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Empresa aposta no Acre e demanda por fertilização in vitro supera expectativas

Empresa aposta no Acre e demanda por fertilização in vitro supera expectativas

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

O jornalista Itaan Arruda, do site ac24horas, apresentou nesta quinta-feira (6), durante a Expoacre, o dado de que mais de 90% dos animais expostos na feira são oriundos de fertilização in vitro. A informação foi discutida em entrevista com o empresário Jean, da empresa Norte Rebanho, especializada em reprodução animal.

O empresário explicou que a produção in vitro de embriões tem dois atrativos centrais para o produtor. “Quando a gente fala de produção in vitro de embriões, a gente se preocupa com dois fatores. Um, a velocidade do melhoramento genético”, afirmou.

Jean detalhou que, no ciclo natural de reprodução, o produtor levaria muito mais tempo para alcançar o ganho genético hoje obtido logo na primeira geração com a técnica. “A gente chegou a comentar com um dos técnicos presentes no fórum que levaria até 21 anos para você conseguir ter o ganho genético que você consegue ter com a produção in vitro de embriões. Então quando a gente fala de velocidade, de melhoramento genético, a gente fala de produção em milhões.”

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Pela avaliação genômica, é possível identificar animais geneticamente superiores ainda muito jovens. A coleta de óvulos é feita a partir dos quatro meses de vida do animal, antes mesmo de a fêmea atingir a vida reprodutiva. “Eu já consigo coletar os óvulos dessa fêmea aos quatro meses de idade contendo dados através da avaliação genômica, dados que mostram a superioridade genética desse animal”, explicou o empresário.

Segundo Jean, a técnica antecipa a replicação genética a ponto de a fêmea gerar descendentes antes de ter os próprios filhos nascidos. A partir da coleta, em cerca de sete dias já se obtém um embrião apto a gerar uma gestação.

Esses embriões são criopreservados e podem ser armazenados por longos períodos. “Esse material genético que a gente gera é comercializado e armazenado, inclusive idêntico ao sêmen. Então ele é conservado em nitrogênio. Ele não tem vida útil, ele pode durar 50, 100 anos dentro do nitrogênio”, afirmou.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

A técnica também amplia a produtividade das matrizes. Pela gestação natural, de cerca de nove meses e 15 dias, uma fêmea produziria apenas um bezerro por ano. “Eu não consigo fazer com que essa fêmea dê mais de um produto por ano”, disse Jean, ao explicar o limite do sistema tradicional. A produção in vitro rompe essa barreira e ajuda a explicar por que animais valorizados pela técnica chegam a ser negociados por valores milionários.

O empresário destacou o ganho de velocidade a cada avanço na técnica reprodutiva. “Quando a gente sai de uma monta natural para uma inseminação artificial, a gente já tem um ganho genético. Quando a gente sai de uma inseminação artificial para uma transferência de embrião, a gente tem uma velocidade dez vezes maior de melhoramento genético nesse animal da próxima geração”, afirmou.

Jean disse que o pecuarista acreano com maior estrutura, aquele com mais de 500 cabeças na propriedade, domina o uso da tecnologia, que tem difusão de mais de 30 anos no mercado. Com os bancos genéticos das grandes centrais, é possível realizar o acasalamento dirigido. “A gente consegue montar dentro dos acasalamentos, que é juntar esse material genético da fêmea com esse material genético do pai e moldar o animal que essa propriedade quer receber”, explicou.

A Norte Rebanho, fundada em Rondônia, chegou ao Acre em 2024 e encontrou uma demanda muito acima do previsto. “A gente trouxe a Norte do estado de Rondônia pro Acre em 2024 esperando atender uma demanda, e essa demanda foi 20 vezes maior do que a gente esperava”, relatou Jean. A empresa se tornou a maior de produção in vitro de embriões no estado e figura entre as principais de Rondônia.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Segundo o empresário, nem a Norte nem as demais empresas do ramo têm conseguido atender a toda a procura. O principal obstáculo ao crescimento no Acre é a logística. “A gente tem um fator que dificulta muito o crescimento dela no Acre, é o fator logística, por conta da qualidade de estrada”, apontou. Ainda assim, a empresa já atende produtores em Feijó e Tarauacá e tem agenda marcada para Cruzeiro do Sul.

A empresa afirma ter capacidade técnica para atender todo o estado. “Hoje a gente tem uma capacidade técnica que suporta atender o estado do Acre como um todo, uma equipe, um laboratório extremamente estruturado, com equipamentos modernos”, disse Jean.

Durante a Expoacre, a sequência de leilões teve 100% dos animais oriundos de fertilização in vitro. A perspectiva de produção do setor, segundo o empresário, é sempre dobrar para o ano seguinte. “A gente já consegue mensurar a demanda que a gente tem. Se a gente atendeu uma fazenda e ela demandou ali 300, 400 presenças oriundas de transferência de embrião, a gente já sabe que ela quer o dobro no ano que vem”, concluiu.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

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