8 min de leitura
Enfermeira brasileira chega a Londres sem poder exercer a profissão, recomeça a vida em trabalhos que não pediam diploma, encara anos entre aulas de inglês, o exame IELTS e o registro no conselho britânico de enfermagem, até vestir de novo o uniforme e conquistar o direito de trabalhar como enfermeira no Reino Unido
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 28/08/2026 às 09:18
Atualizado em 28/08/2026 às 09:19
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Manuella Azzari chegou a Londres sem conseguir atuar como enfermeira e passou dois anos, entre 2004 e 2006, estudando inglês, trabalhando como Health Care Assistant, fazendo o IELTS e cumprindo exigências do NMC. Após estágio supervisionado de três meses, obteve o registro e conquistou o primeiro emprego na enfermagem britânica.
Manuella Azzari precisou reconstruir a carreira depois de chegar à Inglaterra sem conseguir exercer imediatamente a enfermagem para a qual havia se formado no Brasil. O caminho até trabalhar como enfermeira em Londres envolveu melhorar o inglês, ser aprovada no IELTS, traduzir documentos, entrar no processo de registro profissional e cumprir uma etapa de complementação com estudo e estágio supervisionado.
Em relato publicado pelo Brasileiras Pelo Mundo em 1º de novembro de 2017, e atualizado em 4 de junho de 2018, Manuella descreveu uma trajetória que levou dois anos, entre 2004 e 2006. Durante esse período, ela conciliou estudo, trabalho como Health Care Assistant e as exigências do Nursing and Midwifery Council (NMC), conselho responsável pelo registro da profissão no Reino Unido.
Inglês foi a primeira barreira para voltar à enfermagem
Manuella sabia que precisaria dominar o idioma antes de avançar no processo profissional.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Ela decidiu continuar estudando inglês pela manhã e trabalhar durante a tarde, enquanto se preparava para as etapas necessárias ao reconhecimento de sua formação.
A brasileira relata que, naquele período, chegou a duvidar da própria capacidade de aprender o idioma.
Primeiro trabalho foi em um asilo particular
A primeira experiência profissional mencionada por Manuella foi em uma Residential Home, equivalente a uma instituição para idosos.
Ela atuava como Health Care Assistant, função que compara à de técnico de enfermagem, enquanto aperfeiçoava o inglês.
O contato diário com os moradores ajudou diretamente nesse processo.
Idosos corrigiam o inglês durante as conversas
Manuella conta que o trabalho na instituição acelerou seu aprendizado porque os idosos gostavam de conversar.
Segundo ela, os próprios residentes a corrigiam sempre que percebessem algum erro durante os diálogos.
Com o tempo, a brasileira conseguiu desenvolver maior segurança para se comunicar em inglês.
Aprovação no IELTS abriu caminho para o registro profissional
Depois de avançar no idioma, Manuella conseguiu ser aprovada no IELTS, exame internacional usado para avaliar a proficiência em inglês.
A aprovação permitiu que ela prosseguisse com a preparação da documentação exigida para o registro profissional.
Manuella então traduziu os documentos necessários e também seu diploma universitário.
Diploma brasileiro foi aceito pelo conselho britânico
A documentação foi encaminhada ao NMC, o Nursing and Midwifery Council.
Manuella recebeu a informação de que o curso de enfermagem realizado no Brasil era reconhecido.
O conselho, porém, ainda precisava avaliar se seria necessária alguma complementação profissional antes da emissão do registro.
Complementação poderia durar três, seis ou nove meses
O NMC poderia exigir um período adicional de três, seis ou nove meses, dependendo da avaliação feita sobre a formação da candidata.
No caso de Manuella, a exigência ficou no período mais curto.
Ela precisou cumprir três meses de complementação antes de finalizar o processo.
Três meses reuniram faculdade e estágio supervisionado
Durante essa etapa, Manuella conciliou estudo acadêmico com prática profissional supervisionada.
O período também serviu para que ela conhecesse melhor o funcionamento do sistema de saúde britânico.
A brasileira relata que precisou encontrar um local para o estágio e se matricular em uma faculdade para cumprir as exigências.
Duas dissertações fizeram parte da complementação
Os três meses também incluíram avaliações acadêmicas.
Manuella precisou produzir duas dissertações durante o período de estudo.
Além disso, ela recebeu um documento com diferentes procedimentos de enfermagem que deveriam ser acompanhados e validados durante a prática.
Enfermeiro precisava confirmar capacidade para cada procedimento
Cada procedimento realizado precisava ser assinado por um profissional responsável.
O objetivo era registrar formalmente que Manuella estava apta a executar aquelas atividades de enfermagem.
Depois que a etapa foi concluída, a universidade enviou ao conselho britânico toda a documentação exigida.
Licença finalmente foi emitida após dois anos de processo
Com a documentação concluída, o NMC emitiu a autorização necessária para que Manuella pudesse exercer a enfermagem.
Ela resume todo o percurso entre 2004 e 2006 como dois anos marcados por persistência.
A brasileira afirma que tinha consciência de que o processo demoraria, mas acreditava que o esforço valeria a pena.
Registro no NMC ainda não garantiu emprego imediatamente
A emissão da licença resolveu a questão profissional, mas abriu uma nova dificuldade.
