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Enfermeira sai com detector esperando encontrar lacre de lata, recebe um sinal logo na primeira passagem e desenterra um minúsculo livro de ouro de 22 a 24 quilates com cerca de 600 anos e descobre que a peça do século XV pode ter pertencido a alguém ligado à família do rei Ricardo III

Enfermeira sai com detector esperando encontrar lacre de lata, recebe um sinal logo na primeira passagem e desenterra um minúsculo livro de ouro de 22 a 24 quilates com cerca de 600 anos e descobre que a peça do século XV pode ter pertencido a alguém ligado à família do rei Ricardo III

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Enfermeira sai com detector esperando encontrar lacre de lata, recebe um sinal logo na primeira passagem e desenterra um minúsculo livro de ouro de 22 a 24 quilates com cerca de 600 anos e descobre que a peça do século XV pode ter pertencido a alguém ligado à família do rei Ricardo III

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 12/08/2026 às 16:18

Atualizado em 12/08/2026 às 16:19

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Enfermeira encontra raro livro de ouro medieval em campo na Inglaterra e peça pode ter ligação com Ricardo III. (Foto: BNPS e Courtesy of Buffy Bailey)

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Com apenas 1,5 centímetro e cerca de 5 gramas, objeto encontrado em um campo inglês tem imagens religiosas gravadas, data de aproximadamente 1400 a 1500 e apareceu perto de um castelo ligado à família do rei Ricardo III

Uma saída para procurar objetos com detector de metais terminou com a enfermeira britânica Buffy Bailey retirando do solo uma pequena peça de ouro que especialistas dataram da Inglaterra medieval. O objeto tem o formato de um livro aberto, mede aproximadamente 1,5 centímetro e foi encontrado em uma área rural próxima de York, no norte da Inglaterra.

Bailey estava acompanhada do marido, Ian, e tinha autorização do proprietário para vasculhar a terra. Segundo o The Times, ela recebeu um sinal do detector praticamente no começo da busca, perto de uma trilha usada por pedestres, quando esperava encontrar algo sem valor, como uma etiqueta de identificação de ovelha ou o lacre de uma lata.

O que saiu de aproximadamente 12 centímetros abaixo da superfície, porém, era muito mais incomum. A peça pesava cerca de 5 gramas e seu brilho e peso levaram Bailey a desconfiar de que não estava diante de uma lembrança moderna ou bijuteria perdida.

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As primeiras reportagens chegaram a associar o achado diretamente à realeza inglesa e falar em valor superior a £ 100 mil. Estudos e documentos oficiais posteriores trouxeram uma descrição mais cautelosa e, inclusive, estimativas financeiras bem menores para o objeto.

O sinal apareceu logo no começo e revelou ouro poucos centímetros abaixo da terra

Buffy Bailey, enfermeira do NHS e moradora de Lancaster, havia escolhido a região de York justamente por sua longa ocupação histórica. Ela e Ian começaram a procurar em terras agrícolas próximas de Sheriff Hutton, localidade situada ao norte da cidade de York.

De acordo com a Smithsonian Magazine, o detector respondeu já na primeira passagem feita ao lado de um caminho. Bailey cavou e encontrou uma peça que, vista de perto, reproduzia um pequeno livro aberto e apresentava figuras gravadas nas duas superfícies internas.

O ouro foi estimado inicialmente como sendo de 22 ou 24 quilates, uma pureza elevada para um objeto tão pequeno. Reportagens publicadas em novembro de 2021 também registraram peso de aproximadamente 5 gramas e comprimento de apenas meia polegada, cerca de 1,5 centímetro.

O que parecia um pequeno livro passou a ser catalogado oficialmente como uma conta medieval de ouro

Especialistas afirmam que o objeto é semelhante à Joia de Middleham, um pingente de ouro do século XV que foi vendido por 2,5 milhões de libras. (Foto: BNPS)

Embora a aparência lembre imediatamente um livro em miniatura, a classificação arqueológica atual é mais específica. O registro YORYM-DDE36E, ligado ao Treasure Case 2021 T668, descreve o artefato como uma conta de ouro medieval produzida aproximadamente entre 1400 e 1500.

O cadastro do Portable Antiquities Scheme identifica a peça como um objeto completo moldado no formato de um livro aberto. O local exato da descoberta não é divulgado publicamente, prática comum para proteger sítios arqueológicos, mas o registro informa Sheriff Hutton, em North Yorkshire.

Essa classificação sugere que o objeto poderia ter integrado algum tipo de joia ou acessório devocional. Isso ajuda a explicar por que um item tão pequeno foi trabalhado com ouro e recebeu imagens religiosas detalhadas.

A peça provavelmente não tinha a função de um livro propriamente dito. Seu tamanho impossibilitaria o uso convencional, e a forma teria sobretudo valor simbólico e religioso, algo compatível com outros objetos pessoais produzidos na Inglaterra medieval.

