09
Atualizado em 11/08/2026 às 09:10
Economia
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A Embraer encerrou o segundo trimestre de 2026 com carteira de pedidos de US$ 34,5 bilhões, receita de R$ 11,3 bilhões e lucro líquido ajustado de R$ 1,1 bilhão, enquanto prepara expansão para produzir entre 110 e 120 aviões comerciais e mais de 200 jatos executivos por ano até 2030.
A Embraer terminou o segundo trimestre de 2026 com a maior carteira de pedidos de sua história, avaliada em US$ 34,5 bilhões, reunindo aeronaves já contratadas e ainda não entregues. Entre abril e junho, a fabricante brasileira também registrou receita de R$ 11,3 bilhões, lucro líquido ajustado de R$ 1,1 bilhão e entregou 65 aeronaves, enquanto avalia ampliar significativamente sua capacidade produtiva nos próximos anos.
As informações foram publicadas pelo ND Mais em 10 de agosto de 2026, em reportagem sobre os resultados recentes da fabricante e os planos apresentados para atender à demanda acumulada. O desempenho do trimestre combina crescimento da carteira de pedidos, aumento de receita e lucro, maior ritmo de entregas e uma perspectiva de produção que pode levar a companhia a fabricar até 120 aviões comerciais e mais de 200 jatos executivos por ano até 2030.
Embraer alcançou carteira recorde de US$ 34,5 bilhões
A carteira de pedidos da Embraer chegou a US$ 34,5 bilhões ao fim do segundo trimestre de 2026, o maior valor já registrado pela companhia. Esse backlog reúne contratos e pedidos de aeronaves que já foram negociados, mas cuja entrega ainda será realizada ao longo dos próximos períodos.
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Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o valor avançou 16%, mantendo uma trajetória de crescimento que já dura sete trimestres consecutivos. O dado mostra que a fabricante entra nos próximos anos com uma quantidade elevada de negócios contratados, embora cada pedido tenha cronograma, modelo e cliente próprios.
Fila de pedidos não significa uma única sequência de clientes
O backlog não funciona como uma fila convencional na qual todos os compradores aguardam o mesmo produto. Ele reúne contratos de diferentes áreas da empresa, com aeronaves comerciais, jatos executivos e outros negócios distribuídos em cronogramas distintos.
Por isso, os US$ 34,5 bilhões representam compromissos comerciais ainda a serem executados, e não aviões prontos esperando apenas uma entrega física. O tamanho dessa carteira ajuda a explicar por que a capacidade de produção passou a ocupar posição central nos planos da fabricante.
Receita chegou a R$ 11,3 bilhões em apenas três meses
Entre abril e junho de 2026, a Embraer registrou R$ 11,3 bilhões em receita, resultado 10% superior ao obtido no mesmo período de 2025. Segundo a fonte, foi o maior faturamento da empresa já registrado para um segundo trimestre.
O número mostra que o crescimento do backlog veio acompanhado de avanço nas operações efetivamente reconhecidas no período. A fabricante não apenas acumulou novos compromissos futuros, mas também ampliou o volume financeiro gerado pelas atividades realizadas durante o trimestre.
Lucro líquido ajustado alcançou R$ 1,1 bilhão
O lucro líquido ajustado foi de R$ 1,1 bilhão, crescimento de aproximadamente 25% na comparação anual. O avanço aconteceu simultaneamente à elevação da receita e ao aumento das entregas de aeronaves.
Já o Ebitda ajustado, indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, chegou a R$ 1,8 bilhão, alta de 30%. O conjunto desses números mostra uma melhora operacional em diferentes indicadores do negócio durante o segundo trimestre.
Entregas tiveram melhor segundo trimestre em 16 anos
A fabricante entregou 65 aeronaves entre abril e junho, desempenho apontado como o melhor para um segundo trimestre em 16 anos. O ritmo de entregas é especialmente relevante porque transformar pedidos em aeronaves efetivamente entregues é uma das etapas necessárias para converter a carteira em receita.
No primeiro semestre de 2026, foram 109 aviões entregues, número 20% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O aumento mostra que a Embraer já vem acelerando sua produção antes mesmo da expansão planejada para os próximos anos.
Capacidade de produção deve crescer até 2030
O tamanho da carteira de pedidos levou a companhia a projetar uma ampliação de sua capacidade industrial. Segundo a fonte, a expectativa é chegar a 2030 produzindo entre 110 e 120 aviões comerciais por ano.
Na Aviação Executiva, o objetivo é superar 200 jatos anuais. Isso significa que a Embraer pretende sustentar um volume produtivo consideravelmente maior para acompanhar a demanda e evitar que a capacidade das fábricas se transforme em um obstáculo ao crescimento.
Empresa não vê produção como limite para crescer
Durante a apresentação dos resultados, a administração da companhia indicou que não considera a capacidade produtiva um fator capaz de impedir sua expansão futura. O planejamento industrial busca justamente criar condições para responder ao volume crescente de pedidos.
Essa estratégia torna-se especialmente importante diante de um backlog recorde. Quanto maior a quantidade de aeronaves contratadas, maior é a necessidade de organizar fornecedores, linhas de montagem, equipes, componentes e logística para cumprir os cronogramas previstos.
