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Empresa oferece US$ 101 milhões para equipes que conseguirem provar, em testes clínicos, que tratamentos podem recuperar funções do corpo perdidas com até 20 anos de envelhecimento

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Empresa oferece US$ 101 milhões para equipes que conseguirem provar, em testes clínicos, que tratamentos podem recuperar funções do corpo perdidas com até 20 anos de envelhecimento

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 19/08/2026 às 09:54

Atualizado em 19/08/2026 às 09:57

Ciência e Tecnologia

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Dez equipes receberão US$ 1 milhão cada para avançar aos testes clínicos; competição avaliará intervenções em adultos de 50 a 90 anos e exige resultados simultâneos nas funções muscular, cognitiva e imunológica.

A XPRIZE Healthspan, competição global de US$ 101 milhões voltada ao desenvolvimento de terapias para o envelhecimento saudável, entrou em uma nova fase em 11 de agosto de 2026. A organização anunciou 20 equipes finalistas, das quais dez foram escolhidas para receber US$ 1 milhão cada e avançar com recursos adicionais para testes clínicos.

A meta final é demonstrar melhora nas funções muscular, cognitiva e imunológica equivalente ao declínio normalmente associado a pelo menos 10 anos de envelhecimento, com objetivo máximo de 20 anos. Isso é uma meta da competição e ainda precisa ser demonstrado nos estudos clínicos.

Segundo o anúncio oficial da XPRIZE, as finalistas foram anunciadas durante uma cerimônia realizada em Salt Lake City, nos Estados Unidos. A competição foi lançada em novembro de 2023 e foi planejada para durar sete anos, culminando na escolha dos vencedores em 2030.

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XPRIZE Healthspan entra na fase de testes clínicos

As 20 equipes selecionadas chegam agora à etapa em que suas propostas terão de passar por avaliação clínica padronizada. De 2026 a 2029, os grupos deverão conduzir ensaios com intervenções de até um ano em adultos com idades entre 50 e 90 anos.

O objetivo não é simplesmente demonstrar mudanças em um marcador isolado de envelhecimento. Pelas regras da competição, uma equipe só poderá conquistar o grande prêmio se demonstrar melhora simultânea em músculo, cognição e sistema imunológico, de acordo com os protocolos definidos para a etapa final.

O regulamento oficial da competição, na versão 2.2, estabelece que as intervenções serão comparadas com controles e avaliadas de acordo com a magnitude da melhora funcional observada durante o período de tratamento.

Os participantes da etapa final devem ter entre 50 e 90 anos e não apresentar doenças graves com risco de vida ou incapacidades que os excluam dos critérios definidos pelo programa.

Dez equipes recebem US$ 1 milhão cada

Entre as 20 finalistas, dez foram escolhidas como vencedoras do chamado Milestone 2 Award. Cada uma receberá US$ 1 milhão, totalizando US$ 10 milhões distribuídos nesta etapa. Além do recurso financeiro, a XPRIZE informou que as premiadas terão acesso a recursos destinados a apoiar os testes clínicos.

As dez equipes premiadas são AgelessRx, dos Estados Unidos; Goda Lab, do Japão; Johns Hopkins-Suninflam, dos Estados Unidos; Longeveron, dos Estados Unidos; Minicircle, dos Estados Unidos; Mitochondrial All Stars, dos Estados Unidos; NYC-Vita Trial, dos Estados Unidos; RETRO-EPIGERNA, de Macau, China; RPRGAON-Progeria, da Coreia do Sul; e TIME TRAVELER – Plant-EVs, do Japão.

A seleção levou em consideração, segundo a XPRIZE, fatores como fundamentação científica, dados preliminares, capacidade de ampliar e tornar acessíveis as propostas e preparação para a fase de ensaios clínicos. As estratégias apresentadas incluem abordagens com medicamentos novos ou já existentes, terapias biológicas, intervenções relacionadas às mitocôndrias, terapias celulares, instruções genéticas temporárias e combinações de outras abordagens terapêuticas.