Duas figuras gravadas dentro da peça abriram uma pista ligada a gravidez e parto

As imagens chamaram tanta atenção quanto o ouro. Especialistas identificaram representações de São Leonardo e Santa Margarida, santos associados, no imaginário religioso medieval, à proteção de mulheres durante gravidez e parto.

Santa Margarida de Antioquia tinha uma ligação especialmente forte com o parto na tradição medieval. A narrativa religiosa dizia que ela havia sido engolida por um dragão e conseguido sair de seu corpo, imagem que acabou sendo relacionada simbolicamente à passagem da criança pelo nascimento.

São Leonardo também aparece em tradições medievais relacionadas à libertação e à proteção. O conjunto das duas figuras fez pesquisadores considerarem a possibilidade de a pequena joia ter sido usada como amuleto devocional por uma mulher durante a gestação.

Essa interpretação se tornou ainda mais interessante por causa do lugar em que o objeto apareceu. Poucos quilômetros de história separam o campo da descoberta de propriedades diretamente relacionadas a uma das famílias mais poderosas da Inglaterra do século XV.

A proximidade com Sheriff Hutton colocou Ricardo III e Anne Neville no centro das hipóteses

O achado ocorreu nas proximidades de Sheriff Hutton Castle, fortaleza que passou pelas mãos da família Neville e esteve estreitamente ligada a Ricardo III antes e durante seu reinado. Ricardo governou a Inglaterra entre 1483 e 1485 e morreu na Batalha de Bosworth, episódio que abriu caminho para a ascensão dos Tudor.

A conexão geográfica levou à possibilidade de que a joia pertencesse a alguém ligado ao rei, inclusive sua mulher, Anne Neville. Nenhuma evidência conhecida, entretanto, permite afirmar que ela tenha realmente usado ou possuído o objeto.

A Richard III Society chamou atenção para outra coincidência. O estilo da pequena peça apresenta semelhanças com o chamado Middleham Jewel, joia medieval de ouro e safira encontrada em 1985 perto de Middleham Castle, residência ligada à juventude de Ricardo III.

As duas peças apareceram no norte da Inglaterra, têm iconografia religiosa e estão associadas a locais frequentados pela família Neville. Essas características alimentaram a hipótese de que possam ter sido encomendadas dentro do mesmo ambiente social, embora não exista confirmação de que pertenceram à mesma pessoa ou tenham sido produzidas pelo mesmo artesão.

O nome de “Bíblia de ouro” ganhou as manchetes, mas especialistas contestaram essa identificação

A forma do artefato fez vários jornais britânicos descrevê-lo inicialmente como uma Bíblia em miniatura. A interpretação é visualmente tentadora, mas não é consenso entre pesquisadores de cultura material medieval.

Kathleen Kennedy, especialista em cultura material medieval e do início da era moderna, argumentou que não existem inscrições bíblicas capazes de identificar o objeto como uma Bíblia. Em análise reproduzida pelo projeto Religion & Collections, ela observou que as imagens dos santos são compatíveis com práticas devocionais e livros de horas, o que torna mais seguro descrevê-lo como uma joia ou conta devocional em formato de livro.

A própria catalogação arqueológica posterior reforçou essa cautela. Em vez de “Bíblia”, o objeto passou a aparecer nos registros especializados como uma conta medieval de ouro em formato de livro.

A estimativa inicial de £ 100 mil acabou muito acima das avaliações oficiais feitas anos depois

Quando a descoberta se tornou pública em 2021, Bailey chegou a considerar que a peça poderia valer £ 100 mil ou mais. O número se espalhou por reportagens internacionais e ajudou a transformar o pequeno artefato em notícia mundial.

O processo oficial de avaliação, porém, apontou valores muito diferentes. Atas do Treasure Valuation Committee mostram que, em 2024, um avaliador provisório estimou a peça entre £ 6 mil e £ 8 mil, enquanto uma segunda avaliação indicou £ 12 mil a £ 13 mil.

A diferença mostra por que estimativas publicadas logo após descobertas arqueológicas precisam ser tratadas com cautela. Raridade, contexto histórico e possível ligação com personagens famosos aumentam o interesse de uma peça, mas não significam automaticamente que seu valor comercial chegará às cifras inicialmente divulgadas.

O ponto mais relevante permanece histórico. Uma enfermeira saiu para um campo acreditando que poderia encontrar restos metálicos comuns e retirou da terra uma joia de aproximadamente seis séculos, feita em ouro de alta pureza, com iconografia religiosa e encontrada em uma região diretamente ligada à aristocracia inglesa do século XV.

Você acha que a proximidade com as propriedades de Ricardo III e as semelhanças com o Middleham Jewel são coincidência ou indício de uma ligação real com a família do rei? Deixe sua opinião nos comentários e conte o que você faria se encontrasse uma peça como essa durante uma busca com detector de metais.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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