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Empresa descobriu como ganhar dinheiro com produtos que grandes companhias não querem mais, criou negócio milionário e agora mira nos R$ 100 milhões em vendas

Empresa descobriu como ganhar dinheiro com produtos que grandes companhias não querem mais, criou negócio milionário e agora mira nos R$ 100 milhões em vendas

6 min de leitura

Empresa descobriu como ganhar dinheiro com produtos que grandes companhias não querem mais, criou negócio milionário e agora mira nos R$ 100 milhões em vendas

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 26/08/2026 às 18:46

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Criada em 2023, Kwara já recolocou mais de 1 milhão de itens no mercado, realizou 650 leilões e agora investe até R$ 2 milhões em inteligência artificial para acelerar a operação

Computadores devolvidos, televisores, móveis de escritórios fechados, eletrodomésticos, equipamentos industriais e até itens usados em apartamentos decorados. Para muitas empresas, esses produtos representam um problema. As informações foram publicadas pelo Jornal do Comércio em 4 de junho de 2026, em reportagem de Guilherme Gonçalves

Porém, uma companhia brasileira encontrou uma forma de transformar ativos parados em um negócio milionário.

Criada em 2023, a Kwara desenvolveu uma plataforma digital que conecta empresas com bens sem uso a compradores interessados. Em vez de deixar os produtos parados ou encaminhá-los ao descarte, a companhia usa leilões digitais para recolocar esses itens no mercado.

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Os números mostram a escala. Em 2025, a plataforma movimentou mais de R$ 55 milhões em vendas de materiais. Agora, a projeção é ultrapassar R$ 100 milhões em 2026 somente nessa categoria.

Além disso, entre 2025 e 2026, a empresa superou 1 milhão de itens recomercializados e realizou mais de 650 leilões.

Mais de R$ 55 milhões foram movimentados com produtos que empresas já não queriam

O problema que deu espaço ao negócio é comum no mundo corporativo.

Uma empresa muda de escritório. Um hotel passa por reforma. Uma construtora desmonta um apartamento decorado. Enquanto isso, grandes varejistas acumulam produtos devolvidos por consumidores.

Em todos esses casos, os bens podem continuar tendo valor, mesmo que tenham perdido a utilidade para a companhia.

É justamente aí que entra a Kwara.

A plataforma organiza esses ativos e busca compradores. Assim, um equipamento que poderia permanecer meses parado ganha uma nova oportunidade de venda.

Em 2025, essa operação movimentou mais de R$ 55 milhões.

Agora, a companhia pretende praticamente dobrar esse volume e superar R$ 100 milhões em 2026.

Mais de 1 milhão de itens voltaram ao mercado

A escala também aparece na quantidade de produtos.

Entre 2025 e 2026, mais de 1 milhão de itens foram recomercializados pela plataforma. No mesmo período, a empresa realizou mais de 650 leilões.

A lista é extensa.

computadores, televisores, eletrodomésticos, móveis, equipamentos industriais e produtos devolvidos, entre outros ativos.

Além disso, a empresa atua em operações maiores. Entre elas estão mudanças de escritórios, reformas de hotéis e encerramentos de unidades empresariais.

Portanto, o negócio não depende apenas de pequenos produtos.

Uma única desmobilização pode colocar milhares de itens à venda.

Leilão digital determina quanto cada produto ainda vale

O funcionamento difere de um marketplace convencional.

Em plataformas tradicionais, um vendedor pode anunciar determinado produto e esperar indefinidamente por um comprador.

Na Kwara, o leilão ajuda a definir o preço do ativo dentro de um prazo estabelecido.

Os compradores fazem seus lances. Dessa forma, a disputa ajuda a encontrar um valor de mercado para produtos que, muitas vezes, não possuem uma referência simples de preço.

Existe ainda outra diferença importante.

Somente empresas podem vender na plataforma.

Já pessoas físicas podem participar como compradoras.

Segundo Thiago da Mata, CEO da companhia, essa escolha está relacionada à própria natureza das operações corporativas. Empresas costumam vender ativos porque precisam liberar espaço, encerrar projetos ou reorganizar suas estruturas.

Assim, prazo e previsibilidade ganham importância.

A Kwara, por sua vez, recebe uma porcentagem sobre cada venda realizada.

Produtos devolvidos pelo e-commerce viraram uma oportunidade

Uma das áreas que mais impulsionaram o negócio foi a logística reversa.

O crescimento do comércio eletrônico trouxe um desafio enorme para varejistas.

Nem tudo que sai de um centro de distribuição permanece com o consumidor.