Jatos comerciais devem chegar a até 120 unidades anuais
A meta para a aviação comercial prevê uma produção anual entre 110 e 120 aeronaves até 2030. A área trabalha principalmente com modelos destinados a operações de até aproximadamente 150 passageiros.
Entre os produtos citados pela companhia estão os integrantes da família E2, voltados especialmente a rotas regionais e à ligação entre cidades menores. A ampliação da produção comercial será uma das principais frentes para transformar parte da atual carteira de pedidos em entregas nos próximos anos.
Mais de 200 jatos executivos por ano também entram nos planos
A expansão não ficará limitada aos aviões destinados às companhias aéreas. A fabricante também espera produzir mais de 200 jatos executivos por ano até o fim da década.
O segmento já apresentou crescimento relevante no segundo trimestre. A receita da Aviação Executiva alcançou R$ 3,7 bilhões, avanço de 19% em relação ao mesmo período de 2025, reforçando a importância dessa área dentro dos resultados consolidados.
Aviação Comercial gerou R$ 3,2 bilhões no trimestre
A Aviação Comercial registrou R$ 3,2 bilhões em receita entre abril e junho. Mesmo com o destaque dado ao crescimento dos jatos executivos, o segmento comercial continua sendo uma das principais frentes da fabricante brasileira.
O desempenho dessa divisão precisa ser observado em conjunto com a grande quantidade de aeronaves comerciais contratadas. A ampliação planejada das linhas de produção busca justamente aumentar a capacidade de atender aos pedidos sem transformar o backlog em um gargalo operacional.
Defesa e Segurança também avançou no período
A área de Defesa & Segurança apresentou receita de R$ 1,5 bilhão, crescimento de 22% na comparação anual. O resultado foi impulsionado principalmente pelo reconhecimento de receitas relacionadas ao KC-390 Millennium.
O avião militar tornou-se uma das principais plataformas da divisão de defesa da empresa. A diversificação entre aviação comercial, executiva, defesa e serviços reduz a dependência de uma única fonte de receita e ajuda a explicar a composição dos resultados trimestrais.
Serviços e Suporte chegou a R$ 2,9 bilhões
A área de Serviços & Suporte alcançou R$ 2,9 bilhões em receita no segundo trimestre. O segmento inclui atividades que acompanham a vida operacional das aeronaves depois da entrega.
À medida que a frota de aviões da fabricante aumenta em diferentes mercados, os serviços ligados a suporte e manutenção ganham maior importância. O crescimento das entregas pode ampliar também a base de aeronaves que dependerão dessas operações ao longo dos próximos anos.
Empresa aumentou projeções financeiras para 2026
Depois do desempenho do segundo trimestre, a Embraer elevou sua projeção para a margem EBIT ajustada em 2026. A estimativa passou para uma faixa entre 10% e 10,6%, acima da previsão anterior de 8,7% a 9,3%.
A companhia também dobrou sua projeção para o fluxo de caixa livre ajustado sem considerar a Eve. A expectativa passou de US$ 200 milhões ou mais para US$ 400 milhões ou mais, indicando uma perspectiva financeira mais favorável após os resultados apresentados.
Previsões de receita e entregas foram mantidas
Apesar das revisões em margem e geração de caixa, a companhia manteve sua expectativa anual de receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões.
Também permaneceram inalteradas as projeções de entrega para 2026: entre 80 e 85 aeronaves comerciais e de 160 a 170 jatos executivos. Esses números mostram que a expansão para 2030 representa um movimento de médio prazo, e não uma mudança imediata na capacidade anual.
Eve também aparece nos planos do grupo
A Eve, empresa de mobilidade aérea controlada pela Embraer, integra as perspectivas futuras apresentadas pela companhia. A expectativa citada é de que os primeiros eVTOLs entrem em operação até o final de 2028.
A produção dos veículos está prevista para Taubaté, no interior de São Paulo. Segundo as informações apresentadas, a Eve possui aproximadamente 3 mil cartas de intenção de compra e alguns pedidos firmes, adicionando outra frente potencial de demanda ligada ao grupo.
Backlog recorde cria desafio de transformar pedidos em entregas
Ter US$ 34,5 bilhões em pedidos representa uma posição comercial relevante, mas também cria uma obrigação operacional: fabricar e entregar aeronaves dentro dos prazos negociados com os clientes.
Para isso, a Embraer precisará combinar aumento de capacidade com disponibilidade de componentes, fornecedores, mão de obra e eficiência industrial. A expansão pretendida para 2030 busca justamente preparar a estrutura para uma carteira que vem crescendo há sete trimestres consecutivos.
Embraer entra em nova fase com produção maior no horizonte
Com R$ 11,3 bilhões em receita trimestral, R$ 1,1 bilhão de lucro líquido ajustado e uma carteira recorde de US$ 34,5 bilhões, a Embraer chega à segunda metade de 2026 com indicadores que apontam forte atividade tanto no presente quanto para os próximos anos.
O próximo desafio será transformar essa demanda contratada em aviões entregues enquanto amplia sua capacidade para até 120 aeronaves comerciais e mais de 200 jatos executivos por ano até 2030. Na sua opinião, o que mais chama atenção: o tamanho da fila de pedidos, o lucro trimestral ou a escala de produção planejada para o fim da década? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

