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Empresária de SC pediu desculpas depois que os vídeos dizendo que não queria clientes pobres viralizaram e o Procon deu apenas 48 horas para a loja de Florianópolis se explicar, ela admitiu que usou palavras que não deveria ter usado
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 15/08/2026 às 10:06
Atualizado em 15/08/2026 às 10:20
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Empresária de SC, Marciane Bett publicou nas redes sociais uma retratação após a repercussão dos vídeos em que desprezava consumidores de menor renda, a dona da loja Deusa Colorida Modas, que atua há duas décadas com moda feminina em Florianópolis, reconheceu o erro e prometeu transformar o episódio em aprendizado
A empresária de SC Marciane Bett, proprietária da loja Deusa Colorida Modas, em Florianópolis, divulgou um pedido público de desculpas na quinta-feira (13) depois que vídeos em que afirmava não querer clientes pobres se espalharam pelas redes sociais e provocaram uma onda de críticas em todo o país. As informações são do portal ND Mais, que publicou duas reportagens sobre o caso em 13 de agosto de 2026.
Horas antes da retratação, o Procon de Florianópolis já havia notificado a loja e fixado um prazo de apenas 48 horas para que a empresa esclarecesse a conduta e as políticas de atendimento adotadas com os consumidores. Para o órgão, as declarações não foram um simples desabafo pessoal e se enquadram como prática abusiva prevista no Código de Defesa do Consumidor.
Stories reclamavam de clientes que compravam peças de R$ 20 e R$ 50
A polêmica nasceu de uma sequência de stories publicada pela própria comerciante. Nas gravações, Marciane Bett lamentava a presença de consumidoras que, nas palavras dela, apareciam todos os dias na loja em busca de peças de R$ 20 e R$ 50, e afirmava que preferia outro perfil de público dentro do estabelecimento de Florianópolis.
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As gravações mencionavam ainda a coleção da loja e as formas de pagamento aceitas, ponto que depois pesaria na avaliação da fiscalização. O tom das falas foi o que transformou o caso em assunto nacional. “Pobre é uma desgraça. Nunca tem dinheiro e sempre quer trocar a peça por outra nova”, disse a empresária em um dos vídeos. Em outro trecho, ela completou: “Gente, eu não preciso disso. Eu tenho clientes que gastam mil reais em uma compra, que fazem compras de dois mil reais”.
Abaixo de uma das gravações, uma legenda escrita pela própria dona da loja resumia o recado: “Eu não QUERO cliente pobre”. A frase virou manchete, circulou em grupos de mensagens e levou o caso até a fiscalização de consumo da capital catarinense. O vídeo seguiu sendo repostado mesmo depois da retratação, e a própria fiscalização passou a usá-lo como peça central do caso, ao descrever nas suas manifestações que a comerciante discriminou clientes sem condição financeira de gastar mais dentro da loja.
Procon de Florianópolis enquadrou as falas como prática abusiva
Com os vídeos viralizados, o Procon de Florianópolis enviou uma notificação formal à empresa com base no Código de Defesa do Consumidor, a Lei 8.078, de 1990, que veda práticas abusivas na relação entre fornecedores e clientes. Na avaliação do órgão, o conteúdo não podia ser tratado como manifestação pessoal, porque abordava produtos, coleção, formas de pagamento e o perfil de público que a comerciante dizia querer ou não atender.
O diretor do Procon de Florianópolis, Tiago Silva, reagiu publicamente e afirmou que as declarações da comerciante causam indignação, porque consumidor não pode ser medido pelo tamanho do bolso. “Quem compra uma peça de R$ 20 tem exatamente o mesmo direito de ser tratado com dignidade e respeito que quem gasta R$ 1 mil”, declarou o diretor. A legislação de consumo prevê sanções administrativas para práticas do tipo, entre elas a aplicação de multa.
Notificação exige respostas da loja em 48 horas
A notificação entregue à empresa de Marciane Bett lista pontos objetivos que precisam ser respondidos dentro do prazo de 48 horas. A loja terá que esclarecer a autoria, a autenticidade e o contexto do vídeo que deu origem ao caso, além de informar se existe qualquer política interna de diferenciação de atendimento por renda, condição social, aparência ou valor da compra.
