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Encontrada com 1 ano e 10 meses em um lixão e acolhida por uma lavadeira, menina cresce em meio à pobreza, passa a vender coxinhas nas ruas aos 8 anos, constrói carreira no varejo e décadas depois chega ao comando de três negócios no setor de alimentação com projeção de R$ 8 milhões

Encontrada com 1 ano e 10 meses em um lixão e acolhida por uma lavadeira, menina cresce em meio à pobreza, passa a vender coxinhas nas ruas aos 8 anos, constrói carreira no varejo e décadas depois chega ao comando de três negócios no setor de alimentação com projeção de R$ 8 milhões

7 min de leitura

Encontrada com 1 ano e 10 meses em um lixão e acolhida por uma lavadeira, menina cresce em meio à pobreza, passa a vender coxinhas nas ruas aos 8 anos, constrói carreira no varejo e décadas depois chega ao comando de três negócios no setor de alimentação com projeção de R$ 8 milhões

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 13/08/2026 às 23:30

Atualizado em 13/08/2026 às 23:31

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Alexandra Borges supera infância marcada pela pobreza e constrói três negócios no setor de alimentação

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Alexandra Borges saiu de uma infância marcada pela fome em Jacareí, trabalhou desde cedo, construiu carreira no varejo, passou cinco anos em Angola e investiu as economias acumuladas para abrir o próprio negócio. Em 2024, duas de suas operações somaram R$ 6 milhões em faturamento e, com a abertura de uma terceira cafeteria em 2025, a empresária projetava alcançar R$ 8 milhões no ano seguinte de sua expansão

Quando tinha apenas 1 ano e 10 meses, Alexandra Borges passava parte dos dias entre sacos de lixo em um terreno usado para descarte em Jacareí, no interior de São Paulo. Décadas mais tarde, aquela criança se tornaria empresária do setor de alimentação, à frente de franquias da Casa do Pão de Queijo e Café do Ponto e de uma cafeteria própria.

A mudança começou com Sebastiana, uma lavadeira que já tinha nove filhos e decidiu acolher Alexandra. Segundo relato da própria empresária publicado pelo UOL, ela se alimentava de restos encontrados no local e vivia sem cuidados regulares entre a mãe e a avó biológicas antes de ser levada para a nova família.

O acolhimento resolveu uma parte do problema, mas não eliminou a pobreza. Alexandra cresceu ao lado dos nove filhos de Sebastiana em uma casa onde frequentemente faltava dinheiro para despesas básicas e, ainda criança, começou a tentar ajudar na renda.

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Aos 8 anos, depois de ver a mãe adotiva chorar porque não havia dinheiro sequer para comprar uma torneira usada na lavagem das roupas, pegou uma bacia com coxinhas e saiu para vendê-las. A primeira tentativa terminou sem venda alguma; na segunda, voltou para casa sem as coxinhas e até sem o pote.

As coxinhas aos 8 anos foram seguidas pelo primeiro emprego aos 13 e pela descoberta de uma habilidade que mudaria sua carreira

Alexandra chamava as coxinhas feitas em casa de “bolinhas de frango com amor”. Na segunda tentativa de venda, em vez de apenas oferecer o alimento, passou a explicar às pessoas por que estava na rua e conseguiu esvaziar a bacia.

A experiência antecipou uma característica que reapareceria anos depois no varejo. Aos 13 anos, ela conseguiu trabalho como balconista em uma papelaria durante o período de volta às aulas e passou a dividir os dias entre emprego e estudo noturno. Aos 16, de acordo com informações publicadas pelo Terra, já havia chegado a um cargo de gerência.

Um episódio ocorrido durante um temporal também ficou marcado na trajetória profissional. Alexandra colocou uma capa de chuva, abriu os guarda-chuvas que estavam à venda na papelaria e foi para a calçada oferecê-los a quem precisava se proteger da chuva. O estoque acabou, e ela foi efetivada.

A história da menina vendendo comida aos 8 anos, porém, não deve ser interpretada como modelo de trabalho infantil. A legislação brasileira atual proíbe qualquer trabalho para menores de 16 anos, exceto na condição de aprendiz a partir dos 14; atividades noturnas, perigosas ou insalubres são proibidas para menores de 18 anos, conforme o artigo 7º da Constituição Federal.

Gravidez aos 17, dois filhos em menos de um ano e uma doença na tireoide criaram uma nova fase de dificuldades

Alexandra Borges transforma trajetória no varejo em três negócios de alimentação com projeção de R$ 8 milhões. (Foto: Karla Rabech)

A vida adulta chegou cedo. Alexandra começou a namorar aos 14 anos, engravidou aos 17 e se casou antes de completar 18. Thereza nasceu primeiro e, pouco depois, veio Jean; os irmãos têm 11 meses de diferença.

O casamento durou cerca de três anos. Aos 22 anos, com dois filhos pequenos e novamente vivendo com Sebastiana, Alexandra precisou reconstruir a própria renda.

Foi nessa fase que conseguiu emprego em uma loja de calçados em São José dos Campos. Enquanto trabalhava, uma cliente médica percebeu uma alteração em seu pescoço, e exames posteriores identificaram dois nódulos na tireoide.

