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Empresa encontra no fundo do Atlântico 17 toneladas de moedas de ouro e prata avaliadas em US$ 500 milhões, leva o tesouro secretamente para os Estados Unidos e, após quase cinco anos de disputa judicial, recebe ordem para devolver aproximadamente 595 mil peças à Espanha

Empresa encontra no fundo do Atlântico 17 toneladas de moedas de ouro e prata avaliadas em US$ 500 milhões, leva o tesouro secretamente para os Estados Unidos e, após quase cinco anos de disputa judicial, recebe ordem para devolver aproximadamente 595 mil peças à Espanha

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Empresa encontra no fundo do Atlântico 17 toneladas de moedas de ouro e prata avaliadas em US$ 500 milhões, leva o tesouro secretamente para os Estados Unidos e, após quase cinco anos de disputa judicial, recebe ordem para devolver aproximadamente 595 mil peças à Espanha

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 17/08/2026 às 17:45

Atualizado 17/08/2026 às 17:52

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Imagem ilustrativa mostra a recuperação das moedas no fundo do Atlântico e a posterior análise do tesouro reivindicado pela Espanha.

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As 17 toneladas de moedas de ouro e prata encontradas pela Odyssey no Atlântico reuniam aproximadamente 595 mil peças avaliadas em US$ 500 milhões, foram levadas sob sigilo aos Estados Unidos e retornaram à Espanha após uma disputa judicial identificar o tesouro como parte da carga da fragata Nuestra Señora de las Mercedes

Uma empresa americana encontrou no Oceano Atlântico um tesouro formado por 17 toneladas de moedas de ouro e prata, avaliadas em até US$ 500 milhões.

A Odyssey Marine Exploration retirou aproximadamente 595 mil moedas do fundo do mar em 2007. Depois, transportou a carga sob sigilo para os Estados Unidos.

A companhia não revelou inicialmente o nome da embarcação nem a localização exata da descoberta. O projeto recebeu o codinome Black Swan, ou Cisne Negro.

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O mistério, no entanto, despertou a atenção da Espanha e abriu uma disputa judicial que atravessou quase cinco anos.

O governo espanhol identificou o naufrágio como a fragata Nuestra Señora de las Mercedes, pertencente à antiga Marinha espanhola.

A Justiça dos Estados Unidos reconheceu a imunidade soberana da embarcação e determinou que toda a carga fosse entregue à Espanha.

Tesouro deixou o Atlântico sob forte sigilo

A Odyssey encontrou os destroços em águas internacionais, a oeste do Estreito de Gibraltar, a cerca de 1,1 mil metros de profundidade.

Durante a recuperação, a equipe retirou do local centenas de milhares de moedas e outros objetos espalhados por uma extensa área do fundo oceânico.

A carga seguiu inicialmente para Gibraltar. Em seguida, a empresa transportou as moedas de avião para a Flórida, onde ficaram armazenadas.

O anúncio da descoberta causou repercussão internacional. Afinal, a estimativa de US$ 500 milhões colocava a operação entre as maiores recuperações de tesouros marítimos já divulgadas.

A Odyssey evitou informar o país de origem das peças, as datas gravadas nas moedas e a identidade do navio.

Essa estratégia pretendia proteger o local e as reivindicações comerciais da empresa. Ainda assim, as características dos objetos permitiram que autoridades espanholas avançassem na investigação.

Bloco de moedas e outros objetos recuperados do naufrágio da fragata Nuestra Señora de las Mercedes são exibidos após a retirada do tesouro do fundo do Atlântico.

Fragata explodiu durante ataque britânico

A fragata Nuestra Señora de las Mercedes afundou em 5 de outubro de 1804, durante um confronto próximo ao Cabo de Santa Maria, no litoral de Portugal.

A embarcação integrava uma flotilha espanhola que retornava da América do Sul com moedas, metais preciosos e outros produtos.

Navios britânicos interceptaram o grupo mesmo sem uma declaração formal de guerra entre Reino Unido e Espanha naquele momento.

Um disparo atingiu o depósito de munições da Mercedes. A explosão destruiu a fragata e espalhou sua carga pelo Atlântico.

Cerca de 250 pessoas morreram no naufrágio. Pouco mais de 50 tripulantes sobreviveram ao desastre.

Segundo o Museu Naval da Espanha, a embarcação transportava riquezas recolhidas nos territórios americanos administrados pela Coroa espanhola.

O episódio também agravou as tensões diplomáticas e contribuiu para a entrada da Espanha na guerra contra o Reino Unido.

Espanha relacionou as moedas ao naufrágio

O governo espanhol reuniu registros históricos, características das moedas, documentos navais e informações sobre o ponto da descoberta.

As evidências indicavam que a carga retirada pela Odyssey pertencia à Mercedes.

A empresa contestou essa conclusão. A companhia afirmou que nem todos os objetos encontrados poderiam ser vinculados diretamente à fragata espanhola.

A Odyssey também argumentou que havia localizado, financiado e executado a recuperação sem qualquer auxílio do governo da Espanha.

Além de buscar a posse do material, a companhia tentou receber uma recompensa pelo trabalho de salvamento.

O Peru apresentou outra reivindicação. O país alegou que parte dos metais havia sido extraída e transformada em moedas em seu território durante o período colonial.

Descendentes de comerciantes que transportavam propriedades particulares na embarcação também buscaram uma parcela do tesouro.

Moedas de ouro e prata recuperadas do naufrágio da fragata Nuestra Señora de las Mercedes são manuseadas durante o processo de análise e conservação do tesouro.

Tribunal rejeitou argumentos da empresa

A disputa chegou ao Tribunal de Apelações do 11º Circuito dos Estados Unidos.

Em 2011, a Corte concluiu que as provas ligavam o conjunto recuperado à Nuestra Señora de las Mercedes.

A decisão aplicou o princípio de imunidade soberana concedido aos navios de Estado e à carga transportada pela embarcação.

Tecnicamente, o tribunal não declarou que todas as moedas pertenciam definitivamente à Espanha. A Corte decidiu que a proteção jurídica da fragata também alcançava sua carga.

Essa interpretação impediu a Odyssey de manter os objetos ou receber uma recompensa pelo salvamento.

A decisão judicial também rejeitou a tentativa da companhia de separar as moedas dos destroços para afastar a imunidade do navio espanhol.

Aviões militares devolveram o tesouro à Espanha

Em fevereiro de 2012, uma ordem federal obrigou a Odyssey a entregar a carga ao governo espanhol.

Dois aviões militares C-130 Hércules transportaram as moedas da Flórida para a Espanha.

Dois aviões C-130 Hércules da Força Aérea espanhola transportaram para a Espanha as moedas e os artefatos recuperados da fragata Nuestra Señora de las Mercedes.

O material passou por inventário, conservação e estudos técnicos. Parte do conjunto seguiu para o Museu Nacional de Arqueologia Subaquática, em Cartagena.

O Ministério da Cultura da Espanha registra que o tesouro da Mercedes integra atualmente o patrimônio arqueológico subaquático espanhol.

A empresa descobriu o naufrágio, financiou a complexa operação e retirou centenas de milhares de peças de uma profundidade superior a mil metros.

Mesmo assim, não recebeu uma parcela significativa das moedas.

A Operação Cisne Negro demonstrou que encontrar um tesouro no fundo do oceano não garante automaticamente a propriedade da carga.

Na sua opinião, a Odyssey deveria ter recebido uma recompensa pela recuperação ou todo o tesouro precisava retornar à Espanha? Diga nos comentários.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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