O documento também obriga a empresa a dizer se algum consumidor já teve atendimento, acesso à loja ou venda recusados por esses motivos. Por fim, a comerciante deve detalhar as manifestações feitas depois da repercussão e apontar quais medidas serão adotadas para garantir um atendimento digno e não discriminatório dali em diante. Como a notificação veio a público na quinta-feira (13), o prazo curto se encerra ainda nesta semana.
Lei proíbe recusar venda a quem se dispõe a pagar na hora
O pano de fundo jurídico do caso está no artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor, que traz a lista de práticas abusivas vedadas aos fornecedores. Entre elas está a recusa de venda de bens ou de prestação de serviços a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento, regra que impede qualquer comércio de escolher clientes pelo poder aquisitivo, pela aparência ou pela condição social.
Quando identifica indícios desse tipo de conduta, o Procon abre processo administrativo, colhe esclarecimentos e pode aplicar as sanções previstas no artigo 56 da mesma lei. A lista de punições possíveis vai da multa, calculada conforme a gravidade da infração e a condição econômica do fornecedor, até medidas mais duras, como a suspensão temporária da atividade e a imposição de contrapropaganda. A notificação com prazo de 48 horas é justamente a etapa inicial desse rito.
Retratação reconheceu erro e citou duas décadas de mercado
A resposta pública da empresária de SC veio poucas horas depois de a notificação se tornar conhecida, ainda na mesma quinta-feira, em um comunicado dividido em duas publicações nas redes sociais da loja. No texto, Marciane Bett reconheceu que a abordagem usada nos vídeos foi inadequada e admitiu ter transmitido uma mensagem contrária aos princípios do próprio negócio, que segundo ela atua há duas décadas no mercado de moda feminina com foco no respeito e na dedicação ao público.
“Quando falei sobre o nosso posicionamento e sobre o público que buscamos atender, usei palavras que não deveria ter usado. Peço desculpas sinceramente a quem se sentiu desrespeitado ou ofendido. Não é essa a imagem que queremos transmitir”, declarou a comerciante. Ela acrescentou que trabalhar com faixas de preço e perfis de produto específicos não justifica qualquer postura discriminatória ou julgamento sobre os consumidores.
No fim do comunicado, a proprietária assumiu a responsabilidade pelas falas, agradeceu às pessoas que alertaram sobre a gravidade do ocorrido e afirmou que o episódio servirá de aprendizado para a continuidade da história da empresa na região. O comunicado foi publicado em duas imagens sequenciais no perfil do negócio, no mesmo canal em que os vídeos originais haviam sido postados.
Caso somou relatos de clientes e segue em análise na fiscalização
A repercussão também abriu espaço para queixas antigas. O ND Mais reuniu relatos de consumidoras que descreveram deboches, mau atendimento e arrogância em experiências anteriores na loja de Florianópolis, incluindo o depoimento de uma clienta que afirmou ter sido xingada pela dona do estabelecimento. As reclamações se acumularam em uma série de avaliações negativas públicas sobre o comércio depois que os vídeos ganharam alcance nacional.
Do lado da fiscalização, o processo administrativo continua em andamento. O Procon vai analisar os esclarecimentos apresentados pela empresa dentro do prazo de 48 horas antes de definir os próximos passos previstos na legislação de consumo. Até a manhã desta sexta-feira (14), nem o órgão nem a loja haviam divulgado uma nova posição sobre o desfecho da notificação.
Episódio virou teste público de respeito ao consumidor
Em dois dias, a empresária de SC saiu de uma sequência de stories para uma notificação oficial, uma crise de imagem nacional e um pedido público de desculpas. O caso transformou uma loja de bairro de Florianópolis em exemplo, debatido no país inteiro, sobre o limite entre posicionamento de mercado e discriminação de consumidores. Entre a fala gravada nos stories, a cobrança do órgão de defesa do consumidor e o comunicado de desculpas, ficou registrado um roteiro completo de crise: a ofensa, a reação das redes, a chegada da fiscalização e a tentativa de reconstrução da imagem. Agora, o que vai definir o rumo da história é a resposta formal entregue ao Procon, não o vídeo de retratação.
E para você, um pedido de desculpas resolve um caso como esse, ou o que realmente pesa é a explicação que a loja der ao Procon dentro do prazo? Conte nos comentários se você já se sentiu tratado de forma diferente em uma loja por causa do valor da compra.
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Empresária de SC
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