O tratamento afetou sua aparência, provocou forte queda de cabelo e ganho de peso, mas ela continuou no varejo. Ao longo dos anos seguintes, avançou para funções de liderança e chegou a gerente regional, acumulando 15 anos na empresa, período em que conseguiu comprar carro e apartamento e melhorar as condições de vida dos filhos.

Quando os dois filhos chegaram à faculdade de Medicina, uma proposta de trabalho em Angola levou Alexandra para outro continente

A estabilidade profissional trouxe outro problema financeiro. Os dois filhos foram aprovados em cursos de Medicina, e Alexandra avaliou que o salário que recebia no Brasil não seria suficiente para sustentar as mensalidades e as demais despesas familiares.

Em 2010, surgiu a oportunidade de trabalhar em Angola. Ela participou de uma seleção em São Paulo para gerenciar a abertura de uma operação atacadista no país africano, deixou a carreira que havia construído no Brasil e aceitou o posto, que oferecia remuneração maior.

Foram cinco anos trabalhando em Angola. Além de contribuir para os estudos dos filhos, o período permitiu que Alexandra juntasse o dinheiro que mais tarde serviria de capital para uma mudança que vinha planejando havia anos: deixar de trabalhar somente para outras empresas e abrir o próprio negócio.

Nas viagens que fazia ao Brasil, ela passou a frequentar cursos do Sebrae e estudar possíveis segmentos para investir. O setor de cafeterias apareceu como uma alternativa e, ao retornar definitivamente, ela decidiu começar por uma franquia, modelo que já oferecia processos e estrutura estabelecidos.

Cerca de R$ 500 mil acumulados após anos de trabalho financiaram o primeiro passo no setor de cafeterias

O primeiro investimento ficou em torno de R$ 500 mil, segundo reportagem do Terra. O dinheiro havia sido formado principalmente durante os cinco anos em Angola e representava uma parcela importante das economias de Alexandra, o que reduzia sua margem para uma tentativa malsucedida.

Em 2015, ela adquiriu uma unidade da Casa do Pão de Queijo instalada em shopping. Apenas seis meses depois, acrescentou ao negócio uma operação do Café do Ponto.

Os números aumentaram ao longo dos anos. Em 2024, as duas operações atenderam cerca de 150 mil clientes, registraram crescimento anual de 23% e chegaram a aproximadamente R$ 6 milhões em faturamento.

Esse resultado abriu espaço para uma nova mudança. Em vez de permanecer exclusivamente como franqueada, Alexandra começou a preparar a entrada em uma operação sobre a qual teria maior controle.

Depois de duas franquias, a empresária apostou em uma marca própria e elevou a projeção dos negócios para R$ 8 milhões

Em 2025, Alexandra assumiu o Café do Barão, em um shopping de São José dos Campos. A negociação levou cerca de seis meses e veio depois de aproximadamente dois anos de sondagens para conseguir assumir o ponto.

A proposta inicial era colocar ali outra franquia, mas o comportamento dos consumidores fez o plano mudar. O estabelecimento tinha uma identidade colonial já reconhecida pelos clientes, e Alexandra decidiu preservar essa característica enquanto desenvolvia uma operação própria.

Nos primeiros meses, o Café do Barão chegou a registrar faturamento mensal 20% acima do previsto, conforme reportagem da Exame publicada em junho de 2025. Com Casa do Pão de Queijo, Café do Ponto e Café do Barão em funcionamento, a meta anunciada pela empresária era alcançar R$ 8 milhões em faturamento somado durante 2025.

O número precisa ser entendido como uma projeção divulgada naquele período, e não como faturamento posteriormente auditado ou confirmado. Nas fontes consultadas, não foi localizado um balanço público posterior que permita afirmar que a meta de R$ 8 milhões efetivamente foi atingida ao fim de 2025.

A mulher que a retirou do lixão permaneceu como referência mesmo depois do crescimento dos negócios

Sebastiana morreu em 2000, aos 81 anos. Alexandra continuou próxima dos irmãos com quem cresceu e atribui à mãe adotiva uma parte central da própria trajetória.

Em 2025, ela transformou essa história em livro. A autobiografia “Improvável não é impossível”, publicada pela Trend Editora, foi lançada em 24 de junho daquele ano em São José dos Campos e relata desde a infância em Jacareí até a carreira em vendas e a entrada no empreendedorismo.

A trajetória liga duas imagens separadas por mais de cinco décadas. De um lado está a criança que buscava restos de comida em um terreno usado como lixão e, aos 8 anos, carregava uma bacia de coxinhas pelas ruas para ajudar em casa. Do outro, uma empresária que reuniu duas franquias e uma marca própria, depois de passar pelo varejo, criar dois filhos, trabalhar cinco anos fora do Brasil e arriscar as economias acumuladas em seu primeiro negócio.

O que mais chama sua atenção na história de Alexandra Borges: o gesto de Sebastiana ao acolhê-la, a saída para vender coxinhas ainda criança ou a decisão de deixar uma carreira consolidada e trabalhar cinco anos em Angola para mudar o futuro da família? Deixe sua opinião nos comentários e conte qual parte dessa trajetória mais surpreendeu você.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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