As outras dez equipes anunciadas em 11 de agosto continuam integrando o grupo de finalistas, embora não tenham recebido o prêmio de US$ 1 milhão do Milestone 2. O regulamento permite que equipes que não receberam essa premiação intermediária continuem na competição mediante o cumprimento das condições previstas pela organização.

O que significa recuperar funções equivalentes a 10 ou 20 anos

A parte mais ambiciosa da competição está no critério utilizado para definir o grande vencedor. A XPRIZE estabelece como patamar mínimo uma melhora funcional equivalente ao declínio esperado durante 10 anos de envelhecimento nos três sistemas avaliados: muscular, cognitivo e imunológico.

Isso não significa transformar literalmente uma pessoa de 70 anos em alguém biologicamente idêntico a uma pessoa de 60 ou 50 anos. O parâmetro adotado compara a mudança observada nos testes funcionais com os declínios relacionados à idade esperados ao longo de 10, 15 ou 20 anos em uma população de referência.

O regulamento cria três níveis para o grande prêmio. Uma equipe que demonstrar melhora equivalente a pelo menos 10 anos nos três domínios poderá disputar US$ 61 milhões, caso nenhuma alcance níveis superiores. Se a melhora atingir o equivalente a 15 anos, o prêmio previsto sobe para US$ 71 milhões. Se uma intervenção atingir o patamar máximo equivalente a 20 anos nos três sistemas, poderá conquistar US$ 81 milhões.

Portanto, os números de 10, 15 e 20 anos representam limiares de melhora funcional definidos para julgamento da competição, e não resultados que já tenham sido obtidos pelas equipes anunciadas em agosto de 2026. A comprovação dependerá dos ensaios clínicos da fase final e da análise dos dados.

Universidade de Utah terá papel central na análise dos resultados

A estrutura criada para avaliar os trabalhos inclui participação direta da University of Utah. De acordo com a University of Utah Health, o Utah Data Coordinating Center foi escolhido para supervisionar o gerenciamento dos estudos e dos dados de toda a competição, incluindo análises independentes das informações centrais de segurança e eficácia produzidas pelos ensaios.

O centro deverá reunir informações clínicas, dados de segurança, biomarcadores e outros resultados das finalistas utilizando critérios comuns. A instituição afirma que o objetivo é permitir uma análise independente e padronizada das equipes, elemento fundamental para determinar quais intervenções efetivamente atingiram os níveis exigidos.

O desenho descrito no regulamento prevê ensaios clínicos controlados de fase 2. Os resultados serão avaliados a partir de mudanças observadas no próprio participante entre o período de referência e o acompanhamento após a intervenção, enquanto os limiares necessários para superar o equivalente ao declínio de 10, 15 ou 20 anos serão utilizados na decisão sobre o prêmio.

Competição de US$ 101 milhões deve terminar em 2030

Os US$ 101 milhões correspondem especificamente à bolsa do XPRIZE Healthspan. O valor inclui as premiações intermediárias e o montante reservado para o grande prêmio. Separadamente, o regulamento prevê outros US$ 10 milhões para o FSHD Bonus Prize, voltado à distrofia muscular facioescapuloumeral.

O cronograma oficial prevê o desenvolvimento dos ensaios finais entre 2026 e 2029. O encerramento dos estudos das finalistas está programado para até dezembro de 2029, seguido pela apresentação dos dados finais e pelo julgamento ao longo de 2030. A cerimônia do grande prêmio e o anúncio dos vencedores estão previstos para até dezembro daquele ano.

Até lá, os US$ 1 milhão entregues a cada uma das dez equipes do Milestone 2 representam financiamento para avançar na competição, e não confirmação de que suas intervenções conseguem recuperar uma ou duas décadas de função perdida pelo envelhecimento. A etapa que começa agora é justamente aquela destinada a produzir as evidências clínicas que determinarão se alguma das propostas conseguirá cumprir a meta extraordinária estabelecida pelo XPRIZE Healthspan.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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