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Empresa encontra terras raras, nióbio, escândio, tântalo e urânio na Bahia após 10 mil metros de perfurações ampliarem depósito mineral

Empresa encontra terras raras, nióbio, escândio, tântalo e urânio na Bahia após 10 mil metros de perfurações ampliarem depósito mineral

5 min de leitura

Empresa encontra terras raras, nióbio, escândio, tântalo e urânio na Bahia após 10 mil metros de perfurações ampliarem depósito mineral

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 27/08/2026 às 18:25

Atualizado em 27/08/2026 às 18:31

Mineração

Canal

Perfurações na Bahia encontram terras raras e minerais críticos, ampliam Monte Alto e abrem caminho para atualizar seus recursos minerais.

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Campanha com 10 mil metros de sondagens ampliou a mineralização para diferentes direções, mas os novos resultados ainda precisam ser incorporados à estimativa oficial de recursos

A Brazilian Rare Earths identificou novas extensões de mineralização de alto teor no depósito de Monte Alto, na Bahia. Os resultados vieram de uma campanha com aproximadamente 10 mil metros acumulados de perfurações e ampliaram o potencial geológico do projeto para o sul, o leste e o norte.

Divulgados em 26 de agosto de 2026, os dados mostram concentrações relevantes de terras raras, além de nióbio, escândio, tântalo e urânio.

Os resultados, entretanto, ainda não representam novas reservas minerais: eles precisarão ser incorporados a uma atualização da estimativa de recursos prevista para o fim de 2026.

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Segundo o documento técnico apresentado pela Brazilian Rare Earths à Bolsa de Valores da Austrália, a campanha foi formada por 39 novos furos, que totalizaram cerca de 8.510 metros, e pelo aprofundamento de dez furos anteriores, acrescentando outros 1.495 metros.

Perfurações ampliaram depósito para diferentes direções

A empresa informou que o trabalho teve três objetivos principais: verificar possíveis extensões laterais e em profundidade, aumentar a densidade de furos dentro do depósito e avançar sobre um corredor mineralizado identificado ao norte.

Um dos principais resultados foi registrado no furo MADD0230, na porção sul. A perfuração atravessou 25,6 metros com teor médio de 17,4% de óxidos totais de terras raras, ou TREO, a partir de 174 metros de profundidade.

Dentro desse trecho, oito metros apresentaram 28,1% de TREO. Uma amostra individual de um metro chegou a 32,8%, acompanhada por 10.986 partes por milhão de óxido de nióbio.

Na frente leste e em profundidade, o prolongamento do furo MADD0093 identificou 9,4 metros com 21,8% de TREO a partir de 161,7 metros. O intervalo incluiu 6,2 metros com teor de 25,4%.

Outros furos também encontraram intervalos de alto teor em diferentes limites do modelo geológico. Para a companhia, a repetição dos resultados indica que a expansão não depende de uma única ocorrência isolada.

A interpretação tridimensional atualizada identificou novas áreas mineralizadas que avançam aproximadamente 100 metros em profundidade e se distribuem por cerca de 250 metros ao longo da direção já conhecida do depósito.

Área central apresentou até 32% de terras raras

As perfurações internas, realizadas para preencher espaços entre os furos existentes, também reforçaram a continuidade da mineralização. No furo MADD0246, foram encontrados 12,3 metros com 16,5% de TREO, incluindo 4,9 metros com 32%.

As amostras desse furo apresentaram ainda até 610 partes por milhão de óxido de tântalo e 4.443 partes por milhão de óxido de urânio. A concentração combinada de neodímio e praseodímio alcançou 66.640 partes por milhão, equivalente a aproximadamente 6,7%.

Nos diferentes furos analisados, a empresa reportou também até 2.853 partes por milhão de óxido de disprósio, 471 de óxido de térbio, 3.348 de óxido de gadolínio e 27.077 de óxido de ítrio.

O conjunto dessas perfurações elevou para 255 o número de furos diamantados concluídos em Monte Alto, somando 43.974 metros. Segundo a companhia, os novos dados aumentaram em aproximadamente 50% o volume interpretado do envelope geológico primário em comparação com o modelo de fevereiro de 2026.

Esse aumento, porém, descreve o modelo geológico interpretado e não significa que o recurso mineral tenha crescido automaticamente na mesma proporção.

Norte aparece como nova frente de exploração

Ao norte, o furo MADD0231 encontrou um intervalo de 0,9 metro com 25,9% de TREO. A amostra também apresentou nióbio, escândio, tântalo e urânio, repetindo a assinatura de múltiplos elementos encontrada no depósito principal.

A empresa identificou ainda uma faixa de aproximadamente 400 metros com poucas perfurações entre a área principal e a ocorrência ao norte. Uma campanha de 1.400 metros está planejada para investigar se existe continuidade entre as duas zonas.

A própria Brazilian Rare Earths reconhece que os furos disponíveis ainda não são suficientes para estabelecer toda a extensão da mineralização setentrional nem confirmar sua ligação com o depósito principal.

Além desse trabalho, a empresa mantém uma campanha de mais de 5 mil metros nas frentes norte, sul e leste de Monte Alto. Outro programa de igual dimensão está em andamento em Velhinhas, aproximadamente cinco quilômetros ao sul, onde 1.250 metros já haviam sido perfurados.

A distância de cinco quilômetros refere-se à localização de Velhinhas em relação ao depósito principal. Portanto, não significa que a empresa tenha confirmado uma única nova área mineralizada em um “raio superior a cinco quilômetros”.

Resultados ainda não podem ser chamados de reservas

A atual estimativa de recursos de Monte Alto soma 3,4 milhões de toneladas com teor médio de 11,26% de TREO. Ela foi calculada com base em 216 furos disponíveis até 22 de fevereiro de 2026 e abrange aproximadamente 730 metros de extensão.

Nenhum dos novos resultados está incluído nessa estimativa, no plano de lavra, na meta de produção ou nas projeções financeiras do estudo conceitual do projeto integrado Monte Alto–Camaçari.

Conforme destacou a Mining Weekly, a possível ampliação da vida útil ou da produção anual depende da conversão da nova mineralização em recursos e de estudos posteriores.

A companhia pretende atualizar a estimativa segundo o código australiano JORC até o final de 2026. Depois disso, os dados ainda deverão passar por otimização de mina e por um estudo de pré-viabilidade.

Até a conclusão dessas etapas, o termo correto é nova mineralização ou possível ampliação de recursos — e não descoberta de novas reservas economicamente comprovadas.

O comunicado oficial da Brazilian Rare Earths também condiciona qualquer ganho econômico futuro à conversão dos resultados em recursos minerais.

Fontes consultadas

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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