Produtos voltam.

Alguns apresentam pequenas avarias. Outros tiveram suas embalagens abertas. Além disso, existem itens que simplesmente não podem retornar às prateleiras como novos.

Porém, isso não significa que perderam completamente o valor.

A Kwara criou uma nova rota para esses produtos.

Como consequência, a demanda por itens seminovos e recondicionados cresceu 105% na plataforma entre 2025 e 2026, segundo a empresa.

Entre os produtos mais negociados estão eletrônicos, televisores, equipamentos de informática, eletrodomésticos e mobiliário.

O que poderia virar lixo volta para o mercado

O modelo também produz uma consequência ambiental.

Quando um computador, móvel ou eletrodoméstico encontra um novo comprador, o produto continua em circulação.

Assim, a vida útil do bem aumenta.

Ao mesmo tempo, a empresa evita que parte desses itens siga diretamente para descarte.

Esse conceito se aproxima da economia circular, na qual produtos e materiais permanecem em uso pelo maior tempo possível.

Entretanto, a sustentabilidade não é o único argumento comercial.

Segundo o CEO, as empresas procuram a plataforma principalmente por três fatores: prazo, governança e sustentabilidade.

Além disso, os leilões deixam registros das transações.

Consequentemente, grandes companhias conseguem acompanhar melhor a destinação dos próprios ativos.

Negócio nasceu sem dinheiro de investidores externos

Outro ponto chama atenção na trajetória.

A empresa não recebeu aportes de investidores externos, segundo a reportagem da Exame.

Os próprios sócios financiaram a operação.

Depois, a companhia passou a reinvestir o caixa gerado pelo negócio para sustentar o crescimento.

A Kwara nasceu em 2023 pelas mãos de Henri Zylberstajn e André Zukerman, profissionais com experiência no mercado de leilões e cofundadores da Sold Leilões.

Posteriormente, Thiago da Mata entrou no negócio.

Antes disso, ele acumulou 18 anos de carreira em multinacionais, com passagens por BAT, Grupo Mars e Coca-Cola. Sua experiência estava concentrada em áreas comerciais e transformação de operações.

No fim de 2023, ele se juntou aos atuais sócios.

Inteligência artificial vai catalogar milhares de produtos

Agora, a tecnologia deverá ganhar ainda mais espaço.

A Kwara planeja investir entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões em inteligência artificial.

O objetivo é resolver um problema criado pelo próprio crescimento.

Imagine uma empresa precisando vender milhares de ativos.

Alguém precisa identificar cada item. Depois, é necessário criar uma descrição e colocar o produto na categoria correta.

Em grande escala, esse processo consome tempo.

Por isso, a empresa desenvolveu uma solução interna na qual a equipe realiza a catalogação inicial. Em seguida, a inteligência artificial sugere descrições e categorias automaticamente.

Além disso, a tecnologia deverá ajudar no atendimento aos clientes.

Dessa forma, a Kwara pretende aumentar o volume negociado sem elevar os processos manuais na mesma proporção.

Casas Bahia está entre as grandes empresas atendidas

A escala ganha outra dimensão quando entram grandes varejistas.

A reportagem cita a Casas Bahia como exemplo de companhia com grandes volumes de ativos que precisam ser vendidos.

Nessas operações, automatizar etapas deixa de ser apenas uma questão tecnológica.

Passa a ser uma necessidade operacional.

Afinal, catalogar manualmente milhares de produtos pode criar um gargalo.

Por isso, a inteligência artificial deverá atuar justamente onde o crescimento aumenta o trabalho repetitivo.

De R$ 55 milhões para mais de R$ 100 milhões

Agora, a empresa tenta dar outro salto.

Depois de movimentar mais de R$ 55 milhões em vendas de materiais em 2025, a projeção é ultrapassar R$ 100 milhões em 2026 nessa categoria.

É importante fazer uma distinção: R$ 100 milhões não representam faturamento confirmado da Kwara.

O número corresponde à projeção de volume de vendas de materiais movimentado pela plataforma. A receita da empresa vem de uma porcentagem sobre as operações.

Ainda assim, o crescimento mostra o tamanho do mercado criado em torno de bens que perderam utilidade para seus antigos proprietários.

A companhia já colocou mais de 1 milhão de itens novamente em circulação.

Agora, com inteligência artificial e novos leilões digitais, pretende ampliar essa escala.

Assim, aquilo que antes poderia representar estoque parado, custo ou até descarte passou a alimentar uma operação que mira movimentar mais de R$ 100 milhões em apenas um ano.

Fonte

Exame


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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