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Embrapa identifica nova bactéria em bovinos com “mal do olho” no Rio Grande do Sul, batiza espécie de Moraxella tarda após oito anos de pesquisa e revela genoma de 1,8 milhão de bases, descoberta que pode ajudar no desenvolvimento de diagnósticos rápidos e vacinas mais abrangentes contra a doença
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 25/08/2026 às 10:33
Atualizado em 25/08/2026 às 10:43
Ciência e Tecnologia
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Embrapa identificou no Rio Grande do Sul a Moraxella tarda, nova bactéria associada a bovinos com ceratoconjuntivite infecciosa. Pesquisada desde 2018, a espécie tem genoma de 1,8 milhão de bases, cresce mais lentamente que outras Moraxella e pode ampliar estudos sobre diagnósticos rápidos, vacinas polivalentes e resistência genética no rebanho.
A Embrapa identificou e descreveu uma nova espécie de bactéria encontrada em bovinos Hereford com sintomas de Ceratoconjuntivite Infecciosa Bovina (CIB), doença popularmente chamada de “mal do olho” ou pinkeye. Batizado de Moraxella tarda, o microrganismo foi isolado da mucosa nasal de animais no Rio Grande do Sul e apresentou características genéticas que o diferenciam das espécies conhecidas do mesmo gênero.
As informações foram publicadas pela Itatiaia em 19 de agosto de 2026, em reportagem de Giullia Gurgel. A pesquisa foi liderada pela Embrapa em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e o Instituto Biológico de São Paulo, com trabalhos iniciados em 2018 e análises realizadas em unidades da instituição no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Pesquisa começou com coletas realizadas em 2018 no Rio Grande do Sul
O processo de identificação da nova bactéria teve início em 2018, com coletas de campo realizadas na Embrapa Pecuária Sul, no Rio Grande do Sul.
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Os materiais obtidos seguiram para etapas posteriores de investigação, permitindo que os pesquisadores aprofundassem a caracterização do microrganismo ao longo dos anos seguintes.
Análises avançaram em laboratórios de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul
As avaliações bioquímicas e genômicas foram aprofundadas em laboratórios da Embrapa Gado de Leite, em Minas Gerais, e da Embrapa Gado de Corte, em Mato Grosso do Sul.
A combinação dos resultados permitiu comparar os isolados com espécies já conhecidas e verificar se o agente poderia ser enquadrado em alguma delas.
Bactéria foi encontrada em bovinos Hereford com sintomas do “mal do olho”
A Moraxella tarda foi isolada da mucosa nasal de bovinos da raça Hereford que apresentavam sinais de Ceratoconjuntivite Infecciosa Bovina.
A enfermidade afeta principalmente bovinos taurinos e pode provocar dor, lacrimejamento e úlceras na córnea, além de contribuir para perda de peso e prejuízos ao rebanho.
Nome Moraxella tarda surgiu por causa do crescimento mais lento
A denominação escolhida está relacionada a uma característica observada durante o cultivo laboratorial.
Enquanto outras bactérias do gênero costumam apresentar resposta em aproximadamente 24 horas, a nova espécie formava colônias visíveis somente depois de 48 horas de incubação.
Esse comportamento mais lento levou à utilização do termo “tarda” no nome científico.
Genoma possui 1,8 milhão de bases e é o menor registrado no gênero
O sequenciamento de alta precisão mostrou que a Moraxella tarda possui um genoma com aproximadamente 1,8 milhão de bases.
O tamanho representa o menor genoma registrado para o gênero Moraxella, acrescentando mais uma característica que diferencia o microrganismo das espécies anteriormente conhecidas.
Semelhança genética ficou entre 77% e 79%
As comparações genéticas reforçaram que os pesquisadores estavam diante de uma espécie distinta.
A Moraxella tarda apresentou apenas 77% a 79% de semelhança genética com outras espécies conhecidas do gênero, resultado bem inferior ao limite de 95% usado para enquadramento dentro da mesma espécie.
Isolados foram enviados para coleções de referência internacionais
A descrição seguiu parâmetros taxonômicos internacionais.
Os isolados foram depositados em coleções de referência como a BCCM/LMG, na Bélgica, a Culture Collection of Porto, em Portugal, e o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.
Esse procedimento integra o processo de documentação e reconhecimento de novas espécies bacterianas.
Doença era historicamente associada à Moraxella bovis
A Ceratoconjuntivite Infecciosa Bovina foi historicamente relacionada principalmente à Moraxella bovis.
Os resultados de campo, porém, apontam para um complexo microbiano mais amplo envolvido na enfermidade, fator que ajuda a explicar por que a eficácia das vacinas atualmente disponíveis pode variar.
Nova espécie pode contribuir para vacinas mais abrangentes
Os imunizantes tradicionais são formulados com agentes já conhecidos.
A inclusão futura da Moraxella tarda e de outras variações identificadas pode abrir caminho para o desenvolvimento de vacinas polivalentes mais abrangentes, capazes de considerar uma diversidade maior de microrganismos associados à doença.
A descoberta, porém, representa uma etapa de pesquisa e não significa que uma nova vacina já esteja pronta.
Projeto em Minas Gerais busca desenvolver diagnóstico rápido por qPCR
Outro trabalho já está em andamento na bacia leiteira de Minas Gerais, em parceria com a Fapemig.
O projeto investiga surtos da doença e pretende desenvolver testes de diagnóstico rápido por qPCR, além de imunizantes recombinantes.
A identificação da nova bactéria acrescenta informação ao mapeamento dos agentes que podem estar presentes nos animais afetados.
Descoberta também reforça seleção de animais mais resistentes
A Embrapa relaciona o avanço científico também às estratégias de seleção genética de bovinos.
A identificação dos diferentes agentes envolvidos na enfermidade pode ajudar pesquisas voltadas à escolha de animais geneticamente mais resistentes à ceratoconjuntivite.
Próxima fase usará córneas coletadas em frigoríficos
A etapa seguinte do projeto será financiada pelo CNPq e utilizará uma abordagem voltada ao bem-estar animal.
Os pesquisadores pretendem trabalhar com um modelo de cultivo de córneas obtidas em frigoríficos para analisar em nível molecular como o tecido ocular reage à infecção.
Método evita indução experimental da doença em bovinos vivos
O uso das córneas permitirá estudar a interação entre o agente e o tecido ocular sem provocar deliberadamente a enfermidade em animais vivos.
A metodologia elimina a necessidade de induzir experimentalmente a infecção em bovinos durante essa fase dos estudos.
Moraxella tarda amplia conhecimento sobre agentes ligados ao “mal do olho”
A identificação da Moraxella tarda acrescenta uma nova espécie ao conjunto de bactérias relacionado à Ceratoconjuntivite Infecciosa Bovina e amplia o conhecimento sobre uma doença que pode provocar dor, lesões oculares, perda de peso e prejuízos produtivos.
Depois de trabalhos iniciados em 2018, os pesquisadores chegaram a uma espécie com crescimento mais lento, genoma de 1,8 milhão de bases e baixa similaridade genética com outras Moraxella. As próximas etapas incluem estudos voltados a diagnóstico rápido, vacinas mais abrangentes e compreensão da resposta do tecido ocular à infecção.
Na sua opinião, avanços como a identificação da Moraxella tarda podem tornar o controle do “mal do olho” mais eficiente nos rebanhos brasileiros? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