Manuella precisou preparar um currículo no padrão britânico, enviar candidaturas e participar de entrevistas.
Em algumas tentativas, ouviu que seria necessário ter experiência profissional anterior no próprio Reino Unido.
Agência virou porta de entrada para trabalhar como enfermeira
Como não tinha alguém orientando o processo, Manuella buscou uma alternativa por conta própria.
Ela sabia da existência de agências destinadas a enfermeiros e resolveu tentar uma vaga nesse formato.
A estratégia funcionou, e a brasileira começou finalmente a trabalhar como enfermeira por intermédio de uma agência.
Cada plantão podia acontecer em um hospital diferente
O emprego por agência trouxe uma rotina sem local fixo.
Manuella relata que podia trabalhar cada dia em um hospital diferente, convivendo com novas equipes, procedimentos e normas.
Mesmo já atuando como enfermeira, ela continuou procurando uma vaga permanente.
Hospital particular ofereceu primeiro posto fixo
Depois de alguns meses trabalhando pela agência, Manuella recebeu convite para uma nova entrevista.
A oportunidade era em um hospital particular.
Depois da seleção, recebeu a ligação informando que havia conquistado uma vaga permanente.
Primeiro uniforme era lilás e incluía chapéu
Ao comparecer ao hospital para entregar documentos, Manuella também recebeu o uniforme que passaria a utilizar.
A roupa não era branca: tratava-se de um vestido lilás acompanhado de chapéu.
Ela conta que, naquele momento, nem acreditava que teria de trabalhar usando o acessório.
Uniforme fazia parte de uma tradição antiga da enfermagem
Manuella posteriormente percebeu que havia participado de uma tradição histórica ao vestir aquele uniforme.
Segundo seu relato, o modelo remetia aos meados dos anos 1800.
Quando publicou a experiência, afirmou que o uso daquele tipo de uniforme já não era mais visto.
Processo do NMC mudou em 2014
Manuella também registrou que o sistema para profissionais estrangeiros se inscreverem no NMC havia sido alterado em 2014.
A partir dessas mudanças, o processo passou a incluir novos requisitos e avaliações para quem desejava exercer enfermagem no Reino Unido.
Ela reuniu no relato as condições vigentes quando escreveu o texto.
IELTS exigia nota mínima sete em todas as áreas
Entre os requisitos estava a comprovação de capacidade para se comunicar de forma clara e eficaz em inglês.
O candidato precisava realizar o IELTS e atingir, segundo o relato, nota mínima sete em todas as áreas.
A comprovação linguística fazia parte do processo de entrada no conselho profissional.
Candidato precisava comprovar pelo menos 12 meses de prática
Outro requisito estava relacionado à experiência profissional anterior.
No momento da inscrição, o candidato deveria ter trabalhado como enfermeiro por pelo menos 12 meses após a qualificação.
Essa experiência precisava ser relevante para o campo profissional solicitado no registro.
Registro custava 140 libras
O processo também envolvia uma taxa de £140 para o registro.
O candidato precisava ser registrado no conselho de enfermagem do país onde atuava e apresentar provas das práticas realizadas como profissional.
A formação deveria ter pelo menos três anos de duração e reunir no mínimo 500 horas de prática clínica, comprovadas por documentação da instituição de ensino.
Primeira parte do teste de competência custava 130 libras
Depois de considerado elegível, o candidato poderia realizar a primeira parte do teste de competência.
A avaliação, com custo de £130, era baseada em conhecimentos teóricos aplicados à prática e tinha formato de múltipla escolha.
O exame podia ser feito em centros de testes localizados em diferentes países.
Candidato tinha duas tentativas antes de esperar seis meses
As regras permitiam duas tentativas para a prova teórica.
Se o candidato não atingisse a pontuação exigida em nenhuma delas, precisava aguardar seis meses antes de reiniciar o processo de inscrição.
A etapa funcionava como uma das barreiras antes da avaliação clínica realizada no Reino Unido.
Segunda prova custava 992 libras e só podia ser feita no Reino Unido
A segunda parte do teste de competência tinha custo de £992.
O exame clínico estruturado objetivamente, conhecido como OSCE, precisava ser realizado no Reino Unido.
A avaliação simulava situações clínicas e incluía diferentes estações destinadas a testar habilidades de enfermagem.
OSCE tinha seis estações de avaliação
Segundo as informações reunidas por Manuella, o exame era dividido em seis estações.
Cada uma utilizava critérios padronizados de avaliação.
Os candidatos precisavam circular por todas elas dentro de um prazo determinado.
Dois anos depois, Manuella voltou definitivamente à enfermagem
Entre 2004 e 2006, Manuella passou de um emprego como Health Care Assistant e das aulas de inglês ao registro no NMC, ao trabalho por agência e, finalmente, a uma vaga permanente em hospital particular.
A trajetória permitiu que ela voltasse a exercer a profissão para a qual havia se formado, depois de cumprir as exigências linguísticas, documentais, acadêmicas e profissionais necessárias no Reino Unido.
Para você, profissionais brasileiros formados em áreas regulamentadas deveriam encontrar processos mais simples para validar diplomas e exercer a profissão no exterior? Deixe sua opinião nos comentários.
Tags
enfermeira brasileira em Londres
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

